<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-4388487925984704521</id><updated>2011-12-11T09:35:53.942-08:00</updated><category term='vida intelectual'/><category term='protreptikos'/><category term='trivium'/><category term='lógica'/><category term='mário ferreira dos santos'/><category term='duns scotus'/><category term='Copleston'/><category term='argumento ontológico'/><category term='idade média'/><category term='tomás de aquino'/><category term='banquete'/><category term='deus'/><category term='gramática'/><category term='consolação da filosofia'/><category term='dante alighieri'/><category term='Poética'/><category term='quadrivium'/><category term='sertillanges'/><category term='protréptico'/><category term='escolástica'/><category term='retórica'/><category term='cultura'/><category term='santo anselmo'/><category term='boécio'/><category term='estudos'/><category term='aristóteles'/><category term='proslógio'/><category term='artes liberais'/><category term='filosofia'/><category term='linguagem'/><category term='Grécia'/><category term='cristianismo'/><category term='Zeller'/><category term='medieval'/><category term='pré-socráticos'/><category term='miriam joseph'/><category term='convite'/><category term='catolicismo'/><title type='text'>Lectiones Philosophica</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://lectionesphilosophica.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4388487925984704521/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lectionesphilosophica.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Renan Santos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17608988790611781498</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0J-_pgCSqgo/Sqb-vuFgw9I/AAAAAAAAAH0/EdqQlSSqhS0/S220/renan2.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>36</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4388487925984704521.post-3274031477017373801</id><published>2010-07-31T12:19:00.001-07:00</published><updated>2010-07-31T12:35:11.842-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pré-socráticos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Grécia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Zeller'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='filosofia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Copleston'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cultura'/><title type='text'>Pré-socráticos – por Zeller e Copleston, parte I</title><content type='html'>A próxima série apresentará um resumo didático dos pré-socráticos como expostos em duas importantes obras sobre a história da filosofia: &lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;i&gt;History of Greek Philosophy&lt;/i&gt; – de &lt;b&gt;Eduard Zeller&lt;/b&gt;, eminente filólogo e helenista alemão do século XIX.&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;History of Philosophy&lt;/i&gt;, vol. I – de &lt;b&gt;Frederick Copleston&lt;/b&gt;, padre, filósofo neotomista e grande historiador da filosofia no séc. XX.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conta Copleston que no século XI a.C. as invasões dóricas assolaram o velho mundo egeu, mas a cultura jônica se manteve firme (Homero era jônico) – e muito felizmente, pois foi dela que acabaram surgindo os primeiros filósofos gregos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assimo como Zeller, Copleston também refuta – ainda que não tão ferrenhamente – a idéia de uma filosofia grega com berço no pensamento oriental e/ou egípcio. Segundo ele, a matemática egípcia e a astrologia babilônica somente &lt;b&gt;influenciaram&lt;/b&gt; o que mais tarde viria a se transformar em &lt;b&gt;ciência &lt;/b&gt;matemática/geométrica e astronomia na Grécia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Zeller, a cultura e o pensamento grego formaram o melhor ambiente para o surgimento da &lt;b&gt;reflexão&lt;/b&gt;. Havia um misto de liberdade, prosperidade e diversidade. Circunstâncias políticas, mistura de tribos, troca de poderes, ensinamento político, multiplicação de colônias, movimentos, comércio, trocas, etc. Para Copleston, a ausência de uma classe pregadora dominante (&lt;i&gt;priestly class&lt;/i&gt;) foi muito importante para a liberdade em que o pensamento estritamente filosófico florescesse. Citando o próprio Zeller, afirma ele que a conjunção entre a “imparcialidade” dos gregos a respeito do mundo e o seu senso de realidade e poder de abstração permitiram aos mais eminentes reconhecer nas suas idéias religiosas a criação de uma imaginação artística. Some a isso a vontade pelo poder, a inquietude política, os infindáveis conflitos entre pequenas nações n’um espaço diminuto, e temos a manifestação clara dos dois lados da cultura grega: o lado da moderação, da arte, de Apolo e das divindades olímpicas; e o lado do excesso, do frenesi dionísiaco, a &lt;i&gt;vontade de poder &lt;/i&gt;de que tanto fala Nietzsche. Essa tensão foi importantíssima na fundamentação do espírito genuinamente filosófico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De todo modo, a cosmogonia grega (dos jônicos, de Homero, de Hesíodo) nunca sumirá completamente mesmo após o período pré-socrático. Zeller compara as várias versões da criação gregas do universo, evidenciando como elas são parecidas e partem dos mesmos princípios, não importando o autor e/ou doutrina. Na verdade, para ele mesmo as distinções naturalmente gestadas no empreendimento filosófico grego acabaram por ecoar por todo o pensamento ocidental até hoje. O alemão traça um paralelo entre o sensualismo dos estóicos e epicuristas e o empiricismo inglês e francês da modernidade, e o ceticismo da Nova Academia e a filosofia de Hume, e também o que ele identifica como um panteísmo nos eleatas e estóicos ele paraleliza com o panteísmo de Spinoza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*** &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zeller discorda da divisão histórica de Hegel para a filosofia grega, devido à sua “desproporção” intrínseca, segundo ele. Para Zeller:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Sócrates –&amp;gt; Ética e Dialética     &lt;br /&gt;Platão e Aristóteles –&amp;gt; separação da Física em Metafísica&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;Sócrates – realidade &lt;b&gt;nos conceitos&lt;/b&gt;.      &lt;br /&gt;Platão – conceitos &lt;b&gt;à parte&lt;/b&gt; da matéria (idealismo)      &lt;br /&gt;Aristóteles – conceitos formados &lt;b&gt;com&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;na &lt;/b&gt;matéria (concretismo-realismo)&lt;/blockquote&gt;Há para ele &lt;b&gt;três períodos &lt;/b&gt;na filosofia grega:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;b&gt;Dogmatismo físico&lt;/b&gt; – de Tales a Sócrates.      &lt;br /&gt;&lt;b&gt;Filosofia do conceito&lt;/b&gt; – de Sócrates a Aristóteles.      &lt;br /&gt;&lt;b&gt;Subjetivismo, idealismo e espiritismo&lt;/b&gt; – todos os pós-aristotélicos&lt;/blockquote&gt;Zeller afirma que a filosofia grega no fim sucumbiu à própria contradição do subjetivismo no qual acabou culminando e do qual não pôde se livrar, enredando o pensamento na relatividade do sujeito e na impossibilidade se atingir o absoluto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como afirmara Copleston, Mileto é o berço da filosofia jônica. A curiosidade pelas mudanças e incertezas do mundo (a morte, p. ex.) e a busca pelo &lt;b&gt;permanente&lt;/b&gt; por detrás disso tudo é o que movem o espírito filosófico primordial. Os jônicos buscam incessantemente pelo &lt;b&gt;princípio&lt;/b&gt;, o elemento primitivo (o &lt;i&gt;urstoff&lt;/i&gt; do alemão). De acordo com Copleston, os primeiros filósofos tinham um caráter muito mais de &lt;b&gt;cientistas práticos&lt;/b&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zeller recusa a divisão jônica e dórica da filosofia pré-socrática, assim como nega a divisão entre idealismo e materialismo antes de Platão. Para ele, todos os pré-socráticos bebiam da mesma fonte &lt;b&gt;naturalista&lt;/b&gt;. Copleston endossa esta visão: eram dogmatistas, para eles as coisas são como são, não havia ainda o levantamento do “problema crítico”, como ele chama, o qual surgirá somente com Sócrates.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O espírito do &lt;b&gt;hilozoísmo &lt;/b&gt;ainda mantinha seu vigor na mentalidade grega, fazendo enquadrar o universo como uma matéria animada, uma integralidade ativa. Assim, nos pré-socráticos não havia ainda distinções como idéia e matéria. O ponto de partida eram sempre as sensações em si mesmas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após a contemplação sobre a realidade, chegavam à conclusão que a &lt;b&gt;substância&lt;/b&gt; do mundo seria:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;um princípio material – para os &lt;b&gt;jônicos       &lt;br /&gt;&lt;/b&gt;o número – para os &lt;b&gt;pitagóricos       &lt;br /&gt;&lt;/b&gt;o Ser – para os &lt;b&gt;eleatas&lt;/b&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na próxima parte, o resumo sobre os jônicos e os pitagóricos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4388487925984704521-3274031477017373801?l=lectionesphilosophica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lectionesphilosophica.blogspot.com/feeds/3274031477017373801/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lectionesphilosophica.blogspot.com/2010/07/pre-socraticos-por-zeller-e-copleston.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4388487925984704521/posts/default/3274031477017373801'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4388487925984704521/posts/default/3274031477017373801'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lectionesphilosophica.blogspot.com/2010/07/pre-socraticos-por-zeller-e-copleston.html' title='Pré-socráticos – por Zeller e Copleston, parte I'/><author><name>Renan Santos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17608988790611781498</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0J-_pgCSqgo/Sqb-vuFgw9I/AAAAAAAAAH0/EdqQlSSqhS0/S220/renan2.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4388487925984704521.post-3143115973901300953</id><published>2010-07-05T14:13:00.001-07:00</published><updated>2010-07-05T14:16:14.851-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='linguagem'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='filosofia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='escolástica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='vida intelectual'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cultura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='quadrivium'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='lógica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='estudos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='medieval'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='miriam joseph'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='retórica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poética'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='trivium'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='gramática'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='idade média'/><title type='text'>Trivium, as Artes Liberais da Lógica, Gramática e Retórica, parte XII</title><content type='html'>&lt;b&gt;O Ensaio&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo Miriam, é de difícil definição, historicamente. De forma geral, é uma obra curta e em prosa que trata um único tópico. &lt;b&gt;Michel Eyquem de Montaigne &lt;/b&gt;foi quem primeiro usou a palavra como um termo literário quando da publicação de seus &lt;i&gt;Essais&lt;/i&gt; (1650). &lt;i&gt;Essai &lt;/i&gt;= tentativa, experiência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Francis Bacon&lt;/b&gt; é o primeiro inglês a usar o termo, em obras com tom mais pessoal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No século XVII, surgem os periódicos (&lt;i&gt;journals&lt;/i&gt;), e no início do séc. XVIII &lt;b&gt;Joseph Addison&lt;/b&gt; e Richard &lt;b&gt;Steele&lt;/b&gt; escrevem vívidos ensaios sobre hábitos e idiossincracias de seu tempo, publicados na &lt;i&gt;Tatler&lt;/i&gt; (1709-1711) e &lt;i&gt;Spectator&lt;/i&gt; (1711-1714). O americano &lt;b&gt;Washington Irving&lt;/b&gt; escreveu ensaios em estilo similar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Romantismo (início do séc. XIX), o ensaio assume um tom mais íntimo e informal (com freqüência, o uso de material autobiográfico + extravagância, perspicácia e sentimento). &lt;b&gt;Charles Lamb&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;William&lt;/b&gt; &lt;b&gt;Hazlitt&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;James Leigh Hunt&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;DeQuincey&lt;/b&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os americanos &lt;b&gt;Ralph Waldo Emerson&lt;/b&gt; e Henry &lt;b&gt;David Thoreau&lt;/b&gt; por sua vez não adotaram o tom extravagante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na era vitoriana, o ensaio formal tornou-se mais popular. &lt;b&gt;Thomas Carlyle&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;John Ruskin&lt;/b&gt;, Walter &lt;b&gt;Pater&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Thomas Huxley&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Matthew Arnold&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;John Henry Newman&lt;/b&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(de acordo com Miriam, até mesmo a &lt;b&gt;&lt;i&gt;Poética&lt;/i&gt; de Aristóteles&lt;/b&gt; pode ser considerada um ensaio).&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;b&gt;1) Ensaio íntimo&lt;/b&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;Visa mais agradar do que informar o leitor. Comunicação subjetiva de pensamento e sentimento. Um assunto trivial pode virar algo encantador, fascinante, divertido, mordaz, discutido de maneira casual, informal, conversativa. Apropriado para quem guarda um estilo muito literário.&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;b&gt;2) Ensaio formal&lt;/b&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;Varia conforme tema, propósito, público. Ensaios filosóficos, científicos, religiosos e históricos.&lt;/blockquote&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Um breve guia de composição&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;table border="1" cellpadding="0" cellspacing="0"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;       &lt;td valign="top" width="360"&gt;&lt;b&gt;&amp;nbsp;escrito expositivo&lt;/b&gt;&lt;/td&gt;        &lt;td valign="top" width="360"&gt;&lt;b&gt;escrito&lt;/b&gt; &lt;b&gt;poético&lt;/b&gt;&lt;/td&gt;     &lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;       &lt;td valign="top" width="360"&gt;comunicação imediata&lt;/td&gt;        &lt;td valign="top" width="360"&gt;comunicação mediata&lt;/td&gt;     &lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;br /&gt;Antes de escrever, &lt;b&gt;pensar com cuidado&lt;/b&gt; &lt;b&gt;sobre seu propósito&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;meios&lt;/b&gt;. O que há de comum entre o escritor e seus leitores. Não escrever o banal e o insípido – começar com uma pergunta. &lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;“Descobrir as partes do todo e as relações entre as partes e destas com o todo é o principal meio para avançar no conhecimento; é também uma medida de capacidade intelectual”.&lt;/blockquote&gt;Penetrar, distingüir, contrastar, encontrar as causas todas, delinear sua comparação e determinar quais tópicos são coordenados e quais são subordinados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ordenar a &lt;b&gt;ênfase&lt;/b&gt; –&amp;gt; &lt;b&gt;maior no final&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;2ª maior no início, e a menor no meio&lt;/b&gt;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comunicar o seu plano logo de saída e manter o leitor ciente por meio de transições claras de um tópico ao próximo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Clareza &lt;/b&gt;– exemplos concretos e analogias para assuntos abstratos. Evitar a monotonia, enriquecer, dar cor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Variação &lt;/b&gt;na dicção, sinônimos, extensão das frases, estrutura gramatical e repetição eficaz de palavras. Ritmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Condensar&lt;/b&gt; as frases, acumular o máximo de significado em poucas palavras. Usar palavras fortes, precisas, vívidas, específicas. &lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;“Os verbos, acima de tudo, são a chave para um estilo vigoroso”. &lt;/blockquote&gt;&lt;b&gt;Vividez &lt;/b&gt;– &lt;b&gt;voz ativa&lt;/b&gt;. Livrar-se do inútil ou supérfluo.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim terminamos nosso grande resumo do Trivium.&lt;br /&gt;Nos próximos dias, pretendemos apresentar alguns excertos importantes da tradição filológica e da história da filosofia sobre os pré-socráticos. Fiquem de olho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4388487925984704521-3143115973901300953?l=lectionesphilosophica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lectionesphilosophica.blogspot.com/feeds/3143115973901300953/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lectionesphilosophica.blogspot.com/2010/07/trivium-as-artes-liberais-da-logica.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4388487925984704521/posts/default/3143115973901300953'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4388487925984704521/posts/default/3143115973901300953'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lectionesphilosophica.blogspot.com/2010/07/trivium-as-artes-liberais-da-logica.html' title='Trivium, as Artes Liberais da Lógica, Gramática e Retórica, parte XII'/><author><name>Renan Santos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17608988790611781498</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0J-_pgCSqgo/Sqb-vuFgw9I/AAAAAAAAAH0/EdqQlSSqhS0/S220/renan2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4388487925984704521.post-67245184624069157</id><published>2010-06-27T11:21:00.000-07:00</published><updated>2010-06-28T20:08:50.506-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='quadrivium'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='lógica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='estudos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='retórica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='miriam joseph'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='medieval'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='filosofia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='escolástica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='vida intelectual'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='trivium'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='gramática'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cultura'/><title type='text'>Trivium, as Artes Liberais da Lógica, Gramática e Retórica, parte XI</title><content type='html'>&lt;b&gt;3) Poética&lt;/b&gt; – imitação da vida na qual o autor utiliza os personagens para se dirigir ao leitor. Como comunicação mediata (interposição de personagens e enredo), está mais sujeita a erros de interpretação.&lt;br /&gt;De acordo com Miriam, é necessário aprender como interpretar a comunicação poética. Com freqüência, é o mais fácil, mais natural e mais eficaz meio de comunicação, tal como nas parábolas (que às vezes também são de difícil compreensão).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na &lt;i&gt;Poética&lt;/i&gt;, Aristóteles distingue seis elementos formativos da obra gramática:&lt;br /&gt;&lt;ol&gt;&lt;li&gt;Enredo&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Personagens&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Pensamento dos personagens&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Dicção ou estilo&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Música&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Espetáculo (produção)&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;b&gt;Tragédia&lt;/b&gt; – produz no público uma purificação das emoções através da compaixão e do temor (o sofrimento trágico do herói). O herói, assim, precisa ser um homem não perfeito, mas bom, cujo infortúnio provenha não de depravação ou maldade, mas por erro de julgamento ou falha em seu caráter. &lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;i&gt;Ethos &lt;/i&gt;&lt;b&gt;–&amp;gt;&lt;/b&gt;&lt;i&gt; &lt;/i&gt;caráter&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Logos &lt;b&gt;–&amp;gt;&lt;/b&gt;&lt;/i&gt; pensamento&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Pathos &lt;b&gt;–&amp;gt;&lt;/b&gt;&lt;/i&gt; emoções e estilo (tudo como na Retórica)&lt;/blockquote&gt;Segundo Miriam, “a Poética está numa posição única entre a história e a filosofia. É mais filosófica e de maior importância que a História porque é universal e não singular; representa o que poderia ser e não apenas o que foi através dela o ouvinte ou leitor deduz o significado da natureza íntima de uma coisa tal como esta foi percebida pelo artista. É mais comoviente do que a filosofia, pois é percebida e concretizada intensamente no indivíduo retratado e o apelo é à pessoa toda: à imaginação, aos sentimentos e ao intelecto – e não apenas ao intelecto”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Conto &lt;/b&gt;– forma mais curta de narrativa com enredo (princípios aplicáveis ao romance, ao drama e à epopéia).&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;b&gt;1) Enredo &lt;/b&gt;– elemento essencial e primeiro na poética. “Os personagens se revelam na ação”. Combinação de incidentes intimamente ligados à unidade da ação; &lt;b&gt;começo, meio e fim&lt;/b&gt; (os tópicos de causa e efeito são as ferramentas de análise da poética). Narração de eventos selecionados e conectados de forma causal que surgem de conflitos e vão terminar na sua resolução.      &lt;br /&gt;&lt;b&gt;Enredo de um conto &lt;/b&gt;– única situação: um personagem central enfrenta um problema, e o enredo é a solução deste. Tanto o final feliz quanto o trágico são soluções. &lt;b&gt;Personagem&amp;nbsp;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;–&amp;gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt; problema&amp;nbsp;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;–&amp;gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt; solução&lt;/b&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;b&gt;Elementos da ação&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;ol&gt;&lt;li&gt;Situação ou exposição necessária para entender a narrativa;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Complicação, catalisador do conflito maior (ação ascendente);&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Solução ou conjunto de eventos que levam ao desfecho (declínio da ação).&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;a href="http://lh3.ggpht.com/_0J-_pgCSqgo/TCeWwXvyBXI/AAAAAAAAAUc/i-wxkdUr-SQ/s1600-h/triv10%5B4%5D.jpg"&gt;&lt;img alt="triv10" border="0" height="103" src="http://lh3.ggpht.com/_0J-_pgCSqgo/TCeWxb9aWeI/AAAAAAAAAUg/snTW9cBPWCc/triv10_thumb%5B2%5D.jpg?imgmax=800" style="border: 0px none; display: inline;" title="triv10" width="316" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;&lt;b&gt;Problemas da ação &lt;/b&gt;– necessidade da &lt;b&gt;plausibilidade&lt;/b&gt;. Como diz Miriam, “não importa quão imaginativa ou fantástica uma trama possa ser, ela precisa criar ilusão: deve parecer real”. Para assegurar a plausibilidade, é preciso:&lt;br /&gt;&lt;ol&gt;&lt;li&gt;Motivação natural e adequada;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Planificação e antecipação adequadas e habilidosas, as quais incluem motivos e detalhes de cenário ou ambientação, aparência, incidente, etc;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Detalhes vívidos, concretos, realistas;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Criação de uma ambientação eficaz;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Tom.&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;b&gt;Início da trama &lt;/b&gt;– pode ocorrer em qualquer ponto da ação. Geralmente é melhor lançar-se &lt;i&gt;in media res&lt;/i&gt; (no meio da coisa) (como faz Homero) e contar o passado (ação retrospectiva) em pontos de significância. Uma trama não pode começar por uma ação retrospectiva (≠ reminiscência).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Cenas dramáticas e não&lt;/b&gt;-&lt;b&gt;dramáticas &lt;/b&gt;– constituem a narrativa. Uma &lt;b&gt;cena&lt;/b&gt; é obrigatória se a necessidade psicológica requer uma apresentação dramática que satisfaça o interesse do leitos e que torne a estória ou um personagem convincente e plausível. Um &lt;b&gt;diálogo&lt;/b&gt; deve favorecer o desenvolvimento do enredo, revelar o personagem e ser natural. Deve ter a qualidade da fala e se ajustar ao personagem e à situação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;O ângulo de narração&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;1) Ponto de vista&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;1ª pessoa &lt;/b&gt;– personagem principal ou não;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;3ª pessoa &lt;/b&gt;– narração onisciente;&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Limitada&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Ilimitada&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;2ª pessoa &lt;/b&gt;– dirige-se ao leitor (raro).&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;2) Foco &lt;/b&gt;– perspectiva de quem vai contar a estória. Um ângulo de narração incomum pode tornar interessante uma estória trivial. O cambiar de pontos de vista é um efeito muito interessante.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;3) Plano (quadro) &lt;/b&gt;– uma estória pode ser contada dentro do plano de outra maior.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;4) Grau de dramatização&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Estória objetiva &lt;/b&gt;– fala e ação dos personagens;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Estória subjetiva &lt;/b&gt;– pensamentos de personagens;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Antecipar &lt;/b&gt;sinais de acontecimentos posteriores sem revelá-los altera o suspense e a plausibilidade. &lt;b&gt;Suspense &lt;/b&gt;– curiosidade ou ansiedade aprazível criada pelo interesse na estória. Motivação dos personagens, antecipação e estrutura contribuem. &lt;b&gt;Surpresa não é suspense.&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Transição &lt;/b&gt;– articulações entre os segmentos da ação.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Técnica de apresentação &lt;/b&gt;– artifícios para contar uma estória.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;b&gt;A estrutura de uma estória&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Miriam utiliza como exemplo &lt;i&gt;O pedaço de barbante&lt;/i&gt;, por Guy de Maupassant.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;b&gt;Personagem:&lt;/b&gt; Mestre Hauchecorne.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Problema:&lt;/b&gt; livrar-se da suspeita de roubo.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Solução:&lt;/b&gt; ele não consegue se livrar e morre protestando em vão sua inocência.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Tema:&lt;/b&gt; as aparências enganam.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Início da ação:&lt;/b&gt; Hauchecorne apanhou do chão um pedaço de barbante e um inimigo seu o viu.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Ponto crítico (de decisão):&lt;/b&gt; acusado por um inimigo de apanhar uma carteira que havia sido roubada, livra-se da acusação mas não da suspeita de seus concidadãos.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Desenlace:&lt;/b&gt; esgotado por fazer-se acreditar, definha e morre, ainda em descrédito.&lt;/blockquote&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Personagens &lt;/b&gt;– figura imaginada que desempenha um papel na história.&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Redondos &lt;/b&gt;– multidimensionais.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Planos &lt;/b&gt;– distingüidos por um traço notável (personagens-tipo, estereótipos).&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Desenvolvidos&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Não-desenvolvidos&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Desenvolvidos a partir de tipos&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Motivação &lt;/b&gt;– elo entre personagem e enredo. Plausibilidade e suspense.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Revelação direta (caracterização) &lt;/b&gt;– autor/observador descreve o personagem.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Revelação indireta &lt;/b&gt;– através do que pensa/diz/faz&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Riqueza descritiva &lt;/b&gt;– &lt;i&gt;suspension of disbelief&lt;/i&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Pensamento &lt;/b&gt;– os pensamentos e as qualidades morais dos personagens são as causas naturais da ação ou do enredo (Aristóteles)&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Declarações gerais &lt;/b&gt;(ditos sentenciosos) – proposições gerais, apotegmas, provérbios que expressam uma visão universal, um juízo ou uma filosofia de vida. (Hamlet deve muito de sua qualidade filosófica a isso).&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Tema &lt;/b&gt;– idéia subjacente à história toda, capaz de ser declarada em uma frase. “A um homem não deveria ser permitido que perecesse por completo” — Dostoievsky, &lt;i&gt;O Ladrão Honrado       &lt;br /&gt;&lt;/i&gt;“O sacrifício pelo bem público enaltece o sofrimento que acarreta”—Eurípedes, &lt;i&gt;Ifigênia em Áulis       &lt;br /&gt;&lt;/i&gt;“O auto-conhecimento é o primeiro passo para a maturidade” — Jane Austen, &lt;i&gt;Orgulho e Preconceito&lt;/i&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Dicção ou estilo &lt;/b&gt;– para Aristóteles, dicção = comunicação por meio de linguagem. Para os modernos, dicção = palavras que o autor usa; elemento do estilo. Estilo = o manuseio das palavras e dos elementos da estória. Tom = postura do autor quanto ao assunto da sua obra e os artifícios pelos quais cria essa postura (sério, severo, realista, romântico, cínico, etc.).&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Dicção&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Pedante ou coloquial&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Abstrata ou concreta&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Simples ou poética&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;/ul&gt;&lt;blockquote&gt;A maioria das estórias utiliza uma gama de dicções. Tais escolhas ajudam a comunicar os elementos do enredo.&lt;/blockquote&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Sintaxe &lt;/b&gt;– estrutura da frase&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Extensão&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Construção&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;/ul&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Trajes e cenário &lt;/b&gt;– dos dois últimos elementos do teatro discutidos por Aristóteles, a música hoje não é essencial, diferente das canções do coro no teatro grego (hoje em dia só na ópera e relativamente nos filmes).&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Ambiente &lt;/b&gt;– muito importante na narrativa.&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Tempo e lugar da história&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Atmosfera &lt;/b&gt;(Poe grande mestre nisso). A escrita regionalista (cor local), a descrição minuciosa das localidades, vestimentas, costumes e linguagem. No &lt;b&gt;naturalismo&lt;/b&gt;, o ambiente afeta diretamente o personagem e o enredo; o protagonista como vítima do seu meio (Émile Zola).&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;/ul&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;A obra como um todo&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;“As grandes narrativas poéticas mundiais levam o leitor a partilhar imaginativamente da rica e variada experiência de personagens individuais confrontados com problemas e condições de vida comuns a pessoas de todas as épocas”.&lt;/blockquote&gt;Tratar o mal como o mal, sem inspirar tentação sobre ele. Boas estórias apelam para o humano em nós. Suscitar perguntas, desenvolver respostas míticas.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Linguagem figurada&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Cícero&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;Quintiliano&lt;/b&gt; – a linguagem figurada inclui qualquer alteração, quer em pensamento, quer em expressão, dos moldes de falar comuns e simples. Atalhos e variações que empregam vivacidade e brilho. Cícero – &lt;b&gt;c. 90 figuras de linguagem &lt;/b&gt;(os mestres da Retórica da Renascença distinguem cerca de &lt;b&gt;200&lt;/b&gt;!)&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Esquemas &lt;/b&gt;– artifícios hoje tratados como meios de aprimoramento do estilo através da gramática: variedade de estrutura, estrutura paralela e antitética, equilíbrio, ênfase, estrutura elíptica e o uso de uma categoria morfológica em lugar de outra (p. ex., substantivos usados como verbos).      &lt;br /&gt;Esquemas retóricos de repetição são muito usados para enfatizar estrutura paralela, equilíbrio e ritmo (aliteração e repetição de palavras).      &lt;br /&gt;Esquemas retóricos de pensamento – &lt;i&gt;logos&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;pathos&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;ethos&lt;/i&gt;.      &lt;br /&gt;122 das 200 figuras correspondem aos tópicos da lógica e às formas de raciocínio.      &lt;br /&gt;(Litotes &amp;lt;-- --&amp;gt; obversão) Entimemas, silogismos disjuntivos e hipotéticos e dilemas. &lt;b&gt;O conceito moderno&lt;/b&gt; limita-se àquilo que os retores e retóricos da Antigüidade e da Renascença chamavam de &lt;b&gt;tropos&lt;/b&gt;.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Tropos&lt;/b&gt; – mudanças de palavras dos seus significados comuns e próprios para outros significados, não-próprios, a fim de aumentar sua &lt;b&gt;força e vivacidade&lt;/b&gt;. &lt;b&gt;É o uso imaginativo da palavra&lt;/b&gt; (“sua mente está enferrujada”). Possuem o poder de transmitir idéias com vivacidade n’um estilo condensado e pitoresco.       &lt;br /&gt;&lt;b&gt;Tropo mais importante = metáfora       &lt;br /&gt;&lt;/b&gt;      &lt;br /&gt;Retóricos renascentistas – 4-10 tropos      &lt;br /&gt;Quintiliano – 14 tropos      &lt;br /&gt;Irmã Miriam – 8 tropos      &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;1) Tropos de similaridade&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;A.Comparação por símile           &lt;br /&gt;&lt;/b&gt;“Como”, “assim”, “qual”, “do mesmo modo que”, “tal como”, “tão”, “igualmente” ou “assemelha-se”. Comparação imaginativa entre objetos de classes diferentes. (estritamente falando, &lt;b&gt;não é um tropo&lt;/b&gt;, já que não há alteração do sentido próprio das palavras, mas sua semelhança com a metáfora é tão grande que tal distinção técnica é aqui ignorada). “João é forte como um touro”. “É que teu riso penetra n’alma como a harmonia de uma orquestra santa” — Castro Alves&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;B.Metáfora &lt;/b&gt;– expressa, sem usar um conectivo, a identificação figurada de objetos similares de classes diferentes. “Maria é um doce”. “O senhor é meu pastor, nada me faltará, faz-me repousar em pastos verdejantes, leva-me para junto das águas de descanso, refrigera-me a alma” Salmo 23 “Minha vida se inclinou murcha, uma folha amarela no outono” — Macbeth 5.3.22-23&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;C.Onomatopéia &lt;/b&gt;– uso de vocábulos cuja pronúncia tenta imitar o som da coisa significada – na Gramática. Na poesia, é a combinação de sons e sentidos para dar ênfase ao significado expresso pelo poema.           &lt;br /&gt;“Ouves acaso quando entardece vago murmúrio que vem do mar, vago murmúrio que mais parece voz de uma prece morrendo no ar?”          &lt;br /&gt;— Vicente de Carvalho, “Cantigas praianas”.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;D.Prosopopéia (personificação) &lt;/b&gt;– atribuição de vida, sensação e qualidades humanas a objetos de uma ordem mais baixa ou a idéias abstratas. “Aquele foi um dia triste”. “A vida é apenas uma sombra ambulante, um pobre ator”. “Lágrimas correndo piedosas”.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;E.Antonomásia           &lt;br /&gt;&lt;/b&gt;1) Nome próprio substitui uma qualidade associada a ele e passa a ser usado como nome comum.          &lt;br /&gt;2) Uma expressão substitui um nome próprio.          &lt;br /&gt;“Ele era um Einstein para resolver problemas”.          &lt;br /&gt;“Wall Street caiu hoje após más notícias financeiras”.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;2) Tropos de relação entre sujeito e adjunto e entre causa e efeito&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;A.Metonímia &lt;/b&gt;– adjunto por sujeito, sujeito por adjunto, efeito por causa, ou causa por efeito (eficiente, final, material, formal).          &lt;br /&gt;“Remindo o tempo, porque os dias são maus” —Efésios, 5:16          &lt;br /&gt;“Calais estava povoada de novidades e encantos”.          &lt;br /&gt;“Que minhas mãos caiam podres e nunca mais empunhem o aço da vingança” — Ricardo II.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;B.Metalepse &lt;/b&gt;– uma metonímia onde o efeito é significado por causa remota. “Vossos cabelos de jacinto, vosso semblante clássico, vossos ares de náiade trouxeram-me de volta ao lar, à glória da Grécia e ao esplendor de Roma” —Poe, &lt;i&gt;To Helen&lt;/i&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;3) Tropo de divisão&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Sinédoque &lt;/b&gt;– substitui o todo pela parte, a parte pelo todo, o gênero pela espécie, ou a espécia pelo gênero.          &lt;br /&gt;“Ele me deu uma mãozinha”.           &lt;br /&gt;“O pão nosso de cada dia nos dai hoje”. —Lucas 11:3          &lt;br /&gt;“Tal como um par de leões lambuzados da vítima”.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;4) Tropo de contrários&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Ironia &lt;/b&gt;– “tenho por ti tanto amor que em breve mandarei tua alma para o paraíso” —Ricardo III          &lt;br /&gt;“O locutor falava com a suavidade de uma gralha”.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;/ul&gt;&lt;/ul&gt;&lt;b&gt;Figuras de linguagem ineficazes&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;b&gt;1) Figuras misturadas&lt;/b&gt; – mistura de duas ou mais comparações. “A flor da nossa juventude é o fundamento sobre o qual construiremos até que nossa luz brilhe para o mundo todo.”&lt;br /&gt;&lt;b&gt;2) Clichês, lugares-comuns, chavões &lt;/b&gt;– figuras muito repetidas. “Corajosos como leões”. “Espertos feito raposas”.&lt;/blockquote&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Poesia e versificação&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Poesia narrativa &lt;/b&gt;– drama (teatro), epopéia, balada e romance (mesmas aplicações do que foi feito à narrativa com enredo).&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Poesia didática (expositiva) &lt;/b&gt;– merece o nome de poesia se tiver pensamento, estilo e ritmo. (&lt;i&gt;De Rerum Natura&lt;/i&gt; de Lucrécio, &lt;i&gt;Essay on Criticism &lt;/i&gt;de Pope)&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Poesia lírica &lt;/b&gt;– canção, hino, soneto, ode, rondó e várias outras. Expressa mais os sentimentos, impressões e reflexões do poeta. O teatro desenvolveu-se a partir da poesia lírica.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Aristóteles e os modos de imitação&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;b&gt;Música –&amp;gt; &lt;/b&gt;ritmo e harmonia      &lt;br /&gt;&lt;b&gt;Dança –&lt;/b&gt;&amp;gt; ritmo      &lt;br /&gt;&lt;b&gt;Poesia –&amp;gt; &lt;/b&gt;ritmo e linguagem (métrica)&lt;/blockquote&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Para os &lt;b&gt;clássicos e neoclássicos&lt;/b&gt;, a poesia deve ser objetiva e apelar ao intelecto – atingir a beleza através de formas que ordenem perfeitamente a matéria.&lt;br /&gt;Para os &lt;b&gt;românticos&lt;/b&gt;, a poesia deve ser subjetiva e apelar aos sentimentos – atingir a beleza através do livre e espontâneo jogo de imaginação e idéias sobre um material que pode ser tanto pitorescamente estranho quanto familiar e corriqueiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em geral, contudo, ressalta Miriam, a poesia é comunicação de experiência, de emoção e também de pensamento, que abarca o universal sob o particular refletindo algum aspecto da beleza e da verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A linguagem da poesia se distingue pelo ritmo acentuado, embora para Aristóteles e Wordsworth a métrica não seja essencial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Energia, vivacidade, riqueza de imagens, agudeza e compressão (muito significado em poucas palavras).&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;“A poesia comunica experiência que não pode ser expressa de nenhuma outra maneira. O poeta vê e sente com uma profundidade e intensidade além daquela de uma pessoa comum; o poeta comunica não apenas pensamento, mas essa experiência. Ler poesia é partilhar da experiência do poeta.”.&lt;/blockquote&gt;A &lt;b&gt;forma &lt;/b&gt;da poesia deriva de sua própria perfeição; está, igualmente, embutida no significado e o expressa. (o oposto da poesia não é a prosa, mas o trivial, o prosaico)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Elementos de forma&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;1) Ritmo&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Paralelismo &lt;/b&gt;(&lt;i&gt;parallelismus membrorum&lt;/i&gt;) – principal artifício rítmico da poesia hebraica. Repetição de pensamento em diferentes palavras, ou desdobramento de um só pensamento em dois membros paralelos.        &lt;br /&gt;“Gasta-se a minha vida na tristeza; e meus anos em gemidos”.        &lt;br /&gt;“Porque um instante dura a sua cólera; a vida inteira a sua benevolência”. —Salmos (segundo Miriam, sem paralelismos, os salmos são prosaicos)&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Cesura &lt;/b&gt;(poesias anglo-saxã, grega, latina e línguas modernas) – pausa ou corte num verso, geralmente no meio ou próximo dele. O verso aliterado dos anglo-saxões à cesura + aliteração = ritmo nítido e forte.        &lt;br /&gt;“&lt;i&gt;We Twain had talked&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;in time of youth &lt;/i&gt;&lt;i&gt;and made our boast &lt;/i&gt;//&lt;i&gt; we were merely boys&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;stripplings still, &lt;/i&gt;// &lt;i&gt;to stake our lives &lt;/i&gt;&lt;i&gt;far at sea&lt;/i&gt;:&lt;i&gt; and so we performed it&lt;/i&gt;.” — &lt;i&gt;Beowulf&lt;/i&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Cadência &lt;/b&gt;– quedas e elevações da voz.&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Verso livre (&lt;i&gt;vers libre&lt;/i&gt;) &lt;/b&gt;– usa a cadência inerente à língua. Trazido à atenção moderna pelos simbolistas frances do final do séc. XIX. Também encontrado na Bíblia (Salmos e Cânticos de Salomão).&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Métrica &lt;/b&gt;(versificação) – ritmo medido conforme um padrão regular e predeterminado de sílabas longas e breves. Principal artifício rítmico da poesia inglesa.&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;1.Unidade Métrica = pé &lt;/b&gt;= uma sílaba acentuada e uma ou mais não acentuadas.&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;A) Dissilábico&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Iambo (Jambo) &lt;/b&gt;– sílaba breve, sílaba longa (&lt;i&gt;ca&lt;/i&gt;-&lt;i&gt;rouse&lt;/i&gt;’).&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Troqueu &lt;/b&gt;– sílaba longa, sílaba breve (&lt;i&gt;un&lt;/i&gt;’-&lt;i&gt;der&lt;/i&gt;)&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;B) Trissilábico&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Dáctilo &lt;/b&gt;– sílaba longa, sílaba breve, sílaba breve (&lt;i&gt;si&lt;/i&gt;’-&lt;i&gt;len&lt;/i&gt;-&lt;i&gt;tly&lt;/i&gt;).&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Anapesto &lt;/b&gt;- sílaba breve, sílaba breve, sílaba longa (&lt;i&gt;in&lt;/i&gt;-&lt;i&gt;ter&lt;/i&gt;-&lt;i&gt;fere&lt;/i&gt;’).&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Anfíbraco &lt;/b&gt;– sílaba breve, sílaba longa, sílaba breve (&lt;i&gt;in&lt;/i&gt;-&lt;i&gt;sis&lt;/i&gt;’-&lt;i&gt;ted&lt;/i&gt;).&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;/ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;2.Escansão &lt;/b&gt;– marcação (oral ou escrita) do &lt;b&gt;pé do verso&lt;/b&gt;. De acordo com o número de pés, o verso pode ser: monômetro, dímetro, trímetro, tetrâmetro, etc.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;3.Variações &lt;/b&gt;(como as síncopes na música)&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Catalexe &lt;/b&gt;– supressão de 1 ou 2 sílabas breves no fim do verso;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Terminação feminina &lt;/b&gt;– adição de 1 ou 2 breves ao fim do verso;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Anacruse &lt;/b&gt;– adição de 1 ou 2 breves no início;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Truncado &lt;/b&gt;– supressão de 1 ou 2 breves no início;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Espondeu &lt;/b&gt;– pé com 2 sílabas tônicas (geralmente substituído por algum dáctilo);&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Pirríquito/díbraco &lt;/b&gt;– pé com 2 sílabas átonas (breves).&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Ritmo (fraseado do verso) ≠ métrica &lt;/b&gt;(o padrão de pensamento pode não coincidir com o padrão métrico)          &lt;br /&gt;Segundo Miriam, “o verso pobre (não artístico) resulta da coincidência exata demais entre ritmo e métrica. Na boa poesia, o ritmo raramente corresponde à métrica com exatidão, ainda que com ela se harmonize e possas ser metricamente perfeito”. A variação se realiza dentro da ordem pelo uso de artifícios sutis e artísticos (como uma música clássica e um bom texto, afinal de contas).&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;/ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;2) Rima &lt;/b&gt;(precisa começar nas sílabas tônicas)&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Masculina (aguda) (oxítona)&lt;/b&gt; – sílaba final tônica em rima (&lt;i&gt;reign&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;gain&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;hate&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;debate&lt;/i&gt;);&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Feminina (grave) (paroxítona) &lt;/b&gt;– duas ou mais sílabas rimando (&lt;i&gt;unruly&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;truly&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;towering&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;flowering&lt;/i&gt;).        &lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Variações de rima&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Rima imperfeita (insuficiente)&lt;/b&gt; – palavras não idênticas nos sons rimados (&lt;i&gt;heaven&lt;/i&gt; – &lt;i&gt;even&lt;/i&gt;; &lt;i&gt;geese&lt;/i&gt; – &lt;i&gt;bees&lt;/i&gt;; ritmos – legítimos);&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Rima visual &lt;/b&gt;– palavras parecidas graficamente, mas não foneticamente (&lt;i&gt;seven &lt;/i&gt;– &lt;i&gt;even&lt;/i&gt;; &lt;i&gt;love &lt;/i&gt;– &lt;i&gt;prove&lt;/i&gt;).          &lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;/ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;3) Assonância &lt;/b&gt;– repetição de uma vogal no meio de duas ou mais palavras no mesmo verso. “&lt;i&gt;A h&lt;u&gt;a&lt;/u&gt;nd that c&lt;u&gt;a&lt;/u&gt;n be cl&lt;u&gt;a&lt;/u&gt;sped no more&lt;/i&gt;”.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;4) Aliteração &lt;/b&gt;–repetição do mesmo som ou sílaba no início de duas ou mais palavras no mesmo verso. “&lt;i&gt;What a tale of terror now their turbulency tells&lt;/i&gt;”.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;5) Onomatopéia&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;6) A estrofe &lt;/b&gt;– unidade do discurso métrico como o parágrafo na prosa (contudo, poetas como Tennyson deixam um poema “correr” mesmo entre estrofes).&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;7) Formas de discurso métrico&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Verso branco/solto (&lt;i&gt;blank verse&lt;/i&gt;) &lt;/b&gt;– na poesia inglesa, é o pentâmetro iâmbico &lt;b&gt;sem rima&lt;/b&gt; (o pentâmetro iâmbico é a mais importante métrica inglesa, pois não é nem curto nem longo). &lt;b&gt;Shakespeare&lt;/b&gt; e outros dramaturgos da Renascença seguiram o caminho estabelecido por &lt;b&gt;Christopher Marlowe&lt;/b&gt; e utilizaram o verso branco.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Dístico heróico (&lt;i&gt;heroic couplet&lt;/i&gt;) &lt;/b&gt;– parelha (estrofe de 2 versos – copla) de pentâmetros iâmbicos rimados. Muito popular na Inglaterra do séc. XVIII por servir tanto a máximas morais quanto a ditos espirituosos ou chistosos.         &lt;br /&gt;“&lt;i&gt;Know then thyself&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;presume not god to scan&lt;/i&gt;; &lt;i&gt;the proper study of mankind is man&lt;/i&gt;.” &lt;i&gt;— &lt;/i&gt;Alexander Pope&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Quadra heróica (&lt;i&gt;heroic quatrain&lt;/i&gt;) &lt;/b&gt;– quatro versos pentâmetros iâmbicos rimados –&amp;gt; &lt;b&gt;abab&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Soneto italiano (petrarquiano) &lt;/b&gt;– soneto – 14 versos. Escrito em pentâmetros iâmbicos. 1 oitava (ou 2 quartetos) e 1 sextilha (ou 2 tercetos).&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Soneto inglês (shakespeariano) &lt;/b&gt;(não o criou, mas o popularizou) – três quadras heróicas seguidas de um dístico rimado. Pentâmetros iâmbicos –&amp;gt; &lt;b&gt;abab cdcd ef ef gg&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Estrofe spenseriana (estância spenseriana) &lt;/b&gt;– 9 versos rimados à (pent. iâmbicos) ababbcbc&lt;b&gt;&lt;u&gt;c&lt;/u&gt; –&lt;/b&gt;&amp;gt; hexâmetro iâmbico (“alexandrino” – vem de &lt;i&gt;Roman D’Alexandre&lt;/i&gt;, composição iniciada por Lambert Le Tort e continuada por Alexandre de Bernay no séc. XII). Edmund Spenser (1552?-1599) – &lt;i&gt;The Faerie Queene&lt;/i&gt;. Lord Byron usou-a em seu &lt;i&gt;Childe Harold’s Pilgrimage&lt;/i&gt;.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Rondó &lt;/b&gt;– poema em 15 versos/3 estrofes –&amp;gt; aabba aab refrão aabba refrão (= uma palavra, uma oração ou uma locução do verso de abertura).&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Triolé &lt;/b&gt;– estrofe de 8 versos –&amp;gt; AbaAabAB (maiúsculas = versos repetidos).&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Limerick &lt;/b&gt;– única forma de poesia nativa inglesa. 5 versos e o pé dominante é o anapéstico.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Cinquain &lt;/b&gt;– verso livre com 22 sílabas/5 versos. Imaginado por Adelaide Crapsey (modelo sobre as formas japonesas &lt;i&gt;hokku&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;tanka&lt;/i&gt;).&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;/ul&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No próximo post, enfim a parte derradeira deste grande resumo do Trivium de Miriam, no qual exporemos o conceito de Ensaio com dicas de composição.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4388487925984704521-67245184624069157?l=lectionesphilosophica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lectionesphilosophica.blogspot.com/feeds/67245184624069157/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lectionesphilosophica.blogspot.com/2010/06/trivium-as-artes-liberais-da-logica_27.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4388487925984704521/posts/default/67245184624069157'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4388487925984704521/posts/default/67245184624069157'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lectionesphilosophica.blogspot.com/2010/06/trivium-as-artes-liberais-da-logica_27.html' title='Trivium, as Artes Liberais da Lógica, Gramática e Retórica, parte XI'/><author><name>Renan Santos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17608988790611781498</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0J-_pgCSqgo/Sqb-vuFgw9I/AAAAAAAAAH0/EdqQlSSqhS0/S220/renan2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh3.ggpht.com/_0J-_pgCSqgo/TCeWxb9aWeI/AAAAAAAAAUg/snTW9cBPWCc/s72-c/triv10_thumb%5B2%5D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4388487925984704521.post-2643686334048230372</id><published>2010-06-14T09:11:00.001-07:00</published><updated>2010-06-14T09:32:18.087-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='quadrivium'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='lógica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='retórica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='miriam joseph'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='medieval'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='vida intelectual'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='trivium'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cultura'/><title type='text'>Trivium, as Artes Liberais da Lógica, Gramática e Retórica, parte X</title><content type='html'>&lt;b&gt;Filosofia especulativa&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Conhecimento da ordem real por amor ao conhecimento.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;b&gt;Abstrações&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;ol&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Física &lt;/b&gt;(mundo material; abstrações das condições individuais. Preocupa-se com leis gerais e o tipo universal)&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Matemática &lt;/b&gt;(abstrai quantidade para consideração)&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Metafísica &lt;/b&gt;(abstrai o ser como ser)&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;b&gt;Filosofia prática (normativa)&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;ol&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Lógica &lt;/b&gt;– dirige o intelecto à verdade;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Ética &lt;/b&gt;– ação, vontade para o bem;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Estética &lt;/b&gt;– expressão; dirige o intelecto, os sentidos e as emoções para a beleza e sua contemplação.&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;A abstração é o fundamento dos campos científicos. Somente por abstração que o ser humano avança no conhecimento. Nenhuma ciência nos dá toda a verdade, e todas juntas nos dão uma verdade limitada, pois a mente humana é limitada. Pensar que o aspecto único que uma ciência abstrai é toda a verdade deturpa o conhecimento à perigo da &lt;b&gt;especialização &lt;/b&gt;(abstratismo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, a filosofia chega mais perto de nos dar a verdade completa, porque harmoniza todas essas descobertas (e inclusive as guia), na medida em que só podemos conhecê-la pela razão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A &lt;b&gt;teologia&lt;/b&gt; é um complemento com o conhecimento que a razão por si só não pode oferecer. A &lt;b&gt;revelação&lt;/b&gt; – conhecimento especulativo + conhecimento prático a partir de &lt;b&gt;Deus, o fim último do homem&lt;/b&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Defesa da Filosofia Perene&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A lógica da Filosofia Perene apresentada por Miriam é desdenhada em muitas universidades como obsoleta e imprópria para uma era científica. O &lt;b&gt;positivismo lógico&lt;/b&gt; admite como cognoscível apenas a experiência sensível da matéria e as relações de coexistência e sucessão nos fenômenos naturais. Nega o espírito, o intelecto e a capacidade de conhecer a essência (a crítica da irmã em 1937 era legítima. Hoje o Positivismo Lógico é considerado &lt;b&gt;extinto&lt;/b&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A semântica moderna considera não só as palavras, mas as idéias, como arbitrárias e cambiantes, e não como representação de coisas que existem. A nova lógica matemática/simbólica torna-se mera manipulação de símbolos capazes de serem testados por sua &lt;b&gt;coerência interna&lt;/b&gt;, um absurdo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para a Filosofia Perene, símbolos tais como os do silogismo representam um grau de abstração mais elevado e relações mais claras do que podem as palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Composição e leitura&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O desenvolvimento da lógica, retórica e poética.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Retórica &lt;/b&gt;– origem na Sicília, ao estabelecer-se uma democracia em Siracusa no ano de 466 a.C. – &lt;b&gt;Corax &lt;/b&gt;e seu pupilo &lt;b&gt;Tísias&lt;/b&gt; davam assistência aos expatriados para convencer os magistrados quanto às suas reinvidicações de restituição.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;b&gt;Corax &lt;/b&gt;– reuniu alguns preceitos teóricos com base principalmente no tópico da propabilidade geral (&lt;i&gt;eikos&lt;/i&gt;) (ver Aristóteles, &lt;i&gt;Retórica&lt;/i&gt;, 2-24.9).      &lt;br /&gt;&lt;b&gt;Tísias &lt;/b&gt;– desenvolveu-o um pouco mais (ver Platão no &lt;i&gt;Fedro&lt;/i&gt;).      &lt;br /&gt;&lt;b&gt;Górgias &lt;/b&gt;– introduziu a retórica em muitas partes da Grécia, onde teve muitos discípulos (dentre eles, &lt;b&gt;Isócrates&lt;/b&gt;). Górgias, Protágoras, Pródico e Hípias exaltavam a retórica e sua arte. Górgias reconhecia ensinar não a virtude, mas a persuasão. Platão e Aristóteles, logicamente, condenavam todos estes. O próprio Aristóteles visou transformar a retórica n’um instrumento da verdade. Afirmava ser o fundador da arte da Lógica (e o é!). Sua &lt;i&gt;Poética&lt;/i&gt; é o princípio da verdadeira crítica literária.&lt;/blockquote&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;1) Lógica &lt;/b&gt;(divisão aristotélica):&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;b&gt;A) &lt;i&gt;Analíticos Posteriores&lt;/i&gt;&lt;/b&gt; – demonstração científica cujo tema são as premissas verdadeiras, essenciais e certas. Raciocínio meramente expositivo, (re)conclusivo. Os &lt;i&gt;Analíticos Primeiros&lt;/i&gt; lidam com a certeza pela forma.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;B) &lt;i&gt;Tópicos &lt;/i&gt;(&lt;i&gt;Topica&lt;/i&gt;) &lt;/b&gt;– dialética tem como tema a opinião, não o conhecimento absolutamente certo (premissas prováveis). Debate conduzido n’um espírito de inquirição e amor. Os “diálogos” de Platão são o exemplo perfeito.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;C) &lt;i&gt;Refutações Sofísticas &lt;/i&gt;(falácias materiais) – &lt;/b&gt;Sofística = premissas que aparentam ser geralmente aceitas e apropriadas, mas que realmente não o são. A &lt;b&gt;aparência &lt;/b&gt;da verdade como objetivo. Criticar e humilhar o “oponente” n’um debate contencioso. Hoje em dia, a Sofística é o “debate” de idéias, claramente (culpa do Nominalismo-subjetivismo).&lt;/blockquote&gt;&lt;b&gt;2) Retórica &lt;/b&gt;– a outra face da Dialética (Aristóteles):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_0J-_pgCSqgo/TBZY5us_v4I/AAAAAAAAAUU/zufLHDqGhEg/s1600/triv9.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="167" src="http://2.bp.blogspot.com/_0J-_pgCSqgo/TBZY5us_v4I/AAAAAAAAAUU/zufLHDqGhEg/s400/triv9.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Modos de persuasão &lt;/b&gt;(Aristóteles)&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;b&gt;A) &lt;/b&gt;&lt;b&gt;Persuasão &lt;/b&gt;– obtida pelo &lt;i&gt;logos&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;pathos&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;ethos&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Logos&lt;/i&gt; &lt;/b&gt;– requer que o emissor convença o público pela verdade que diz.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Pathos &lt;/i&gt;&lt;/b&gt;– disposição mental favorável ao convencimento do público.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Ethos&lt;/i&gt;&lt;/b&gt; – inspirar no público, por qualidade pessoal, confiança na sua figura.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;b&gt;B) &lt;/b&gt;&lt;b&gt;Estilo&lt;/b&gt; – boa dicção, boa estrutura gramatical, cadência (ritmo) agradável; linguagem clara e apropriada, metáfora eficaz, etc.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;C) &lt;/b&gt;&lt;b&gt;Organização &lt;/b&gt;– ordem das partes: introdução, declaração e prova (conclusão).&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No próximo post, o resumo da arte poética.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4388487925984704521-2643686334048230372?l=lectionesphilosophica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lectionesphilosophica.blogspot.com/feeds/2643686334048230372/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lectionesphilosophica.blogspot.com/2010/06/trivium-as-artes-liberais-da-logica_14.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4388487925984704521/posts/default/2643686334048230372'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4388487925984704521/posts/default/2643686334048230372'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lectionesphilosophica.blogspot.com/2010/06/trivium-as-artes-liberais-da-logica_14.html' title='Trivium, as Artes Liberais da Lógica, Gramática e Retórica, parte X'/><author><name>Renan Santos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17608988790611781498</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0J-_pgCSqgo/Sqb-vuFgw9I/AAAAAAAAAH0/EdqQlSSqhS0/S220/renan2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_0J-_pgCSqgo/TBZY5us_v4I/AAAAAAAAAUU/zufLHDqGhEg/s72-c/triv9.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4388487925984704521.post-7652670426965859784</id><published>2010-06-05T12:24:00.001-07:00</published><updated>2010-06-05T12:33:12.285-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='linguagem'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='filosofia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='escolástica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='vida intelectual'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cultura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='artes liberais'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='quadrivium'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='lógica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='estudos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='medieval'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='miriam joseph'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='retórica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='trivium'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='gramática'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='idade média'/><title type='text'>Trivium, as Artes Liberais da Lógica, Gramática e Retórica, parte IX</title><content type='html'>&lt;b&gt;Indução&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Requisitos de veracidade:&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;ol&gt;&lt;li&gt;O pensado deve representar o que é (norma da concepção e da indução ) – material do raciocínio.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Pensamentos devem ser consistentes entre si (norma da dedução) – raciocínio mesmo.&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;blockquote&gt;Lógica dedutiva (formal) –&amp;gt; regras para o pensamento (o &lt;i&gt;framework&lt;/i&gt; do pensamento).      &lt;br /&gt;Concepção/indução –&amp;gt; material do pensamento (a experiência).&lt;/blockquote&gt;&lt;b&gt;   &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt; Aquisição de conhecimento      &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O conhecimento (qualquer informação que a mente possua) é derivado da operação das próprias faculdades de alguém, ou da fé.  &lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;b&gt;Faculdades humanas&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Sentidos&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Externos &lt;/b&gt;(os cinco)&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Internos &lt;/b&gt;(imaginação, memória, senso comum – “sentido dos sentidos” – e instinto)&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Forma intuitiva &lt;/b&gt;– percepção imediata dos sensíveis característicos.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Forma indireta &lt;/b&gt;– percepção indireta dos sensíveis comuns (que são captados por mais de um sentido).&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Faculdades intelectuais&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Intuição &lt;/b&gt;(abstração: concepção, indução)&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Inferência&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Imediata&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Mediata &lt;/b&gt;(silogística)&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;/ul&gt;&lt;/ul&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;b&gt;Fé &lt;/b&gt;– tudo que se sabe por testemunho de um outro (humano ou divino).&lt;/blockquote&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;     &lt;br /&gt;Indução: uma forma de intuição &lt;/b&gt;(e não de inferência).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda proposição geral que se sirva como uma premissa n’uma inferência silogística é ou conclusão de um silogismo ou de uma série de silogismos construídos somente de proposições gerais, ou uma indução ou intuição obtida da natureza.    &lt;br /&gt;&amp;nbsp;Isto porque &lt;b&gt;não há meio dedutivo (formal) de se extrair conclusão a partir de duas premissas empíricas.&lt;/b&gt; Segundo Miriam, há até hoje muita discussão sobre este tópico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A indução é um &lt;b&gt;ato mental&lt;/b&gt;, mas não uma inferência; é &lt;b&gt;preliminar e pré-requisito à inferência&lt;/b&gt;. É uma &lt;b&gt;intuição da verdade&lt;/b&gt;.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;      &lt;br /&gt;Tipos de indução&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Numerativa &lt;/b&gt;– afirmação empírica plural e numericamente definida como resultado da observação de fatos e contagem de casos. É o tipo menos importante de indução. &lt;b&gt;Dedução estatística&lt;/b&gt; = indução enumerativa (premissa menor) + lei estatística/matemática (premissa maior).&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Intuitiva &lt;/b&gt;– afirmar como verdadeira uma proposição auto-evidente. De longe, &lt;b&gt;o tipo mais importante de indução&lt;/b&gt;. Se a proposição for auto-evidente e geral, não pode ser empírica, pois, do contrário, será um dado de conhecimento sensível. &lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Dialética ou problemática &lt;/b&gt;– afirmar uma proposição como uma possibilidade, sem qualquer cálculo de sua probabilidade à &lt;b&gt;intuição da compatibilidade dos termos&lt;/b&gt;. “Um polígono pode ter um milhão de lados”.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Natureza e propósito da indução&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Casos individuais –&amp;gt; (observação) –&amp;gt; proposições gerais     &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Indução = método para &lt;b&gt;descobrir&lt;/b&gt; a verdade, e &lt;b&gt;não um processo de prova &lt;/b&gt;ou raciocínio sobre ela.&lt;/blockquote&gt;Como o mundo é por demais complexo, são necessárias ferramentas para muito trabalho preliminar: as &lt;b&gt;metodologias&lt;/b&gt;.&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;“É preliminar a indução em fenômenos complexos, tanto quanto a própria indução é preliminar à dedução. Indução e dedução são distintas, mas, na prática, andam lado a lado”&lt;/blockquote&gt;Cada uma das ciências especiais pretende abstrair do fenômeno complexo natural leis que rejam aquele especto da natureza que trata.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Ciência = conhecimento dos fatos através das causas (&lt;i&gt;scientia&lt;/i&gt;).&lt;/blockquote&gt;&lt;b&gt;   &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;Causalidade&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;b&gt;&lt;b&gt;Causa &lt;/b&gt;– &lt;/b&gt;“o que tem influência positiva no fazer uma coisa ser o que é”. “Uma causa não é um mero antecedente n’uma seqüência temporal” (cuidado com a falácia &lt;i&gt;post hoc ergo propter hoc&lt;/i&gt;).&lt;b&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;b&gt;&lt;b&gt;Condição &lt;/b&gt;– &lt;/b&gt;aquilo que habilita ou permite a uma causa agir na produção de um efeito, mas à qual o efeito não deve suas características. “A alimentação é condição para a boa saúde”.&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;b&gt;&lt;b&gt;Agente determinante &lt;/b&gt;&lt;/b&gt;– condição que põe em movimento os fatores causais. Difere das outras condições por ser origem ou ocasião do efeito.&lt;/blockquote&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;  &lt;br /&gt;&lt;b&gt;As quatro causas metafísicas (Aristóteles) &lt;/b&gt;– explicam todo efeito.&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Extrínsecas ao efeito &lt;/b&gt;(causas de algo ter-se tornado o que é)&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Causa eficiente &lt;/b&gt;– agente + instrumentos (escultor, martelo, cinzel)&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Causa final&lt;/b&gt; – fim ou propósito que moveu o agente (amor à arte). 1ª na intenção e último na execução.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Intrínsecas ao efeito &lt;/b&gt;(causas de algo ser o que é)&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Causa material &lt;/b&gt;– aquilo a partir do qual é feita a coisa (mármore).&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Causa formal &lt;/b&gt;– tipo de coisa na qual esta é transformada (estátua de Lincoln)&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;/ul&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;      Princípio da uniformidade da natureza&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Postulado de todas as ciências naturais, é uma suposição &lt;b&gt;necessária&lt;/b&gt; &lt;b&gt;fisicamente&lt;/b&gt; (não metafisicamente), &lt;b&gt;não passível de prova&lt;/b&gt;, mas de ilustração.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;A mesma causa natural, sob condições similares, produz o mesmo efeito.&lt;/blockquote&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;Não aplicável a um ser dotado de livre-arbítrio.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Requer a concorrência, ou concomitância, da &lt;b&gt;causa primeira&lt;/b&gt; (segundo Miriam, milagres representam um desvio da uniformidade da natureza – livre-arbítrio da causa primeira).&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;blockquote&gt;“Este último princípio [o da causalidade, não o da uniformidade] é um axioma filosófico, cognoscível pela indução intuitiva”&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;b&gt;Axiomas filosóficos &amp;gt; postulados científicos&lt;/b&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;      O método científico&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Observação &lt;/b&gt;– caminho para os dados da indução. Seleção e análise. Obtenção de fatos livres de inferência (não exatamente, né? Ao menos de inferência intelectual consciente). Uso de instrumentos materiais.      &lt;br /&gt;(&lt;b&gt;experimentos &lt;/b&gt;– observação sob condições sujeitas a controle. Ciências com esta ferramenta avançam muito mais rápido – física, química, bacteriologia, etc.)&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Analogia &lt;/b&gt;– fértil fonte de hipóteses causais. A tabela periódica de elementos teve seu início na analogia.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Hipótese &lt;/b&gt;– conjectura científica com base em leis gerais. Guiam a observação e o experimento. São confirmadas ou derrubadas.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Análise e separação de dados (metodologia científica) &lt;/b&gt;– Roger Bacon (1214?-1294) enfatizou a importância da ciência experimental e a sua posição nos estudos cristãos. Francis Bacon (1561-1626) desenvolveu uma teoria da indução. John Stuart Mill (1806-1873) formulou 5 cânones de ciência e os popularizou:&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Método de concordância&lt;/b&gt;        &lt;br /&gt;Se dois ou mais casos de um fenômeno sob investigação têm apenas uma circunstância em comum, a circunstância única na qual todos os casos concordam é a causa ou o efeito do tal fenômeno.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Método de diferença&lt;/b&gt;        &lt;br /&gt;Se um caso no qual um fenômeno sob investigação ocorre e um caso no qual ele não ocorre somente têm todas as circunstâncias em comum, exceto uma, e esta ocorre somente no primeiro, a circunstância única na qual os dois casos diferem é o efeito ou a causa ou uma parte indispensável da causa do fenômeno.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Método de combinação de concordância e diferença         &lt;br /&gt;&lt;/b&gt;Se duas ou mais casos nos quais um fenômeno ocorre têm apenas uma circunstância em comum, enquanto dois ou mais casos nos quais o fenômeno não ocorre não têm nada em comum exceto a ausência daquela circunstância, esta mesma é o efeito ou a causa ou uma parte indispensável da causa.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Método de resíduos         &lt;br /&gt;&lt;/b&gt;Subtraia-se de qualquer fenômeno a parte que, segundo induções prévias, constitui o efeito de certos antecedentes, e resultará que o resíduo do fenômeno é o efeito dos antecedentes restantes.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Método de variações concomitantes         &lt;br /&gt;&lt;/b&gt;O fenômeno que varia de alguma maneira enquanto outro fenômeno varia em algum aspecto particular é ou a causa ou um efeito desse fenômeno, ou está relacionado a ele por alguma causa.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Verificação das hipóteses &lt;/b&gt;– “Francis Bacon não apenas antecipou a substância dos cânones de Mill, mas também indicou os passos subseqüentes na descoberta de leis científicas”. &lt;b&gt;A abstração das causas&lt;/b&gt;.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Exclusão (eliminação) &lt;/b&gt;– raciocínio dedutivo a partir de proposição disjuntiva.&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;Premissas menores –&amp;gt; proposições empíricas&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Premissas maiores –&amp;gt; cânones dos métodos científicos gerais       &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A causa de X é ou A ou B ou C ou D”        &lt;br /&gt;Um exemplo formal da aplicação do princípio da uniformidade:        &lt;br /&gt;1. Apenas A está presente quando X está ausente. A causa de X não pode estar presente quando X estiver ausente. Portanto, A não é causa de X.         &lt;br /&gt;2. O está ausente quando X está presente. Portanto, B não é a causa de X.        &lt;br /&gt;3. C não varia concomitantemente com X. Portanto, C não é causa de X.        &lt;br /&gt;Provavelmente, &lt;b&gt;a causa de X é D&lt;/b&gt;.        &lt;br /&gt;1) As alternativas do disjuntivo não são uma mera enumeração, mas devem se excluir (aqui a analogia é muito importante).        &lt;br /&gt;2) A mera exclusão não dá certeza (p. ex., não sabemos se todas as alternativas tenham sido descobertas).        &lt;br /&gt;A conclusão representa o &lt;b&gt;grau de simplificação &lt;/b&gt;que o método científico pode atingir.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Indução intuitiva &lt;/b&gt;– a mente confirma ou desconfia que a causa de X é D – e então ou se prossegue ou se retorna a uma observação.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Aplicação e demonstração por indução &lt;/b&gt;– a certeza resultante precisa ser demonstrada por um silogismo regressivo: juízo (conclusão) intuitivo –&amp;gt; premissas. Inverso: conclusão –&amp;gt; premissa menor –&amp;gt; premissa maior (elo entre indução e dedução). Ou demonstrativo: verificação prática da hipótese por dedução.      &lt;br /&gt;Hipótese aplicada mais repetidas vezes. Confirmada, vira uma premissa maior num silogismo cuja menor é uma proposição empírica intuída da natureza observada à conclusão = proposição empírica, que é então testada das mais variadas formas, e, confirmada sua validez natural, vira uma &lt;b&gt;lei da natureza&lt;/b&gt;, que por sua vez passará pelo “tribunal da razão humana” (dedução + indução).      &lt;br /&gt;Nas palavras de Miriam:      &lt;br /&gt;“A dedução leva à consistência na ordem conceitual, e a indução leva à promessa fidedigna de que esta ordem conceptual representa fielmente a ordem real”.      &lt;br /&gt;Buscar um termo médio é um processo indefinido e inverso (na nossa observação da natureza, intuímos S é P, mas S é P porque M! “Todo o problema da descoberta das leis da natureza consiste no problema de descobrir M”)&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Filosofia no campo do conhecimento&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A filosofia representa a maior unidade e simplicidade que a razão humana desamparada pode atingir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;O avanço em direção à unidade &lt;/b&gt;( símbolo da tétrada)    &lt;br /&gt;&lt;table border="1" cellpadding="0" cellspacing="0"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;         &lt;td valign="top" width="240"&gt;História&lt;/td&gt;          &lt;td valign="top" width="240"&gt;4.Experiência&lt;/td&gt;          &lt;td valign="top" width="240"&gt;Uma pedra cai&lt;/td&gt;       &lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;         &lt;td valign="top" width="240"&gt;Ciência&lt;/td&gt;          &lt;td valign="top" width="240"&gt;3.Ciência&lt;/td&gt;          &lt;td valign="top" width="240"&gt;Lei da gravidade&lt;/td&gt;       &lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;         &lt;td valign="top" width="240"&gt;Filosofia&lt;/td&gt;          &lt;td valign="top" width="240"&gt;2.Filosofia&lt;/td&gt;          &lt;td valign="top" width="240"&gt;Princípio da causa&lt;/td&gt;       &lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;         &lt;td valign="top" width="240"&gt;Teologia&lt;/td&gt;          &lt;td valign="top" width="240"&gt;1.Visão beatífica&lt;/td&gt;          &lt;td valign="top" width="240"&gt;Unidade da perfeita verdade: a totalidade do Um. A Teologia e a Fé nos preparam para a visão beatífica depois da morte.&lt;/td&gt;       &lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na próxima parte, o resumo sobre a filosofia especulativa e a visão de Miriam a respeito da Filosofia Perene.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4388487925984704521-7652670426965859784?l=lectionesphilosophica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lectionesphilosophica.blogspot.com/feeds/7652670426965859784/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lectionesphilosophica.blogspot.com/2010/06/trivium-as-artes-liberais-da-logica.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4388487925984704521/posts/default/7652670426965859784'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4388487925984704521/posts/default/7652670426965859784'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lectionesphilosophica.blogspot.com/2010/06/trivium-as-artes-liberais-da-logica.html' title='Trivium, as Artes Liberais da Lógica, Gramática e Retórica, parte IX'/><author><name>Renan Santos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17608988790611781498</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0J-_pgCSqgo/Sqb-vuFgw9I/AAAAAAAAAH0/EdqQlSSqhS0/S220/renan2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4388487925984704521.post-4079226951082791594</id><published>2010-05-30T15:16:00.001-07:00</published><updated>2010-05-30T18:36:34.641-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='aristóteles'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='linguagem'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='filosofia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='escolástica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='vida intelectual'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cultura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='artes liberais'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='quadrivium'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='lógica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='estudos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='retórica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='medieval'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='miriam joseph'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='trivium'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='gramática'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='idade média'/><title type='text'>Trivium, as Artes Liberais da Lógica, Gramática e Retórica, parte VIII</title><content type='html'>&lt;b&gt;Relações de proposições hipotéticas e disjuntivas&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Proposição hipotética&lt;/b&gt; – afirma a dependência de uma a outra.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;b&gt;Conseqüente&lt;/b&gt; – depende da outra.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Antecedente &lt;/b&gt;– da qual a outra depende. &lt;/blockquote&gt;&lt;table border="0" cellpadding="0" cellspacing="0"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;         &lt;td valign="top" width="264"&gt;&lt;b&gt;Proposição simples&lt;/b&gt;&lt;/td&gt;          &lt;td valign="top" width="279"&gt;&lt;b&gt;Proposição Hipotética&lt;/b&gt;&lt;/td&gt;       &lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;         &lt;td valign="top" width="264"&gt;Relação de termos&lt;/td&gt;          &lt;td valign="top" width="279"&gt;Relação de proposições&lt;/td&gt;       &lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;         &lt;td valign="top" width="264"&gt;Relação entre S e P, sem limitação.&lt;/td&gt;          &lt;td valign="top" width="279"&gt;Relação condicional, de limitação (uma espécie de juízo)&lt;/td&gt;       &lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;br /&gt;Antecedente lógico = &lt;b&gt;razão     &lt;br /&gt;&lt;/b&gt;(Antecedente metafísico = causa)&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;“A existência do mundo é uma &lt;b&gt;razão&lt;/b&gt; para crer em Deus, mas não causa de sua existência”.&lt;/blockquote&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Tipos de proposições hipotéticas&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;b&gt;3 termos – &lt;/b&gt;Se S é M, então é P.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;4 termos – &lt;/b&gt;Se B é C, então D é E.&lt;/blockquote&gt;&lt;b&gt;Redução&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Proposição Hipotética –&amp;gt; Proposição categórica + distorção de significado&lt;/blockquote&gt;Miriam explica que uma proposição hipotética genuína é aquela na qual a dependência entre a antecedente e a conseqüente não pode ser adequadamente expressa em forma categórica, ou aquela na qual tal dependência persiste.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;ol&gt;&lt;li&gt;Se S é M, então P –&amp;gt; SM é P&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Se B é C, então D é E –&amp;gt; BC é DE&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;b&gt;     &lt;br /&gt;Características especiais&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;b&gt;Veracidade/falsidade &lt;/b&gt;– depende do nexo com o real, pois ela formalmente só declara dependência.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Qualidade &lt;/b&gt;– sempre afirmativa, porque sempre afirma o nexo. As proposições separadamente podem ser negativas também. As que negam o neo são as contraditórias.&lt;/blockquote&gt;&lt;b&gt;   &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;Proposições Disjuntivas – afirmam que de 2 ou mais suposições, 1 é verdadeira.&lt;/b&gt;  &lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;b&gt;Tipos&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;ol&gt;&lt;li&gt;S é P ou Q ou R.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;S ou T ou U é P.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;B é C ou D é E.&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;b&gt;Redução&lt;/b&gt; – proposição hipotética que negue uma alternativa e afirme outra.      &lt;br /&gt;“Ou o homem cometeu suicídio, ou alguém o assassinou”.      &lt;br /&gt;Redução: “Se este homem não cometeu suicídio, alguém o assassinou”.      &lt;br /&gt;(e pode haver uma nova redução, da hipotética para uma simples –&amp;gt; SM_P)&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;b&gt;Características&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Veracidade/falsidade&lt;/b&gt; – só é estritamente verdadeira se enumerar todas as possibilidades, ou seja, se as alternativas forem:        &lt;br /&gt;1) mutuamente excludentes         &lt;br /&gt;2) coletivamente exaustivas&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Propósito&lt;/b&gt; – limitar a escolha de alternativas (se for uma verdadeira, qualquer outra será necessariamente falsa). (na lógica moderna, é chamada de disjuntiva exclusiva, pois aquela admite também a existência da &lt;b&gt;disjuntiva inclusiva&lt;/b&gt;, na qual a disjuntiva será verdadeira se pelo menos uma disjunta for verdadeira)&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Qualidade &lt;/b&gt;– sempre &lt;b&gt;afirmativa&lt;/b&gt;, pois afirma uma séria de possibilidades. A proposição que nega uma disjuntiva não é uma disjuntiva porque nega a asserção mesma da relação.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;/blockquote&gt;A proposição hipotética e a disjuntiva são eficazes no teatro e nas narrativas. Shakespeare usou com freqüência a hipotética para enunciar uma questão importante.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;     &lt;br /&gt;Relações de proposições hipotéticas e disjuntivas&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Praticamente as mesmas que as simples. Basta compreender bem a estrutura gramatical das frases por analogia, compreender-se-á o que vamos aqui tratar.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;b&gt;1) Conjunção&lt;/b&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;b&gt;2) Oposição&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Das proposições hipotéticas &lt;/b&gt;– pela variação da &lt;b&gt;conseqüente&lt;/b&gt;, pode-se construir formas A E I O que difiram em qualidade/quantidade/modalidade.        &lt;br /&gt;As formas modais são mais apropriadas aqui, transmitem melhor as relações.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Das proposições disjuntivas &lt;/b&gt;– também expressas tanto em quantitativas quanto em modais.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;   &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;Edução de proposições hipotéticas&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Todas as sete formas podem ser derivadas.&lt;/b&gt;  &lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;“Se e somente” ≈ &lt;i&gt;sine qua non&lt;/i&gt;&lt;/blockquote&gt;Uma proposição hipotética &lt;i&gt;sine qua non&lt;/i&gt;, tal como uma definição, é conversível simplesmente. É aquela na qual o conseqüente não se seguirá sem o antecedente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Edução das proposições disjuntivas&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como acima, suas sete eduções podem ser derivadas em um processo contínuo de obversão e conversão alternada; a oitava operação retorna à original.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;O silogismo hipotético&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;b&gt;Puro &lt;/b&gt;– todas as 3 proposições hipotéticas&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Misto &lt;/b&gt;– muito usado, contém uma proposição hipotética (a maior) e uma proposição simples (a menor).       &lt;br /&gt;1) A menor deve &lt;b&gt;afirmar&lt;/b&gt; a antecedente – &lt;i&gt;modus ponens &lt;/i&gt;(modo que afirma – construtivo – “se um homem não é honesto, não é funcionário público apto”, “este homem não é honesto”, “logo, este homem não é um funcionário público apto”) &lt;b&gt;ou negar&lt;/b&gt; a conseqüente da maior – &lt;i&gt;modus tollens &lt;/i&gt;(modo que nega – destrutivo).      &lt;br /&gt;2) Falácias:       &lt;br /&gt;— negar a antecedente;      &lt;br /&gt;— afirmar a conseqüente. “Se um homem beber veneno, ele morrerá”, “este homem morreu”, “ele deve ter bebido veneno”.      &lt;br /&gt;Se a proposição hipotética for &lt;i&gt;sine qua non&lt;/i&gt;, não pode haver falácia.&lt;/blockquote&gt;&lt;b&gt;O silogismo disjuntivo&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Premissa maior (disjuntiva) + premissa menor (categórica simples que afirma ou nega uma das alternativas).&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Ponendo tollens&lt;/i&gt; &lt;/b&gt;(afirmar a negativa) – menor afirma uma alternativa e a conclusão nega a outra (S é ou P ou Q. S é P);&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Tollendo Ponens&lt;/i&gt; &lt;/b&gt;(negar a afirmativa) – menor nega uma alternativa e a conclusão afirma a outra.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Falácias&lt;/b&gt;: puramente formal apenas uma, bem rara. Tanto a menor quanto a conclusão afirmam e negam cada alternativa. Muito comum é a falácia de utilizar alternativas não-mutuamente exclusivas e também não-coletivamente exaustivas.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;O dilema&lt;/b&gt; – silogismo que tem uma proposição disjuntiva como premissa menor, uma proposição hipotética composta como maior e uma proposição simples ou disjuntiva como conclusão.&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;Se a disjuntiva der 3 alternativas – &lt;b&gt;trilema &lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Se der muitas alternativas – &lt;b&gt;polilema&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Construtivo &lt;/b&gt;– a menor deve afirmar as duas antecedentes da maior;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Destrutivo &lt;/b&gt;– a menor deve negar as duas conseqüentes.        &lt;br /&gt;Construtivo simples –&amp;gt; construtivo complexo        &lt;br /&gt;Destrutivo simples –&amp;gt; destrutivo complexo&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Falácias         &lt;br /&gt;&lt;/b&gt;1) Premissa maior falsa;        &lt;br /&gt;2) Disjunção imperfeita na premissa menor;        &lt;br /&gt;3) Falácia dilemática: mudança de ponto de vista.        &lt;br /&gt;&lt;b&gt;3 modos de desmascará-las:         &lt;br /&gt;&lt;/b&gt;I – “Pegando o dilema pelos chifres” (dilema é o nome de um antigo silogismo “com dois chifres” – &lt;i&gt;syllogismus cornutus&lt;/i&gt;) para a falácia 1) – atacar o nexo entre antecedente e conseqüente na premissa maior.        &lt;br /&gt;II – “Escapando por entre os chifres” para o caso 2) – revelar uma alternativa não mencionada na disjuntiva.        &lt;br /&gt;III – Refutando o dilema do caso 3) – uma condição pode ter 2 conseqüentes, e o dilema afirmar apenas uma (meia-verdade, otimista ou pessimista).         &lt;br /&gt;Refutação formal – Aceitar as alternativas apresentadas pela premissa menor do dilema original, mas transpondo as conseqüentes da premissa maior em suas contrárias. Disso teremos uma conclusão exatamente oposto à do original. É um artifício retórico para revelar a fraqueza do oponente.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;b&gt;Importante: &lt;/b&gt;um dilema está aberto à refutação apenas quando houver espaço para uma mudança do ponto de vista real, e não apenas uma mudança de termos!&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Dilema não aberto à refutação &lt;/b&gt;– “Eu devo cair ou dar na parede. Se eu cair, me machuco; se eu der na parede, me machuco. Em qualquer caso, me machucarei.”&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Falsa refutação &lt;/b&gt;– “Se eu cair, escapo da parede. Se eu der na parede, escapo de cair. De qualquer jeito, não me machucarei”.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Todo dilema aberto à refutação é falacioso&lt;/b&gt;, mas este argumento acima é especialmente torpe.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Falácias &lt;/b&gt;– violações de princípios lógicos disfarçadas sob a aparência de validade. É um &lt;b&gt;erro em andamento&lt;/b&gt; (a falsidade é um erro de &lt;b&gt;fato&lt;/b&gt;).&lt;b&gt; &lt;/b&gt;Classificar falácias é tentar encontrar causas comuns para os enganos.&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Formais &lt;/b&gt;– já tratadas.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Materiais &lt;/b&gt;– raiz na matéria – nos termos, nas idéias e nos símbolos. Corrompem argumentos que podem estar formalmente corretos. Artifícios usados pelos sofistas em disputas orais, continuam em amplo uso.      &lt;br /&gt;Aristóteles as agrupo em 2 classes:&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Lingüísticas &lt;/b&gt;(&lt;i&gt;in dictione&lt;/i&gt;) – suposição oculta, não transmitida pela linguagem. São ambigüidades na raiz gramática, que busca simbolizar a lógica. Podem todas ser consideradas &lt;b&gt;falácia de quatro temos&lt;/b&gt;. Violam a forma e residem na matéria.&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Equívoco &lt;/b&gt;(homonímia ou ambigüidade de termo) – uma palavra simboliza dois ou mais termos diferentes.          &lt;br /&gt;“&lt;i&gt;Feathers are light&lt;/i&gt;. &lt;i&gt;Light is the opposite of darkness&lt;/i&gt;. &lt;i&gt;Feathers are the opposite of darkness&lt;/i&gt;”.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Anfibolia&lt;/b&gt; (solecismo) – ambigüidade de sintaxe ou estrutura gramatical. Mais provável de ocorrer em línguas não flexionadas, como o inglês. Gramaticalmente, é sempre um erro, mas ocasiona falácia lógica de 4 termos &lt;i&gt;apenas quando a frase ambígua for uma premissa&lt;/i&gt;.          &lt;br /&gt;“&lt;i&gt;Feed a cold and starve a fever&lt;/i&gt;”.          &lt;br /&gt;“Ele disse a seu irmão que ele tinha ganhado o prêmio”. (quem ganhou?)&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Composição &lt;/b&gt;(falsa conjunção) – propriedades das partes predicam ilicitamente o todo.           &lt;br /&gt;“Sódio e Cloro são elementos tóxicos. Elementos tóxicos são nocivos. Cloreto de Sódio é nocivo”.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Divisão &lt;/b&gt;(falsa disjunção) – exato oposto da composição.          &lt;br /&gt;“Nove mais sete é igual a dezesseis. Dezesseis é um número par. Nove e sete são números pares”.          &lt;br /&gt;“Um único juiz da suprema corte determinou a constitucionalidade de uma lei votada por cinco a quatro”.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Acentuação &lt;/b&gt;(ênfase, prosódia) – um significado diferente do pretendido é transmitido através de ênfase especial em certas sílabas, palavras, idéias, citações fora do contexto, recursos gráficos, tipográficos, tonalidade, discurso propagandístico, etc. É o recurso da &lt;b&gt;propaganda&lt;/b&gt; em geral – enfatizar fatos e minimizar/omitir outros deliberadamente.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Forma verbal &lt;/b&gt;(falsa forma de expressão) – suposição errônea de que a similaridade na forma da linguagem significa uma similaridade no significado.          &lt;br /&gt;&lt;i&gt;Inflammable &lt;/i&gt;e &lt;i&gt;flammable&lt;/i&gt; significam a mesma coisa.          &lt;br /&gt;John Stuart Mill comete uma falácia ridícula dessas ao dizer que “a única prova capaz de ser oferecida de que uma coisa seja visível é que as pessoas de fato a vejam (...) a única prova de que um som seja audível é o fato de que as pessoas o ouçam (...) igualmente, a única prova possível que se pode dar quanto a qualquer coisa ser desejável é que as pessoas de fato a desejem”. Visível, audível e desejável não possuem estrita analogia.          &lt;br /&gt;“Aquele que dorme menos está mais sonolento. Aquele que está mais sonolento dorme mais. Aquele que dorme menos dorme mais”. O correto: “Aquele que dormiu menos dormirá mais.”          &lt;br /&gt;— Uma falácia de forma verbal também ocorre se for feita uma transição ilícita de uma das 10 categorias do ser para uma outra.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Extralingüísticas &lt;/b&gt;(&lt;i&gt;extra dictionem&lt;/i&gt;) – suposição oculta e falsa, não garantida pela linguagem.&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Falsa equação do sujeito e do acidente &lt;/b&gt;(falácia do acidente) – falsa suposição de que tudo que for predicado de um sujeito será predicado de seu acidente e no mesmo sentido; ou que predicado de um termo será predicado do mesmo aspecto.          &lt;br /&gt;Todo predicado (exceto numa definição ou numa proposição idêntica) é &lt;i&gt;acidental&lt;/i&gt; &lt;i&gt;com relação ao sujeito&lt;/i&gt; (&lt;i&gt;per accidens&lt;/i&gt;). É um acidente que um animal seja um leão.          &lt;br /&gt;Qualquer um dos três termos pode ser a fonte dessa falácia, mas o termo médio é o mais usual. “Comunicar conhecimento é louvável”. “Mexericar é comunicar conhecimento”. “Mexericar é louvável”.          &lt;br /&gt;Segundo Aristóteles, a falácia do acidente ocorre quando qualquer coisa pertencente à substância de algo for também atribuída a algum acidente desta substância. “Peixe não é o mesmo que carne. Carne é alimento. Peixe não é alimento”. “Este cão é um pai. Este cão é seu. Este cão é seu pai”.          &lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;table border="1" cellpadding="0" cellspacing="0"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;             &lt;td valign="top" width="225"&gt;&lt;b&gt;Falácia do equívoco&lt;/b&gt;&lt;/td&gt;              &lt;td valign="top" width="225"&gt;&lt;b&gt;Falácia do acidente&lt;/b&gt;&lt;/td&gt;           &lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;             &lt;td valign="top" width="225"&gt;Mudança de &lt;b&gt;termos&lt;/b&gt;.&lt;/td&gt;              &lt;td valign="top" width="225"&gt;Mudança no &lt;b&gt;uso&lt;/b&gt; de um mesmo termo;                  &lt;br /&gt;mudança de &lt;b&gt;planos&lt;/b&gt; de discurso, mudança da &lt;b&gt;imposição&lt;/b&gt; do termo.&lt;/td&gt;           &lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;b&gt;          Mudança de imposição &lt;/b&gt;– “Carregar é um verbo. Verbo é um substantivo. Carregar é um substantivo” – “verbo” muda da 1ª para a 2ª imposição.          &lt;b&gt;Mudança de intenção &lt;/b&gt;(sentido) – “Um leão é animal. Animal é um gênero. Um leão é um gênero” – “animal” muda da 1ª intenção para a 2ª.         Os predicáveis são de 2ª intenção, pois, como predicados, fazem com que seus sujeitos sejam entendidos na 2ª intenção (como conceitos, entidades mentais), e os predicáveis mesmos podem ser tomados em ambas as intenções. “Jovial é uma propriedade. Propriedade é um predicável. Jovial é predicável.” – 1ª intenção na menor e 2ª intenção na maior.         &lt;b&gt;Mudança de imposição e intenção &lt;/b&gt;(comum em sorites) – “O homem é racional. Racional é uma diferença. Diferença é um polissílabo. Polissílabo é um substantivo. Logo, homem é um substantivo” – a conclusão é verdadeira e também o são as premissas separadamente. As conclusões implícitas que guiaram este raciocínio é que são completamente falaciosas (4 planos diferentes de discurso). &lt;li&gt;&lt;b&gt;Confusão do relativo com o absoluto &lt;/b&gt;(&lt;i&gt;a dictum secundum quid ad dictum simpliciter&lt;/i&gt;) – suposição de que uma proposição verdadeira em determinados aspectos, ou com determinadas qualificações, seja verdadeira absolutamente ou verdadeira sem tais qualificações. (&lt;i&gt;secundum quid&lt;/i&gt; = segundo algo – o que é verdadeiro em um caso é presumivelmente verdadeiro em um outro). Falácia normalmente &lt;b&gt;usada para enganar&lt;/b&gt;, pode também causar &lt;b&gt;auto-engano&lt;/b&gt;. Resulta da aparente insignificância da diferença envolvida na qualificação.          &lt;br /&gt;Como ferramenta de engano, consiste em:          &lt;br /&gt;1) obter assentimento para uma declaração qualificada e prosseguir como se fosse tomada absolutamente, ou          &lt;br /&gt;2) vice-versa, ou          &lt;br /&gt;3) prosseguir a partir de uma declaração qualificada, num sentido diferente da origem.          &lt;br /&gt;“Deus diz: ‘não matarás’. Logo, matar animais para alimento é errado”. “Sofrer a morte injustamente é preferível a sofrer a morte justamente. Portanto, aquilo que acontece injustamente é preferível ao que acontece justamente.”           &lt;br /&gt;“Quem bebe, dorme bem. Quem dorme bem, não peca. Quem não peca, será abençoado. Portanto, quem bebe será abençoado”.           &lt;br /&gt;—Thomas Blunderville, &lt;i&gt;The Art of Logic&lt;/i&gt; (1599)&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Falácia da ignorância do conseqüente &lt;/b&gt;– supor que uma proposição A seja conversível simplesmente, quando não é. Tal falácia estará sempre presente nos casos das seguintes falácias formais:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;— &lt;b&gt;Processo ilícito do termo maior ou menor.&lt;/b&gt;“Um homem é um animal. Búfalo não é um homem. Búfalo não é um animal”.&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;— &lt;b&gt;Termo médio não distribuído&lt;/b&gt;.“Um homem é um animal. Búfalo é um animal. Búfalo é um homem”.&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;— &lt;b&gt;Negação da antecedente&lt;/b&gt;.“Se chove, o solo fica molhado. Não choveu. O solo não está molhado.”&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;b&gt;— Afirmação da conseqüente.&lt;/b&gt; “Se chove, o solo fica molhado. O solo está molhado. Choveu”.          &lt;/blockquote&gt;Segundo Miriam, é um tipo de falácia extremamente comum (pois uma premissa é raramente uma definição ou uma proposição hipotética &lt;i&gt;sine qua non&lt;/i&gt;). Muito provável a sua ocorrência em um entimema com premissa maior implícita. Esta falácia numa discussão pode dar a ilusão de que se refutou a conclusão de um oponente, quando na verdade só foram refutadas razões sem solidez. “Não é possível desmentir uma conclusão simplesmente mostrando que suas premissas são falsas”.      &lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Falácia da ignorância do argumento &lt;/b&gt;(ignorância da questão, &lt;i&gt;ignoratio elenchi&lt;/i&gt;) – falsa suposição de que um ponto em questão foi refutado ou desmentido, quando, na verdade, um outro ponto meramente semelhante é que o foi.&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Ignoratio elenchi&lt;/i&gt;&lt;/b&gt; – ignorância da natureza da refutação. E, para refutar um oponente, é necessário provar o contraditório de sua declaração, e isto será feito apenas quando o mesmo predicado – não meramente o nome, mas a realidade – for negado acerca do mesmo sujeito e no mesmo aspecto, relação, maneira e tempo em que foi afirmado. Refutar “O presidente dos EUA governa o país inteiro” com “O presidente dos EUA não foi eleito pela maioria dos americanos” (nos EUA a autoridade para governar não vem da maioria), ou replicar a uma acusação de desonestidade alegando que muitos outros o são.            &lt;br /&gt;&lt;i&gt;Argumentum ad rem&lt;/i&gt; – argumento que lida com o ponto em questão (argumento que vai ao âmago, liga à coisa).&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Argumentos esquivos &lt;/b&gt;(que se esquivam da questão):&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Ad hominem&lt;/i&gt;&lt;/b&gt; – confunde o ponto em questão com as pessoas interessadas (alguns lógicos distinguem “&lt;i&gt;ad hominem &lt;/i&gt;abusiva” e “&lt;i&gt;ad hominem&lt;/i&gt; circunstancial”; este é o que tenta refutar um argumento ao evidenciar a identidade ou o interesse das pessoas que o sustentam). Busca persuadir através de um &lt;i&gt;ethos&lt;/i&gt; não sólido e não confiante (&lt;i&gt;ethos&lt;/i&gt; = na lógica, estabelecimento de quem fala ou escreve como alguém digno da discussão, os caracteres gerais do pensamento).&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Ad populum&lt;/i&gt; &lt;/b&gt;– substituição do raciocínio lógico por um apelo às paixões e preconceitos do povo, das pessoas em geral.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Ad misericordiam &lt;/i&gt;&lt;/b&gt;– apelo por compreensão e compaixão. &lt;b&gt;Muito usado por advogados&lt;/b&gt; ou para negar uma multa porque estava indo doar sangue.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Ad baculum &lt;/i&gt;&lt;/b&gt;– apelo à força ou à ameaça.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Ad ignorantiam &lt;/i&gt;&lt;/b&gt;– uso de um argumento que soa convincente aos outros porque estes ignoram a fraqueza do argumento. “Uma teoria é inválida porque não foi provada. Ninguém provou que Deus não existe. Portanto, ele não existe.”&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Ad verecundiam &lt;/i&gt;&lt;/b&gt;(&lt;i&gt;magister dixit&lt;/i&gt;) – apelo ao prestígio ou autoridade. “É perfeitamente legítimo acrescentar autoridade a um raciocínio, mas é falacioso substituir o raciocínio pela autoridade em assuntos capazes de ser entendidos pela razão”. Ex. O endosso que celebridades dão a produtos ou causas.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;/ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Causa falsa &lt;/b&gt;– quando algo acidental a uma coisa é empregado para determinar sua natureza, caráter ou valor. “Corridas de cavalo são nocivas porque algumas pessoas apostam dinheiros demais nos resultados”. A falácia indutiva &lt;i&gt;post hoc ergo propter hoc&lt;/i&gt; é, por vezes, com alguma liberdade, identificada com a falácia dedutiva da causa falsa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;table border="1" cellpadding="0" cellspacing="0"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;               &lt;td valign="top" width="270"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Post hoc ergo propter hoc&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Suposição falsa sobre o ser ("o gato preto que causa queda na bolsa no dia seguinte").&lt;/td&gt;                &lt;td valign="top" width="255"&gt;&lt;b&gt;Causa falsa&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Suposição falsa acerca de uma razão.&lt;/td&gt;             &lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;       &lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Petição de princípio &lt;/b&gt;– presumir que a proposição a ser provada já esteja nas premissas. Uma tese não pode servir de fundamento à sua própria veracidade. &lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Argumento tautológico&lt;/b&gt; (repetição do mesmo sentido em palavras diferentes): “Shakespeare é famoso porque suas peças são conhecidas em todo o mundo”.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Argumento pendular &lt;/b&gt;(oscilante): “O rapaz é demente.” “Por quê?” “Porque matou a própria mãe”. “Por quê?” “Porque ele é demente!”&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Argumento em círculo:&lt;/b&gt; “Este é o melhor filme da década.” “Por quê?” “Porque o New York Times diz que é.”&amp;nbsp; “E daí?” “O New York Times é o jornal mais respeitado nesta área”. “Por quê?” “Porque eles sempre escolhem os melhores filmes da década”.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Epíteto como petição de princípio&lt;/b&gt; (exemplo mais comum desta falácia) – Locução ou apenas uma palavra que supõe o ponto a ser provado. “Grandes corporações”. “Grande capital”, etc.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Pergunta complexa &lt;/b&gt;– similar à petição de princípio, pressupõe que uma parte daquilo que pertence totalmente à resposta está na pergunta feita. Ocorre quando, em resposta a uma pergunta composta, é exigida uma resposta simples. &lt;b&gt;Interrogadores&lt;/b&gt; lançam mão seguido de tal falácia.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;/ul&gt;&lt;/ul&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na próxima parte do resumo do Trivium, o resumo da Indução e sua utilização na investigação científica.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4388487925984704521-4079226951082791594?l=lectionesphilosophica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lectionesphilosophica.blogspot.com/feeds/4079226951082791594/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lectionesphilosophica.blogspot.com/2010/05/trivium-as-artes-liberais-da-logica_30.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4388487925984704521/posts/default/4079226951082791594'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4388487925984704521/posts/default/4079226951082791594'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lectionesphilosophica.blogspot.com/2010/05/trivium-as-artes-liberais-da-logica_30.html' title='Trivium, as Artes Liberais da Lógica, Gramática e Retórica, parte VIII'/><author><name>Renan Santos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17608988790611781498</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0J-_pgCSqgo/Sqb-vuFgw9I/AAAAAAAAAH0/EdqQlSSqhS0/S220/renan2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4388487925984704521.post-7223373334798046258</id><published>2010-05-28T09:42:00.001-07:00</published><updated>2010-05-28T09:48:31.262-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='aristóteles'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='linguagem'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='filosofia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='escolástica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cultura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='artes liberais'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='quadrivium'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='lógica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='estudos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='medieval'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='retórica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='trivium'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='gramática'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='idade média'/><title type='text'>Trivium, as Artes Liberais da Lógica, Gramática e Retórica, parte VII</title><content type='html'>&lt;b&gt;Inferência analógica ou raciocínio por analogia&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inferência baseada na similitude. Sua conclusão pode ser apenas provável. Se for dada como certa, o argumento deixa de ser analógico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comum na poesia, na prosa literária e na científica (“corpo político”, “corpo místico”).&lt;br /&gt;A analogia já &lt;b&gt;levou a muitas descobertas da Ciência&lt;/b&gt;. Benjamin Franklin notou a similutde entre centelhas de uma máquina elétrica e os raios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O valor de uma inferência analógica depende mais da &lt;b&gt;importância&lt;/b&gt; das semelhanças do que do número delas.&lt;br /&gt;Segundo Aristóteles, o raciocínio analógico é uma inferência não do todo lógico até suas partes (dedução), mas de parte a parte, quando ambas se classificam sob o mêsmo gênero (M), mas uma das duas (S¹) é por nós mais bem conhecida do que a outra (S²).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Oposição mediata &lt;/b&gt;– oposição entre 2 proposições que, juntas, contêm 3 termos, sendo um destes comum a ambas.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;“A testemunha está mentindo”.     &lt;br /&gt;“A testemunha está dizendo a verdade”.&lt;/blockquote&gt;Ocorre muito em discussões e debates (mais do que a imediata) (a imediata oporia a 1ª proposição à sua contraditória: “a testemunha não está mentindo”).   &lt;br /&gt;Regras de oposição + regras de silogismo&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;b&gt;Regras de validação&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;ol&gt;&lt;li&gt;O silogismo envolvido na relação de proposições opostas mediatamente deve ser formalmente válido;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;A 3ª proposição (Y), que serve para estabelecer a oposição mediata entre duas outras, deve ser materialmente verdadeira.       &lt;br /&gt;&lt;b&gt;Fálácias&lt;/b&gt;: ilícita, ilusória ou mera aparência de oposição mediata.&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;b&gt;Relações de oposição mediata&lt;/b&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;— Contanto que a premissa maior seja matéria verdadeira, a menor e a contraditória da conclusão serão validamente opostas como contrárias mediatas genuínas, sendo que ambas não podem ser verdadeiras (mas ambas podem ser falsas).&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;— Contanto que a maior seja matéria verdadeira, a conclusão e a contraditória da menor serão validamente opostas como subcontrárias mediatas, e ambas não podem ser falsas (mas ambas podem ser verdadeiras).&lt;/blockquote&gt;A premissa maior é fundamental, pois é em virtude dela que as alegações estão opostas. Ela deve ser materialmente verdadeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A fonte de muitas falácias no uso diário da oposição mediata é a falsa suposição subentendida de que termos não comuns às proposições opostas mediatamente sejam termos mutuamente excludentes. P. ex.: &lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;“Maria é formada em Direito”.     &lt;br /&gt;“Isso não é verdade; ela é formada em Filosofia”.&lt;/blockquote&gt;Apesar do silogismo ser válido, a proposição maior (“Quem quer que seja formado em filosofia não pode ser formado em Direito”) não é materialmente verdadeira. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como ressalta Miriam, a plena consciência lógica desta oposição mediata evitaria muitas discussões fúteis no nosso cotidiano.   &lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Utilidade ou valor do silogismo&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Útil apenas quando for um &lt;b&gt;meio&lt;/b&gt; para adquirir conhecimento, e não o próprio conhecimento em si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;John Stuart Mill&lt;/b&gt; e outros empiristas ingleses especialistas em lógica &lt;b&gt;criticaram o silogismo&lt;/b&gt;, argumentando que a conclusão já está contida na premissa maior e tem de ser conhecida antes da premissa maior ser declarada. Portanto, o silogismo não representaria um avanço no conhecimento (&lt;i&gt;System of Logic&lt;/i&gt;, 1843). (houve muito antes uma crítica ao silogismo tradicional, aristotélico, nos trabalhos do escolástico moderno português Francisco Sanches)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas Miriam apresenta uma refutação muito clara a este argumento, já presente no próprio &lt;i&gt;Organon &lt;/i&gt;de Aristóteles: enquanto a crítica de Mill pode ser verdadeira com silogismos cujas premissas maiores sejam uma mera proposição empírica enumerativa, &lt;b&gt;nunca&lt;/b&gt; é verdadeira quanto a silogismos cujas premissas maiores sejam &lt;b&gt;proposições gerais&lt;/b&gt;, pois a veracidade de uma proposição geral &lt;b&gt;não depende da investigação dos fatos individuais&lt;/b&gt;, porque é entendido em sua &lt;b&gt;intensão&lt;/b&gt; (e não em sua extensão). Em outras palavras, &lt;b&gt;os termos são entendidos por seus significados em vez de por suas aplicações.&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este último tipo de silogismo não toma a questão como provada, pois a &lt;b&gt;conclusão&lt;/b&gt; (a proposição a ser provada) não está implícita em nenhuma das premissas separadamente, mas na sua &lt;b&gt;conjunção&lt;/b&gt;. É uma experiência banal a de conhecer fatos, verdades, através de silogismos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;O silogismo (válido) como uma fórmula ou regra de inferência&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;ol&gt;&lt;li&gt;Se ambas as premissas forem verdadeiras, a conclusão necessariamente será verdadeira.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Se a conclusão for falsa, pelo menos uma das premissas será necessariamente falsa.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Se uma ou ambas as premissas forem falsas, o valor da conclusão é desconhecido (pela forma, não pela matéria).&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Se a conclusão for verdadeira, o valor das premissas é desconhecido (pela forma, não pela matéria).&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Se uma ou ambas as premissas forem prováveis, a conclusão só pode ser provável.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Se a conclusão for provável, o valor das premissas é desconhecido (pela forma, não pela matéria).&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Regras especiais das 4 figuras &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;ol&gt;&lt;/ol&gt;&lt;table border="0" cellpadding="0" cellspacing="0"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;       &lt;td valign="top" width="159"&gt;&lt;b&gt;Figura II             &lt;br /&gt;&lt;/b&gt;S_M            &lt;br /&gt;P_M            &lt;br /&gt;S_P&lt;/td&gt;        &lt;td valign="top" width="561"&gt;1) Uma premissa precisa ser negativa (para distribuir M); &lt;br /&gt;2) A premissa maior precisa ser total ou necessária (para evitar um processo ilícito do termo maior).&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Modos válidos: &lt;/b&gt;AEE, EAE, IEO e OAO.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Exceto quando uma premissa for uma definição, pode produzir &lt;b&gt;apenas conclusões negativas&lt;/b&gt;. É apropriada à &lt;b&gt;refutação&lt;/b&gt;.            &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;     &lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;table border="0" cellpadding="0" cellspacing="0"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;       &lt;td valign="top" width="159"&gt;&lt;b&gt;Figura I             &lt;br /&gt;&lt;/b&gt;S_M            &lt;br /&gt;M_P            &lt;br /&gt;S_P&lt;/td&gt;        &lt;td valign="top" width="561"&gt;1) A premissa menor precisa ser afirmativa (para evitar o processo ilícito do termo maior e a falácia das duas premissas negativas); &lt;br /&gt;2) A premissa maior precisa ser total ou necessária (para evitar um termo médio M não-distribuído).&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Modos válidos: &lt;/b&gt;AAA, AEE, IAI e IEO.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chamada de &lt;b&gt;figura perfeita &lt;/b&gt;porque só ela é capaz de produzir uma proposição total/necessária como conclusão (o modo AAA é meta da Ciência, da Filosofia, de todo o conhecimento geral).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também assim chamada porque só nela é que o termo médio realmente está na posição média e natural – é a síntese natural dos termos. Representa o &lt;b&gt;movimento espontâneo e natural do pensamento no raciocínio&lt;/b&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;     &lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;table border="0" cellpadding="0" cellspacing="0"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;       &lt;td valign="top" width="210"&gt;&lt;b&gt;Figura III             &lt;br /&gt;&lt;/b&gt;M_S            &lt;br /&gt;M_P            &lt;br /&gt;S_P&lt;/td&gt;        &lt;td valign="top" width="510"&gt;1) A premissa menor precisa ser afirmativa; &lt;br /&gt;2) A conclusão precisa ser parcial/contingente (o termo menor deve continuar &lt;i&gt;nd&lt;/i&gt; na conclusão).&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Modos válidos: &lt;/b&gt;AAI, AII, IAI, AEO, AOO e IEO.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Exceto quando uma premissa for uma definição, pode produzir apenas uma conclusão parcial/singular/contingente. É apropriada a &lt;b&gt;provar exceções&lt;/b&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;     &lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;table border="0" cellpadding="0" cellspacing="0"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;       &lt;td valign="top" width="159"&gt;&lt;b&gt;Figura IV             &lt;br /&gt;&lt;/b&gt;M_S            &lt;br /&gt;P_M            &lt;br /&gt;S_P&lt;/td&gt;        &lt;td valign="top" width="561"&gt;1) Se a premissa maior for afirmativa, a menor precisa ser total/necessária; &lt;br /&gt;2) Se a menor for afirmativa, a conclusão precisa ser parcial/contingente;&lt;br /&gt;3)Se a conclusão for negativa, a maior precisa ser total/necessária.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Modos válidos: &lt;/b&gt;AAI, EAE, AII, AEO e IEO.            &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Premissas opostas às da Figura I. Muito artificial, dá à mente menos satisfação e menos senso de convicção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Apesar de ser conhecida por Aristóteles e os lógicos da Renascença, esta figura não foi propriamente discutida, por ser muito instável – regras com “se’s”)&lt;/td&gt;     &lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;Redução de silogismos&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Engenhosos exercício, mas, segundo Miriam, de pouca importância prática.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Figuras II, III e IV –&amp;gt; Figura I (perfeita)&lt;b&gt;       &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Propósito: &lt;/b&gt;demonstrar a validade de uma figura imperfeita pela validade na figura perfeita.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Suposições&lt;/b&gt; 1) as premissas da figura imperfeita são verdadeiras tal como dadas.      &lt;br /&gt;2) a primeira figura é formalmente válida.&lt;/blockquote&gt;Há um engenhoso artifício mnemônico medieval que enumera os &lt;b&gt;19 modos válidos das quatro figuras &lt;/b&gt;(11 + as duplicatas), indicando os métodos para redução:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Barbara, Celarent, Darii, Ferio &lt;i&gt;que prioris       &lt;br /&gt;&lt;/i&gt;Cesare, Camestres, Festino, Baroco &lt;i&gt;secundae       &lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;i&gt;Tertia&lt;/i&gt;, Darapti, Disamis, Datisi, Felapton      &lt;br /&gt;Bocardo, Ferison, &lt;i&gt;habet&lt;/i&gt;; &lt;i&gt;Quarta in super addit       &lt;br /&gt;&lt;/i&gt;Bramantip, Camenes, Dimaris, Fesapo, Fresison      &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Vogais indicam o modo na ordem tradicional à maior, menor, conclusão;      &lt;br /&gt;— B, C, D, F indicam a qual modo correspondente da figura I serão reduzidos os modos das outras figuras;      &lt;br /&gt;— S (&lt;i&gt;Simpliciter&lt;/i&gt;) significa que a proposição indicada pela vogal precedente será convertida de forma simples;      &lt;br /&gt;— P (&lt;i&gt;Per accidens&lt;/i&gt;) significa que a proposição indicada pela vogal precedente precisa ser convertida por limitação (A em I – I em A – Bramantip em Barbara);      &lt;br /&gt;— M (&lt;i&gt;Muta&lt;/i&gt;) significa que as premissas devem ser transpostas;      &lt;br /&gt;— C (&lt;i&gt;Per contradictoriam propositionem&lt;/i&gt;) significa que a redução será indireta, por refutação de uma conclusão contraditória num silogismo da figura I;      &lt;br /&gt;— R, b, L, N, T, d nada significam.&lt;/blockquote&gt;Exemplo: redução de &lt;i&gt;Camestres &lt;/i&gt;a &lt;i&gt;Celarent&lt;/i&gt;: (a a b)   &lt;br /&gt;&lt;table border="1" cellpadding="0" cellspacing="0"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;         &lt;td valign="top" width="27"&gt;a&lt;/td&gt;          &lt;td valign="top" width="336"&gt;Todos os círculos são curvilíneos.&lt;/td&gt;          &lt;td valign="top" width="66"&gt;P a M&lt;/td&gt;          &lt;td valign="top" width="294"&gt;m – transpor as premissas&lt;/td&gt;       &lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;         &lt;td valign="top" width="27"&gt;&lt;/td&gt;          &lt;td valign="top" width="336"&gt;Nenhum quadrado é curvilíneo.&lt;/td&gt;          &lt;td valign="top" width="66"&gt;S e M&lt;/td&gt;          &lt;td valign="top" width="294"&gt;s – converter simplesmente&lt;/td&gt;       &lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;         &lt;td valign="top" width="27"&gt;&lt;/td&gt;          &lt;td valign="top" width="336"&gt;Nenhum quadrado é um círculo.&lt;/td&gt;          &lt;td valign="top" width="66"&gt;S a P&lt;/td&gt;          &lt;td valign="top" width="294"&gt;s – converter simplesmente&lt;/td&gt;       &lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;         &lt;td valign="top" width="27"&gt;&lt;/td&gt;          &lt;td valign="top" width="336"&gt;&lt;/td&gt;          &lt;td valign="top" width="66"&gt;&lt;/td&gt;          &lt;td valign="top" width="294"&gt;&lt;/td&gt;       &lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;         &lt;td valign="top" width="27"&gt;b&lt;/td&gt;          &lt;td valign="top" width="336"&gt;Nenhuma figura curvilínea é um quadrado.&lt;/td&gt;          &lt;td valign="top" width="66"&gt;M e P&lt;/td&gt;          &lt;td valign="top" width="294"&gt;&lt;/td&gt;       &lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;         &lt;td valign="top" width="27"&gt;&lt;/td&gt;          &lt;td valign="top" width="336"&gt;Todos os círculos são curvilíneos.&lt;/td&gt;          &lt;td valign="top" width="66"&gt;S a M&lt;/td&gt;          &lt;td valign="top" width="294"&gt;&lt;/td&gt;       &lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;         &lt;td valign="top" width="27"&gt;&lt;/td&gt;          &lt;td valign="top" width="336"&gt;Nenhum círculo é um quadrado.&lt;/td&gt;          &lt;td valign="top" width="66"&gt;S e P&lt;/td&gt;          &lt;td valign="top" width="294"&gt;&lt;/td&gt;       &lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na próxima parte, o resumo dos silogismos disjuntivo e hipotético e das falácias.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4388487925984704521-7223373334798046258?l=lectionesphilosophica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lectionesphilosophica.blogspot.com/feeds/7223373334798046258/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lectionesphilosophica.blogspot.com/2010/05/trivium-as-artes-liberais-da-logica_28.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4388487925984704521/posts/default/7223373334798046258'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4388487925984704521/posts/default/7223373334798046258'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lectionesphilosophica.blogspot.com/2010/05/trivium-as-artes-liberais-da-logica_28.html' title='Trivium, as Artes Liberais da Lógica, Gramática e Retórica, parte VII'/><author><name>Renan Santos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17608988790611781498</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0J-_pgCSqgo/Sqb-vuFgw9I/AAAAAAAAAH0/EdqQlSSqhS0/S220/renan2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4388487925984704521.post-2913964314681856457</id><published>2010-05-23T20:23:00.001-07:00</published><updated>2010-05-23T20:39:03.403-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='aristóteles'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='linguagem'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='filosofia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='escolástica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='vida intelectual'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cultura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='artes liberais'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='quadrivium'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='lógica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='estudos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='medieval'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='miriam joseph'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='retórica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='trivium'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='gramática'/><title type='text'>Trivium, as Artes Liberais da Lógica, Gramática e Retórica, parte VI</title><content type='html'>&lt;b&gt;Frases e proposições&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Símbolos gramaticais e proposições&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Proposição =&lt;/b&gt; frase declarativa. (frases não-declarativas, como ordens, preces, desejos, perguntas ou exclamações não podem simbolizar proposição porque não são verdadeiras nem falsas, expressam volição e não cognição – possuem status gramático, não lógico)&lt;br /&gt;Essências impossíveis não representam termos, por isso uma frase como “um círculo quadrado é uma figura curvilínea” nem proposição é, pois só dispõe de um termo – não é nem falsa nem verdadeira. “Astronautas em Marte vivem em construções subterrâneas” é uma afirmação de caráter empírico, mas que não contém um sujeito existente no passado ou no presente. “Astronautas podem vir a viver em Marte” já é uma proposição modal empírica verdadeira enquanto possibilidade. Como explica Miriam:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;“Uma frase que simboliza uma proposição pode ser ambígua, mas uma proposição não pode ser ambígua, porque o significado, o juízo que a mente pretende expressar precisa ser um, isto é, &lt;b&gt;unívoco&lt;/b&gt;”.&lt;/blockquote&gt;Quando a proposição for idêntica na mente de receptor e emissor, há entendimento.&lt;br /&gt;A tradução é uma tentativa de expressar uma proposição com símbolos de outra língua. Por isso que a poesia é complicadíssima, porque não só a tradução deve lidar com o conteúdo lógico, mas com o psicológico, que é próprio de cada palavra em cada língua. A retórica é que nos guia na escolha dos símbolos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt; Conteúdo proposicional e símbolos gramaticais&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Frase Declarativa&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Simples &lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Uma proposição simples&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Duas ou mais proposições simples &lt;/b&gt;– “Este menino alto e bonito é excepcionalmente inteligente” – 4 proposições simples: “este menino é alto”, “este menino é bonito”, “este menino é inteligente” e “sua inteligência é excepcional”.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Uma proposição disjuntiva&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Complexa&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Uma proposição simples &lt;/b&gt;– “O gato amarelo que ontem perambulava por nossa garagem foi atropelado”, oração &lt;i&gt;definitiva&lt;/i&gt;, pois chama a atenção para um gato em particular. “Aquele homem alto, de olhos e cabelos castanhos, com um pequeno bigode e de pé ao microfone, é um francês.” – uma só proposição, pois os modificadores são &lt;b&gt;definitivos&lt;/b&gt;. “Charles De Gaulle, que é um &lt;u&gt;francês alto&lt;/u&gt;, de &lt;u&gt;olhos&lt;/u&gt; e &lt;u&gt;cabelos castanhos&lt;/u&gt;, e que tem um &lt;u&gt;pequeno bigode&lt;/u&gt;, estava &lt;u&gt;de pé ao microfone&lt;/u&gt;.” – sete proposições, porque os modificadores são &lt;b&gt;atributivos&lt;/b&gt;.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Duas ou mais proposições simples&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Uma hipotética&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Um silogismo&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Composta&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Duas ou mais proposições simples &lt;/b&gt;– “os salários são altos, mas os preços também são”.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Uma disjuntiva &lt;/b&gt;– “ou o trem está atrasado ou nós o perdemos”.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Menos que uma frase &lt;/b&gt;– pode simbolizar uma proposição simples. “Fogo” = “Irrompeu fogo!” – afirma uma verdade ou falsidade. “Fogo!” = “Atire!” – ordem, não proposição.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;Frases declarativas e gramaticalmente completas mas que violem regras que regem nomes comuns e descrições gerais ou nomes próprios e descrições empíricas não simbolizam proposição alguma.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Relações Proposicionais Simples&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde os tempos de Aristóteles se reconhece que tanto a lógica quanto a retórica têm em comum a &lt;b&gt;invenção&lt;/b&gt; e a &lt;b&gt;disposição&lt;/b&gt;.&lt;br /&gt;&lt;table border="0" cellpadding="0" cellspacing="0"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;         &lt;td valign="top" width="174"&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Disposição&lt;/b&gt;&lt;/td&gt;          &lt;td valign="top" width="180"&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Lógica&lt;/b&gt;&lt;/td&gt;          &lt;td valign="top" width="300"&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Retórica&lt;/b&gt;&lt;/td&gt;       &lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;         &lt;td valign="top" width="174"&gt;&lt;/td&gt;          &lt;td valign="top" width="180"&gt;Definição&lt;/td&gt;          &lt;td valign="top" width="300"&gt;Introdução&lt;/td&gt;       &lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;         &lt;td valign="top" width="174"&gt;&lt;/td&gt;          &lt;td valign="top" width="180"&gt;Divisão&lt;/td&gt;          &lt;td valign="top" width="300"&gt;Corpo&lt;/td&gt;       &lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;         &lt;td valign="top" width="174"&gt;&lt;/td&gt;          &lt;td valign="top" width="180"&gt;Enquadramento&lt;/td&gt;          &lt;td valign="top" width="300"&gt;Conclusão&lt;/td&gt;       &lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;         &lt;td valign="top" width="174"&gt;&lt;/td&gt;          &lt;td valign="top" width="180"&gt;Relação&lt;/td&gt;          &lt;td valign="top" width="300"&gt;(unidade, coerência e ênfase)&lt;/td&gt;       &lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;br /&gt;(sujeito x adjuntos ≠ substância x acidentes   &lt;br /&gt;“o homem andava lentamente” – “homem” é sujeito do adjunto andava, e andava é sujeito do adjunto lento)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Cícero&lt;/b&gt; simplificou o tratamento aristotélico: &lt;b&gt;16 tópicos lógicos&lt;/b&gt; capazes de amplificar o sujeito pela análise:&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;Definição&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Divisão do todo em partes (lógico/físico)&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Gênero&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Espécie&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Adjuntos (de um sujeito – suas categorias acidentais)&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Contrários&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Contraditórios&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Similaridade&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Dissimilaridade&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Comparação (maior, igual, menor)&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Causa&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Efeito&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Antecedente&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Conseqüente&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Notação (o nome)&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Conjugados (“justo”, “justiça”, “justamente”)&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;17º tópico&lt;/b&gt; – Testemunho (prova) – externo ao sujeito investigativo e inclui todos os recursos à autoridade, como leis, contratos, testemunhos, provérbios, apotegmas, juramentos, penhor, compromisso, profecias, revelações, etc.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;b&gt;Tópicos retóricos&lt;/b&gt; – mais específicos:&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;Tempo&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Lugar&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Pessoas&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Circunstâncias     &lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;Relações Proposicionais&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Materiais&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Conjunção &lt;/b&gt;– mera junção de proposições&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Implícita &lt;/b&gt;– “o grande lago banhado pelo Sol é tranqüilo” (3 proposições)&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Explícita &lt;/b&gt;– “o telefone tocou e João atendeu” (2 proposições)&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Não elaborada (simples) &lt;/b&gt;– viola a unidade retórica da frase, o parágrafo e toda a composição. Junta proposições que não têm relação em pensamento. “O Internacional foi campeão e amanhã irei ao cinema”.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Material &lt;/b&gt;– une proposições com relação real ou lógica.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Regras           &lt;br /&gt;&lt;/b&gt;1.Verdadeiras apenas quando toda proposição associada for verdadeira.          &lt;br /&gt;2.Falsas quando qualquer proposição associada for falsa.          &lt;br /&gt;3.Prováveis se pelo menos uma proposição associada for provável e se nenhuma for falsa. (quando duas ou mais proposições forem prováveis, sua conjunção torna-se menos provável – &lt;i&gt;probable&lt;/i&gt; – e mais verossímil – &lt;i&gt;likely&lt;/i&gt; (senso comum))&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;/ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Formais&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Imediatas&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Oposição&lt;/b&gt; – mesma matéria (mesmo sujeito e predicado), mas formas diferentes (qualidade, quantidade, modalidade – A E I O)&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Contraditórias&lt;/b&gt; – A e O; E e I – não há meio-termo. Das proposições contraditórias, uma deve ser verdadeira e a outra necessariamente falsa.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Contrárias &lt;/b&gt;– A e E – existe um meio-termo. Das proposições contrárias, não podem ser ambas verdadeiras, mas ambas podem ser falsas (uma falácia comom é tomar uma proposição implicitamente como verdadeira por esta ser contrária à falsa – o certo é dizer que não se sabe).&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Subcontrárias &lt;/b&gt;– I e O – diferem na qualidade e são parciais em quantidade, ou contingentes em modalidade. Das proposições subcontrárias, não podem ser falsas ambas, mas ambas podem ser verdadeiras (se uma é falsa, a outra com certeza é verdadeira. Se não, não se sabe ainda.)&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Subalternas &lt;/b&gt;– A e I; E e O – mesma qualidade mas diferem pela parcialidade ou contingência (não é propriamente uma oposição, mas tradicionalmente se trata assim). Das subalternas, se a proposição total (ou necessária) for verdadeira, a parcial (ou contingente) é necessariamente verdadeira; mas se aquela é sabidamente falsa, o valor da última é desconhecido.            &lt;br /&gt;Nas formas categóricas, a oposição de empíricas singulares é restrita à contradição, e esta se dá somente através de uma diferença qualitativa. “Maria é alta. Maria não é alta”.            &lt;br /&gt;Nas formas modais, a oposição de empíricas singulares inclui todas as relações:            &lt;br /&gt;A – Maria é necessariamente amável.            &lt;br /&gt;E – Maria não pode ser amável.            &lt;br /&gt;I – Maria pode ser amável.            &lt;br /&gt;O – Maria pode não ser amável.            &lt;br /&gt;Ilustração das oposições:            &lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;a href="http://lh4.ggpht.com/_0J-_pgCSqgo/S_nxI6Q_4UI/AAAAAAAAAUE/wF9M7229nWc/s1600-h/clip_image001%5B4%5D.jpg" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img align="right" alt="clip_image001" border="0" height="182" src="http://lh4.ggpht.com/_0J-_pgCSqgo/S_nxJtK4bRI/AAAAAAAAAUI/6HaNvEvm3PM/clip_image001_thumb%5B1%5D.jpg?imgmax=800" title="clip_image001" width="183" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;li&gt;           &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;br /&gt;1) Se &lt;b&gt;E&lt;/b&gt; for verdadeira, então &lt;b&gt;I &lt;/b&gt;é falsa;&lt;br /&gt;2) Se &lt;b&gt;E &lt;/b&gt;for verdadeira, então &lt;b&gt;A &lt;/b&gt;é falsa;            3) Se &lt;b&gt;E &lt;/b&gt;for verdadeira, então &lt;b&gt;O &lt;/b&gt;é verdadeira.    &lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Edução &lt;/b&gt;– processo formal de tornar explícito tudo o que está implícito numa dada proposição. “Através da edução, nós, por assim dizer, viramos uma proposição do avesso e de cima para baixo até termos explorado todo o seu conteúdo”.          &lt;br /&gt;Obversão + Conversão = 7 formas edutivas (de uma proposição total-geral) ou um número menor (de uma parcial-contingente)&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Obversão&lt;/b&gt; – virar uma proposição “ao contrário”.            &lt;br /&gt;1) mudar a qualidade (determinada pela cópula);            &lt;br /&gt;2) substituir o predicado (P) pelo seu contraditório (P’).            &lt;br /&gt;Miriam alerta para termos cuidado com a obversão ilícita – o contraditório de “alimento salgado” não é “alimento não-salgado”, mas “não-alimento salgado” (o contraditório divide &lt;b&gt;todo o ser&lt;/b&gt; e não só o gênero).            &lt;br /&gt;S a P –&amp;gt; S e P’            &lt;br /&gt;“Todo eleitor é cidadão” –&amp;gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Nenhum eleitor é não-cidadão”.&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Litotes &lt;/b&gt;– figura de retórica muito usada na literatura inglesa, é uma aplicação de obversão.              &lt;br /&gt;“Eu &lt;u&gt;não fui malsucedido&lt;/u&gt; naquela empreitada”              &lt;br /&gt;“&lt;i&gt;Adam observed, and with his eye the chase pursuing, &lt;u&gt;not unmoved&lt;/u&gt; to eve thus spake&lt;/i&gt;” — John Milton, &lt;i&gt;Paradise&lt;/i&gt;&lt;i&gt; Lost               &lt;br /&gt;&lt;/i&gt;“&lt;i&gt;I have no hope &lt;u&gt;that he’s undrown’d&lt;/u&gt;&lt;/i&gt;.” — Shakespeare, &lt;i&gt;The Tempest&lt;/i&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Conversão             &lt;br /&gt;&lt;/b&gt;1) Inverter o sujeito e o predicado.            &lt;br /&gt;2) Se necessário, e para evitar um processo ilícito, alterar a quantidade (ou modalidade) e, por meio disso, converter por limitação ou &lt;i&gt;per accidens&lt;/i&gt;.            &lt;br /&gt;3) Não alterar a qualidade (determinada pela cópula).            &lt;br /&gt;(&lt;b&gt;Processo ilícito&lt;/b&gt; – tentar obter mais de uma proposição do que nela há, usando um termo na sua extensão plena quando na proposição original o uso foi apenas em parte de sua extensão. É um dos erros mais comuns na mente humana).            &lt;br /&gt;4) Nem toda proposição pode ser convertida &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;table border="0" cellpadding="0" cellspacing="0"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;                 &lt;td valign="top" width="135"&gt;&lt;a href="http://lh3.ggpht.com/_0J-_pgCSqgo/S_nxJyKmBiI/AAAAAAAAAUM/RCI1YkoRtlw/s1600-h/clip_image002%5B4%5D.jpg"&gt;&lt;img alt="clip_image002" border="0" height="67" src="http://lh5.ggpht.com/_0J-_pgCSqgo/S_nxKtJ92HI/AAAAAAAAAUQ/tzdjl9Qqp6A/clip_image002_thumb%5B1%5D.jpg?imgmax=800" style="border: 0px none; display: inline;" title="clip_image002" width="77" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;                  &lt;td width="270"&gt;Conversão ilícita                     &lt;br /&gt;(o sentido da seta acusa)&lt;/td&gt;               &lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;(é o teste da definição e propriedade que indica se esses predicados são conversíveis em sujeito)            &lt;br /&gt;S o P não pode ser convertida de maneira alguma, pois o S antes não-distribuído torna-se um P distribuído (ilícito). (com freqüência, é claro, tal conversão permanece verdadeira &lt;b&gt;materialmente&lt;/b&gt;, mas não formalmente. “Algumas rosas não são vermelhas.” –&amp;gt;&amp;nbsp; “Algumas coisas vermelhas não são rosas.)            &lt;br /&gt;S a P pode ser convertida &lt;b&gt;por limitação&lt;/b&gt; (produzindo a quantidade ou a modalidade). “Todos os leões são animais” –&amp;gt;&amp;nbsp; “Alguns animais são leões.”     &lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;/ul&gt;&lt;/ul&gt;&lt;/ul&gt;&lt;b&gt;Formas edutivas de S a P&lt;/b&gt;    &lt;br /&gt;&lt;table border="1" cellpadding="0" cellspacing="0"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;         &lt;td valign="top" width="76"&gt;&lt;b&gt;Processo&lt;/b&gt;&lt;/td&gt;          &lt;td valign="top" width="166"&gt;&lt;b&gt;Proposição original&lt;/b&gt;&lt;/td&gt;          &lt;td valign="top" width="142"&gt;&lt;b&gt;S a P&lt;/b&gt;&lt;/td&gt;          &lt;td valign="top" width="360"&gt;&lt;b&gt;Todos os eleitores são cidadãos.&lt;/b&gt;&lt;/td&gt;       &lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;         &lt;td valign="top" width="76"&gt;Obversão&lt;/td&gt;          &lt;td valign="top" width="166"&gt;Obversa&lt;/td&gt;          &lt;td valign="top" width="142"&gt;S e P’&lt;/td&gt;          &lt;td valign="top" width="360"&gt;Nenhum eleitor é não-cidadão.&lt;/td&gt;       &lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;         &lt;td valign="top" width="76"&gt;Conversão&lt;/td&gt;          &lt;td valign="top" width="166"&gt;Contrapositiva parcial&lt;/td&gt;          &lt;td valign="top" width="142"&gt;P’ e S&lt;/td&gt;          &lt;td valign="top" width="360"&gt;Nenhum não-cidadão é eleitor.&lt;/td&gt;       &lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;         &lt;td valign="top" width="76"&gt;Obversão&lt;/td&gt;          &lt;td valign="top" width="166"&gt;Contrapositiva total&lt;/td&gt;          &lt;td valign="top" width="142"&gt;P’ a S’&lt;/td&gt;          &lt;td valign="top" width="360"&gt;Todos os não-cidadãos são não-eleitores.&lt;/td&gt;       &lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;         &lt;td valign="top" width="76"&gt;Conversão&lt;/td&gt;          &lt;td valign="top" width="166"&gt;Inversa total&lt;/td&gt;          &lt;td valign="top" width="142"&gt;S’ i P’&lt;/td&gt;          &lt;td valign="top" width="360"&gt;Alguns não-eleitores são não-cidadãos.&lt;/td&gt;       &lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;         &lt;td valign="top" width="76"&gt;Obversão&lt;/td&gt;          &lt;td valign="top" width="166"&gt;Inversa parcial&lt;/td&gt;          &lt;td valign="top" width="142"&gt;S’ o P&lt;/td&gt;          &lt;td valign="top" width="360"&gt;Alguns não-eleitores não são cidadãos.&lt;/td&gt;       &lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;         &lt;td valign="top" width="76"&gt;Conversão&lt;/td&gt;          &lt;td valign="top" width="166"&gt;Convertida&lt;/td&gt;          &lt;td valign="top" width="142"&gt;P i S&lt;/td&gt;          &lt;td valign="top" width="360"&gt;Alguns cidadãos são eleitores.&lt;/td&gt;       &lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;         &lt;td valign="top" width="76"&gt;Obversão&lt;/td&gt;          &lt;td valign="top" width="166"&gt;Convertida obversa&lt;/td&gt;          &lt;td valign="top" width="142"&gt;P o S’&lt;/td&gt;          &lt;td valign="top" width="360"&gt;Alguns cidadãos não são não-eleitores.&lt;/td&gt;       &lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;Miriam mostra diversos outros exemplos, e arremata: &lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;“Que P é a definição, ou uma propriedade, de S só pode ser sabido &lt;b&gt;pela matéria&lt;/b&gt;. Quando tal ocorre, então S a P é corretamente conversível em P a S por toda a série (pois ambos estão em extensão total, distribuídos).”&lt;/blockquote&gt;&lt;ul&gt;&lt;ul&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Eduções suplementares           &lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;1) por determinantes adicionados &lt;/b&gt;(modificadores atributivos)          &lt;br /&gt;S é P –&amp;gt; Sa é Pa          &lt;br /&gt;*Válido somente se o determinante adicionado afetar S e P no &lt;b&gt;mesmo&lt;/b&gt; grau e no &lt;b&gt;mesmo&lt;/b&gt; aspecto.          &lt;br /&gt;“Uma formiga é um animal”          &lt;br /&gt;&lt;s&gt;“Uma formiga grande é um animal grande”           &lt;br /&gt;&lt;/s&gt;“Uma formiga pequena é um animal pequeno”          &lt;br /&gt;&lt;b&gt;2) por determinantes omitidos            &lt;br /&gt;&lt;/b&gt;S é Pa –&amp;gt; S é P          &lt;br /&gt;“Sócrates é um animal racional”          &lt;br /&gt;“Sócrates é um animal”          &lt;br /&gt;&lt;b&gt;3) por relação conversa           &lt;br /&gt;&lt;/b&gt;S r¹ P –&amp;gt; P r² S (r¹ e r² = cópulas com modificadores correlativos. Gênero e espécie também. Verbo passa da forma ativa para a forma passiva. Orações subordinadas e subordinantes, analogicamente falando)&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;/ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Mediata&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Silogismo &lt;/b&gt;– o silogismo é o ato de raciocínio pelo qual a mente percebe que, de uma relação de duas proposições (premissas) onde há um termo em comum, necessariamente emergirá uma nova e terceira proposição (conclusão), na qual não aparece o termo comum (termo médio).         &lt;br /&gt;O termo médio aparece nas duas premissas. Cada premissa aparece em si mesma e na conclusão.         &lt;br /&gt;(Uma proposição só se torna uma premissa ao ser conjugada a uma outra proposição que com ela tenha um termo em comum).        &lt;br /&gt;Assim, o silogismo é um &lt;b&gt;avanço&lt;/b&gt; no entendimento partido de uma conjunção de premissas. É a fórmula do raciocínio por excelência. Um silogismo ou é válido (veracidade e falsidade interdependentes) ou é inválido (conclusão não parte das premissas) &lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Matéria e forma do silogismo&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Matéria &lt;/b&gt;– termos menor, maior e médio. Começa-se analisando um silogismo pela conclusão.          &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;S = sujeito da conclusão – &lt;b&gt;termo menor&lt;/b&gt;.          &lt;br /&gt;P = predicado da conclusão – &lt;b&gt;termo maior&lt;/b&gt;.          &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conclusão –&amp;gt; S (a/e/i/o) P&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Um morcego (S) é um mamífero (M)”.          &lt;br /&gt;“Nenhum pássaro (P) é um mamífero (M)”&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;* Forma &lt;/b&gt;– necessidade lógica com que a conclusão decorre das premissas em virtude de sua relação válida obtida pela combinação de figura e modo.          &lt;br /&gt;&lt;i&gt;           &lt;br /&gt;Dictum de omni et nullo&lt;/i&gt; – &lt;b&gt;princípio do raciocínio silogístico&lt;/b&gt;.          &lt;br /&gt;O que quer que se afirme de um todo lógico, deve, necessariamente, ser afirmado das partes desse todo; o mesmo para a negação. (princípio da não-contradição)          &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P –&amp;gt; M –&amp;gt; S           &lt;br /&gt;(Pássaro é negado de mamífero, o termo médio e, portanto, é negado de morcego, que está incluso em mamífero)          &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O termo médio é um termo mediador que, tendo servido nas premissas como meio de comparação, é deixado de fora da conclusão.          &lt;br /&gt;&lt;b&gt;Regras&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Matéria             &lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;1.&lt;/b&gt;Um silogismo deve conter apenas 3 termos (violação: falácia do quarto termo).            &lt;br /&gt;&lt;b&gt;2.&lt;/b&gt;Um silogismo deve conter apenas 3 proposições (violação: falácia da quarta proposição).&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Distribuição             &lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;3.&lt;/b&gt;O termo médio deve estar distribuído em pelo menos 1 premissa (falácia do termo médio não-distribuído).            &lt;br /&gt;&lt;b&gt;4.&lt;/b&gt;Um termo não pode passar de &lt;i&gt;nd&lt;/i&gt; para &lt;i&gt;d&lt;/i&gt; na conclusão (processo ilícito).&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Qualidade             &lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;5.&lt;/b&gt;De duas premissas negativas, não procede conclusão alguma (pelo menos uma deve se relacionar com o termo médio).            &lt;br /&gt;&lt;b&gt;6.&lt;/b&gt;Se uma premissa for negativa, a conclusão será negativa (falácia conclusão negativa sem premissa negativa).&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Quantidade             &lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;7.&lt;/b&gt;Se uma premissa for parcial, a conclusão será parcial.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Modalidade             &lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;8.&lt;/b&gt;Se uma premissas for contingente, a conclusão será contingente.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Quantidade e Modalidade             &lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;9.&lt;/b&gt;De duas premissas parciais/singulares/contingentes não procede conclusão alguma.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Realidade/essência/indivíduo&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;10.&lt;/b&gt;Se uma premissa for pelo menos empírica, a conclusão será empírica.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Modos &lt;/b&gt;– designado por A E I O dispostos em determinada ordem.&lt;b&gt; &lt;/b&gt;Das 16 combinações possíveis entre premissas, as regras acima mostradas excluem metade, restando &lt;b&gt;oito válidas &lt;/b&gt;(S, P, M):          &lt;br /&gt;AAA (AAI para evitar falácia)          &lt;br /&gt;AEE (AEO para evitar falácia)          &lt;br /&gt;AII          &lt;br /&gt;AOO          &lt;br /&gt;EAE (EAO para evitar falácia)          &lt;br /&gt;IAI          &lt;br /&gt;IEO          &lt;br /&gt;OAO&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Figuras&lt;/b&gt; – determinadas pela posição (se ele é predicado ou sujeito) do termo médio nas premissas.          &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Figura+modo = forma do silogismo (necessidade lógica)          &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;table border="1" cellpadding="0" cellspacing="0"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;               &lt;td valign="top" width="120"&gt;&lt;b&gt;Figura I&lt;/b&gt;&lt;/td&gt;                &lt;td valign="top" width="106"&gt;&lt;b&gt;Figura II&lt;/b&gt;&lt;/td&gt;                &lt;td valign="top" width="120"&gt;&lt;b&gt;Figura III&lt;/b&gt;&lt;/td&gt;                &lt;td valign="top" width="113"&gt;&lt;b&gt;Figura IV&lt;/b&gt;&lt;/td&gt;             &lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;               &lt;td valign="top" width="120"&gt;S__M&lt;/td&gt;                &lt;td valign="top" width="106"&gt;S__M&lt;/td&gt;                &lt;td valign="top" width="120"&gt;M__S&lt;/td&gt;                &lt;td valign="top" width="113"&gt;M__S&lt;/td&gt;             &lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;               &lt;td valign="top" width="120"&gt;M__P&lt;/td&gt;                &lt;td valign="top" width="106"&gt;P__M&lt;/td&gt;                &lt;td valign="top" width="120"&gt;M__P&lt;/td&gt;                &lt;td valign="top" width="113"&gt;P__M&lt;/td&gt;             &lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;               &lt;td valign="top" width="120"&gt;S__P&lt;/td&gt;                &lt;td valign="top" width="106"&gt;S__P&lt;/td&gt;                &lt;td valign="top" width="120"&gt;S__P&lt;/td&gt;                &lt;td valign="top" width="113"&gt;S__P&lt;/td&gt;             &lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;b&gt;           &lt;br /&gt;Testando a validade de um silogismo:            &lt;br /&gt;&lt;/b&gt;Regras gerais de distribuição.           &lt;br /&gt;1)Encontre a conclusão e escreva “S” acima do sujeito e “P” acima do predicado.          &lt;br /&gt;2) Faça os mesmos nas premissas.          &lt;br /&gt;3) Escreva “M” acima do termo médio em ambas as premissas.          &lt;br /&gt;4) Determine o modo e a figura.          &lt;br /&gt;5) Marque a distribuição dos termos.          &lt;br /&gt;6) Teste para ver se há duas premissas negativas ou qualquer daquelas falácias.          &lt;br /&gt;7) Escreva “válida” ou “inválida” e nomeie a falácia.          &lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Entimema&lt;/b&gt; – silogismo logicamente abreviado pela omissão de uma proposição contém três termos que podem ser expandidos num silogismo completo.          &lt;br /&gt;Há diferenças entre um entimema e um silogismo:          &lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;table border="1" cellpadding="0" cellspacing="0"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;             &lt;td valign="top" width="225"&gt;&lt;b&gt;Entimema&lt;/b&gt;&lt;/td&gt;              &lt;td valign="top" width="240"&gt;&lt;b&gt;Silogismo&lt;/b&gt;&lt;/td&gt;           &lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;             &lt;td valign="top" width="225"&gt;(abreviação lógica)&lt;/td&gt;              &lt;td valign="top" width="240"&gt;(abreviação gramática)&lt;/td&gt;           &lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;             &lt;td valign="top" width="225"&gt;“Um carvalho é uma &lt;br /&gt;planta porque é uma árvore”&lt;/td&gt;              &lt;td valign="top" width="240"&gt;“Escalar os alpes é um empreendimento fascinante, mas perigoso. Portanto, alguns empreendimentos fascinantes são perigosos”.&lt;/td&gt;           &lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;li&gt; &lt;b&gt;Regras para avaliar um entimema&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;Encontre a conclusão observando que:           &lt;br /&gt;1) “Desde que”, “porque”, “uma vez que” ou “visto que” (eu incluiria também “dado que”) iniciam uma premissa; portanto, a outra proposição é a conclusão.            &lt;br /&gt;2) Portanto, conseqüentemente, “assim”, “logo”, etc. iniciam a conclusão.            &lt;br /&gt;3) “É” ou “mas” ligam as duas premissas e indicam que a proposição omitida é a conclusão.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Indique o sujeito e o predicado da conclusão. Um desses termos aparecerá associado ao termo médio M na outra proposição dada (se o entimema for usual).&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Assinale ambos os termos na premissa dada.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Substitua os substantivos pelos pronomes correspondentes.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Como não há regra lógica ou gramatical para determinar as posições dos termos na proposição faltante, valem quaisquer das duas maneiras de declará-la (2 expansões possíveis, 2 figuras diferentes).           &lt;br /&gt;I – se um entimema é valido em uma expansão, é válido, a despeito de ser ou não válido na outra expansão.            &lt;br /&gt;II – se é considerado inválido na 1ª expansão, é necessário expandi-lo na figura recíproca para conferir.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;li&gt;Mais uma vez, importantíssima ressaltar:&lt;b&gt; analisar um silogismo formalmente não envolve análise de veracidade ou falsidade das premissas.           &lt;br /&gt;&lt;/b&gt;É possível ter um silogismo formalmente válido com premissas falsas e uma conclusão verdadeira, ou com premissas falsas e uma conclusão falsa, mas &lt;b&gt;nunca&lt;/b&gt; com premissas verdadeiras e uma conclusão falsa.           &lt;br /&gt;&lt;b&gt;A importância do entimema &lt;/b&gt;– Miriam dá tanta consideração ao entimema em função de sua grande importância prática.          &lt;br /&gt;— É frequente a aceitação de um entimema sem a análise apurada de suas proposições implícitas (geralmente uma premissa maior).          &lt;br /&gt;— O entimema é a forma de raciocínio mais constante em nossas vidas. A lógica é realmente prática quando usada em nossa vida diária.          &lt;br /&gt;— Usado extensivamente na exposição e no debate.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Sorites &lt;/b&gt;– cadeia de entimemas ou silogismos abreviados na qual a conclusão de um silogismo se torna a premissa do seguinte. É um &lt;b&gt;polissilogismo&lt;/b&gt; no qual cada conclusão está subentendida, exceto a última, que se torna explícita.          &lt;br /&gt;&lt;b&gt;2 tipos:           &lt;br /&gt;&lt;/b&gt;conclusão de um silogismo –&amp;gt; premissa maior do próximo          &lt;br /&gt;conclusão de um silogismo –&amp;gt; premissa menor do próximo          &lt;br /&gt;Ainda que seja possível construir sorites válidos em cada uma das 4 figuras e combinar silogismos de diferentes figuras, consideram-se aqui somente os &lt;b&gt;2 tipos tradicionais &lt;/b&gt;(provavelmente as 2 únicas formas que usemos de fato)&lt;b&gt;:&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Sorites Aristotélico&lt;/b&gt; – 1ª proposição é a premissa menor do silogismo e todas as outras restantes são premissas maiores, exceto a última, que é uma conclusão; a conclusão omitida em cada silogismo se torna a premissa menor do seguinte.            &lt;br /&gt;1) só a última premissa pode ser negativa (ou o termo maior passará por um processo ilícito);            &lt;br /&gt;2) só a primeira premissa (a menor) pode ser parcial/contingente/singular.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Sorites Gocleniano &lt;/b&gt;(progressivos – Rudolf Goclenius, 1547-1628) – 1ª proposição é a premissa maior do seu silogismo, e todas as restantes são premissas menores, exceto a última, que é uma conclusão; a conclusão omitida em cada silogismo se torna a premissa maior do silogismo seguinte.            &lt;br /&gt;1) só a primeira premissa pode ser negativa (ou o termo maior passará por um processo ilícito);            &lt;br /&gt;2) só a última premissa (a menor) poderá ser parcial/contingente/singular (as outras são maiores e devem ser totais ou necessárias na figura I).            &lt;br /&gt;O Sorites Aristotélico é mais importante do que o Gocleniano, pois representa um movimento mais natural da mente e é mais freqüentemente usado.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Epiquerema &lt;/b&gt;– tal como o sorites, é um polissilogismo abreviado, mas é formalmente limitado. Combina figuras quaisquer e de cujas premissas ao menos uma é um entimema.&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Epiquerema simples&lt;/b&gt; – um entimema.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Epiquerema duplo &lt;/b&gt;– dois entimemas. É um argumento em cinco partes, uma forma particularmente admirada e muito usada por Cícero em seus discursos. &lt;b&gt;1.&lt;/b&gt;Premissa maior;            &lt;br /&gt;&lt;b&gt;2.&lt;/b&gt;Prova da maior;            &lt;br /&gt;&lt;b&gt;3.&lt;/b&gt;Premissa menor;            &lt;br /&gt;&lt;b&gt;4.&lt;/b&gt;Prova da menor;            &lt;br /&gt;&lt;b&gt;5.&lt;/b&gt;Conclusão.            &lt;br /&gt;(conclusão 1 + conclusão 2 –&amp;gt; conclusão 3)&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;De um Sorites a um Epiquerema           &lt;br /&gt;&lt;/b&gt;Todo sorites que não exceda 5 proposições pode ser transformado em um epiquerema duplo.          &lt;br /&gt;“Sócrates (S) é um animal (M²) porque ele (S) é um homem (M¹).”          &lt;br /&gt;“Um animal (M²) é um corpo (P) porque ele (M²) é um organismo (M³).”          &lt;br /&gt;“Sócrates (S) é um corpo (P).”           &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;table border="0" cellpadding="0" cellspacing="0"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;               &lt;td valign="top" width="135"&gt;S a M¹&lt;/td&gt;                &lt;td valign="top" width="135"&gt;&lt;/td&gt;                &lt;td valign="top" width="120"&gt;M² a M³&lt;/td&gt;             &lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;               &lt;td valign="top" width="135"&gt;M¹ a M²&lt;/td&gt;                &lt;td valign="top" width="135"&gt;&lt;/td&gt;                &lt;td valign="top" width="120"&gt;M³ a P&lt;/td&gt;             &lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;               &lt;td valign="top" width="135"&gt;S a M²&lt;/td&gt;                &lt;td valign="top" width="135"&gt;&lt;/td&gt;                &lt;td valign="top" width="120"&gt;M² a P&lt;/td&gt;             &lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;               &lt;td valign="top" width="135"&gt;&lt;/td&gt;                &lt;td valign="top" width="135"&gt;S a M²&lt;/td&gt;                &lt;td valign="top" width="120"&gt;&lt;/td&gt;             &lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;               &lt;td valign="top" width="135"&gt;&lt;/td&gt;                &lt;td valign="top" width="135"&gt;M² a P&lt;/td&gt;                &lt;td valign="top" width="120"&gt;&lt;/td&gt;             &lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;               &lt;td valign="top" width="135"&gt;&lt;/td&gt;                &lt;td valign="top" width="135"&gt;S a P&lt;/td&gt;                &lt;td valign="top" width="120"&gt;&lt;/td&gt;             &lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;— A conclusão do 1º silogismo se torna a premissa menor do último;          &lt;br /&gt;— A conclusão do 2º se torna a maior.     &lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;/ul&gt;&lt;/ul&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;    &lt;br /&gt;&lt;table border="1" cellpadding="0" cellspacing="0"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;         &lt;td valign="top" width="360"&gt;&lt;b&gt;Relação formal&lt;/b&gt;&lt;/td&gt;          &lt;td valign="top" width="360"&gt;&lt;b&gt;Relação material&lt;/b&gt;&lt;/td&gt;       &lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;         &lt;td valign="top" width="360"&gt;Pode ser formalmente correta/incorreta.&lt;/td&gt;          &lt;td valign="top" width="360"&gt;Pode ser verdadeira, falsa ou provável.&lt;/td&gt;       &lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;         &lt;td valign="top" width="360"&gt;A veracidade/falsidade das proposições é interdependente. Se o valor de uma é conhecido, o de outras pode ser determinado (sem qualquer conhecimento material).&lt;/td&gt;          &lt;td valign="top" width="360"&gt;Sua veracidade/falsidade depende da veracidade/falsidade de cada uma das proposições.&lt;/td&gt;       &lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;         &lt;td valign="top" width="360"&gt;Mantém-se apenas entre proposições que tenham certas formas.&lt;/td&gt;          &lt;td valign="top" width="360"&gt;Mantém-se sob quaisquer configurações.&lt;/td&gt;       &lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;         &lt;td valign="top" width="360"&gt;Fórmula, equação algébrica.&lt;/td&gt;          &lt;td valign="top" width="360"&gt;Equação aritmética.&lt;/td&gt;       &lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na próxima parte deste resumo, um maior aprofundamento da lógica.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4388487925984704521-2913964314681856457?l=lectionesphilosophica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lectionesphilosophica.blogspot.com/feeds/2913964314681856457/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lectionesphilosophica.blogspot.com/2010/05/trivium-as-artes-liberais-da-logica_23.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4388487925984704521/posts/default/2913964314681856457'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4388487925984704521/posts/default/2913964314681856457'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lectionesphilosophica.blogspot.com/2010/05/trivium-as-artes-liberais-da-logica_23.html' title='Trivium, as Artes Liberais da Lógica, Gramática e Retórica, parte VI'/><author><name>Renan Santos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17608988790611781498</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0J-_pgCSqgo/Sqb-vuFgw9I/AAAAAAAAAH0/EdqQlSSqhS0/S220/renan2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh4.ggpht.com/_0J-_pgCSqgo/S_nxJtK4bRI/AAAAAAAAAUI/6HaNvEvm3PM/s72-c/clip_image001_thumb%5B1%5D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4388487925984704521.post-1435678965607572646</id><published>2010-05-22T08:54:00.001-07:00</published><updated>2010-05-22T09:04:44.450-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='aristóteles'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='linguagem'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='filosofia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='escolástica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cultura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='artes liberais'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='quadrivium'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='lógica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='estudos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='medieval'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='miriam joseph'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='retórica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='trivium'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='idade média'/><title type='text'>Trivium, as Artes Liberais da Lógica, Gramática e Retórica, parte V</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;&lt;b&gt;Frases não-declarativas &lt;/b&gt;– expressam volição.      &lt;br /&gt;&lt;b&gt;Frases declarativas &lt;/b&gt;– expressam cognição à &lt;b&gt;proposições&lt;/b&gt;&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;Proposições e sua expressão gramatical     &lt;br /&gt;&lt;/b&gt;A proposição afirma uma &lt;b&gt;relação de termos&lt;/b&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;a href="http://lh5.ggpht.com/_0J-_pgCSqgo/S_f9--pCZ0I/AAAAAAAAAS8/BHt0tS2nS7I/s1600-h/triv8%5B3%5D.jpg"&gt;&lt;img title="triv8" style="border-right: 0px; border-top: 0px; display: inline; border-left: 0px; border-bottom: 0px" height="133" alt="triv8" src="http://lh5.ggpht.com/_0J-_pgCSqgo/S_f9_pxba3I/AAAAAAAAATA/wcA75gR499s/triv8_thumb%5B1%5D.jpg?imgmax=800" width="240" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;&lt;b&gt;Modo&lt;/b&gt;: maneira pela qual os termos se relacionam.      &lt;br /&gt;      &lt;br /&gt;&lt;b&gt;Proposição Modal &lt;/b&gt;– afirma o modo.&lt;/p&gt;    &lt;ul&gt;     &lt;li&gt;&lt;b&gt;Necessária &lt;/b&gt;– o que a realidade &lt;b&gt;deve &lt;/b&gt;ser.&lt;/li&gt;      &lt;li&gt;&lt;b&gt;Contingente &lt;/b&gt;– o que a realidade &lt;b&gt;poderia &lt;/b&gt;ser.&lt;/li&gt;   &lt;/ul&gt;    &lt;p&gt;&lt;b&gt;Proposição Categórica &lt;/b&gt;– não afirma modo (cópula ambígua), mas afirma com um fato &lt;b&gt;o que a realidade&lt;/b&gt; &lt;b&gt;é&lt;/b&gt;.&lt;/p&gt;    &lt;ul&gt;     &lt;li&gt;modo indicativo da cópula –&amp;gt; relação categórica&lt;/li&gt;      &lt;li&gt;modo potencial da cópula –&amp;gt; relações contingentes&lt;/li&gt;   &lt;/ul&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;Necessidade metafísica&lt;/b&gt; – quando o contrário é inconcebível, contraditório. Segundo Miriam, “a necessidade metafísica é tal que nem mesmo Deus pode fazê-la diferente. Deus é a fonte da ordem, não da desordem e confusão. Ser incapaz de fazer o que é contraditório não é uma limitação de sua onipotência, não é uma imperfeição, mas perfeição”. &lt;b&gt;     &lt;br /&gt;Necessidade física&lt;/b&gt; – repousa sobre as leis da natureza, e estas Deus pode suspender (os milagres).    &lt;br /&gt;&lt;b&gt;Necessidade moral&lt;/b&gt; – necessidade normativa sobre um agente livre. Por causa do livre-arbítrio, os humanos podem quebrar essass leis, embora elas permaneçam existindo.    &lt;br /&gt;&lt;b&gt;Necessidade lógica &lt;/b&gt;– predicáveis (explicação mais adiante).&lt;/p&gt; &lt;b&gt;   &lt;p&gt;     &lt;br /&gt;Proposição Simples&lt;/p&gt;  – afirma a relação de &lt;b&gt;dois termos&lt;/b&gt;.&lt;/b&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;Relação = fato –&amp;gt; &lt;strong&gt;categórica&lt;/strong&gt;.       &lt;br /&gt;Toda proposição categórica é simples, mas nem toda simples é categórica.      &lt;br /&gt;      &lt;br /&gt;Relação necessária ou contingente –&amp;gt; &lt;strong&gt;modal&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;Proposição Complexa &lt;/b&gt;– &lt;b&gt;três ou mais termos&lt;/b&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;ul&gt;   &lt;li&gt;&lt;b&gt;Hipotética &lt;/b&gt;– afirma uma dependência entre proposições. “Se ele (1) não estudar (2), será reprovado (3)”. (no português, pode haver hipotética simples)&lt;/li&gt;    &lt;li&gt;&lt;b&gt;Disjuntiva &lt;/b&gt;– afirma que de duas ou mais suposições, uma é verdadeira. “Um triângulo (1) é eqüilátero (2), isósceles (3) ou escaleno (4)”.&lt;/li&gt; &lt;/ul&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;Característica das Proposições&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;ul&gt;   &lt;li&gt;&lt;b&gt;Quanto à realidade&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;    &lt;ul&gt;     &lt;li&gt;&lt;b&gt;Geral&lt;/b&gt; – sujeito é um termo geral, referente a uma essência e simbolizado por um nome comum ou descrição geral.&lt;/li&gt;      &lt;li&gt;&lt;b&gt;Empírica &lt;/b&gt;– sujeito é termo empírico, referente a um indivíduo ou a um agregado e simbolizado por um nome próprio ou descrição empírica.&lt;/li&gt;   &lt;/ul&gt;    &lt;li&gt;&lt;b&gt;Quanto à quantidade&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;    &lt;ul&gt;     &lt;li&gt;&lt;b&gt;Total &lt;/b&gt;– sujeito na sua completa extensão. (o sujeito de uma geral é usado em sua extensão total, pois é uma essência, uma natureza de classe) (um coelho é um animal = todos os coelhos são animais)         &lt;br /&gt;Nesse sentido, uma proposição empírica singular é usada em sua extensão completa, porque seu sujeito é um indivíduo. Quantidade no sentido &lt;b&gt;estrito&lt;/b&gt; é própria apenas das proposições empíricas plurais. “Todos os membros deste clube são adultos”, “Doze cavalos participam da corrida”.&lt;/li&gt;      &lt;li&gt;&lt;b&gt;Parcial &lt;/b&gt;– sujeito apenas parte da extensão. “Alguns” e outras palavras limitantes. Quando uma geral ou empírica singular é contingente na modalidade, o sujeito é usado em apenas parte de sua extensão. “Um retângulo pode não ser um quadrado”, “João pode não estar triste”.&lt;/li&gt;   &lt;/ul&gt;    &lt;li&gt;&lt;b&gt;Quanto à qualidade &lt;/b&gt;(cópula)&lt;/li&gt;    &lt;ul&gt;     &lt;li&gt;&lt;b&gt;Afirmativa&lt;/b&gt; – inclui o sujeito (todo ou parte) no predicado.&lt;/li&gt;      &lt;li&gt;&lt;b&gt;Negativa &lt;/b&gt;– exclui o predicado (todo) do sujeito.&lt;/li&gt;   &lt;/ul&gt;    &lt;li&gt;&lt;b&gt;Quanto à modalidade &lt;/b&gt;(cópula)&lt;/li&gt;    &lt;ul&gt;     &lt;li&gt;&lt;b&gt;Necessária&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;      &lt;li&gt;&lt;b&gt;Contingente&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;   &lt;/ul&gt;    &lt;li&gt;&lt;b&gt;Quanto ao valor &lt;/b&gt;– conhecido pela investigação, pela experiência ou por um apelo de fatos – é &lt;b&gt;sintético&lt;/b&gt;.&lt;/li&gt;    &lt;ul&gt;     &lt;li&gt;&lt;b&gt;Verdadeira&lt;/b&gt; (proposição empírica –&amp;gt; investigação de casos individuais proposição geral –&amp;gt; análise dos termos (&lt;b&gt;analítica&lt;/b&gt;), &lt;i&gt;insight&lt;/i&gt; intelectual, razão) (“o que quer que seja verdadeiro ou falso deve ser proposição”)&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;      &lt;ul&gt;       &lt;li&gt;&lt;b&gt;Metafisicamente &lt;/b&gt;– conformidade de &lt;b&gt;algo&lt;/b&gt; com sua &lt;b&gt;idéia&lt;/b&gt;, primeiro na &lt;b&gt;mente de Deus&lt;/b&gt;, depois na dos homens. “Todo ser tem verdade metafísica”. O oposto é o &lt;b&gt;nada&lt;/b&gt;, o não-ser puro.&lt;/li&gt;        &lt;li&gt;&lt;b&gt;Logicamente &lt;/b&gt;– conformidade do &lt;b&gt;pensamento à realidade&lt;/b&gt;. O oposto é a &lt;b&gt;falsidade&lt;/b&gt;.&lt;/li&gt;        &lt;li&gt;&lt;b&gt;Moralmente &lt;/b&gt;– conformidade da expressão do pensamento. O oposto é a &lt;b&gt;mentira&lt;/b&gt;.&lt;/li&gt;     &lt;/ul&gt;   &lt;/ul&gt; &lt;/ul&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;     &lt;br /&gt;Formas proposicionais: formas A, E, I, O&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;S = sujeito / P = predicado&lt;/p&gt;    &lt;p&gt;A e I – &lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;u&gt;a&lt;/u&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;i&gt;ffi&lt;b&gt;&lt;u&gt;r&lt;/u&gt;&lt;/b&gt;mo        &lt;br /&gt;&lt;/i&gt;E e O – n&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;u&gt;e&lt;/u&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;g&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;u&gt;o&lt;/u&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;Formas A E I O quantitativas &lt;/b&gt;(as proposições são &lt;b&gt;categóricas&lt;/b&gt;)    &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;table cellspacing="0" cellpadding="0" width="446" border="1"&gt;&lt;tbody&gt;     &lt;tr&gt;       &lt;td valign="top" width="21"&gt;         &lt;p&gt;A&lt;/p&gt;       &lt;/td&gt;        &lt;td valign="top" width="99"&gt;         &lt;p&gt;Totalmente afirmativa&lt;/p&gt;       &lt;/td&gt;        &lt;td valign="top" width="43"&gt;         &lt;p align="center"&gt;S a P&lt;/p&gt;       &lt;/td&gt;        &lt;td valign="top" width="116"&gt;         &lt;p&gt;Todo S é P&lt;/p&gt;       &lt;/td&gt;        &lt;td valign="top" width="165"&gt;         &lt;p&gt;Todos os leões são animais.&lt;/p&gt;       &lt;/td&gt;     &lt;/tr&gt;      &lt;tr&gt;       &lt;td valign="top" width="21"&gt;         &lt;p&gt;E&lt;/p&gt;       &lt;/td&gt;        &lt;td valign="top" width="99"&gt;         &lt;p&gt;Totalmente negativa&lt;/p&gt;       &lt;/td&gt;        &lt;td valign="top" width="43"&gt;         &lt;p align="center"&gt;S e P&lt;/p&gt;       &lt;/td&gt;        &lt;td valign="top" width="116"&gt;         &lt;p&gt;Nenhum S é P&lt;/p&gt;       &lt;/td&gt;        &lt;td valign="top" width="165"&gt;         &lt;p&gt;Nenhum leão é cavalo.&lt;/p&gt;       &lt;/td&gt;     &lt;/tr&gt;      &lt;tr&gt;       &lt;td valign="top" width="21"&gt;         &lt;p&gt;I&lt;/p&gt;       &lt;/td&gt;        &lt;td valign="top" width="99"&gt;         &lt;p&gt;Parcialmente afirmativa&lt;/p&gt;       &lt;/td&gt;        &lt;td valign="top" width="43"&gt;         &lt;p align="center"&gt;S i P&lt;/p&gt;       &lt;/td&gt;        &lt;td valign="top" width="116"&gt;         &lt;p&gt;Algum S é P&lt;/p&gt;       &lt;/td&gt;        &lt;td valign="top" width="165"&gt;         &lt;p&gt;Alguns leões são mansos.&lt;/p&gt;       &lt;/td&gt;     &lt;/tr&gt;      &lt;tr&gt;       &lt;td valign="top" width="21"&gt;         &lt;p&gt;O&lt;/p&gt;       &lt;/td&gt;        &lt;td valign="top" width="99"&gt;         &lt;p&gt;Parcialmente negativa&lt;/p&gt;       &lt;/td&gt;        &lt;td valign="top" width="43"&gt;         &lt;p align="center"&gt;S o P&lt;/p&gt;       &lt;/td&gt;        &lt;td valign="top" width="116"&gt;         &lt;p&gt;Algum S não é P&lt;/p&gt;       &lt;/td&gt;        &lt;td valign="top" width="165"&gt;         &lt;p&gt;Alguns leões não são mansos.&lt;/p&gt;       &lt;/td&gt;     &lt;/tr&gt;   &lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;     &lt;br /&gt;Formas A E I O modais &lt;/b&gt;(as proposições são &lt;b&gt;modais&lt;/b&gt;)&lt;/p&gt;  &lt;table cellspacing="0" cellpadding="0" width="447" border="1"&gt;&lt;tbody&gt;     &lt;tr&gt;       &lt;td valign="top" width="21"&gt;         &lt;p&gt;A&lt;/p&gt;       &lt;/td&gt;        &lt;td valign="top" width="121"&gt;         &lt;p&gt;Necessariamente afirmativa&lt;/p&gt;       &lt;/td&gt;        &lt;td valign="top" width="39"&gt;         &lt;p align="center"&gt;S a P&lt;/p&gt;       &lt;/td&gt;        &lt;td valign="top" width="115"&gt;         &lt;p&gt;S precisa ser P&lt;/p&gt;       &lt;/td&gt;        &lt;td valign="top" width="149"&gt;         &lt;p&gt;Um leão precisa ser um animal.&lt;/p&gt;       &lt;/td&gt;     &lt;/tr&gt;      &lt;tr&gt;       &lt;td valign="top" width="21"&gt;         &lt;p&gt;E&lt;/p&gt;       &lt;/td&gt;        &lt;td valign="top" width="121"&gt;         &lt;p&gt;Necessariamente negativa&lt;/p&gt;       &lt;/td&gt;        &lt;td valign="top" width="39"&gt;         &lt;p align="center"&gt;S e P&lt;/p&gt;       &lt;/td&gt;        &lt;td valign="top" width="115"&gt;         &lt;p&gt;S não pode ser P&lt;/p&gt;       &lt;/td&gt;        &lt;td valign="top" width="149"&gt;         &lt;p&gt;Um leão não pode ser um cavalo.&lt;/p&gt;       &lt;/td&gt;     &lt;/tr&gt;      &lt;tr&gt;       &lt;td valign="top" width="21"&gt;         &lt;p&gt;I&lt;/p&gt;       &lt;/td&gt;        &lt;td valign="top" width="121"&gt;         &lt;p&gt;Contingentemente afirmativa&lt;/p&gt;       &lt;/td&gt;        &lt;td valign="top" width="39"&gt;         &lt;p align="center"&gt;S i P&lt;/p&gt;       &lt;/td&gt;        &lt;td valign="top" width="115"&gt;         &lt;p&gt;S pode ser P&lt;/p&gt;       &lt;/td&gt;        &lt;td valign="top" width="149"&gt;         &lt;p&gt;Um leão pode ser manso.&lt;/p&gt;       &lt;/td&gt;     &lt;/tr&gt;      &lt;tr&gt;       &lt;td valign="top" width="21"&gt;         &lt;p&gt;O&lt;/p&gt;       &lt;/td&gt;        &lt;td valign="top" width="121"&gt;         &lt;p&gt;Contingentemente negativa&lt;/p&gt;       &lt;/td&gt;        &lt;td valign="top" width="39"&gt;         &lt;p align="center"&gt;S o P&lt;/p&gt;       &lt;/td&gt;        &lt;td valign="top" width="115"&gt;         &lt;p&gt;S pode não ser P&lt;/p&gt;       &lt;/td&gt;        &lt;td valign="top" width="149"&gt;         &lt;p&gt;Um leão pode não ser manso.&lt;/p&gt;       &lt;/td&gt;     &lt;/tr&gt;   &lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;  &lt;p&gt;A &lt;strong&gt;quantidade&lt;/strong&gt; é determinada pelo sujeito (pela &lt;strong&gt;matéria&lt;/strong&gt;).    &lt;br /&gt;A &lt;strong&gt;modalidade&lt;/strong&gt; e a qualidade são determinadas pela cópula (pela &lt;strong&gt;forma&lt;/strong&gt;).    &lt;br /&gt;(As formas quantitativas normalmente são mais convenientes e mais usadas, pois tendemos mais a usar proposições categóricas)&lt;/p&gt; &lt;b&gt;   &lt;p&gt;     &lt;br /&gt;Distribuição dos termos&lt;/p&gt;    &lt;blockquote&gt;     &lt;p&gt;&lt;/p&gt;     &lt;b&gt;Distribuído&lt;/b&gt; – termo em sua extensão completa.      &lt;br /&gt;&lt;b&gt;Não-distribuído&lt;/b&gt; – termo em extensão menor que a completa.&lt;/blockquote&gt; &lt;/b&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;Regras formas de distribuição&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;&lt;b&gt;Quantidade ou modalidade &lt;/b&gt;– determina distribuição do sujeito.      &lt;br /&gt;&lt;b&gt;Qualidade &lt;/b&gt;– determina a distribuição do predicado.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;ol&gt;   &lt;li&gt;Proposição total (ou necessária) –&amp;gt; sujeito distribuído.&lt;/li&gt;    &lt;li&gt;Proposição parcial (ou contingente) –&amp;gt; sujeito não-distribuído.&lt;/li&gt;    &lt;li&gt;Proposição negativa –&amp;gt; predicado distribuído (porque este se exclui todo do sujeito)&lt;/li&gt;    &lt;li&gt;Proposição afirmativa –&amp;gt; predicado não-distribuído (porque o predicado é normalmente um termo mais amplo em extensão do que o sujeito; exceto quando for uma &lt;b&gt;definição&lt;/b&gt;, pois: 1) uma definição é sempre uma proposição A – afirmativa necessária – e, portanto, o sujeito é distribuído através da forma; e 2) o predicado, como definição do sujeito, tem não apenas a mesma intensão, mas também a mesma extensão do sujeito – completa. Distributivo através da &lt;b&gt;matéria&lt;/b&gt;. &lt;b&gt;A conversão é o teste da distribuição&lt;/b&gt;.)&lt;/li&gt; &lt;/ol&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;     &lt;br /&gt;Aplicando as regras às formas A E I O&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;Distribuição&lt;/b&gt; – importante conceito na lógica&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;d = distribuído     &lt;br /&gt;nd = não-distribuído&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;1. S (d) a P (nd) – Todos os leões são animais.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;2. S (d) a P (d) – Nenhum leão é cavalo.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;3. S (nd) a P (nd) – Alguns leões são cavalos.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;4. S (nd) a P (d) – Alguns leões não são mansos.   &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;Os círculos de Euler &lt;/b&gt;(Leonhard Euler, 1707-1783, matemático suíço)    &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;table cellspacing="0" cellpadding="0" border="0"&gt;&lt;tbody&gt;     &lt;tr&gt;       &lt;td width="69"&gt;         &lt;p&gt;A&lt;/p&gt;       &lt;/td&gt;        &lt;td valign="top" width="151"&gt;         &lt;p&gt;           &lt;br /&gt;&lt;a href="http://lh6.ggpht.com/_0J-_pgCSqgo/S_f-AegNo1I/AAAAAAAAATE/9rXMt26cwyk/s1600-h/clip_image001%5B4%5D.jpg"&gt;&lt;img title="clip_image001" style="border-right: 0px; border-top: 0px; display: block; float: none; margin-left: auto; border-left: 0px; margin-right: auto; border-bottom: 0px" height="88" alt="clip_image001" src="http://lh3.ggpht.com/_0J-_pgCSqgo/S_f-BBAPDyI/AAAAAAAAATI/gV3YhpbOWBA/clip_image001_thumb%5B1%5D.jpg?imgmax=800" width="88" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;       &lt;/td&gt;        &lt;td width="500"&gt;         &lt;p&gt;Total inclusão de S em P.            &lt;br /&gt;&lt;font size="1"&gt;S é distribuído e P é não-distribuído.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;       &lt;/td&gt;     &lt;/tr&gt;      &lt;tr&gt;       &lt;td width="69"&gt;         &lt;p&gt;A&lt;/p&gt;       &lt;/td&gt;        &lt;td valign="top" width="151"&gt;         &lt;p&gt;           &lt;br /&gt;&lt;a href="http://lh5.ggpht.com/_0J-_pgCSqgo/S_f-B7iGXJI/AAAAAAAAATM/pcCh0Tm4SrQ/s1600-h/clip_image002%5B4%5D.jpg"&gt;&lt;img title="clip_image002" style="border-right: 0px; border-top: 0px; display: block; float: none; margin-left: auto; border-left: 0px; margin-right: auto; border-bottom: 0px" height="88" alt="clip_image002" src="http://lh4.ggpht.com/_0J-_pgCSqgo/S_f-CajnBcI/AAAAAAAAATQ/qRSPTkuJqqE/clip_image002_thumb%5B1%5D.jpg?imgmax=800" width="88" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;       &lt;/td&gt;        &lt;td width="500"&gt;         &lt;p&gt;           &lt;br /&gt;Total inclusão. P distribuído através da matéria e não da forma.            &lt;br /&gt;&lt;font size="1"&gt;Só quando P é definição ou propriedade de S.             &lt;br /&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;       &lt;/td&gt;     &lt;/tr&gt;      &lt;tr&gt;       &lt;td width="69"&gt;         &lt;p&gt;E&lt;/p&gt;       &lt;/td&gt;        &lt;td valign="top" width="151"&gt;         &lt;p&gt;           &lt;br /&gt;&lt;a href="http://lh5.ggpht.com/_0J-_pgCSqgo/S_f-DLk5c5I/AAAAAAAAATU/LMUdWpky0wk/s1600-h/clip_image003%5B4%5D.jpg"&gt;&lt;img title="clip_image003" style="border-right: 0px; border-top: 0px; display: inline; border-left: 0px; border-bottom: 0px" height="95" alt="clip_image003" src="http://lh5.ggpht.com/_0J-_pgCSqgo/S_f-D1riMVI/AAAAAAAAATY/VKbu_00lPAo/clip_image003_thumb%5B1%5D.jpg?imgmax=800" width="192" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;       &lt;/td&gt;        &lt;td width="500"&gt;         &lt;p&gt;           &lt;br /&gt;P totalmente excluído de S.            &lt;br /&gt;&lt;font size="1"&gt;Ambos distribuídos.             &lt;br /&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;       &lt;/td&gt;     &lt;/tr&gt;      &lt;tr&gt;       &lt;td width="69"&gt;         &lt;p&gt;I&lt;/p&gt;       &lt;/td&gt;        &lt;td valign="top" width="151"&gt;         &lt;p&gt;           &lt;br /&gt;&lt;a href="http://lh4.ggpht.com/_0J-_pgCSqgo/S_f-Ejh6coI/AAAAAAAAATc/-OIn-cxfGYw/s1600-h/clip_image004%5B4%5D.jpg"&gt;&lt;img title="clip_image004" style="border-right: 0px; border-top: 0px; display: inline; border-left: 0px; border-bottom: 0px" height="98" alt="clip_image004" src="http://lh5.ggpht.com/_0J-_pgCSqgo/S_f-FJ1ptEI/AAAAAAAAATg/-kiVHByrrw4/clip_image004_thumb%5B1%5D.jpg?imgmax=800" width="169" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;            &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;       &lt;/td&gt;        &lt;td width="500"&gt;         &lt;p&gt;           &lt;br /&gt;Inclusão parcial de S em parte de P.            &lt;br /&gt;&lt;font size="1"&gt;Nenhum distribuído.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;       &lt;/td&gt;     &lt;/tr&gt;      &lt;tr&gt;       &lt;td width="69"&gt;         &lt;p&gt;O&lt;/p&gt;       &lt;/td&gt;        &lt;td valign="top" width="151"&gt;         &lt;p&gt;           &lt;br /&gt;&lt;a href="http://lh5.ggpht.com/_0J-_pgCSqgo/S_f-FhJbOHI/AAAAAAAAATk/Y2KPef2h7vQ/s1600-h/clip_image005%5B4%5D.jpg"&gt;&lt;img title="clip_image005" style="border-right: 0px; border-top: 0px; display: inline; border-left: 0px; border-bottom: 0px" height="101" alt="clip_image005" src="http://lh5.ggpht.com/_0J-_pgCSqgo/S_f-GaJcTzI/AAAAAAAAATo/_aMi3P5843I/clip_image005_thumb%5B1%5D.jpg?imgmax=800" width="173" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;       &lt;/td&gt;        &lt;td width="500"&gt;         &lt;p&gt;           &lt;br /&gt;Exclusão de todo P de parte de S.            &lt;br /&gt;&lt;font size="1"&gt;S não-distribuído, P distribuído.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;       &lt;/td&gt;     &lt;/tr&gt;   &lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt; &lt;b&gt;   &lt;p&gt;     &lt;br /&gt;Predicáveis &lt;/p&gt; – a mais completa classificação das relações proposicionais. (tanto quanto as categorias são a mais completa classificação do ser-tal-como-é – metafísica – e do ser-tal-como-é-conhecido – lógica.&lt;/b&gt;  &lt;ul&gt;   &lt;li&gt;&lt;b&gt;Espécie &lt;/b&gt;– expressa o que membros individuais têm em comum.&lt;/li&gt;    &lt;li&gt;&lt;b&gt;Gênero&lt;/b&gt; – parte da essência comum a todos as suas espécies constituintes.&lt;/li&gt;    &lt;li&gt;&lt;b&gt;Diferença &lt;/b&gt;– parte da essência que pertence apenas a uma dada espécie e que a distingue de todas as outras no mesmo gênero.&lt;/li&gt;    &lt;li&gt;&lt;b&gt;Definição &lt;/b&gt;– gênero + diferença – torna explícita a essência da espécie que se apresenta como seu sujeito, e, portanto, coincide perfeitamente com o sujeito (na intensão e na extensão).&lt;/li&gt;    &lt;li&gt;&lt;b&gt;Propriedade &lt;/b&gt;– não é essência nem parte dela, mas &lt;b&gt;flui&lt;/b&gt; da essência e está presente onde quer que esteja a essência (concomitante necessário) (coincide perfeitamente com o sujeito em extensão.&lt;/li&gt;    &lt;li&gt;&lt;b&gt;Acidente &lt;/b&gt;– predicado contingente ao sujeito. Contingência explícita ou implícita. Acidente predicável ≠ acidente predicamental (acidente metafísico = as 9 &lt;b&gt;categorias&lt;/b&gt;)      &lt;br /&gt;      &lt;br /&gt;“O homem é racional”.      &lt;br /&gt;Predicável = diferença      &lt;br /&gt;Categoria = acidente (qualidade)      &lt;br /&gt;      &lt;br /&gt;“O homem é jovial”.      &lt;br /&gt;Predicável = propriedade      &lt;br /&gt;Categoria = acidente (qualidade)      &lt;br /&gt;      &lt;br /&gt;“O homem é animal”      &lt;br /&gt;Predicável = gênero      &lt;br /&gt;Categoria = substância      &lt;br /&gt;      &lt;br /&gt;Acidente inseparável = predicado contingente      &lt;br /&gt;Propriedade = predicado necessário      &lt;br /&gt;(um corvo é sempre preto, mas a “pretura” não é, por isso, predicado necessário)      &lt;br /&gt;(por anos se achou que “brancura” fosse um predicado necessário de cisnes, até que foram descobertos cisnes negros na Austrália)&lt;/li&gt; &lt;/ul&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;     &lt;br /&gt;O número de predicáveis&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;5 classificam os predicados de uma proposição afirmativa geral (Aristóteles).   &lt;br /&gt;1 aparece em uma proposição afirmativa empírica.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;S a P – ou P é totalmente conversível em S ou não é.   &lt;br /&gt;Se for, P é um elemento de definição ou uma propriedade.    &lt;br /&gt;Se não, P ou é um elemento da definição ou não é; se não, é um acidente. (Tópicos 1.8)&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Toda predição é primária e essencialmente de &lt;strong&gt;substância primeira&lt;/strong&gt; (individual).    &lt;br /&gt;Um termo universal só pode ser expresso por termo empírico singular porque ele mesmo pode ser predicado de um indivíduo. (Categorias 2.5)&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;     &lt;br /&gt;Relações extensionais dos 6 predicáveis&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;    &lt;table cellspacing="0" cellpadding="0" border="0"&gt;&lt;tbody&gt;       &lt;tr&gt;         &lt;td valign="top" width="180"&gt;           &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh5.ggpht.com/_0J-_pgCSqgo/S_f-HDQJ5UI/AAAAAAAAATs/QACoDSGZp2c/s1600-h/clip_image001%5B5%5D%5B3%5D.jpg"&gt;&lt;img title="clip_image001[5]" style="border-right: 0px; border-top: 0px; display: inline; border-left: 0px; border-bottom: 0px" height="65" alt="clip_image001[5]" src="http://lh6.ggpht.com/_0J-_pgCSqgo/S_f-HyLTGMI/AAAAAAAAATw/m99mafdnOns/clip_image001%5B5%5D_thumb%5B1%5D.jpg?imgmax=800" width="65" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;         &lt;/td&gt;          &lt;td width="225"&gt;           &lt;p&gt;Definição             &lt;br /&gt;Propriedade&lt;/p&gt;         &lt;/td&gt;          &lt;td width="240"&gt;           &lt;p&gt;Coincidência&lt;/p&gt;         &lt;/td&gt;       &lt;/tr&gt;        &lt;tr&gt;         &lt;td width="180"&gt;           &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh4.ggpht.com/_0J-_pgCSqgo/S_f-IaUzosI/AAAAAAAAAT0/R5UoEfklYmg/s1600-h/clip_image002%5B5%5D%5B3%5D.jpg"&gt;&lt;img title="clip_image002[5]" style="border-right: 0px; border-top: 0px; display: inline; border-left: 0px; border-bottom: 0px" height="68" alt="clip_image002[5]" src="http://lh6.ggpht.com/_0J-_pgCSqgo/S_f-JHRGWiI/AAAAAAAAAT4/k0cJojQc6fI/clip_image002%5B5%5D_thumb%5B1%5D.jpg?imgmax=800" width="68" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;         &lt;/td&gt;          &lt;td width="225"&gt;           &lt;p&gt;             &lt;br /&gt;Gênero              &lt;br /&gt;Diferença              &lt;br /&gt;Propriedade              &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;         &lt;/td&gt;          &lt;td width="240"&gt;           &lt;p&gt;Inclusão total&lt;/p&gt;         &lt;/td&gt;       &lt;/tr&gt;        &lt;tr&gt;         &lt;td width="180"&gt;           &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh4.ggpht.com/_0J-_pgCSqgo/S_f-JmmyZUI/AAAAAAAAAT8/Su8C4izaU_8/s1600-h/clip_image003%5B5%5D%5B3%5D.jpg"&gt;&lt;img title="clip_image003[5]" style="border-right: 0px; border-top: 0px; display: inline; border-left: 0px; border-bottom: 0px" height="67" alt="clip_image003[5]" src="http://lh4.ggpht.com/_0J-_pgCSqgo/S_f-KQyDx4I/AAAAAAAAAUA/N07AVY0ZLp8/clip_image003%5B5%5D_thumb%5B1%5D.jpg?imgmax=800" width="115" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;         &lt;/td&gt;          &lt;td width="225"&gt;           &lt;p&gt;Acidente&lt;/p&gt;         &lt;/td&gt;          &lt;td width="240"&gt;           &lt;p&gt;Inclusão parcial&lt;/p&gt;         &lt;/td&gt;       &lt;/tr&gt;     &lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;Porfírio&lt;/b&gt; e os escolásticos também citavam 5 predicáveis (espécie inclusa), mas omitiam a definição. (Tanto espécie quanto definição realmente são idênticas em extensão e intensão, contudo, diz Miriam, a espécie normalmente entendida é o sujeito possível do predicável &lt;b&gt;definição&lt;/b&gt;, e normalmente espécie pode predicar apenas um sujeito empírico singular. Espécie como predicado, assim, tem mais em comum com o &lt;b&gt;gênero&lt;/b&gt; do que com a definição.)&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;Limites da predicação&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Segundo Miriam, os 6 predicáveis &lt;b&gt;não representam&lt;/b&gt; &lt;strong&gt;uma análise exaustiva&lt;/strong&gt; da predicação (nem mesmo da necessária), porque:&lt;/p&gt;  &lt;ol&gt;   &lt;li&gt;Um predicado é necessariamente afirmado sobre um sujeito se for uma propriedade ou uma diferença de um gênero remoto, mas não pode ser classificado nem como propriedade nem como diferença daquele sujeito (propriedade ≠ definição)&lt;/li&gt;    &lt;li&gt;O indivíduo é membro de uma espécie e pode-se assim predicar dele não só a espécie mas outros predicados necessários que ele tem em virtude de sua espécie.&lt;/li&gt;    &lt;li&gt;Os predicáveis classificam somente proposições afirmativas, já que nas negativas o predicado está totalmente excluído do sujeito. (algumas das mais importantes proposições na filosofia são proposições negativas necessárias – “um quadrado não é um círculo”)Explica Miriam: “As categorias são universais metafísicos diretos, chamados &lt;b&gt;termos de primeira intenção&lt;/b&gt; porque classificam nossos conceitos do Ser ou da realidade. Os predicáveis são universais lógicos reflexivos, chamados &lt;b&gt;termos de segunda intenção&lt;/b&gt; porque são completamente mentais, uma vez que classificam as relações que a mente percebe entre nossos conceitos da realidade”.&lt;/li&gt; &lt;/ol&gt;  &lt;p&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Encerramos aqui a quinta parte. Na próxima, o resumo das relações proposicionais.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4388487925984704521-1435678965607572646?l=lectionesphilosophica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lectionesphilosophica.blogspot.com/feeds/1435678965607572646/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lectionesphilosophica.blogspot.com/2010/05/trivium-as-artes-liberais-da-logica_22.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4388487925984704521/posts/default/1435678965607572646'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4388487925984704521/posts/default/1435678965607572646'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lectionesphilosophica.blogspot.com/2010/05/trivium-as-artes-liberais-da-logica_22.html' title='Trivium, as Artes Liberais da Lógica, Gramática e Retórica, parte V'/><author><name>Renan Santos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17608988790611781498</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0J-_pgCSqgo/Sqb-vuFgw9I/AAAAAAAAAH0/EdqQlSSqhS0/S220/renan2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh5.ggpht.com/_0J-_pgCSqgo/S_f9_pxba3I/AAAAAAAAATA/wcA75gR499s/s72-c/triv8_thumb%5B1%5D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4388487925984704521.post-1913802833306091779</id><published>2010-05-17T09:00:00.001-07:00</published><updated>2010-05-17T09:26:47.867-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='artes liberais'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='lógica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='aristóteles'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='retórica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='miriam joseph'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='medieval'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='filosofia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='trivium'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='idade média'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='gramática'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cultura'/><title type='text'>Trivium, as Artes Liberais da Lógica, Gramática e Retórica, parte IV</title><content type='html'>&lt;b&gt;Termos e seus equivalentes gramaticais: Definição e Divisão&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Palavras – símbolos criados para representar a realidade.     &lt;br /&gt;Termos – conceitos comunicados através de símbolos.&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;(“&lt;i&gt;Come to terms&lt;/i&gt;” no inglês significa a concordância entre duas partes comunicantes)&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Termo (idéia em trânsito) ≠ Conceito (idéia que representa&lt;br /&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; a realidade)   &lt;br /&gt;&lt;i&gt;ens communicationis&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; ens mentis&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um conceito é um &lt;b&gt;termo potencial&lt;/b&gt; que se atualiza pelo símbolo (palavra).&lt;br /&gt;Idéias só podem viajar entre as mentes por um meio: &lt;b&gt;símbolo&lt;/b&gt;. O termo é um conceito efetivamente comunicado. Somente palavras categoremáticas podem simbolizar um termo lógico. As sincategoremáticas podem ser &lt;b&gt;parte gramatical&lt;/b&gt; de um símbolo completo que expresse um termo lógico. &lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Palavra – Gramática   &lt;br /&gt;Letra – Ortografia    &lt;br /&gt;Termo – Lógica&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Um termo é sempre unívoco&lt;/b&gt;, não ambíguo, porque é &lt;b&gt;um&lt;/b&gt;. Porém, o &lt;b&gt;símbolo gramatical&lt;/b&gt; que o expressa pode ser ambíguo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Palavras em diferentes línguas são normalmente equivalentes na sua dimensão lógica, mas freqüentemente não o são na psicológica. Por isso é tão difícil traduzir poesias. O menos ambíguo de todos os símbolos é uma descrição geral, uma definição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Classificação dos termos&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Termo empírico&lt;/b&gt; – designa um indivíduo ou um agregado. Símbolo – nome próprio ou descrição empírica. &lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Termo geral &lt;/b&gt;– designa uma essência. Símbolo – nome comum ou descrição geral.       &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Segundo Miriam, “ser capaz desta distinção é da mais alta importância. Para fazê-lo, não se pode depender de códigos gramaticais; é preciso olhar através das palavras até a realidade simbolizada”)&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Termo contraditório&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Positivo&lt;/b&gt; (expressa o presente na realidade) &lt;b&gt;x&lt;/b&gt; &lt;b&gt;negativo&lt;/b&gt; (expressa o ausente na realidade). Algumas palavras gramaticalmente negativas simbolizam termos logicamente positivos, como “infinito, “impaciente”, inclemente”.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Privativo&lt;/b&gt; &lt;b&gt;(restritivo) &lt;/b&gt;– negativo que expressa privação. (“manco”, “cego”, “morto”, etc. – uma pedra não pode ser cega)&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Termo concreto&lt;/b&gt; – representa realidades como elas realmente são na ordem do ser. (“animal”, “veloz”)&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Termo abstrato&lt;/b&gt; – representa uma substância ou acidente mentalmente abstraído da realidade concreta e tomado como ente de razão. (“animalidade”, “velocidade”)&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Termo absoluto&lt;/b&gt; – o que pode ser entendido independentemente. (“homem”, “vermelho”)&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Termo relativo &lt;/b&gt;– o que deve ser entendido com referência a outro. (“pais”, “causa”, “amigo”) (sempre correlativos e absolutos em pelo menos uma das 9 categorias – relação, paixão, etc.)&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Termo coletivo&lt;/b&gt; – aplicável apenas a um grupo considerado como unidade. (“exército”, “júri”)&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Concordância coletiva&lt;/b&gt; – singular&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Concordância distributiva &lt;/b&gt;– plural (“o público e seus chapéus”)&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Termo distributivo &lt;/b&gt;– aplicável a um membro de um grupo isoladamente. (“homem” – indivíduo ou espécie)&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;Diferenças entre termos&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Não repugnantes &lt;/b&gt;– não necessariamente excludentes entre si.&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Por categoria&lt;/b&gt; (“maçã”, “grande”, “vermelho”)&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Por gênero &lt;/b&gt;(mesma categoria) (“redondo”, “liso”, “azedo”; “pedra”, “árvore”, “animal”)&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Repugnantes&lt;/b&gt; – termos incompatíveis, realidades mutuamente excludentes.&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Por espécie &lt;/b&gt;(mesmo gênero) (“vermelho”, “azul”, “amarelo”; “redondo”, “quadrado”, “triangular”)&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Por indivíduo &lt;/b&gt;(mesma espécie) (“esta mulher”, “minha mãe”; “rio Amazonas”)&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Contraditórios&lt;/b&gt; – não possuem gradações. (“branco” e “não-branco”)&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Contrários &lt;/b&gt;– pares&lt;b&gt; &lt;/b&gt;dentro de gêneros ou espécies dentro de gêneros contrários. Possuem gradação. (“branco” e “preto”, “bem” e “mal”)        &lt;br /&gt;(Um termo pode ser geral e abstrato; “minha avó” é um termo empírico, positivo, concreto e relativo)        &lt;br /&gt;(Todo termo tem o seu contraditório. Nem todo termo tem um contrário)&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;/ul&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Extensão dos termos &lt;/b&gt;– designação objetiva e extramental. A extensão de “árvore” são todas as árvores.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Intensão dos termos&lt;/b&gt; – significado, soma dos caracteres essenciais. Conjunto das condições necessárias e suficientes para aplicar o termo. Tornar explícita a intensão – o significado – é &lt;b&gt;definir &lt;/b&gt;um termo.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;b&gt;Extensão = imagem mental&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Intensão = conceito intelectual&lt;/b&gt;&lt;/blockquote&gt;Quando um termo cresce em intensão, decresce em extensão.   &lt;br /&gt;Quando um termo cresce em extensão, decresce em intensão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;A&lt;/b&gt; &lt;b&gt;Árvore de Porfírio&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_0J-_pgCSqgo/S_FpDbn--bI/AAAAAAAAASs/SpVOXOs9xVk/s1600/arvore-porfirio.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/_0J-_pgCSqgo/S_FpDbn--bI/AAAAAAAAASs/SpVOXOs9xVk/s320/arvore-porfirio.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_0J-_pgCSqgo/S_FqrctWofI/AAAAAAAAAS0/UmsHP1hex4w/s1600/triv7.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="304" src="http://3.bp.blogspot.com/_0J-_pgCSqgo/S_FqrctWofI/AAAAAAAAAS0/UmsHP1hex4w/s320/triv7.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Definição&lt;/b&gt; (análise da intensão) – torna explícita a intensão. É simbolizada por uma &lt;b&gt;descrição geral perfeita&lt;/b&gt;.&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Definição Lógica&lt;/b&gt; (análise da intensão) – expressa a essência de uma espécie através do seu &lt;b&gt;gênero próximo&lt;/b&gt; e de sua &lt;b&gt;diferença específica&lt;/b&gt;.&lt;b&gt; &lt;/b&gt;“O homem é animal racional”. O sujeito é sempre uma espécie. Uma definição lógica não pode ser elaborada para cada termo porque alguns termos não possuem gênero próximo, ou porque a diferença específica não é conhecida. Tais termos podem ser esclarecidos por uma &lt;b&gt;descrição geral&lt;/b&gt;. Assim, uma definição lógica não pode ser elaborada por um &lt;i&gt;summus genus&lt;/i&gt; ou uma &lt;i&gt;infima species&lt;/i&gt;. Só a espécie pode ser definida (como espécie de um gênero, e não o contrário). Um &lt;i&gt;summus genus&lt;/i&gt;, como a substância ou qualquer outra das categorias, ou um dos predicáveis, &lt;b&gt;não pode ser definido logicamente&lt;/b&gt;. (o Ser não é genero das categoras, mas as &lt;b&gt;transcende&lt;/b&gt;. Um conceito transcendental é um conceito que não pode ser classificado porque se estende através e além de todas as categorias; são o ente e seus atributos transcendentais: unidade, verdade, bondade, &lt;i&gt;res&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;aliquid&lt;/i&gt;, beleza e o Ser)&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Definição Distintiva &lt;/b&gt;– definição pela &lt;b&gt;propriedade&lt;/b&gt;. Espécie é gênero + propriedade. “Homem é um ser suscetível de hilaridade”.       &lt;br /&gt;Propriedade – concomitante necessário da essência e resultante dela (hilaridade é uma conseqüência de sua racionalidade e de sua animalidade).      &lt;br /&gt;Uma definição distintiva por propriedade é normalmente a &lt;b&gt;melhor definição &lt;/b&gt;que uma &lt;b&gt;ciência &lt;/b&gt;pode alcançar. Na Química, os elementos são definidos por propriedades específicas. Uma espécie tem só uma diferença específica, mas pode ter várias propriedades específicas.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Definição Causal &lt;/b&gt;– explicita a intensão ao nomear a causa da realidade do termo. Causa eficiente, material, formal ou final.      &lt;br /&gt;“Pneumonia é a doença causada pelo pneumococo.” (causa eficiente)      &lt;br /&gt;“Água é H2O.” (causa material e causa formal) (definição por matéria e forma pode ser chamada de &lt;i&gt;definição genética&lt;/i&gt; – fórmulas químicas).      &lt;br /&gt;Definição por causa final = &lt;i&gt;definição intencional&lt;/i&gt;.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Definição Descritiva &lt;/b&gt;– mera enumeração das características que distinguem uma espécie.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Definição por exemplo &lt;/b&gt;(comparação) – fornece casos particulares ao invés da própria definição. Facilita a abstração alheia. “Um gênio é alguém como Da Vinci”.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Definição Gramatical/Retórica/Nominal &lt;/b&gt;– busca eliminar ambigüidades, é um acordo entre comunicantes.&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Etimologia &lt;/b&gt;(não muito seguro para significados correntes, embora muito esclarecedor em alguns casos)&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Sinônimo &lt;/b&gt;(contudo, podem diferir tanto na dimensão lógica quanto na psicológica)&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Definição arbitrária &lt;/b&gt;– há palavras muito importantes sobre cujo significado não há consenso. Importantíssimo para se chegar a acordos. (algo que Sócrates-Platão muito exercia) Como ressalta Miriam:“Debatedores em especial devem ao menos concordar quanto ao objeto do debate; caso contrário, argumentarão em vão”.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;/ul&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Regras da Definição. Ela deve ser:&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;ol&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Conversível&lt;/b&gt; em relação ao sujeito, à espécie e ao termo a ser definido. “Um homem é um animal racional” à “um animal racional é um homem”.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Positiva&lt;/b&gt;, antes do que negativa. (Uma violação: “um homem bom é aquele que não causa dor ao próximo”).&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Clara&lt;/b&gt;, simbolizada por palavras não-obscuras, vagas, ambíguas, figurativas.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Livre&lt;/b&gt; &lt;b&gt;de derivação&lt;/b&gt; da mesma raiz da palavra a ser definida. (Uma violação: “sucesso é ser bem-sucedido num ato” – argumentos circulares)&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Simbolizada por uma &lt;b&gt;estrutura gramatical&lt;/b&gt; &lt;b&gt;paralela&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;não misturada&lt;/b&gt;. Gerúndia para definir gerúndio, infinitivo para infinitivo, e assim por diante.&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Divisão &lt;/b&gt;– ferramenta extramemente valiosa do pensamento. É como caminhar nas pegadas de um Deus, diria Platão no &lt;i&gt;Fedro&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Divisão Lógica&lt;/b&gt; (análise da extensão de um termo). &lt;b&gt;Gênero &lt;/b&gt;&lt;b&gt;à espécies       &lt;br /&gt;&lt;/b&gt;O todo lógico (gênero) deve poder ser predicado de cada espécies sua. A divisão lógica nunca lida com indivíduo, mas com grupo e grupos menores. Do contrário, seria enumeração e não divisão.      &lt;br /&gt;Todo lógico – gênero      &lt;br /&gt;Base – aspecto metafísico (ponto de vista)      &lt;br /&gt;Princípio fundamental da divisão e seus membros divisores (espécies resultantes)&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Conforme o caráter da base&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Objetos naturais&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Divisão essencial&lt;/b&gt; – espécies naturais (plantas comestíveis –&amp;gt; alface, batata, etc.)&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Divisão acidental&lt;/b&gt; – acidentes que não determinam espécies naturais. (dividir as plantas comestíveis pela cor, formato, etc; homens pela cor, naturalidade, etc. – uma &lt;i&gt;infima species&lt;/i&gt; só pode sofrer divisão acidental)&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Objetos artificiais&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Divisão essencial &lt;/b&gt;– forma imposta pelo homem sobre a matéria (prataria –&amp;gt; facas, garfos, colheres, etc.)&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Divisão acidental&lt;/b&gt; – acidentes que não determinam espécies artificiais. (cadeiras pela cor, tamanho, peso, etc.)&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;/ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Conforme a maneira de aplicar a base ou o princípio da divisão&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Positiva (científica) &lt;/b&gt;– gênero –&amp;gt; espécies constituintes (elementos –&amp;gt; hidrogênio, oxigênio, nitrogênio, etc. – conhecimento empírico da experiência investigativa)          &lt;br /&gt;Não sabemos quantos elementos a ciência irá distinguir daqui a cem anos. A divisão &lt;b&gt;depende da investigação&lt;/b&gt; e não de um princípio da razão.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Dicotômica (intelectual) &lt;/b&gt;– divisão por termos contraditórios (ouro e não-ouro; vermelho e não-vermelho, etc.). O termo negativo pode conter espécies positivas (não-branco = azul, verde, vermelho, etc.) ou apenas uma (não-par). “O princípio da não-contradição é um &lt;b&gt;axioma do pensamento&lt;/b&gt;, uma &lt;b&gt;lei&lt;/b&gt; &lt;b&gt;da razão&lt;/b&gt;, de maior certeza do que qualquer outra lei da ciência. A dicotomia emprega este princípio.”          &lt;br /&gt;Na lógica (não na ciência), a dicotomia é superior à divisão positiva, porque a dicotomia &lt;b&gt;garante&lt;/b&gt; a realização da divisão lógica. Só pela dicotomia chegamos à Árvore de Porfírio.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Regras&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;ol&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Apenas uma base &lt;/b&gt;(princípio)&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Espécies constituintes devem ser mutuamente excludentes &lt;/b&gt;(sem &lt;i&gt;overlapping&lt;/i&gt;)&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Divisão deve ser exaustiva ou completa &lt;/b&gt;(espécies = gênero) (para haver um subtópico, é necessário pelo menos existirem dois subtópicos)&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;/ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Divisão Quantitativa &lt;/b&gt;– &lt;b&gt;singular extenso –&amp;gt; &lt;/b&gt;&lt;b&gt;partes quantitativas&lt;/b&gt; (as medidas).&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Divisão Física &lt;/b&gt;– &lt;b&gt;singular composto –&amp;gt; &lt;/b&gt;&lt;b&gt;partes essenciais       &lt;br /&gt;&lt;/b&gt;Ser humano –&amp;gt; corpo e alma; corpo –&amp;gt; membros, cabeça, etc.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Divisão Virtual/funcional&lt;/b&gt; – &lt;b&gt;todo potencial/funcional &lt;/b&gt;&lt;b&gt;à partes virtuais/funcionais       &lt;br /&gt;&lt;/b&gt;A alma está em todo o corpo quanto à totalidade da perfeição e da essência, mas não quanto à totalidade da virtude (&lt;i&gt;Summa Theologica&lt;/i&gt;) (algumas realidades podem ser pensadas como se tivessem partes, mas verdadeiramente não podem ser divididas, e o grau varia conforme cada parte).&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Divisão Metafísica &lt;/b&gt;– &lt;b&gt;substância –&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&amp;gt; acidente(s)       &lt;br /&gt;&lt;/b&gt;É uma &lt;b&gt;distinção&lt;/b&gt;, não uma separação; é uma divisão por &lt;b&gt;abstração&lt;/b&gt;. Essencial na lógica.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Divisão Verbal &lt;/b&gt;– &lt;b&gt;palavra –&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&amp;gt; definições léxicas &lt;/b&gt;(dicionário)&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Subdivisão e co-divisão&lt;/b&gt; (Árvore de Porfírio) – série de divisões independentes, mas do mesmo todo. Cada uma das seis classificações de termos neste capítulo lida com isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na próxima parte desta série, entraremos nas proposições e seu uso na Lógica.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4388487925984704521-1913802833306091779?l=lectionesphilosophica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lectionesphilosophica.blogspot.com/feeds/1913802833306091779/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lectionesphilosophica.blogspot.com/2010/05/trivium-as-artes-liberais-da-logica_17.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4388487925984704521/posts/default/1913802833306091779'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4388487925984704521/posts/default/1913802833306091779'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lectionesphilosophica.blogspot.com/2010/05/trivium-as-artes-liberais-da-logica_17.html' title='Trivium, as Artes Liberais da Lógica, Gramática e Retórica, parte IV'/><author><name>Renan Santos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17608988790611781498</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0J-_pgCSqgo/Sqb-vuFgw9I/AAAAAAAAAH0/EdqQlSSqhS0/S220/renan2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_0J-_pgCSqgo/S_FpDbn--bI/AAAAAAAAASs/SpVOXOs9xVk/s72-c/arvore-porfirio.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4388487925984704521.post-3810731024126395783</id><published>2010-05-13T10:03:00.001-07:00</published><updated>2010-05-14T16:13:24.785-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='artes liberais'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='lógica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='aristóteles'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='retórica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='miriam joseph'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='filosofia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='trivium'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='idade média'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='gramática'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cultura'/><title type='text'>Trivium, as Artes Liberais da Lógica, Gramática e Retórica, parte III</title><content type='html'>&lt;b&gt;O TRIVIUM&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Faculdades mentais&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Cognição&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;Inferior (sensória) &lt;b&gt;–&amp;gt;&lt;/b&gt; perceptos;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Superior (racional) &lt;b&gt;–&amp;gt;&lt;/b&gt; conceitos;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Apetição&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;Inferiores (sensíveis) &lt;b&gt;–&amp;gt;&lt;/b&gt; necessidades;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Superiores (racionais) &lt;b&gt;–&amp;gt;&lt;/b&gt; vontade – ao bem, à verdade, à beleza;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Emoção &lt;/b&gt;(acompanha as duas anteriores)&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;Dor&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Prazer&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;/ul&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Lógica&lt;/b&gt; – operações do intelecto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Gramática&lt;/b&gt; – todas as operações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Retórica&lt;/b&gt; – faz escolhas discursivas, é &lt;b&gt;extrínseca&lt;/b&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo Miriam, a Lógica pode funcionar sem a retórica ou a poesia. Já a Retórica ou a Poesia são rasas sem a Lógica, e todas acima necessitam da Gramática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Gramática Geral – &lt;/b&gt;mais filosófica. Relação &lt;b&gt;entre as palavras e a realidade&lt;/b&gt;.&lt;br /&gt;Gramática Especial – específica a uma língua. Relação das palavras com as palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Morfologia&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Palavras Categoremáticas &lt;/b&gt;(analogia: notas musicais, números, etc.)&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Substantivas &lt;/b&gt;(designam uma substância)&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;Substantivos&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Pronomes&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Atributivas&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;Primárias – atributo da substância&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Verbos (e inflexões)&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Adjetivos&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Secundárias (atributos dos atributos – advérbios)&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;/ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Palavras Sincategoremáticas &lt;/b&gt;(“marcações do tempo”, “operações”)&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Definitivas &lt;/b&gt;(associadas a uma palavra)&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;Artigos&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Dêicticos&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Conectivas &lt;/b&gt;(associadas a muitas palavras)&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;Preposições – conectam palavras&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Conjunções – conectam frases&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;Expressas&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Implícitas&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Pura cópula&lt;/b&gt; – conecta sujeito e predicado.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;/ul&gt;&lt;/ul&gt;(as &lt;b&gt;interjeições&lt;/b&gt; não são propriamente classe morfológica, porque não pertencem à sintaxe nem à lógica)&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Substâncias concretas&lt;/b&gt; – existem em si mesmas&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Naturais     &lt;br /&gt;Artificiais&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Abstrações são acidentes&lt;/b&gt; concebidos &lt;b&gt;pela mente&lt;/b&gt;, mas que existem &lt;b&gt;realmente&lt;/b&gt; por parte da substância. (mesmo o nome de sete das nove categorias acidentais são exemplos de substantivos abstratos). &lt;br /&gt;A abstração é fundamental ao intelecto humano. Cada um dos ramos científicos e filosóficos abstrai da realidade um determinado aspecto. &lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;b&gt;Matemática&lt;/b&gt; – abstrai a &lt;b&gt;quantidade&lt;/b&gt;;      &lt;br /&gt;&lt;b&gt;Física&lt;/b&gt; – abstrai o &lt;b&gt;movimento&lt;/b&gt;;      &lt;br /&gt;&lt;b&gt;Metafísica&lt;/b&gt; – abstrai o &lt;b&gt;Ser&lt;/b&gt; (“Ser enquanto Ser”).&lt;/blockquote&gt;Quanto mais avançamos, mais acumulamos substantivos abstratos, nuances, distinções.&lt;br /&gt;(segundo nota do tradutor brasileiro, a obra &lt;i&gt;Story of English &lt;/i&gt;aponta o fato de que &lt;i&gt;Old English&lt;/i&gt; foi fortalecido e revolucionado pela inclusão de palavras capazes de expressar o pensamento abstrato, através da entrada do cristianismo na Inglaterra por Sto. Agostinho de Canterbury no final do séc. VI).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Morfologia Categoremática&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;A. Substantivos&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Classificação lógica&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;Indivíduo – descrição empírica (concretude)&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Espécie – descrição geral (abstração)&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Gênero – descrição geral (abstração)&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Classificação gramatical&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;1) Número&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;Singular&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Plural         &lt;br /&gt;(em sentido estrito, um substantivo que nomeia um indivíduo não tem número, porque ele é único, é um nome próprio ou descrição empírica)&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;2) Gênero&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;Masculino&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Feminino&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Neutro&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Comum         &lt;br /&gt;(no Inglês moderno, os substantivos têm &lt;b&gt;gênero natural&lt;/b&gt;. No Alemão, Francês, Latim, eles têm &lt;b&gt;genero gramatical&lt;/b&gt;, ou seja, requerem diferentes concordâncias)&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;3) Pessoa&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;Pronome – concorda em pessoa, número e gênero com o seu antecedente substantivo; seu caso, porém, é determinado pela própria oração.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Pronome Relativo          &lt;br /&gt;– faz a vez de um substantivo;           &lt;br /&gt;– conecta orações;          &lt;br /&gt;– subordina uma oração à outra.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;4) Caso&lt;/b&gt; – relação de uma substância ou pronome com outras palavras na frase.&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;Nominativo – caso do sujeito (único necessário a todas as frases)&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Genitivo – indica quem possui&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Dativo – indica o termo (conceito) para o qual segue a ação (objeto indireto)&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Acusativo – nomeia o objeto que recebe a ação (objeto direto)         &lt;br /&gt;A gramática especial de cada língua pode não distinguir estes 4 casos, contudo eles estão presentes em todas elas de uma forma ou de outra (o vocativo é considerado um caso especial de nominativo).           &lt;br /&gt;Os casos podem ser expressos pela ordem das palavras, pelas preposições e pelas terminações.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;/ul&gt;&lt;/ul&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;As 10 funções gramaticais dos substantivos&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;Sujeito&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Predicativo do sujeito&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Objeto direto de um verbo&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Objeto direto de uma forma nominal&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Predicativo do objeto&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Objeto de uma preposição&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Modificador possessivo&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Nominativo absoluto&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Nominativo de discurso direto (vocativo)&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Aposto (de qualquer um acima)&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;b&gt;B. Atributivos &lt;/b&gt;– expressam os acidentes nas substâncias&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Verbos&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;1) Atributo com noção de tempo         &lt;br /&gt;&lt;/b&gt;Aristóteles define-o como aquele que transmite, além do significado próprio, a noção de tempo e mudança (tempo = mudança = ação).&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Verbos &lt;b&gt;indicam&lt;/b&gt; a passagem do tempo (atualização de potências), não expressam o seu significado principal – para isto utilizamos substantivos abstratos ou advérbios.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;2) Tempo verbal&lt;/b&gt; – relação entre o tempo do ato e o tempo da referência ao ato. É essencial ao verbo. O tempo verbal não é uma mera variação acidental (Aristóteles compara os tempos verbais aos casos dos substantivos).        &lt;br /&gt;Verdades gerais não são expressas com uma tensão verbal, pois as verdades são eternas (apesar de usarmos o tempo &lt;b&gt;presente&lt;/b&gt; para tal).&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;3) Modo &lt;/b&gt;– relação entre sujeito e predicado.&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Indicativo&lt;/b&gt; &lt;b&gt;(declarativo)&lt;/b&gt; – declaração factual, certa.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Potencial &lt;/b&gt;– possível ou contingente.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Interrogatório &lt;/b&gt;– pede informação e exige uma resposta em palavras.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Volitivo &lt;/b&gt;– exige uma resposta, usualmente em forma de ações. Faz referência direta somente ao &lt;b&gt;futuro&lt;/b&gt;. Segue uma distinção pouco observada hoje:&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Tom imperativo&lt;/b&gt; – “João, feche a porta”.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Tom optativo &lt;/b&gt;– “Que você tenha sucesso” (desejo)&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Tom exortativo &lt;/b&gt;– “Quisera eu dispor de meios” (persuasão)&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;li&gt;(Nas gramáticas especiais, é comum se tratar o indicativo e o interrogatório sob o mesmo modo, porque o verbo &lt;b&gt;gramaticalmente&lt;/b&gt; não muda)          &lt;br /&gt;Somente os modos indicativo e potencial podem expressar veracidade ou falsidade.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;4) Verbos transitivos&lt;/b&gt; – expressam uma ação que começa no sujeito (agente) e vai até (&lt;i&gt;trans&lt;/i&gt; + &lt;i&gt;ire&lt;/i&gt;) o objeto (receptor). O objeto pode agir sobre si próprio, como em “ele se cortou”. &lt;b&gt;Sempre&lt;/b&gt; exige um complemento. Alguns exigem tanto o objeto direto quanto o indireto (“dar”, p. ex.). Outros, como “eleger”, exigem dois acusativos para completar seu sentido (“nós o elegemos presidente”).&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Diretos&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Indiretos&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;5) Verbos intransitivos &lt;/b&gt;– expressa ação que não se dirige a nenhum objeto (“o pássaro voa”).&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Completos &lt;/b&gt;(“brotar”)&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Incompletos – &lt;/b&gt;requer um complemento (“tornar”).           &lt;br /&gt;(verbo copulativo)&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;6) Cópula&lt;/b&gt; – liga um atributivo (adjetivo ou verbal) ou substantivo a um sujeito.&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;“Pura Cópula”&lt;/b&gt; = “ser” na nossa língua – verbo que liga um predicado a um sujeito. Não expressa um atributo com noção temporal. Na Gramática Geral, é uma palavra &lt;b&gt;sincategoremática&lt;/b&gt;, como veremos.           &lt;br /&gt;Já o verbo intransitivo flexionado &lt;b&gt;“é”&lt;/b&gt; (ser) não é um verbo copulativo, mas uma palavra &lt;b&gt;categoremática&lt;/b&gt; que dá a &lt;b&gt;idéia de existência&lt;/b&gt;.          &lt;br /&gt;&lt;b&gt;Verbos copulativos (cópula + verbo)&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Verdadeira cópula&lt;/b&gt; (“as folhas verdes ficam amarelas”)&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Pseudo-cópula &lt;/b&gt;(“a maçã cheira a azedo”)            &lt;br /&gt;Expressa percepções sensíveis. Gramaticalmente perfeito, mas ilógico e literalmente falso. A maçã não pode ela mesma cheirar nada. O cognoscente é que cheira a maçã.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;/ul&gt;&lt;/ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Verbos nominais - &lt;/b&gt;Não afirmam e não expressam modo. Por tal, não podem formar frases auto-suficientes compreensíveis.&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Infinitivo&lt;/b&gt; – substantivo abstrato&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Particípio&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Gerúndio &lt;/b&gt;– pode desempenhar todas as funções de um substantivo. Na língua portuguesa, assumiu a função de particípio presente latino.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Adjetivos&lt;/b&gt; – expressam um atributo da substância, sem noção de tempo.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Secundários &lt;/b&gt;– expressam atributos de atributos.&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Advérbios&lt;/b&gt; (“anda rapidamente”)&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;/ul&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Morfologia Sincategoremática&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;A. Definitivas &lt;/b&gt;(determinativas) – quando associada a um nome comum, é capaz de destacar uma unidade de um grupo (classe).    &lt;br /&gt;Palavra definitiva + nome comum = descrição empírica.&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Artigo&lt;/b&gt; – nunca sozinho.&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Indefinido&lt;/b&gt; – não designa, só seleciona (pode significar também a primeira impressão de algo).&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Definido&lt;/b&gt; – singulariza (pode significar familiaridade estabelecida – “o homem feio que vi ontem” – ou eminência – “o filósofo”).&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Dêictico &lt;/b&gt;– designativo que aponta, que demonstra sem conceituar.&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Definitivo &lt;/b&gt;(“este lápis”)&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Com função de pronome &lt;/b&gt;(“este é um lápis”)        &lt;br /&gt;Trata-se de uma distinção essencial na Gramática Geral:         &lt;br /&gt;Modificador definitivo –&amp;gt; sujeito – “esta maçã”        &lt;br /&gt;Modificador atributivo –&amp;gt; predicado – “maça verde”        &lt;br /&gt;As gramáticas especiais costumam, pelo contrário, tratar o definitivo como um adjetivo, por causa da forma gramatical, flexão, etc.        &lt;br /&gt;(&lt;b&gt;Importante&lt;/b&gt;: análise funcional ≠ análise morfológica.         &lt;br /&gt;Em “a garota ruiva é minha prima”, ruiva é um modificador definitivo, mas nenhuma palavra nesta sentença é propriamente definitiva. Não separa-se por vírgula o modificador definitivo do seu substantivo; somente separa-se o modificador atributivo, se for uma oração)&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;/ul&gt;&lt;b&gt;B. Conectivas &lt;/b&gt;– “análogas ao cimento, pois mantém juntas as classes categoremáticas na unidade de pensamento expressa na frase”.&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Preposições &lt;/b&gt;– une substantivos que não se misturam naturalmente (como unir “lençol” a “cama”? &lt;b&gt;–&amp;gt; &lt;/b&gt;“lençol &lt;i&gt;sobre &lt;/i&gt;a cama”)&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Relações espaciais&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Relações intelectuais &lt;/b&gt;(“&lt;i&gt;sob &lt;/i&gt;autoridade”, “agir &lt;i&gt;por&lt;/i&gt; ciúme”)&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Compostos&lt;/b&gt; (&lt;i&gt;overlook&lt;/i&gt;, “entrever”)&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Relações genitivas &lt;/b&gt;(“&lt;i&gt;das&lt;/i&gt; crianças”, “&lt;i&gt;para&lt;/i&gt; as mulheres”)&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Adverbiações &lt;/b&gt;(&lt;i&gt;walk around&lt;/i&gt; – transmitem, contudo, um significado mais vago)&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Conjunções &lt;/b&gt;– unem frases explícitas (“os convidados chegaram e o jantar foi servido”) e implícitas (“Exército e Marinha preparam-se para a guerra”).&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Coordenativas&lt;/b&gt; &lt;b&gt;(puras)&lt;/b&gt; – unem frases ou orações independentes, ligando ou separando seus sentidos.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Subordinativas&lt;/b&gt; &lt;b&gt;(não-puras) &lt;/b&gt;– unem frases, mas não o sentido; só separam.        &lt;br /&gt;(a menos que as orações coordenativas sejam bastante curtas, deve-se usar vírgula antes da conjunção. Advérbios conjuntivos podem ser coordenativos – “daqui”, “por isso”, “então” – e subordinativos – “enquanto”, “onde”, “quando”. Com advérbios conjuntivos, entre orações coordenativas, usar ponto e vírgula ou ponto; entre subordinativas, usar vírgula ou não usar nada)&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Pura Cópula&lt;/b&gt; – conecta sujeito e predicado. Fundamental à Lógica. Nela e na Gramática Geral, a pura cópula não é nem o predicado nem uma parte deste, mas completamente distinta. Toda frase afirmativa simples é composta de sujeito, pura cópula e predicado. A pura cópula é o &lt;b&gt;complemento subjetivo&lt;/b&gt; (predicativo do sujeito).&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Explícita &lt;/b&gt;(“a grama é verde”; “a rosa está desabrochando”)&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Implícita &lt;/b&gt;(“o Sol brilha” – pode se tornar explícita pelo que a língua inglesa chama de &lt;i&gt;progressive&lt;/i&gt; ou &lt;i&gt;continuous form&lt;/i&gt;: “&lt;i&gt;the&lt;/i&gt; &lt;i&gt;sun is shining&lt;/i&gt;”)          &lt;br /&gt;(se o verbo tem modificações, ou se é transitivo ou copulativo, então o complemento subjetivo é uma combinação – constructo –, um conceito composto: “o vento fustiga a árvore” – atributivo ligado a “vnto” pela pura cópula “está”. A realidade da qual se fala é de um vento “fustigante de árvores”.           &lt;br /&gt;A locução verbal que indica a continuidade da ação deixa claro, explicita que a pura cópula “está”, sofrendo flexão, desempenha três funções importantes na Gramática Geral: 1) afirma, 2) expressa o modo e 3) indica o tempo verbal, que não é uma característica essencial do verbo)          &lt;br /&gt;(Verbo intransitivo: “Deus é”;          &lt;br /&gt;Verbo copulativo/predicativo ou cópula verdadeira: “Deus é bom”;          &lt;br /&gt;Pseudo cópula: “o ar cheira bem”;          &lt;br /&gt;Pura cópula: “o céu é azul”)&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;/ul&gt;&lt;/ul&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Análise sintática na Gramática Geral&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda frase simples pode ser dividida em sujeito completo e predicado completo.&lt;br /&gt;Uma frase composta pode ser dividade em frases simples.&lt;br /&gt;Na Lógica, é importante a divisão entre sujeito completo, pura cópula e predicado completo.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;b&gt;Análise sintática mais detalhada&lt;/b&gt; &lt;b&gt;(funcional)&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;ol&gt;&lt;li&gt;sujeito simples&lt;/li&gt;&lt;li&gt;predicado simples (com complemento(s), se presente(s))&lt;/li&gt;&lt;li&gt;oração (grupo de palavras com sujeito e predicado e que funciona como um substantivo, ou um atributivo ou um definitivo)&lt;/li&gt;&lt;li&gt;um modificador de um modificador&lt;/li&gt;&lt;li&gt;conectivos&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;b&gt;Outro tipo de análise sintática – unidades funcionais (materialmente)&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;ol&gt;&lt;li&gt;uma palavra&lt;/li&gt;&lt;li&gt;uma sentença (sem sujeito e predicado e que funciona como um substantivo, ou um atributivo ou um definitivo – pode ser uma sentença proposicional ou verbal)&lt;/li&gt;&lt;li&gt;uma oração (com sujeito e predicado e que funciona como um substantivo, ou um atributivo ou um definitivo)&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Função da Gramática &lt;/b&gt;– estabelecer leis para relacionar símbolos e assim expressar pensamentos.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;b&gt;Símbolos categoremáticos &lt;/b&gt;– relacionados&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Símbolos sincategoremáticos &lt;/b&gt;– relacionantes&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Frases &lt;/b&gt;– relações&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;de substituição&lt;/li&gt;&lt;li&gt;de combinação&lt;/li&gt;&lt;li&gt;de separação&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;A. Substituição&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Expansão&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Nome próprio &lt;/b&gt;&lt;b&gt;–&amp;gt; &lt;/b&gt;&lt;b&gt;descrição empírica&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Nome próprio –&amp;gt; &lt;/b&gt;&lt;b&gt;descrição geral &lt;/b&gt;(gato –&amp;gt; animal pequeno, peludo, com garras afiadas e que mia)&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Palavra –&amp;gt; &lt;/b&gt;&lt;b&gt;frase&lt;/b&gt; (extensão nem sempre inequívoca, como em “planalto” estendida a “um plano alto”)&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Sentença –&amp;gt; &lt;/b&gt;&lt;b&gt;frase ou grupo de frases&lt;/b&gt; (“céu nublado” estendida a “o céu está nublado”)&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Contração&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Descrição empírica –&amp;gt; &lt;/b&gt;&lt;b&gt;nome próprio &lt;/b&gt;(não temos nomes próprios para todos os entes, contudo)&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Descrição geral –&amp;gt; &lt;/b&gt;&lt;b&gt;nome comum&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Frase –&amp;gt; &lt;/b&gt;&lt;b&gt;sentença (sem verbo) &lt;/b&gt;(“o homem tem uma barba ruiva” a “o homem de barba ruiva”)&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Sentença –&amp;gt; &lt;/b&gt;&lt;b&gt;palavra &lt;/b&gt;(“homem que vende” a “vendedor”)        &lt;br /&gt;(a contração de algumas sentenças cria uma mudança tanto na dimensão lógica quanto na psicológica, como em “homem devoto”) &lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;/ul&gt;&lt;blockquote&gt;(Estilo de linguagem: preferível usar a contração com adultos; a expansão com crianças)&lt;/blockquote&gt;&lt;ul&gt;&lt;/ul&gt;&lt;b&gt;B. Combinação&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Sincategoremáticas&lt;/b&gt; – como vimos, os mais importantes meios de relacionar palavras, indispensáveis a qualquer língua.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Flexões &lt;/b&gt;– idem acima (importantíssimas em línguas como o latim).&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Ordem de palavras &lt;/b&gt;– muito importante numa língua de menor flexão, como o inglês (a dependência do inglês à ordem promove algumas construções gramaticais ilógicas, os &lt;i&gt;retained objects&lt;/i&gt;, como em “&lt;i&gt;he was shown the picture&lt;/i&gt;” – voz pseudo-passiva)&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Ênfase &lt;/b&gt;– importância oral (“&lt;b&gt;Ele &lt;/b&gt;era o meu amigo”, “Ele era o &lt;b&gt;meu&lt;/b&gt; amigo”).&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;b&gt;C. Separação&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Pontuação&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Escrita&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Oral (dicção) &lt;/b&gt;– faz pela leitura aquilo que a pontuação faz pela escrita.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;/ul&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encerramos aqui a terceira parte. No próximo post, o resumo dos termos e da sua utilização na Lógica.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4388487925984704521-3810731024126395783?l=lectionesphilosophica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lectionesphilosophica.blogspot.com/feeds/3810731024126395783/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lectionesphilosophica.blogspot.com/2010/05/trivium-as-artes-liberais-da-logica_13.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4388487925984704521/posts/default/3810731024126395783'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4388487925984704521/posts/default/3810731024126395783'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lectionesphilosophica.blogspot.com/2010/05/trivium-as-artes-liberais-da-logica_13.html' title='Trivium, as Artes Liberais da Lógica, Gramática e Retórica, parte III'/><author><name>Renan Santos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17608988790611781498</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0J-_pgCSqgo/Sqb-vuFgw9I/AAAAAAAAAH0/EdqQlSSqhS0/S220/renan2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4388487925984704521.post-3179237127644605113</id><published>2010-05-11T07:10:00.001-07:00</published><updated>2010-05-14T16:13:53.289-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='artes liberais'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='lógica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='aristóteles'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='miriam joseph'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='filosofia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='trivium'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='idade média'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='gramática'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cultura'/><title type='text'>Trivium – As Artes Liberais da Lógica, Gramática e Retórica, parte II</title><content type='html'>&lt;b&gt;Natureza e função da linguagem&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Função = comunicar pensamento, volição e emoção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Humanos comunicam-se não só por interjeições, como os animais. Porque racionais, também utilizam a linguagem. Segundo Miriam, os entes puramente espirituais, como os anjos, comunicam pensamento sem um meio físico, portanto não se pode chamar de “linguagem”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;2 modos de comunicação&lt;/b&gt;:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;b&gt;Imitação&lt;/b&gt; - artes, sinais, gestos, etc.;      &lt;br /&gt;&lt;b&gt;       &lt;br /&gt;Símbolo&lt;/b&gt; - signo arbitrário convencionado, como a linguagem, ou natural, como uma nuvem. Os símbolos podem ser:&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;permanentes&lt;/b&gt; (culturas, línguas);&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;temporários&lt;/b&gt; (sinais adotados por um time, cores da camiseta, senhas, etc.)        &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Valem &lt;b&gt;universalmente &lt;/b&gt;paras os homens – especiais (áreas científicas);&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Ou são &lt;b&gt;peculiares &lt;/b&gt;e&lt;b&gt; &lt;/b&gt;requerem tradução&lt;b&gt; &lt;/b&gt;– comuns (línguas) &lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;/blockquote&gt;Para Miriam, uma língua morta (como o latim) está, por isso mesmo, menos sujeita a mudanças e possui mais facilidade de ser apreendida. (o tradutor da edição brasileira faz a ressalva de que a morte de uma língua não a faz deixar de ser língua, e, portanto, corruptível - vide traduções erradas de textos antigos e toda a discussão filológica clássica).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Linguagem = comunicar por símbolos.&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_0J-_pgCSqgo/S-lnxTL2bDI/AAAAAAAAASM/bG4kdKpr2_U/s1600/triv4.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="42" src="http://3.bp.blogspot.com/_0J-_pgCSqgo/S-lnxTL2bDI/AAAAAAAAASM/bG4kdKpr2_U/s400/triv4.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Quem trata da &lt;span style="color: red;"&gt;matéria&lt;/span&gt; - &lt;b&gt;ortografia &lt;/b&gt;(e a &lt;b&gt;fonética&lt;/b&gt;)&lt;br /&gt;Quem trata da &lt;span style="color: #0080ff;"&gt;forma&lt;/span&gt; - &lt;b&gt;semântica&lt;/b&gt;&lt;/blockquote&gt;Os grandes instrumentos que possibilitam a quase ilimitada capacidade humana para se comunicar: cordas vocais, língua, palato, dentes, lábios. Isso torna possível a expressão do vasto pensamento humano. Miriam faz uma breve explicação sobre matéria e forma, gênero e espécie à luz aristotélica. &lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Toda existência é individual. &lt;/b&gt;Mesmo quando tentamos imaginar a classe cavalo, pensamos em um cavalo individual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_0J-_pgCSqgo/S-ll38zPUfI/AAAAAAAAAR0/tRoXD3qZJ9E/s1600/triv5.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="106" src="http://2.bp.blogspot.com/_0J-_pgCSqgo/S-ll38zPUfI/AAAAAAAAAR0/tRoXD3qZJ9E/s400/triv5.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo Miriam:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Um nome comum ou uma descrição geral deve representar uma essência ou uma natureza de classe que é intrinsecamente possível, ainda que não precise necessariamente existir. De outro modo, seria absolutamente destituído de sentido, tal como um círculo quadrado ou um quadrado triangular.&lt;/blockquote&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;A geração de um conceito&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_0J-_pgCSqgo/S-ln7xqUFvI/AAAAAAAAASU/2w2tKu7zV7M/s1600/triv6.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="110" src="http://3.bp.blogspot.com/_0J-_pgCSqgo/S-ln7xqUFvI/AAAAAAAAASU/2w2tKu7zV7M/s400/triv6.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;b&gt;Intelecto –&amp;gt;&lt;/b&gt; &lt;b&gt;abstração –&amp;gt; conceito&lt;/b&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;b&gt;Imaginação&lt;/b&gt; – área de encontro entre sentidos e intelecto.     &lt;br /&gt;&lt;b&gt;Memória sensorial&lt;/b&gt; (senso sintetizador, instinto) – fantasmas dos quais o intelecto abstrai o comum e o necessário, a essência, o conceito geral ou universal.&lt;br /&gt;Um conceito geral existe apenas na mente, mas com fundamento fora dela. Portanto, como aponta Miriam:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;um conceito não é algo arbitrário, ainda que a palavra o seja. A verdade tem uma norma objetiva no real.&lt;/blockquote&gt;Parafraseando Aristóteles (a adição final em destaque é na verdade contribuição de Leibniz): “Não há nada no intelecto que já não estivesse primeiro nos sentidos, &lt;i&gt;exceto o intelecto mesmo&lt;/i&gt;.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Através dos sentidos, o intelecto obtém da natureza a matéria-prima para o pensamento. O conhecimento abstrato é mais claro, ainda que menos vívido do que o conhecimento sensível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Thomas More chega a defender em seu &lt;i&gt;The Confutation of Tyndale’s Answers&lt;/i&gt; a utilização de estátuas e pinturas pela Igreja, mais do que as palavras, porque a captação daquelas é mais imediata e universal)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;As dez categorias do Ser (Aristóteles)&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou &lt;i&gt;&lt;b&gt;praedicamenta&lt;/b&gt;&lt;/i&gt; –&amp;gt; características que podem ser afirmadas sobre o sujeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(O termo foi inaugurado pela tradução para o latim feita por &lt;b&gt;Boécio &lt;/b&gt;da &lt;i&gt;Eisagoge eis tais kategorias &lt;/i&gt;- ou simplesmente &lt;i&gt;Isagoge&lt;/i&gt;, como ficou conhecida - obra de &lt;b&gt;Porfírio &lt;/b&gt;(232-304), discípulo de &lt;b&gt;Plotino &lt;/b&gt;(Porfírio e Boécio foram o ponto de partida para a discussão medieval acerca dos universais)).&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Todo ser existe em si mesmo –&amp;gt; categoria da &lt;b&gt;substância &lt;/b&gt;(1)      &lt;br /&gt;e/ou em outro –&amp;gt; categorias do &lt;b&gt;acidente &lt;/b&gt;(9).&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;1 – Substância     &lt;br /&gt;2 – Quantidade (magnitude)      &lt;br /&gt;3 – Qualidade      &lt;br /&gt;4 – Relação      &lt;br /&gt;5 – Ação      &lt;br /&gt;6 – Paixão (recepção da ação de um agente)      &lt;br /&gt;7 – Quando      &lt;br /&gt;8 – Onde      &lt;br /&gt;9 – Postura      &lt;br /&gt;10 – Estado&lt;/blockquote&gt;&lt;b&gt;Predicação&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;i&gt;Substância       &lt;br /&gt;&lt;/i&gt;Predicado &lt;b&gt;é o próprio sujeito&lt;/b&gt; (“Maria é um ser humano”);&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;i&gt;Quantidade, Qualidade e Relação&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;Predicado existe &lt;b&gt;no sujeito&lt;/b&gt; (“Maria é alta”; “Maria é esperta”; “Maria é mãe de Ana”);&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;i&gt;Ação, Paixão, Quando, Onde, Postura e Estado &lt;/i&gt;      &lt;br /&gt;Predicado existe &lt;b&gt;extrinsecamente ao sujeito&lt;/b&gt; (“Maria foi ferida”; “Maria se atrasou”)&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Individuação&lt;/b&gt; = limite = existência material (os graus de individuação dependem da classe de seres. P. ex., uma pedra difere muito menos de outra do que um homem de outro).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Acidentes&lt;/b&gt; = notas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Conceito empírico&lt;/b&gt; = apreensão intelectual indireta de um indivíduo. O intelecto conhece objetos individuais apenas indiretamente nos fantasmas, porque indivíduos são materiais, com uma exceção: o próprio intelecto, porque ele é&lt;b&gt; espiritual&lt;/b&gt;; pode conhecer a si mesmo. (como o materialismo explicaria a auto-reflexão?)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os objetos artificiais, criados pelo homem, possuem &lt;b&gt;duas essências:&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;b&gt;Matéria &lt;/b&gt;(madeira, ferro)&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Forma &lt;/b&gt;(cadeira)&lt;/blockquote&gt;&lt;b&gt;Conceito composto&lt;/b&gt; = constructo (advogado, atleta). Definição que adiciona acidentes a um conceito simples (homem) para delimitar classes acidentais. Na língua inglesa, um constructo geralmente é simbolizado por uma única palavra. (N’uma língua como o alemão, ele costuma ser simbolizado por uma &lt;b&gt;palavra composta&lt;/b&gt;. “Tanque” é &lt;i&gt;Raupenschlepperpanzerkampfwagen&lt;/i&gt;, e isso tudo foi encurtado para &lt;i&gt;panzer&lt;/i&gt;.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Dimensões da linguagem&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;b&gt;Dimensão psicológica &lt;/b&gt;= conotação (“luz direta”)&lt;b&gt;&lt;br /&gt;Dimensão lógica&lt;/b&gt; = denotação (“luz difusa”)&lt;/blockquote&gt;Por exemplo, &lt;i&gt;home&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;house&lt;/i&gt; aproximam-se na definição lógica, mas &lt;i&gt;home&lt;/i&gt; é uma palavra muito mais rica emocionalmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Palavras abstratas, como os conceitos, são mais claras e menos vívidas do que as concretas. Contudo, ressalta Miriam, ao comunicar conhecimento abstrato, é necessário o emprego de uma hábil ilustração concreta. A literatura obviamente utiliza muito mais palavras concretas, muitos sinônimos, quebras e nuances. Por isso, a composição lógica é facilmente traduzida, enquanto a composição psicológica raramente o é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O &lt;b&gt;som&lt;/b&gt; de uma palavra pode expandir uma dimensão psicológica. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Expressões idiomáticas são contextualizadas, perdem o sentido em outra cultura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Combinações de palavras&lt;/b&gt; enriquecem (ou empobrecem, se conflitantes) a dimensão psicológica. A &lt;b&gt;alusão&lt;/b&gt; é eficaz quando o público está ciente, é culto, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A palavra é mais sujeita à &lt;b&gt;ambigüidade&lt;/b&gt; do que um símbolo matemático, químico, musical, entre outros. A ambigüidade pode surgir:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;1) da &lt;b&gt;história&lt;/b&gt; das palavras – homônimos, sons, símbolos culturais (a suástica, p. ex.).&lt;br /&gt;2) da &lt;b&gt;imposição&lt;/b&gt; e da&lt;b&gt; intenção&lt;/b&gt; – predicação, reflexão, etc.&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeira imposição&lt;/b&gt; – palavra como “janela”.&lt;b&gt;&lt;br /&gt;Imposição zero&lt;/b&gt; – palavra sobre si mesma (ortografia, fonética).&lt;b&gt;&lt;br /&gt;Segunda imposição&lt;/b&gt; – palavra usada reflexivamente com referência ao signo sensível e ao significado. A &lt;b&gt;Gramática&lt;/b&gt; é a ciência da segunda imposição. “Pular é um verbo” é a reflexão da linguagem sobre si mesma.&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeira intenção&lt;/b&gt; (indivíduos essenciais) – uso predicativo comum do termo para se referir à realidade (a um indivíduo ou a uma essência).&lt;b&gt;&lt;br /&gt;Segunda intenção&lt;/b&gt; (essência) – uso reflexivo de um termo para referir-se a si mesmo como um termo ou conceito, aquele &lt;b&gt;pelo qual&lt;/b&gt; conhecemos e &lt;b&gt;não&lt;/b&gt; &lt;b&gt;o que&lt;/b&gt; conhecemos. “Cadeira é um conceito”; ora, não podemos sentar num conceito. “Uma cadeira é um conceito” erra por isso. A segunda intenção é restrita à &lt;b&gt;lógica&lt;/b&gt;.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;3) Da natureza do&lt;b&gt; fantasma&lt;/b&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;I - imagem que a palavra evoca. Extensão ou designação (nomes próprios se repetem, p. ex., por isso que também precisamos de outros dados sobre as pessoas).&lt;/li&gt;&lt;li&gt;II - nomes comuns pretendendo a universalidade (“oceanos” são cinco, “amigos seus” são o nº deles, “montanha” são todas as montanhas que existiram e existirão).&lt;/li&gt;&lt;li&gt;III - tanto nome comuns quanto nomes próprios podem adquirir muitos significados, muitas intensidades, conceitos.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Intenção ≠ Intensão&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Intenção –&amp;gt; forma do uso     &lt;br /&gt;Intensão --&amp;gt; soma de atributos contidos (predicados) em uma palavra&lt;/blockquote&gt;Nomes próprios podem significar várias coisas (Getúlio Vargas pode ser tanto o presidente, como a rua, como a praça, etc. Esta aí uma &lt;b&gt;ambigüidade na intensão&lt;/b&gt;). &lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Nome comum - usado primeiramente em intensão (apesar de ter extensão);     &lt;br /&gt;Nome próprio - usado primeiro em extensão (apesar de ter intensão).&lt;/blockquote&gt;Há também a &lt;b&gt;ambigüidade deliberada&lt;/b&gt;, mormente nas comunicações estéticas e literárias. A &lt;b&gt;ironia&lt;/b&gt; é uma forma de ambigüidade deliberada na intensão, pois lida com o sentido. O mesmo com o &lt;b&gt;trocadilho&lt;/b&gt; (segundo Miriam, hoje em dia uma forma trivial de humor, embora Aristóteles, Cícero e os mestres retóricos da Renascença o tivessem em alta estima; Platão e os dramaturgos gregos também o usavam de uma maneira séria).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;M&lt;/b&gt;&lt;b&gt;etáfora&lt;/b&gt; - estabelece analogia entre a imagem literal e a imagem figurada. Para Aristóteles era como uma &lt;b&gt;proporção&lt;/b&gt; entre duas razões: &lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;A:B :: C:D –&amp;gt; A é C.&lt;/blockquote&gt;“&lt;i&gt;O, wild west&lt;/i&gt; (A) &lt;i&gt;wind, thou breath&lt;/i&gt; (C) &lt;i&gt;of autumn’s&lt;/i&gt; (B)&lt;i&gt; being&lt;/i&gt; (D).” –&amp;gt; “&lt;i&gt;The moon&lt;/i&gt; (A) &lt;i&gt;is a boat &lt;/i&gt;(C)”.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;(B – &lt;i&gt;moves through the sky&lt;/i&gt;) (D – &lt;i&gt;moves through the water&lt;/i&gt;)&lt;/blockquote&gt;&lt;b&gt;Metáfora morta&lt;/b&gt; é aquela que, de tão usada, deixa de ser metafórica, só admitindo o sentido figurado. “Tribulação” foi uma metáfora tão boa que veio a perder o seu sentido original (debulhação). (Segundo o tradutor da edição brasileira, a metáfora &lt;i&gt;candidate&lt;/i&gt; vinha de cândido, vestido de branco – os postulantes ao senado romano utilizavam togas brancas que deveriam simbolizar a sua “ausência de manchas”. Em inglês, &lt;i&gt;clothed&lt;/i&gt; tem também o sentido de oculto, coberto, dissimulado, indo de encontro ao sentido original, o que fez a metáfora tornar-se uma ironia sarcástica: &lt;i&gt;candidate clothed in white&lt;/i&gt;.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No próximo post, seguindo o resumo da obra, começaremos a penetrar no bojo da Gramática Geral, tratando principalmente das &lt;i&gt;categoremata &lt;/i&gt;e &lt;i&gt;sincategoremata&lt;/i&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4388487925984704521-3179237127644605113?l=lectionesphilosophica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lectionesphilosophica.blogspot.com/feeds/3179237127644605113/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lectionesphilosophica.blogspot.com/2010/05/trivium-as-artes-liberais-da-logica_11.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4388487925984704521/posts/default/3179237127644605113'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4388487925984704521/posts/default/3179237127644605113'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lectionesphilosophica.blogspot.com/2010/05/trivium-as-artes-liberais-da-logica_11.html' title='Trivium – As Artes Liberais da Lógica, Gramática e Retórica, parte II'/><author><name>Renan Santos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17608988790611781498</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0J-_pgCSqgo/Sqb-vuFgw9I/AAAAAAAAAH0/EdqQlSSqhS0/S220/renan2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_0J-_pgCSqgo/S-lnxTL2bDI/AAAAAAAAASM/bG4kdKpr2_U/s72-c/triv4.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4388487925984704521.post-8249607339670352121</id><published>2010-05-08T16:42:00.001-07:00</published><updated>2010-05-14T16:14:21.493-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='artes liberais'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='quadrivium'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='lógica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='aristóteles'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='retórica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='miriam joseph'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='medieval'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='linguagem'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='filosofia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='trivium'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='gramática'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cultura'/><title type='text'>Trivium – As Artes Liberais da Lógica, Gramática e Retórica, parte I</title><content type='html'>&lt;img border="0" src="http://hps.elte.hu/webtools/philosophy2.gif" style="border: 0px none;" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começamos agora um resumo muito esperado, o qual, confesso, foi para mim o mais agradável de empreender. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde a infância, somos, neste mundo atual, formados dentro de um esquema peculiar de aprendizagem que jamais é questionado. A única coisa que se disputa é o &lt;i&gt;quanto&lt;/i&gt; dessa pretensa educação deve ser empregada aqui e acolá, o &lt;i&gt;quanto&lt;/i&gt; de investimento deve ser empregado no uso dessa idealização, desse monstro abstrato, que por tantas vezes surge na boca da opinião comum – e, pior, mesmo no discurso de ditos “intelectuais” – como a solução para todos os problemas da humanidade. Dessa fantasiosa panacéia nem mesmo podemos dizer que seja um placebo; ela é sim um veneno, propriamente uma das principais responsáveis pela enfermidade do pensamento humano e por todos os males culturais, sociais e até materiais que daí decorrem. É anteposta a essa situação que a retomada dos estudos sobre o &lt;i&gt;Trivium&lt;/i&gt; surge verdadeiramente como um respiro, um sopro de vida sobre a natureza morta da cultura moderna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, como uma pessoa sugere soluções sem defini-las? Como alguém ousa defender uma causa sem contemplar sobre ela? Por que esses discursos etéreos, como “falta é educação pro povo”, tornam-se premissas inquestionáveis desde a conversa de bar até as teses de doutorado, por mais genéricas, insondadas e obscuras que sejam? Tais respostas exigem um estudo à parte, e, graças a Deus, há cada vez mais pessoas dedicadas a entender o porquê dessa &lt;i&gt;recusa &lt;/i&gt;moderna ao exercício genuinamente filosófico. Basta dizer, por ora, e com proveito à nossa introdução, que essa doença provém da mesma raiz que germina o desdém e a difamação que cobrem de trevas um dos períodos mais brilhantes do pensamento humano: a Idade Média. É o que lamenta o introdutor da excelente (e pertinentíssima) edição brasileira, José Monir Nasser:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;“O desprezo da ‘intelectualidade nacional pelos assuntos da Idade Média é razão da esquelética oferta por aqui de obras escolásticas, comparadas por Erwin Panofsky às próprias catedrais góticas.”&lt;/blockquote&gt;Ainda na metade do século XX, testemunhando a notável queda do ensino mundial, o padre austríaco Ivan Illich chegou a propor uma sociedade &lt;b&gt;sem escolas&lt;/b&gt;, porque já percebia que o “sistema de ensino” não quer realmente educar, mas &lt;i&gt;distribuir socialmente&lt;/i&gt; os indivíduos. Hoje proliferam os modismos politicamente corretos, as “escolas cidadãs”, os sistemas áridos e robóticos de “educação”. Se as armações dos edifícios escolares modernos estão cada vez mais definidas, ninguém sabe exatamente com o que preenchê-las. Conceber a educação como um “sistema” não se sustenta nem mesmo na metáfora. A educação é uma atividade emergente e orgânica, ainda que, é claro, sempre necessariamente bem fundada. Para poder de fato exercer a sua liberdade genuinamente humana, o espírito precisa do terreno firme. É típico da modernidade prestar mais contas a um burocrata da educação do que aos conselhos de Aristóteles, de Agostinho, de Tomás de Aquino. Lembremos que onde não há memória, também não há inteligência – uma lição platônica e aristotélica que as aulas liberais da Idade Média não cansavam de ensinar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas sempre há esperança, amigos. Cabe a todos que compreendem a calamidade da situação buscar investigar esses assuntos e, mais do que tudo, divulgar a feliz redescoberta de tesouros como o &lt;i&gt;Trivium&lt;/i&gt;. Se depois de todas as intempéries da História eles ainda resistem é porque, encravados na rocha da tradição e da Verdade, também hão de resistir aos nossos tempestuosos dias, e quem sabe no futuro repontem como os verdadeiros instrumentos para a elevação do espírito humano. De toda forma, é melhor esquecermos as soluções fáceis. Há certas mudanças que podem nos exigir decádas, ou mesmo séculos, e devemos estar prontos pra isso. O importante é desde já fazer a sua parte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dito isto, voltemos nossa atenção para os estudos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;A história das artes liberais&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após a queda do Império Romano, a cultura clássica quase desapareceu. Por muito tempo, somente o formidável esforço dos monges copistas é que garantiu a manutenção de algum legado representativo. No campo intelectual, os primeiros e complicados séculos da Idade Média foram uma tentativa de retomar o prumo dos grandes estudos místicos e filosóficos da Antigüidade. Recuperada certa solidez, seria hora de reunir, do que havia restado, as melhores soluções para se construir um edifício cultural que fizesse jus à glória greco-romana, e que até mesmo a superasse. Santo Agostinho já tentara com seu &lt;i&gt;Doutrina Cristã&lt;/i&gt; uma espécie de iniciação intelectual nas escrituras. Após ele, &lt;b&gt;Boécio&lt;/b&gt;, grande transmissor da lógica, gramática e retórica aristotélicas (a base do &lt;b&gt;&lt;i&gt;Trivium&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;), também se dedicou a elaborar um projeto pedagógico que salvasse os bárbaros da escuridão, e, logo após ele, ainda encontramos &lt;b&gt;Isidoro de Sevilha &lt;/b&gt;imerso nessa difícil empreitada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No ano de 800, enfim as conjunturas se alinham para que tantos esforços comecem a dar seus frutos. Alavanca-se o Império Carolíngio e, com ele, a primeira grande tentativa concreta de fundar o ensino sobre os pilares de Pitágoras, Platão, Aristóteles, Agostinho, Boécio e outros. Homem de nenhum brilho intelectual, Carlos Magno conhecia tanto a importância da elevação cultural para seu reino e para a Cristandade que chega a “importar” sábios e educadores de diferentes partes da Europa, já que não encontrara nenhum na sua própria terra – atitude similar à de Alfredo, o Grande, um século depois, e impensável nas burocracias estatais de hoje. A escola palatina, já surgida com os merovíngios, se desenvolverá enormemente, vindo a ser a precursora genuína das universidades que nasceriam por toda a Europa na virada do milênio. &lt;b&gt;Alcuíno&lt;/b&gt;, monge inglês egresso da escola de Canterbury, era o grande homem de confiança de Magno. Suas obras didáticas e seus diálogos se baseavam inteiramente em autores do legado clássico. Utilizava Cícero em aulas de Retórica e transmitia também ensinamentos de Donato, Prisciano, Cassiodoro, Boécio, São Isidoro e Beda. Escritor quase insignificante, foi contudo um grande &lt;b&gt;mestre&lt;/b&gt;, doutrinando figuras destacadas do Renascimento Carolíngio, como &lt;b&gt;Rabano Mauro&lt;/b&gt;. Além disso, Alcuíno enriqueceu a biblioteca de Tours com cópias de manuscritos vindos de York (a maior biblioteca ocidental da época) e tratou de aprimorar a própria técnica da cópia, refreando a corrupção dos textos, o que viria a ser mais uma importantíssima contribuição para a educação liberal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As outras escolas e bibliotecas anexadas aos monastérios já não eram mais destinadas somente à ordem religiosa e aos seus “convertíveis”, o ensino das &lt;i&gt;scholae exteriora &lt;/i&gt;apresentando-se a todos que desejassem aprender. Naturalmente, o gosto pelo aprimoramento intelectual se espalhou por muitas regiões, e a elevação da cultura européia foi inevitável, culminando na grandiosa Escolástica, entre diversas outras realizações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O currículo então utilizado, como não poderia deixar de ser, fundava-se nas &lt;b&gt;Sete Artes Liberais&lt;/b&gt;, com a adição dos estudos de exegese bíblica e de Teologia, disciplina ainda incipiente à época. Vinculadas a conhecimentos terrenos tradicionais, essas artes apresentavam grande simetria e inclusive uma formidável sinestesia (&lt;a href="http://lectionesphilosophica.blogspot.com/2010/01/o-banquete-de-florenca-iii.html"&gt;veja&lt;/a&gt; as relações que tece Dante entre as disciplinas e os astros, por exemplo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O estudante antigo das artes começava a vida escolar aos &lt;b&gt;quatorze anos&lt;/b&gt;. Em um regime de estudo livre, os “três caminhos” do &lt;i&gt;Trivium&lt;/i&gt; representavam para Abelardo os três componentes da ciência da linguagem. A Dialética passou a ser chamada de Lógica após o séc. XII com a redescoberta de grande parte da obra de Aristóteles no Ocidente. Aos vinte anos, já tendo absorvido também o &lt;i&gt;Quadrivium&lt;/i&gt;, se o estudante pudesse e tivesse vontade, poderia seguir para o estudo de Teologia, Direito ou Medicina nas universidades. Profissões artesanais, como a construção civil, não eram liberais, mas associadas a corporações de ofício – às vezes com conotações iniciáticas, como os maçons. Como explica José Monir Nasser, ainda na introdução:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Este é o sentido da palavra “liberal” (de &lt;i&gt;liber&lt;/i&gt;, livre) nas Sete Artes “liberais” da Idade Média, que eram ensinadas ao homem livre, por oposição às artes “iliberais”, ensinadas ao homem “preso”, controlado por guildas.&lt;/blockquote&gt;A &lt;b&gt;Gramática&lt;/b&gt; assegurava que todos falassem a mesma coisa, a &lt;b&gt;Dialética&lt;/b&gt; conduzia o &lt;i&gt;disputatio&lt;/i&gt; e a &lt;b&gt;Lógica&lt;/b&gt; era o antídoto contra a verborragia (&lt;i&gt;fumus sine flama&lt;/i&gt;).&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;i&gt;Trivium&lt;/i&gt; – espírito      &lt;br /&gt;&lt;i&gt;Quadrivium&lt;/i&gt; – matéria&lt;/blockquote&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;Dizia Honório de Autun (1080-1156):&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;O exílio do homem é a ignorância, sua pátria a ciência (...) e chega-se a esta pátria através das artes liberais, que são igualmente cidades-etapas”.&lt;/blockquote&gt;Infelizmente, o sistema tradicional começou a ruir já no séc. XIV, minado lentamente pelo “humanismo” até o Renascimento. Jean Amos Comenius (1592-1670) compôs a &lt;i&gt;Magna Didactica&lt;/i&gt;, onde não só fazia pouco caso das sete artes como estabelecia novas bases para a educação, que perdurariam nas pedagogias modernas. Segundo Nasser, são as primeiras sementes do triunfalismo, do epicurismo, da massificação do ensino, da uniformização do conteúdo, da automatização da aprendizagem, etc. (mesmo assim, talvez ainda falte uma explicação mais fundamental sobre o porquê da derrocada das sete artes, tão populares que eram até os tempos de Shakespeare)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Curiosamente, o título de &lt;i&gt;Master of Arts &lt;/i&gt;(MA) ainda existe nominalmente em qualquer faculdade americana. &lt;i&gt;Bachelor of Arts &lt;/i&gt;é o título de diploma em universidade. &lt;i&gt;Master of Arts &lt;/i&gt;é o de direito de lecionar – no passado equivalia ao doutorado nos EUA. Em alguns locais ainda o é. Contudo, há uma tendência vinda da Alemanha em tornar o MA um intermediário para o PHD, substituindo a tradição inglesa.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nasser ainda nos conta que o filósofo americano Mortimer Adler – responsável, entre outras coisas, pela histórica e coleção &lt;i&gt;The Great Books of the Western World &lt;/i&gt;– inspirou a irmã Miriam Joseph e outras professoras a estudarem e aplicarem o &lt;i&gt;Trivium&lt;/i&gt; no Saint Mary’s College, o que ocorreu em 1935, e que finalmente culminou nesta formidável obra que aqui tratamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;1) Artes liberais – conceito clássico, esquematização medieval&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;img align="left" alt="triv1" border="0" height="275" src="http://lh4.ggpht.com/_0J-_pgCSqgo/S-X2v7df35I/AAAAAAAAAQY/-LJA46ejiP8/triv1_thumb%5B5%5D.jpg?imgmax=800" style="border: 0px none; display: inline; margin-left: 0px; margin-right: 0px;" title="triv1" width="387" /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;&lt;b&gt;Ciências e Arte&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_0J-_pgCSqgo/S-YD3OcU49I/AAAAAAAAARM/L4TjerDNVR4/s1600/triv2+copy.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="137" src="http://1.bp.blogspot.com/_0J-_pgCSqgo/S-YD3OcU49I/AAAAAAAAARM/L4TjerDNVR4/s400/triv2+copy.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Classes de bens&lt;/b&gt;:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Valiosos – conhecimento, virtude, saúde...     &lt;br /&gt;Úteis – alimento, remédio, dinheiro, etc.      &lt;br /&gt;Aprazíveis – felicidade, honra, prestígio, comida saborosa, etc.&lt;/blockquote&gt;As artes utilitárias ensinam a &lt;b&gt;servir&lt;/b&gt;. As artes liberais ensinam a &lt;b&gt;viver&lt;/b&gt;. &lt;i&gt;Veritas vos libertatim.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;Segundo Miriam, o &lt;i&gt;Trivium &lt;/i&gt;foi usado sistematicamente na leitura e composição de clássicos latinos pelos garotos das &lt;i&gt;grammar schools&lt;/i&gt; inglesas e européias. Shakespeare é o grande exemplo de talento formado nesse ensino, o que certamente ajuda a explicar a grandiosidade de sua obra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O “Gramatica Grega”, de &lt;b&gt;Dionísio da Trácia&lt;/b&gt;, mais antigo livro de gramática e base para os textos gramaticais durante pelo menos treze séculos, define assim o estudo da &lt;b&gt;Gramática&lt;/b&gt;:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;1) leitura instruída, c/ atenção à prosódia;     &lt;br /&gt;2) exposição, de acordo c/ figuras poéticas;      &lt;br /&gt;3) apresentação das peculiaridades dialéticas e de alusões;      &lt;br /&gt;4) revelação das etimologias;      &lt;br /&gt;5) relato cuidadoso das analogias;      &lt;br /&gt;6) crítica de obras poéticas, parte mais nobre da arte gramatical.&lt;/blockquote&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;A educação liberal&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ressalta Miriam que as artes a serem ensinadas&lt;b&gt; &lt;/b&gt;nesse modelo clássico são um &lt;b&gt;caminho de duas vias entre professor e aluno&lt;/b&gt;. &lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Comunicação –&amp;gt; união de duas partes. &lt;/blockquote&gt;Assim, a educação liberal promove a “alimentação” do aluno, &lt;b&gt;não a mera acumulação&lt;/b&gt;.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;A extensão é uma característica apenas da matéria, enquanto o número é característica tanto da &lt;b&gt;matéria&lt;/b&gt; quanto do &lt;b&gt;espírito&lt;/b&gt;.&lt;/blockquote&gt;Função do &lt;i&gt;Trivium &lt;/i&gt;– treinar a mente para estudar matéria e espírito. A educação gesta a cultura, que é, como Matthew Arnold definia: &lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;O conhecimento de nós mesmos [&lt;b&gt;mente&lt;/b&gt;] e do mundo [&lt;b&gt;matéria&lt;/b&gt;].&lt;/blockquote&gt;É a cultura bem fundada que nos permite, também nas suas palavras, “ver a vida resolutamente; a vê-la por inteiro”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;As artes da linguagem&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;b&gt;Metafísica&lt;/b&gt; – coisa tal como ela existe;      &lt;br /&gt;&lt;b&gt;Lógica&lt;/b&gt; – coisa tal como ela é conhecida;      &lt;br /&gt;&lt;b&gt;Gramática&lt;/b&gt; – coisa tal como ela é simbolizada.      &lt;br /&gt;A comunicação de sua existência (descoberta) a coloca no reino da &lt;b&gt;retórica&lt;/b&gt;.&lt;/blockquote&gt;Miriam ilustra muito bem essas divisão ao utilizar o seguinte exemplo: Plutão já era &lt;b&gt;entidade real&lt;/b&gt; antes de descoberto em 1930. A sua descoberta o pôs no reino da &lt;b&gt;lógica&lt;/b&gt;. O seu nome o pôs no reino da &lt;b&gt;gramática&lt;/b&gt;, e a comunicação de sua existência o pôs no reino da &lt;b&gt;retórica&lt;/b&gt;.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;b&gt;Fonética&lt;/b&gt; – como combinar sons para formar corretamente as palavras escritas;      &lt;br /&gt;&lt;b&gt;Ortografia&lt;/b&gt; – como combinar palavras para formar corretamente as frases;      &lt;br /&gt;&lt;b&gt;Gramática&lt;/b&gt; – como combinar frases em parágrafos e estes numa composição;      &lt;br /&gt;&lt;b&gt;Retórica&lt;/b&gt; – como combinar frases em parágrafos e estes numa composição que apresente unidade, coerência e ênfase desejada, bem como clareza, vigor e beleza;      &lt;br /&gt;&lt;b&gt;Lógica&lt;/b&gt; – como combinar conceitos em juízos e estes em silogismos e cadeias de raciocínio de modo a obter a verdade.&lt;/blockquote&gt;A &lt;b&gt;Retórica&lt;/b&gt; é a arte mestra do &lt;i&gt;Trivium&lt;/i&gt;, pois pressupõe e faz uso da Gramática e da Lógica (é a Comunicação por excelência).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A &lt;b&gt;Lógica&lt;/b&gt; &lt;b&gt;é a arte das artes&lt;/b&gt; porque dirige o ato mesmo de raciocinar. Dizia Milton:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Pode haver muito uso da razão sem o falar, mas nenhum uso da palavra sem a razão.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_0J-_pgCSqgo/S-X5qIVJyGI/AAAAAAAAARE/xXXyO6mVoZQ/s1600/triv3.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="182" src="http://1.bp.blogspot.com/_0J-_pgCSqgo/S-X5qIVJyGI/AAAAAAAAARE/xXXyO6mVoZQ/s400/triv3.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O intelecto é aperfeiçoado pelas &lt;b&gt;5 virtudes intelectuais&lt;/b&gt;:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;b&gt;Teóricas&lt;/b&gt;:&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Compreensão&lt;/b&gt; – captar intuitivamente os princípios primeiros;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Ciência&lt;/b&gt; – conhecer as causas mais prováveis;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Sabedoria&lt;/b&gt; – conhecer as causas fundamentais.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;b&gt;Práticas&lt;/b&gt;:&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Prudência&lt;/b&gt; – raciocínio reto perante as ações (&lt;i&gt;praxis&lt;/i&gt;);&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;Arte&lt;/b&gt; – raciocínio reto perante a produção (&lt;i&gt;poiesis&lt;/i&gt;)&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim chegamos ao final da primeira parte. Fiquem no aguardo; há muitas partes a serem postadas nesta longa e interessantíssima série.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obrigado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4388487925984704521-8249607339670352121?l=lectionesphilosophica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lectionesphilosophica.blogspot.com/feeds/8249607339670352121/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lectionesphilosophica.blogspot.com/2010/05/trivium-as-artes-liberais-da-logica.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4388487925984704521/posts/default/8249607339670352121'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4388487925984704521/posts/default/8249607339670352121'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lectionesphilosophica.blogspot.com/2010/05/trivium-as-artes-liberais-da-logica.html' title='Trivium – As Artes Liberais da Lógica, Gramática e Retórica, parte I'/><author><name>Renan Santos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17608988790611781498</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0J-_pgCSqgo/Sqb-vuFgw9I/AAAAAAAAAH0/EdqQlSSqhS0/S220/renan2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh4.ggpht.com/_0J-_pgCSqgo/S-X2v7df35I/AAAAAAAAAQY/-LJA46ejiP8/s72-c/triv1_thumb%5B5%5D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4388487925984704521.post-5873971367052878316</id><published>2010-02-20T18:20:00.001-08:00</published><updated>2010-02-20T18:24:50.598-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='medieval'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='filosofia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='banquete'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='dante alighieri'/><title type='text'>O Banquete de Florença - V</title><content type='html'>&lt;p&gt;Eis o post derradeiro da série sobre o &lt;i&gt;Convivio&lt;/i&gt; de Dante Alighieri. Peço perdão pela recente delonga entre as postagens, logo recuperararei o melhor ritmo.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;LIVRO IV &lt;br /&gt;&lt;/b&gt;.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Cap. 7 &lt;br /&gt;&lt;/b&gt;.&lt;br /&gt;Erguendo-se mais uma vez contra ceticismos e hedonismos, Dante lembra a asserção aristotélica de que a vida animal é pautada pela sensação, enquanto a do homem é – ou deveria ser – pela &lt;b&gt;razão&lt;/b&gt;. &lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;Se, portanto, o viver é o ser do homem (e o ser do homem é usar a razão), cessar de raciocinar equivale a cessar de viver, e assim é estar morto. E não se afasta do uso de raciocinar quem não pensa na finalidade de sua vida? Não se afasta da razão quem não pensa no caminho que deve seguir? Certamente que sim.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;O homem que baliza-se apenas no instinto é como a pessoa que, perdida, vê pegadas à sua frente, mas não as segue. Como diz o &lt;i&gt;Provérbio&lt;/i&gt; 5:23: “Ele morrerá pela falta de disciplina; e pelo excesso da sua loucura andará errado.” &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Sobreviverá como animal, mas estará morto como homem.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Cap. 8&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;O mais belo ramo que brota da raiz da razão é a discriminação porque, como diz Tomás [de Aquino] ao escrever no prólogo da &lt;i&gt;Ética&lt;/i&gt; “conhecer a relação entre uma coisa e outra é o ato próprio da razão”.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Cap. 12 &lt;br /&gt;&lt;/b&gt;.&lt;br /&gt;Dante afirma que a riqueza em geral nos engana, porque promete uma coisa e traz o seu oposto, e essa promessa jamais cumprida só leva à cobiça e à avareza.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Como exclamava Boécio na então popular &lt;i&gt;Consolação da Filosofia &lt;/i&gt;(que, como já vimos, foi uma das maiores influências sobre Dante para este &lt;i&gt;Convivio&lt;/i&gt;): &lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;Ai! Quem foi aquele que os pesos do ouro escondido e as pedras que queriam se ocultar, aqueles preciosos perigos, por primeiro desenterrou?&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;A riqueza promete a saciedade e traz a sede intolerável; ora, não é isso o que os néscios dizem a respeito do conhecimento? Mas o conhecimento não é feito de imperfeição, diz Dante. &lt;b&gt;O desejo pelo conhecimento é sintoma da busca da alma pelo retorno à sua causa primeira – Deus&lt;/b&gt;. A alma age como o peregrino n’uma estrada desconhecida, que ao avistar uma casa imagina ser uma hospedagem, mas que logo descobre não ser, e assim continua a caminhar, resoluto, de casa em casa, até encontrar um lugar para dormir. (Esse &lt;i&gt;topos&lt;/i&gt; medieval do peregrino reaparecerá logo na abertura da &lt;i&gt;Divina Comédia&lt;/i&gt;; está presente também nos &lt;i&gt;Canterbury Tales&lt;/i&gt; de Chaucer)&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;Um sábio viajante atinge seu lugar e descansa; o errante não o alcança jamais, mas com extrema fadiga de seu ânimo continua sempre a dirigir seus olhos adiante, ansiosos.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Cap. 13 &lt;br /&gt;&lt;/b&gt;.&lt;br /&gt;O desejo intelectual nem sempre é um, porque é também um progresso, um aperfeiçoamento ordenativo e passo a passo. Por exemplo, no momento que conheço um princípio, ele está pronto e realizado, e se distingue do querer saber a sua atuação concreta na natureza, que exigirá uma outra assimilação intelectual.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Pelo conhecimento, o homem é levado às coisas mais altas o máximo que pode, e por isso que se deve contemplar um fim não só pela parte do homem que deseja conhecimento, mas também pela parte do objeto de conhecimento que é desejado. É o que diz Paulo (Rom 12:3): “digo a cada um dentre vós que não tenha de si mesmo mais alto conceito do que convém; mas que pense de si sobriamente, conforme a medida da fé que Deus repartiu a cada um”.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A perfeição do conhecimento não é perdida pelo desejo que dela se tem, enquanto que com a riqueza isso acontece. Para Dante, a posse de riqueza é danosa porque:&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;1) Causa o &lt;b&gt;medo de perdê-la&lt;/b&gt;. Por isso diz Boécio na &lt;i&gt;Consolação&lt;/i&gt; “se um viajante andasse pela estrada de mãos vazias, diante dos ladrões haveria de cantar”.&lt;/p&gt;    &lt;p&gt;2) Termina com a virtude da &lt;b&gt;generosidade&lt;/b&gt;.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;Assim, nenhum sábio deve amar a riqueza, exceto utilizá-la quando necessário. Como bem compara o florentino, a linha reta e a sinuosa podem até se tocar em alguns pontos, mas nunca se juntar. A riqueza material não deve jamais ameaçar a verdadeira riqueza, a riqueza d’alma.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Cap. 15 &lt;br /&gt;&lt;/b&gt;.&lt;br /&gt;As três enfermidades da mente humana, segundo Dante:&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;1) Arrogância. “Observaste um homem precipitado no falar? Maior esperança há para um tolo do que para ele.” &lt;i&gt;Provérbios&lt;/i&gt; 29:20&lt;/p&gt;    &lt;p&gt;2) Pusilanimidade. Incompetentes na compreensão dos assuntos elevados, nunca buscam o conhecimento.&lt;/p&gt;    &lt;p&gt;3) Leviandade. Concluem antes de fazer o silogismo; são os famosos palpiteiros. Aristóteles diz que não se deve dar atenção a estes, nem com eles ter relacionamento.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Cap. 16 &lt;br /&gt;&lt;/b&gt;.&lt;br /&gt;Todo rei deveria amar a &lt;b&gt;verdade&lt;/b&gt; acima de tudo.&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;“Mas o rei se regozijará em Deus; todo o que por ele jura se gloriará, porque será tapada a boca aos que falam a mentira.” Salmo 63:11&lt;/p&gt;    &lt;p&gt;“Ai de ti, ó terra, quando o teu rei é criança” &lt;i&gt;Eclesiastes&lt;/i&gt;, 10:16&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;A nobreza reside onde reside a virtude, a nobreza aponta para a &lt;b&gt;perfeição &lt;/b&gt;da coisa. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;De acordo com Dante, confundir nobreza com reconhecimento social é ridículo, ou “o topo da cúpula de São Pedro seria a pedra mais nobre do mundo”.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O melhor meio de definir o que seja a nobreza no homem é buscando em seus &lt;b&gt;efeitos&lt;/b&gt;, ou, como afirma o Cristo, pelos &lt;b&gt;frutos&lt;/b&gt;, pelas suas virtudes morais e intelectuais em ação.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Cap. 19 &lt;br /&gt;&lt;/b&gt;.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Onde há virtude, há nobreza, mas nem sempre onde há nobreza há virtude&lt;/b&gt;, sentencia Dante.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A nobreza dos anjos é a mais divina, mas a nobreza humana é a mais plural, &lt;b&gt;de mais frutos&lt;/b&gt;. &lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Cap. 20 &lt;br /&gt;&lt;/b&gt;.&lt;br /&gt;Ninguém é nobre por “raça”, por herança. Homens que afirmam de peito estufado que são de tal e tal linhagem se sentem qual deuses, herdeiros de uma graça, sem mácula de vício. Mas, ressalva Dante, isso somente Deus pode conceder, Ele é que não faz acepção de pessoas (Rom 2:11). &lt;b&gt;A graça recai sobre&lt;/b&gt; &lt;b&gt;indivíduos&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;não sobre raças&lt;/b&gt;.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Termina aqui a exposição das passagens mais interessantes do &lt;i&gt;Convivio&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;No próximo post, começaremos uma longa série com o resumo detalhado do &lt;i&gt;Trivium – &lt;/i&gt;&lt;i&gt;As artes liberais da lógica, gramática e retórica&lt;/i&gt;, da irmã Miriam Joseph.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Até mais.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4388487925984704521-5873971367052878316?l=lectionesphilosophica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lectionesphilosophica.blogspot.com/feeds/5873971367052878316/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lectionesphilosophica.blogspot.com/2010/02/o-banquete-de-florenca-v.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4388487925984704521/posts/default/5873971367052878316'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4388487925984704521/posts/default/5873971367052878316'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lectionesphilosophica.blogspot.com/2010/02/o-banquete-de-florenca-v.html' title='O Banquete de Florença - V'/><author><name>Renan Santos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17608988790611781498</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0J-_pgCSqgo/Sqb-vuFgw9I/AAAAAAAAAH0/EdqQlSSqhS0/S220/renan2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4388487925984704521.post-3781599305328170789</id><published>2010-02-07T15:46:00.001-08:00</published><updated>2010-02-07T15:49:04.552-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='medieval'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='filosofia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='banquete'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='dante alighieri'/><title type='text'>O Banquete de Florença - IV</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;b&gt;LIVRO III    &lt;br /&gt;&lt;/b&gt;.   &lt;br /&gt;&lt;b&gt;Cap. 3    &lt;br /&gt;&lt;/b&gt;.   &lt;br /&gt;Todas as coisas amam algo – os corpos amam naturalmente os &lt;i&gt;loci&lt;/i&gt; que lhes são próprios no universo, assim como as plantas e os animais amam seus habitats e regiões propícias.&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;Todos, portanto, são naturalmente mais fortes no local onde foram gerados e na época de sua geração do que em qualquer outra.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;O amor possui gradação. O mais nobre, o mais honorável tipo de amor é o &lt;b&gt;intelectual&lt;/b&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Neste, há um aspecto inefável, ou, como diz Dante, “em que a língua não pode seguir completamente o que o intelecto percebe.”  &lt;br /&gt;.   &lt;br /&gt;.   &lt;br /&gt;&lt;b&gt;Cap. 4    &lt;br /&gt;&lt;/b&gt;.   &lt;br /&gt;Segundo Dante, não devemos culpar um elogiar um homem por um aspecto que não se encontra sob seu poder (cita o comentário de Aquino à ética de Aristóteles).&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Assim, não podemos nem culpar um homem por sua fealdade, nem louvar outro homem por sua beleza. Os que devotam suas vidas a adornar o corpo, ao invés de aperfeiçoar o caráter, adornam a obra de Deus e negligenciam a sua própria.  &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Voltando à coda do capítulo anterior, o florentino afirma que, do mesmo modo, não devemos nos culpar pela inefabilidade de determinados conceitos, pois&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;a nosso engenho é posto um limite, mesmo a cada ato seu, não por nós, mas pela natureza universal. Por isso se deve saber que mais amplos são os limites da arte de pensar do que a de falar, e mais amplos aqueles de falar do que de representar.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;.  &lt;br /&gt;.   &lt;br /&gt;&lt;b&gt;Cap. 6    &lt;br /&gt;&lt;/b&gt;.   &lt;br /&gt;Para Dante, a maior perfeição do reino humano é a Filosofia, aquela do qual diz o verso “&lt;i&gt;Ogni Intelletto di là su la mira&lt;/i&gt;” (todo intelecto de lá de cima a olha).&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;Cumpre ressaltar que cada coisa deseja sobretudo sua perfeição e nela se abranda seu desejo e por ela todas as coisas são desejadas. Esse é aquele desejo que sempre deixa a impressão que falta a todo prazer, porque nenhum prazer é tão grande nesta vida que possa tirar a sede de nossa alma, que o desejo como tal não permaneça sempre no pensamento. Uma vez que essa é verdadeiramente aquela perfeição, por isso digo que aquelas pessoas aqui gozam de maior prazer quando mais estão em paz, permanecendo então esta em seus pensamentos, porque está é tão perfeita quanto sumamente pode ser a essência humana.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;.  &lt;br /&gt;.   &lt;br /&gt;&lt;b&gt;Cap. 8    &lt;br /&gt;&lt;/b&gt;.   &lt;br /&gt;Onde a alma mais externaliza o seu trabalho no homem: no rosto, principalmente pelos olhos e boca, que são as “sacadas onde a Dama se revela”. Das doze emoções mencionadas por Aristóteles, Dante cita seis que se externam pelos olhos: graça, zelo, misericórdia, inveja, amor e vergonha (isso explica porque Édipo removeu seus olhos).&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;A alma mostra-se na boca quase como cor pelo vidro. E que é rir, senão um relâmpago da alegria da alma, ou seja, uma luz que aparece externamente, refletindo o que vai por dentro?&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;Assim, para mostrar-se moderado em regozijos, deve-se rir com moderação.  &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Segundo Dante, há no homem dois tipos de vício:&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;Natural (a cólera, p. ex.)&lt;/p&gt;    &lt;p&gt;De hábito (a intemperança, a gula, etc.)&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;Para ele, é mais louvável o homem que governa sua má natureza contra o impulso natural do que o homem de boa natureza que apenas mantém sua boa conduta.&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;Assim como é mais louvável controlar um mau cavalo do que o cavalo dócil.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;A Filosofia tem o poder de, por sua beleza, destruir os vícios naturais. A Dama é miraculosa, auxilia a nossa fé.  &lt;br /&gt;.   &lt;br /&gt;.   &lt;br /&gt;&lt;b&gt;Cap. 11    &lt;br /&gt;&lt;/b&gt;.   &lt;br /&gt;Antes de &lt;b&gt;Pitágoras&lt;/b&gt;, não se chamavam filósofos os que buscavam conhecimento, mas de sábios, como os Sete sábios da antiguidade (Sólon, Quílon, Periandro, Cleóbulo, Líndio, Biante e Prieneu). Quando perguntado se considerava a si mesmo um sábio, Pitágoras respondia que não era um sábio, mas um &lt;b&gt;amante da sabedoria&lt;/b&gt;. O cunho de &lt;b&gt;filósofo&lt;/b&gt; vem, assim, do &lt;b&gt;amor&lt;/b&gt; de boa vontade e intencional dedicação. Assim como a amizade baseada no prazer ou utilidade não é amizade, &lt;b&gt;a filosofia baseada na utilidade também não é filosofia&lt;/b&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;“Eu amo aqueles que me amam”, diz a Sabedoria nos &lt;i&gt;Provérbios&lt;/i&gt; de Salomão (8:17).&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;Causa eficiente do amor verdadeiro – &lt;b&gt;virtude&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p&gt;Causa eficiente da filosofia – &lt;b&gt;verdade&lt;/b&gt;&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;.  &lt;br /&gt;.   &lt;br /&gt;&lt;b&gt;Cap. 12    &lt;br /&gt;&lt;/b&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;A Filosofia existe quando a alma e a sabedoria tornaram-se tão amigas que cada uma é totalmente amada pela outra.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;Para o florentino, nada no universo percebido pelos sentidos é mais digno de ser feito o símbolo de Deus do que o Sol, que ilumina a si mesmo e a todos os astros. E, assim como o Sol dá vida mas não é responsável pela ruína, Deus cria a natureza mas não intenciona a existência do mal.&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;Pois a natureza não seria louvável se, sabendo que algumas flores de algumas árvores seriam destinadas a perecer, não permitisse produzir flores, e se por conta das flores estéreis abandonasse a produção das frutíferas.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;.  &lt;br /&gt;.   &lt;br /&gt;&lt;b&gt;Cap. 15    &lt;br /&gt;&lt;/b&gt;.   &lt;br /&gt;O &lt;b&gt;desejo intelectual&lt;/b&gt; é o mais elevado, o mais perfeito dos nossos desejos. Todas as outras atividades no homem existem em razão do desejo intelectual, que existe por sua própria razão.&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;“Porque é desgraçado o que rejeita a sabedoria e a instrução”, &lt;i&gt;Sabedoria&lt;/i&gt;, 3:11&lt;/p&gt;    &lt;p&gt;“Porque ela é o clarão da luz eterna / e o espelho sem mácula da majestade de Deus, e a imagem da sua bondade”, &lt;i&gt;Sabedoria&lt;/i&gt;, 7:26&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;Há coisas que nos deslumbram, que nos abalam, coisas que são sabidas existirem, mas que não podemos compreender, só nos aproximarmos – através da &lt;b&gt;negação&lt;/b&gt;. (provável referência à &lt;i&gt;via negativa&lt;/i&gt; cristã)&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Então como pode o homem ser feliz se o seu desejo não é saciado? Explica Dante que o desejo natural em tudo é &lt;b&gt;proporcional à capacidade&lt;/b&gt; de cada um que deseja – do contrário, o desejo &lt;b&gt;iria contra si mesmo&lt;/b&gt;, pois desejaria a sua imperfeição. Além disso, o desejo é proporcional porque precisa necessariamente ter um &lt;b&gt;fim específico&lt;/b&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;Por isso os santos não invejam um ao outro, pois cada um atinge o fim de seu desejo, que é proporcional à natureza de sua bondade.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;Nossa &lt;b&gt;felicidade secundária&lt;/b&gt; é a &lt;b&gt;vida moral&lt;/b&gt;, que deriva da beleza da Dama Filosofia.&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;Acrescento que, ao olhá-la – refiro-me à sabedoria – nessa parte, todo viciado se tornará correto e bom. Por isso digo também: &lt;i&gt;Esta é aquela que humilha todo o perverso&lt;/i&gt;, ou seja, corrige com doçura aquele que abandonou o caminho correto.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;Porque a Sabedoria é mãe de todos os princípios, com ela é que Deus começou o mundo, como Salomão a personifica nos &lt;i&gt;Provérbios&lt;/i&gt;, 8:27-30: “Quando ele preparava os céus, aí estava eu, quando traçava o horizonte sobre a face do abismo; Quando firmava as nuvens acima, quando fortificava as fontes do abismo, Quando fixava ao mar o seu termo, para que as águas não traspassassem o seu mando, quando compunha os fundamentos da terra. Então eu estava com ele, e era seu arquiteto; era cada dia as suas delícias, alegrando-me perante ele em todo o tempo”. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Dante, por fim, clama:&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;Ó pior que mortos, que fugis da amizade dela, abri vossos olhos e olhai, porque antes que fôsseis, ela vos amava, preparando e estabelecendo vosso processo e, depois que fostes criados, para vos conduzir, veio a vós à vossa semelhança. Se todos não puderdes chegar à sua presença, honrai-a em seus amigos e segui os mandamentos deles como aqueles que anunciam a vontade desta imperatriz eterna – não fecheis os ouvidos a Salomão(...)&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4388487925984704521-3781599305328170789?l=lectionesphilosophica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lectionesphilosophica.blogspot.com/feeds/3781599305328170789/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lectionesphilosophica.blogspot.com/2010/02/o-banquete-de-florenca-iv.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4388487925984704521/posts/default/3781599305328170789'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4388487925984704521/posts/default/3781599305328170789'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lectionesphilosophica.blogspot.com/2010/02/o-banquete-de-florenca-iv.html' title='O Banquete de Florença - IV'/><author><name>Renan Santos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17608988790611781498</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0J-_pgCSqgo/Sqb-vuFgw9I/AAAAAAAAAH0/EdqQlSSqhS0/S220/renan2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4388487925984704521.post-3263378963879335284</id><published>2010-01-23T18:23:00.001-08:00</published><updated>2010-01-23T18:30:24.441-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='medieval'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='filosofia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='banquete'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='dante alighieri'/><title type='text'>O Banquete de Florença – III</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;b&gt;LIVRO II&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;Cap. 13&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Ao modo das esferas, cada ciência gira ao redor de seu sujeito sem movê-lo, porque, como mostrava Aristóteles, &lt;b&gt;nenhuma ciência demonstra o seu próprio sujeito, mas o pressupõe&lt;/b&gt;. &lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;A segunda semelhança é o iluminar de um e de outro, porque cada céu ilumina as coisas visíveis e assim cada ciência ilumina as inteligíveis.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;A terceira semelhança é na &lt;b&gt;cumprimento das substâncias &lt;/b&gt;no cosmos. Segundo Dante, todos os filósofos, embora o proponham de modo diverso, admitem que os &lt;b&gt;céus&lt;/b&gt; são os responsáveis. Para Platão, Sócrates e Dionísio Acadêmico, por exemplo, especialmente a origem das almas humanas está nas &lt;b&gt;estrelas&lt;/b&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Dante agora trata de especificar o seu paralelismo simbólico entre a ordem dos céus e a ordem das ciências:&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;7 céus mais próximos de nós (os planetas da astrologia tradicional) – o Trivium e o Quadrivium&lt;/p&gt;    &lt;p&gt;8º céu – física e metafísica&lt;/p&gt;    &lt;p&gt;9º céu – moral&lt;/p&gt;    &lt;p&gt;10º céu, acima de todos e imóvel – ciência divina, teologia&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;O céu da &lt;b&gt;Lua&lt;/b&gt; lembra a &lt;b&gt;Gramática&lt;/b&gt; – porque a incidência do Sol sobre aquele astro varia como variam os raios da razão na gramática, os vocábulos e as regras flutuando conforme as línguas e suas variações no tempo. Como dizia Horácio em sua &lt;i&gt;Arte Poética&lt;/i&gt;, “muitos vocábulos que já sucumbiram renascerão”.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;Mercúrio &lt;/b&gt;remete à &lt;b&gt;Dialética&lt;/b&gt;, já que esta é a ciência de menor substância. Ademais, &lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;É mais velada que qualquer outra ciência, porquanto procede com argumentos mais artificiosos e necessitados de provas do que qualquer outra.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;O céu de &lt;b&gt;Vênus&lt;/b&gt; nos leva à &lt;b&gt;Retórica&lt;/b&gt;, a mais doce das ciências. Vênus aparece de manhã, como a Retórica diante do ouvinte, e aparece à noite, como aquela arte expressa na forma escrita e lida pelo orador.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O &lt;b&gt;Sol&lt;/b&gt; é a &lt;b&gt;Aritmética&lt;/b&gt;. Sua luz ilumina todas as outras ciências – todos os sujeitos são tomados sob algum aspecto numérico, como demonstrava a tradição pitagórica. Ademais, o olho do intelecto não pode contemplá-lo diretamente, pois o número em si é infinito, “e isso nós não conseguimos compreender”, diz Dante.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;Marte &lt;/b&gt;representa a &lt;b&gt;Música&lt;/b&gt;. Marte é o 5º céu, o do meio, e por isso simboliza as &lt;b&gt;relações&lt;/b&gt;, além da sua cor vermelha indicar a presença de vapores ígneos cujas manifestações no céu, já testemunhadas por antigos astrônomos, significam “morte de reis e modificação de reinos”. A Música, por sua vez, atrai os espíritos humanos “que são como vapores do coração”, afetando profundamente os que a ouvem, e lida ela essencialmente com &lt;b&gt;relações&lt;/b&gt; que, quanto mais belas, mais harmoniosa tornam a peça.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Em &lt;b&gt;Júpiter&lt;/b&gt;, temos a &lt;b&gt;Geometria&lt;/b&gt;. É um astro muito branco, prateado, de constituição temperada, movendo-se entre o calor de Marte e o frio de Saturno. Analogamente, a Geometria move-se entre o &lt;b&gt;ponto&lt;/b&gt; (princípio) e o &lt;b&gt;círculo&lt;/b&gt; (perfeição), como mostrava Euclides.&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;Além disso, a Geometria é extremamente branca, porquanto é sem mácula de erro e extremamente certa de per se e por meio de sua auxiliar, que se chama Perspectiva.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;Por fim, o céu de &lt;b&gt;Saturno&lt;/b&gt; por duas características pode ser comparado à &lt;b&gt;Astrologia&lt;/b&gt;: pela grande translação que necessita para se completar, da mesma forma que a Astrologia exige um grande estudo, e também por ser, como esta ciência, a mais elevada de todas e a mais nobre. Segundo Dante, a Astrologia trata do movimento celestial e exige, nesta empresa, perfeição, constância, princípio regular, e se há nela alguma falha, não provém da ciência em si, mas da negligência e indolência de quem a utiliza.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;Cap. 14&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Indo adiante na contemplação das esferas, o florentino compara o céu estrelado à &lt;b&gt;Física &lt;/b&gt;por algumas características e à &lt;b&gt;Metafísica&lt;/b&gt; por outras. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Contam os egípcios 1022 estrelas no firmamento, sendo duas indicativas do movimento local (ponto a outro), vinte do movimento por alteração (porque acima de dez, só há números que alterem o próprio dez, e o vinte “é a mais bela alteração e é própria de si mesmo”) e as outras mil estrelas do movimento de crescimento, porque nominalmente o mil é “o maior número, não podendo crescer mais senão multiplicando este mesmo”: esses três movimentos estão de acordo ao que Aristóteles trata na &lt;b&gt;&lt;i&gt;Física&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Já à &lt;b&gt;Metafísica&lt;/b&gt; Dante relaciona a Galáxia, a Via Láctea, que para Aristóteles, Ptolomeu e Avicenna trata-se de uma multidão de estrelas que nossos olhos não conseguem distinguir. Ora, na ciência do ser enquanto ser, as substâncias primeiras só são compreendidas por seus efeitos. Além disso, enquanto o movimento de revolução aponta para a contingência das coisas naturais tratadas pela Física, pela circunvolução vislumbramos a serena eternidade da Metafísica:&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;Pelo movimento quase insensível que realiza de ocidente para oriente de um grau a cada cem anos indica as verdades metafísicas, as quais tiveram início com a criação de Deus e não terão fim.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;Quanto ao nono céu, o céu cristalino do &lt;i&gt;primum mobile&lt;/i&gt;, referencia-se a &lt;b&gt;Filosofia Moral&lt;/b&gt;, que, segundo &lt;i&gt;Tommaso&lt;/i&gt; (de Aquino), é quem nos bem dispõe para as outras ciências. É o céu cristalino quem ordena a revolução de todos os outros; se deixasse de se mover, se a Filosofia não existisse, todo o resto cairia em desordem.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Finalmente,&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;O &lt;b&gt;Céu empírico&lt;/b&gt;, por sua paz, se assemelha à &lt;b&gt;Ciência Divina&lt;/b&gt;, que está repleta de toda paz e que não tolera contradição alguma de opiniões e de argumentos sofistas por causa da &lt;b&gt;excelentíssima&lt;/b&gt; &lt;b&gt;certeza de seu objeto&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;que é Deus&lt;/b&gt;.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;“Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou” diz Cristo em João, 14:27.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;Cap. 15&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Debruçado sobre um dos versos de sua &lt;i&gt;canzione&lt;/i&gt;, “&lt;i&gt;Questi mi face una donna guardare&lt;/i&gt;” (“Este me leva a olhar uma dama”), explica Dante que &lt;b&gt;esta &lt;i&gt;donna&lt;/i&gt; é a Filosofia&lt;/b&gt;, uma “&lt;i&gt;donna piena di dolcezza, ornata d'onestade, mirabile di savere, gloriosa di libertade&lt;/i&gt;” (“dama plena de doçura, ornada de honestidade, admirável em saber, gloriosa em liberdade”). O florentino ressalta estar seguindo passo a passo o amor que por ela nutriram &lt;b&gt;Cícero&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;Boécio&lt;/b&gt;. “&lt;i&gt;Chi veder vuol la salute, Faccia che li occhi d'esta donna miri&lt;/i&gt;” diz o verso seguinte da &lt;i&gt;canzione&lt;/i&gt;: &lt;b&gt;quem quiser alcançar a salvação, que mire os olhos dessa dama&lt;/b&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;Ó suavíssimos e inefáveis semblantes, raptores subitâneos da mente humana, que nas demonstrações dos olhos da Filosofia apareceis, quando ela raciocina com seus amantes! Realmente em vós está a salvação, pela qual se torna bem-aventurado aquele que vos contempla e salvo da morte da ignorância e dos vícios.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;Fundando-se certamente na idéia de “assombro” (θαυμάζω) de que fala Aristóteles, Dante afirma que, por meio da Filosofia, serão vistos “os adornos dos milagres”,&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;porque os adornos das maravilhas é ver as causas delas, que ela [a filosofia] demonstra, como no princípio da Metafísica parece entender o filósofo quando diz que ao ver tais adornos os homens começaram a namorar essa dama.&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4388487925984704521-3263378963879335284?l=lectionesphilosophica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lectionesphilosophica.blogspot.com/feeds/3263378963879335284/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lectionesphilosophica.blogspot.com/2010/01/o-banquete-de-florenca-iii.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4388487925984704521/posts/default/3263378963879335284'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4388487925984704521/posts/default/3263378963879335284'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lectionesphilosophica.blogspot.com/2010/01/o-banquete-de-florenca-iii.html' title='O Banquete de Florença – III'/><author><name>Renan Santos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17608988790611781498</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0J-_pgCSqgo/Sqb-vuFgw9I/AAAAAAAAAH0/EdqQlSSqhS0/S220/renan2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4388487925984704521.post-3166738385024090430</id><published>2010-01-04T07:11:00.001-08:00</published><updated>2010-01-23T18:30:50.149-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='medieval'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='filosofia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='banquete'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='dante alighieri'/><title type='text'>O Banquete de Florença – II</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;b&gt;LIVRO II    &lt;br /&gt;&lt;/b&gt;.   &lt;br /&gt;&lt;b&gt;Cap. 1    &lt;br /&gt;&lt;/b&gt;.   &lt;br /&gt;Hora de zarpar para o oceano, diz Dante. Este é um capítulo seminal nos trabalhos do florentino, porque é aqui que ele expõe os famosos quatro níveis de sentido na interpretação de uma obra. São eles:&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;1) Literal    &lt;br /&gt;2) Alegórico     &lt;br /&gt;3) Moral     &lt;br /&gt;4) Analógico&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;Sobre a interpretação alegórica, Dante distingue entre a &lt;b&gt;alegoria dos poetas&lt;/b&gt; e a &lt;strong&gt;alegoria dos teólogos&lt;/strong&gt;. A alegoria teológica insiste na veracidade, na realidade dos quatro níveis de sentido, sempre se referindo a algum aspecto do Cristo histórico, enquanto os poetas admitem um nível literal que não seja verdadeiro, que seja somente “&lt;i&gt;veritade ascosa sotta bella menzogna”&lt;/i&gt;, verdade escondida sob uma bela mentira.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Segundo Dante, o nível literal sempre vem primeiro, porque não se pode passar para o interior de algo sem se passar antes pelo exterior, assim como é impossível atingir a forma sem antes perceber alguma matéria. Aristóteles, na &lt;i&gt;Física&lt;/i&gt;, diz que a natureza dispõe o nosso pensamento de forma a preferencialmente nos dirigirmos do mais conhecido para o menos conhecido (fazendo a analogia com as línguas, o latim prima por esta disposição natural em sua sintaxe, exprimindo as coisas na ordem em que elas impressionam o espírito, enquanto o português, por exemplo, segue uma ordem gramatical, artificial, como mostrava Sebastião Albuquerque no excelente &lt;i&gt;Arte de traduzir de latim para portuguez, reduzida a principios&lt;/i&gt; (1818)).   &lt;br /&gt;.   &lt;br /&gt;.   &lt;br /&gt;&lt;b&gt;Cap. 3    &lt;br /&gt;&lt;/b&gt;.   &lt;br /&gt;Embora não saibamos a natureza das coisas superiores como sabemos das inferiores, o mesmo o conhecimento limitado daquelas nos deleita muito mais (Aristóteles).&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Dante cita os erros astronômicos do estagirita, porém lembra que no livro XII da Metafísica ele se desculpava de antemão por seguir “obrigatoriamente” a opinião dos especialistas de sua época.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O florentino aborda o sistema de Ptolomeu, listando as 9 esferas celetes, ou céus móveis, que irão aparecer no &lt;em&gt;Paradiso &lt;/em&gt;de Dante:&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;1ª céu – Lua    &lt;br /&gt;2ª céu – Mercúrio     &lt;br /&gt;3ª céu – Vênus     &lt;br /&gt;4ª céu – Sol     &lt;br /&gt;5ª céu – Marte     &lt;br /&gt;6ª céu – Júpiter     &lt;br /&gt;7ª céu – Saturno     &lt;br /&gt;8ª céu – Estrelas&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;O 9º é o &lt;i&gt;primum mobile&lt;/i&gt;, imperceptível aos sentidos, exceto pelo movimento dos outros oito. Exterior a todos esses, os católicos colocam um décimo céu, o &lt;i&gt;céu empíreo&lt;/i&gt;, ou “céu das chamas”, ou “céu luminoso”, que seria “imobilidade e paz”, lugar dos espíritos santificados, contendo a si mesmo. É o edifício supremo – não está no espaço, mas formado unicamente na “mente primária” (a &lt;i&gt;protonoe&lt;/i&gt; dos gregos).&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Cada céu abaixo do décimo possui &lt;b&gt;dois pólos estacionários&lt;/b&gt;, que no nono céu são também fixos, imutáveis. Cada céu tem um equador onde se dá o seu mais rápido movimento, por compensação espacial. No equador é onde há mais vida, mais forma, mais virtude, porque se encontra mais próximo do céu imediatamente superior. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Por fim, Dante afirma que esta seqüência de dez céus não chega a compreender todos os que existem, e cita o &lt;em&gt;epiciclo &lt;/em&gt;de Vênus, que possui a excentricidade de conter uma esfera dentro de outra esfera.   &lt;br /&gt;.   &lt;br /&gt;.   &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Cap. 4    &lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;.   &lt;br /&gt;Quem move essas esferas? As inteligências, ou &lt;b&gt;anjos&lt;/b&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Para Aristóteles, eram de número limitado, enquanto seu mestre Platão adotava a infinitude de formas. Para os pagãos, elas equivalem aos seus &lt;b&gt;deuses&lt;/b&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Dante diz que todos estes falharam em suas percepções. Segundo ele, uma vez que a vida contemplativa é superior à vida ativa, governante, o número de esferas deve necessariamente ser muito maior do que o revelam seus efeitos, porque há muito mais bênção na pura contemplação do que na ação próxima. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Nenhum efeito pode ser maior do que a sua causa; assim, Deus, causa de tudo e de todos os intelectos, está por demais além de nossa percepção em suas ações.  &lt;br /&gt;.   &lt;br /&gt;.   &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Cap. 5    &lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;.   &lt;br /&gt;Jesus Cristo é o “ministro” dos anjos. Dante segue a ordem hierárquica angélica estabelecida por Gregório no livro XXXII de seu &lt;i&gt;Moralia&lt;/i&gt;:&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;1ª ordem: Serafins (acima de todos), Querubins, Tronos    &lt;br /&gt;2ª ordem: Dominações, Principados, Potestades     &lt;br /&gt;3ª ordem: Virtudes, Anjos, Arcanjos&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;(no &lt;i&gt;Paradiso&lt;/i&gt;, Dante adota a ordem de Dionísio Areopagita: Serafins, Querubins, Tronos, Dominações, Virtudes, Potestades, Principados, Arcanos e Anjos)&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Podemos contemplar a divindade por qualquer uma das hierarquias.&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;Na 1ª, contemplamos o Pai, na 2ª o Filho e na 3ª o Espírito Santo.    &lt;br /&gt;O Serafim percebe mais da primeira causa (Pai) do que qualquer outro anjo.     &lt;br /&gt;O Querubim contempla o Pai em relação ao Filho.     &lt;br /&gt;As Potestades contemplam Pai em relação ao Espírito Santo.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;Algumas das ordens originárias tiveram sua queda para o Inferno. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Segundo Dante, os Anjos são simbolizados pela Lua, os Arcanjos por Mercúrio e os Tronos por Vênus. Como diz o Salmo 18: “Os céus publicam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos”.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;No capítulo 6, o florentino afirma que os anjos não possuem corpo, e, por isso, não sentem nem usam a linguagem. O ouvir deles é a &lt;b&gt;atividade intelectual&lt;/b&gt;.   &lt;br /&gt;.   &lt;br /&gt;.   &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Cap. 7    &lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;Devemos notar que as coisas têm que ser chamadas de acordo com a maior nobreza de sua forma (...) assim, quando dizemos que um homem &lt;i&gt;vive&lt;/i&gt;, o que se pretende dar a entender é que ele &lt;i&gt;usa a razão&lt;/i&gt;&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;É por isso que o homem que se fundamenta no sensível não vive como um homem, mas vive a vida de “um asno”, como dizia Boécio.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O conflito de Dante: o desejo de compreender a “doçura” da sabedoria é tão imenso que faz a sua alma ter o anseio de morrer, de ir “para lá” e ter a mais doce das contemplações do universo. É por isso que o florentino diz que os olhos da &lt;i&gt;Donna&lt;/i&gt; (Filosofia) não devem ser observados por qualquer um que tema as visões de angústia. A contemplação anelada fará tudo parecer extrinsecamente carente de beleza, enquanto, em seu âmago, as coisas se tornarão realmente belas.   &lt;br /&gt;.   &lt;br /&gt;.   &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Cap. 8    &lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;.   &lt;br /&gt;Por que o “novo” amor, este, que é efeito da ação das Inteligências (esferas), tem que destruir o amor anterior?&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Dante responde que isso é obra dos próprios sujeitos na preservação do amor, assim como a natureza humana transfere a sua própria preservação na forma humana de pai para filho porque não pode preservar seu efeito perpetuamente no pai.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Para Dante, a maior das tolices é acreditar que não há vida apos a morte. Todos os grandes sábios concordam com a imortalidade d’alma. Toda crença, até mesmo a pagã, crê nisso. O homem é o mais perfeito dos animais; se nossa crença natural na outra vida fosse errada, fosse vã, seríamos, pelo contrário, os &lt;b&gt;piores&lt;/b&gt; dentre todos os animais; a maior perfeição do homem – a razão – seria, assim, sua &lt;b&gt;maior&lt;/b&gt; &lt;b&gt;imperfeição&lt;/b&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Outra prova da imortalidade d’alma para Dante são os nossos sonhos, pois aquilo que é “revelado” neles deve necessariamente ser imortal.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Nossos corpos é que não nos permitem “ver” perfeitamente.&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;Com a &lt;b&gt;fé&lt;/b&gt;, vemos perfeitamente.&lt;/p&gt;    &lt;p&gt;Com a &lt;b&gt;razão&lt;/b&gt;, vemos com sombras (mistura mortal/imortal).&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4388487925984704521-3166738385024090430?l=lectionesphilosophica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lectionesphilosophica.blogspot.com/feeds/3166738385024090430/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lectionesphilosophica.blogspot.com/2010/01/o-banquete-de-florenca-ii.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4388487925984704521/posts/default/3166738385024090430'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4388487925984704521/posts/default/3166738385024090430'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lectionesphilosophica.blogspot.com/2010/01/o-banquete-de-florenca-ii.html' title='O Banquete de Florença – II'/><author><name>Renan Santos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17608988790611781498</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0J-_pgCSqgo/Sqb-vuFgw9I/AAAAAAAAAH0/EdqQlSSqhS0/S220/renan2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4388487925984704521.post-1229360739878021855</id><published>2009-12-26T12:46:00.001-08:00</published><updated>2009-12-26T13:29:46.722-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='medieval'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='filosofia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='banquete'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='dante alighieri'/><title type='text'>O Banquete de Florença - I</title><content type='html'>&lt;p&gt;Olá, amigos, peço desculpas pela minha relativa ausência no último mês.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Felizmente, tenho um belo subterfúgio para me justificar: a esquematização da &lt;a href="http://filosofiaconcreta.com/"&gt;Revista Filosofia Concreta&lt;/a&gt;, além da preparação de outros projetos culturais que vêm por aí em 2010; fiquem atentos.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;De todo modo, prometo voltar a postar mais seguido neste blog, rotina da qual me aproveito para “oxigenar” minhas antigas leituras filosóficas, o que sempre rende lá os seus frutos.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Com isto, tratemos agora desta nossa caríssima atividade.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://lh5.ggpht.com/_0J-_pgCSqgo/SzZ2HeLRdJI/AAAAAAAAAP0/y_zJr3dnwZ0/s1600-h/image%5B8%5D.png"&gt;&lt;img title="image" style="border: 0px none ; margin: 0px 20px 0px 0px; display: inline;" alt="image" src="http://lh3.ggpht.com/_0J-_pgCSqgo/SzZ2JDU48TI/AAAAAAAAAP8/V2LNtvPd4M0/image_thumb%5B6%5D.png?imgmax=800" width="125" align="left" border="0" height="154" /&gt;&lt;/a&gt;Apresentaremos nas próximas semanas algumas das tantas pérolas que podem ser encontradas na obra &lt;i&gt;Convivio&lt;/i&gt;, de &lt;strong&gt;Dante Alighieri&lt;/strong&gt; (em geral traduzida como “O Banquete”, inspiração platônica). Aproveitar-me-ei do resumo exposto em &lt;i&gt;Dante&lt;/i&gt;, livro de W.B. Lewis, de modo a não atalhar a leitura daqueles que ainda desconheçam a obra:&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;Com o intuito de ilustrar os méritos que reconhecia na &lt;i&gt;canzone&lt;/i&gt; como forma poética, Dante propõe, no &lt;i&gt;Convivio&lt;/i&gt;, examinar uma série de &lt;i&gt;canzoni&lt;/i&gt; escritas por ele próprio ao longo de vários anos, sem deixar de refletir, detidamente, sobre a questão do autor que analisa a própria obra. O &lt;i&gt;Convivio&lt;/i&gt;, como o título já indica, é um banquete, uma festa de sabedoria em que todos os homens de boa vontade são convidados a participar – com base na premissa de que Aristóteles está certo quando afirma, no início da Metafísica, que todos os homens, por natureza, aspiram ao conhecimento. Nesse banquete, o cardápio inclui uma seqüência de 14 pratos, 14 &lt;i&gt;canzoni&lt;/i&gt; a serem examinadas e digeridas. Na verdade, o autor analisa apenas três, visto que o tratado é interrompido após a conclusão do quarto livro, &lt;i&gt;i.e.&lt;/i&gt;, após cerca de 250 páginas.&lt;/p&gt;    &lt;p&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p&gt;O &lt;i&gt;Convivio&lt;/i&gt; foi escrito entre 1306 e 1308. É possível que a primeira parte da obra tenha sido composta em Lucca, logo após a interrupção do &lt;i&gt;De Vulgari Eloquentia&lt;/i&gt;. O restante teria sido elaborado “na estrada”, por assim dizer. Essa condição itinerante é visível no texto, ao mesmo tempo o mais abstrato e o mais pessoal escrito por Dante até então. A postura pessoal é, precisamente, a do andarilho infeliz, rezando para ser readmitido ao lar (...) [havia sido expulso de Florença]. &lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;Lembramos também que essa obra de Dante, talvez por ele estar experimentando à época um momento de profunda amargura, teve como grande modelo o &lt;i&gt;Consolatione Philosophiae&lt;/i&gt; de Boécio, sobre o qual bem tratamos na &lt;a href="http://lectionesphilosophica.blogspot.com/2009/11/consolacao-da-filosofia-por-boecio.html"&gt;série anterior&lt;/a&gt; de posts. Pretendemos, fica claro, seguir banhando os leitores com o espírito da Filosofia Perene conforme expresso nas mais egrégias obras da tradição ocidental.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;LIVRO I&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Cap. 1&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;.&lt;br /&gt;Como diz “O Filósofo” (Aristóteles, segundo seu cognome na Idade Média): “todo homem por natureza deseja conhecer”, assim como toda coisa se inclina à sua perfeição, porque o conhecimento é a mais alta perfeição d’alma.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;O que impede o conhecimento no homem é:&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;&lt;b&gt;o corpo&lt;/b&gt;, por sua imperfeição sensitiva;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;a alma&lt;/b&gt;, por sua corrupção, malícia, vício;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;a necessidade&lt;/b&gt;, por suas responsabilidades civis e/ou domésticas,&lt;br /&gt;&lt;b&gt;e a indolência&lt;/b&gt;, por prostrar o homem em uma localização desprivilegiada, longe das fontes de conhecimento, etc.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;Segundo Dante, o primeiro e o terceiro impedimentos (corpo e necessidade) são perdoáveis enquanto tais.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Se há uma grande compaixão n’alma do intelectual, ela se expressa, diz o florentino, na generosidade em transmitir o conhecimento aos que forem intelectualmente “desfavorecidos” pelas razões acima elencadas.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Explicando o título de sua obra, Dante traça uma analogia entre “carne” e poesia, “pão” e seus comentários, porque igualmente vivaz e prazerosamente repartidos entre os amigos à mesa. Aproveita ele para lembrar que, ao modo da anterior &lt;i&gt;La Vita Nuova&lt;/i&gt;, o &lt;i&gt;Convivio&lt;/i&gt; também se caracteriza pelo &lt;i&gt;prosimetrum&lt;/i&gt;, a composição que adota junto aos versos a prosa para que possa bem digeri-los e igualmente apresentar suas perspectivas sobre as coisas.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Cap. 4&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;Tendo, entre outras queixas, lamentado nos cap. 2 e 3 a má fama que adquirira em suas viagens pela Itália, Dante se põe a explicar o porquê da “presença” (física) de um homem sempre diminuir a estima que outrora gozava entre as pessoas. Lista ele três razões possíveis para a redução da estima: imaturidade mental e inveja, ambas causadas pela imperfeição do julgador, e a imperfeição real do próprio julgado.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Muito lamenta Dante que os homens em geral só entendam as coisas pelo seu exterior:&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;A maioria dos homens vive de acordo com os sentidos e não de acordo com a razão – como crianças.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;A &lt;b&gt;inveja&lt;/b&gt; provém da incapacidade de pessoas más em suportar serem &lt;b&gt;iguais&lt;/b&gt; a pessoas de superior excelência.&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;(...) elas vêem partes do corpo e capacidades muito parecidas às delas e temem.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;Agostinho dizia que não há ninguém perfeito neste mundo. A “presença” de que fala Dante acaba revelando imperfeições que maculam o “brilhantismo” da pessoa famosa; por esta razão são os profetas menos louvados em suas terras. Assim, Dante defende que o homem restrinja sua privacidade, que dê limite à sua presença pública.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Sem jamais esquecer, é claro, que a “presença” também pode diminuir os traços de &lt;b&gt;infâmia&lt;/b&gt;.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Dante lamenta que sua grande fama na Itália tenha se tornado ordinária – e, devido a isso, tentará recuperá-la adotando nesta obra, segundo ele, um estilo mais “eminente”.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Cap. 13&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;.&lt;br /&gt;Arrematando os oito capítulos anteriores onde havia buscado justificar a utilização da língua italiana em detrimento do latim no &lt;i&gt;Convivio&lt;/i&gt;, Dante afirma que o homem possui &lt;b&gt;duas perfeições&lt;/b&gt;:&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;Primária – causa sua existência&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;Secundária – causa sua bondade&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;Não é impossível, diz Aristóteles no livro II da Física, que uma coisa possua diferentes causas eficientes, contudo &lt;b&gt;uma&lt;/b&gt; deve ser a &lt;b&gt;principal&lt;/b&gt; (o fogo e o martelo causam a faca, embora seja o &lt;b&gt;ferreiro&lt;/b&gt; a sua principal causa).&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Ora, ressalta Dante, pois foi justo o vernáculo italiano que aproximou os seus pais para que o pudessem conceber. Foi o vernacular que colocou Dante no caminho do conhecimento, pelo qual chegou finalmente ao latim e às ciências. Deve o florentino no mínimo honrar esta língua, assim o julga.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Todas as coisas por natureza buscam sua própria preservação; com o vernacular não é diferente. Dante estabeleceu com o italiano uma amizade e uma harmonia que se encontram claramente expressas na métrica e na rima das &lt;i&gt;canzoni&lt;/i&gt; aqui dispostas. Autor e língua, assim, acabam por dividir o &lt;b&gt;mesmo&lt;/b&gt; propósito, o mesmo fim. Que bela declaração de amor por uma língua! Quem sabe, uma vez dotados desse espírito, não cometêssemos assim tantos estupros contra nosso injustamente vilipendiado Português!&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Na semana que vem, seguiremos postando mais algumas pérolas do &lt;i&gt;Convivio &lt;/i&gt;de Dante. Aguardem.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4388487925984704521-1229360739878021855?l=lectionesphilosophica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lectionesphilosophica.blogspot.com/feeds/1229360739878021855/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lectionesphilosophica.blogspot.com/2009/12/o-banquete-de-florenca-i.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4388487925984704521/posts/default/1229360739878021855'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4388487925984704521/posts/default/1229360739878021855'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lectionesphilosophica.blogspot.com/2009/12/o-banquete-de-florenca-i.html' title='O Banquete de Florença - I'/><author><name>Renan Santos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17608988790611781498</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0J-_pgCSqgo/Sqb-vuFgw9I/AAAAAAAAAH0/EdqQlSSqhS0/S220/renan2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh3.ggpht.com/_0J-_pgCSqgo/SzZ2JDU48TI/AAAAAAAAAP8/V2LNtvPd4M0/s72-c/image_thumb%5B6%5D.png?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4388487925984704521.post-6102019163399656373</id><published>2009-12-08T07:36:00.001-08:00</published><updated>2009-12-08T07:43:37.767-08:00</updated><title type='text'>Consolação da Filosofia, por Boécio - V</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;b&gt;Fortuna e Providência&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Nada é criado sem propósito.&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;Providência = razão divina(conhecimento de tudo antes de acontecer)     &lt;br /&gt;&lt;b&gt;A imagem do quadro na mente.&lt;/b&gt;&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;Destino (fortuna) = o trabalho de Deus dia a dia (destinação de formas, lugares, estações, proporções a todas as coisas)     &lt;br /&gt;&lt;b&gt;O quadro sendo pintado.&lt;/b&gt;&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;Antes de acontecer, é providência; acontecido, é destino.&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Nem tudo está sujeito ao destino, mas o que está sujeito ao destino forçosamente está sujeito à divina Providência.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A Filosofia expõe uma analogia sensacional:&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;As rodas de uma carroça giram sobre o eixo estático (Deus); o centro da roda (o homem bom e sábio) gira mais firme do que as bordas; os raios da roda são como os homens médios, em uma extremidade firmes e na outra muito rápidos (os maus) (assim, mesmo os piores homens estão conectados com Deus). A roda é o destino (roda da fortuna); o eixo é a Providência.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;Todo destino é bom, pois ou recompensa ou pune.&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A Filosofia questiona o julgamento dos homens sobre outros homens. Sabemos de suas ações, mas e do que se passa em seus espíritos, sabemos?&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Ninguém é melhor avalista da alma do que Deus. Ele pune os maus e honra os bons. Muito acontece de julgarmos um homem como Deus nos julga. Há homens muito maus que não põem seus desejos em ação e vice-versa. Alguns bons homens podem ter seu poder arrancado para não comprometerem sua bondade. O homem sábio não deve amar a felicidade mundana além da conta, pois seguido ela é dada aos piores homens. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A Filosofia salmodia sobre a incrível ordem e harmonia do universo, o amor que tudo tem em seu servir a Deus, e o contentamento com o governo divino; do contrário, nada existiria. &lt;b&gt;Servir ao Criador é existir.&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;Sobre o livre-arbítrio&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Boécio pergunta se temos livre-arbítrio, face à predestinação.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A Filosofia responde que todo homem possui liberdade, considerando que ele &lt;b&gt;sabe&lt;/b&gt; o que quer. A razão traz discernimento, e &lt;b&gt;o discernimento é o livre-arbítrio&lt;/b&gt;. Quanto mais próxima de Deus a mente do homem, mais livre; quanto mais presa a este mundo, menos livre.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Boécio fica perplexo com uma nova dúvida: se Deus predestina, &lt;strong&gt;como permite que o mal seja escolhido?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A Filosofia lhe rebate com uma outra pergunta: aprazaria a alguém, sendo um rei, ter como servos somente escravos?&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Boécio insiste; não entende que propósito existe em rezar sobre o que já é predestinado. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A Filosofia diz que muitos já passaram pela mesma angústia. Cícero é um dos que não puderam resolver a questão por suas mentes estarem muito imersas em desejos mundanos.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Ademais, muito já foi dito aqui sobre a bondade como reguladora do mundo, o mal que não existe em si e por si.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Boécio pergunta: tudo o que Deus conhece deve acontecer irrevogavelmente?&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A Filosofia responde: não irrevogavelmente, mas &lt;b&gt;parte deve&lt;/b&gt; acontecer – o que é necessário para nós e desejado por ele. Além disso, há as coisas possíveis, que em seu acontecimento ou não-acontecimento não causam danos. Deus sabe tudo, e há coisas que ele pode desejar prevenir.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;O que é a eternidade?&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;É a pergunta de Boécio.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A Filosofia diz que há três coisas sobre a terra: &lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;1) as que duram um tempo, tendo começo e fim;     &lt;br /&gt;2) as que são eternas, com começo mas sem fim (como os anjos e almas humanas) e      &lt;br /&gt;3) a que é eterna, sem começo e sem fim, que é Deus.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;Para nós, só existe o que está no tempo. &lt;b&gt;Para Deus,&lt;/b&gt; &lt;b&gt;tudo é presente&lt;/b&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Por isso, jamais deixe de se curvar diante dEle, pois que é todo-poderoso, todo bem, todo tempo. Busque-o, faça o bem, ame a virtude!&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Finda aqui o resumo dessa grande obra.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Na próxima semana, exporemos alguns excertos da encantadora pérola filosófica de Dante Alighieri, o &lt;em&gt;Convivio &lt;/em&gt;(O Banquete).&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4388487925984704521-6102019163399656373?l=lectionesphilosophica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lectionesphilosophica.blogspot.com/feeds/6102019163399656373/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lectionesphilosophica.blogspot.com/2009/12/consolacao-da-filosofia-por-boecio-v.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4388487925984704521/posts/default/6102019163399656373'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4388487925984704521/posts/default/6102019163399656373'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lectionesphilosophica.blogspot.com/2009/12/consolacao-da-filosofia-por-boecio-v.html' title='Consolação da Filosofia, por Boécio - V'/><author><name>Renan Santos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17608988790611781498</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0J-_pgCSqgo/Sqb-vuFgw9I/AAAAAAAAAH0/EdqQlSSqhS0/S220/renan2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4388487925984704521.post-2043137050469203392</id><published>2009-12-06T16:18:00.001-08:00</published><updated>2009-12-06T16:18:12.036-08:00</updated><title type='text'>Consolação da Filosofia, por Boécio - IV</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;b&gt;A natureza&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O Criador deu um nome a todas as criaturas e depois o dividiu em quatro elementos: terra, água, ar e fogo, cada um com seu local e distinção, embora ligados em “laços de paz”.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Pela sua ordem, o mais inferior é a Terra, fria e seca, depois a Água, fria e úmida; o Ar, por sua vez, se distingue por ser ou frio, ou úmido, ou quente, já que foi criado entre a Terra e o Fogo; o Fogo é o mais elevado; acima de todos, embora misturado com todos (grande semelhança com o &lt;i&gt;nous&lt;/i&gt; de Anaxágoras). Todos são fundamentais na natureza, estão em tudo.&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;“Não há menos d’alma no dedo mínimo do que no corpo inteiro”.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;A alma&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A alma é tripartite (Platão), dividida em desejo e paixão, comuns entre homens e animais, e razão, virtude especial ao homem, que deve controlar as outras.&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;“[A alma] quando pensa no seu Criador, está acima de sí própria; quando reflete sobre si mesma está em si própria; e está abaixo de si própria quando ama essas coisas mundanas e as admira”.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;O bem&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Toda forma de bem vem de Deus e retorna a Ele. Deus é o bem perfeito, ao qual não falta desejo algum. Nenhum homem recebe o prazer pela coisa em si, mas pelo bem que ele ganha através delas. Todo desejo emana do sumo Bem.&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;“Não consegues entender que se nada fosse completo, então nada estaria faltando, e que se nada estivesse faltando, nada estaria completo? (...) É assaz evidente que o bem perfeito existiu antes do bem imperfeito”.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;A bondade de Deus não pode ser extrínseca, vir de fora, porque, do contrário, a origem da bondade seria melhor do que Ele. Ademais, a perfeição é a unidade, a unidade é a perfeição (qualquer coisa distinta de Deus que não estivesse nele o tornaria imperfeito). Assim, não há nada melhor do que Deus (e por isso o argumento de Anselmo é tão fabuloso).&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;A suma felicidade&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Em um diálogo bem platônico, a Mente deseja entender melhor o que é a suma felicidade.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Diz a Filosofia: todo o ser criado deseja a &lt;b&gt;eternidade&lt;/b&gt;, tenha ele alma ou não, mesmo as plantas (o ciclo de morte das plantas e de suas sementes gerando novas plantas é uma amostra desse “ímpeto de continuidade”. Boécio entende, e cita a geração de proles entre os animais).&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Desejando-se a vida eterna, deseja-se a única coisa que vive para sempre: Deus. Não se pode buscar nada acima dele, porque não pode haver.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;Da verdade&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Um grão da verdade está sempre presente em nossas almas. Ele deve ser despertado com o questionamento e com o ensinamento, para poder crescer.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Segundo a Filosofia, Platão disse: “quem quer que não se lembre da bondade, deve se virar para sua memória, então lá encontrará a bondade, escondida entre a preguiça do corpo e as distrações e aflições da Mente”&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A Filosofia lembra a Boécio que ele era mais confiante nos desígnios de Deus. Boécio admite a sua tolice: “Nenhum homem deseja resistir à vontade de seu criador, exceto os homens tolos ou os anjos rebeldes.”&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;Nada&lt;/b&gt; pode ir contra a vontade do todo-poderoso, embora alguns desejem. A Babilônia, na ambição de querer saber o que havia no Céu, foi atingida por Deus e teve a língua de seu povo dividida. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Não importa a quantidade de parábolas e exemplos, sempre a mente irá em busca daquilo que buscamos, que é Deus. Estes instrumentos não têm uso por si mesmos. Platão já avisava da importância das parábolas serem adaptadas às conjunturas de cada povo ao qual se deseja explicar a natureza das coisas. Na Grécia, a história de Orfeu e Euridice, p. ex., ensina aos homens que fogem da escuridão do inferno e vão em direção à luz da verdadeira bondade a nunca olharem para trás para seus antigos pecados, de modo a nunca retornar a eles.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;O mal no mundo&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A infelicidade ainda persiste sobre Boécio, porque ele não consegue compreender a razão de Deus, todo bondade e poder, permitir que o mal exista no mundo. Homens maus têm poder e honrarias, e aos homens sábios e bons só resta o sofrimento.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A Filosofia responde que o Bem &lt;b&gt;sempre&lt;/b&gt; tem poder, o Mal não, porque todas as criaturas desejam o bem, e os bons o desejam de forma correta, enquanto os maus buscam-no pelos caminhos errados. (como dois homens correndo em direção ao mesmo destino, só que o mau indo por estradas tortuosas e escuras).&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Todo homem que deseja ser virtuoso deseja ser sábio. O bom é feliz, o feliz é abençoado. &lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;“&lt;b&gt;Que um homem possa fazer o mal não é um poder, mas uma fraqueza&lt;/b&gt;”.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;Nenhuma bondade passa sem recompensa, que é dada pela própria bondade. O mal, pelo contrário, só passa por punições. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Ao homem corrompido resta a bestialidade, porque a essência do homem verdadeiro é a unidade de corpo e &lt;b&gt;alma&lt;/b&gt;. A um homem ambicioso e usurpador, não chame de homem, mas de lobo; ao furioso e rebelde, chame de cão de caça; ao falso e engenhoso, de raposa, e o que é selvagem e colérico, chame-o de leão. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Boécio segue lamentando, triste pelo mal ser tão mais praticado.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A Filosofia explica que, mesmo que fossem imortais, os maus sempre seriam miseráveis e infelizes. &lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;“Que sua maldade passe impune nesta vida é o sinal mais claro do maior pecado neste mundo, e um penhor da mais terrível penalidade que estará por vir”. &lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;Piores são aqueles que afirmam que os mais sábios nada podem ver do além, como eles. É como se as crianças se criassem todas perfeitas, mas, ao se tornarem adultas, algumas se corrompessem e afirmassem que todas ainda são igualmente perfeitas, ou igualmente corrompidas.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Ecoando Platão, diz ela que os homens punidos são mais felizes do que os que punem, porque &lt;b&gt;os que praticam o mal são mais desgraçados do que os que o sofrem&lt;/b&gt;. Por outro lado, punir os maus é melhor do que melhorar a situação das suas vítimas, pois que a doença daqueles é mais profunda.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Deve o justo aplacar a raiva, amando os homens e odiando os seus pecados.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas o teimoso Boécio diz ainda não conseguir entender o triunfo do mal no mundo de Deus.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E então a Filosofia responde com um canto que lista diversas dúvidas que a mente dos homens tem em relação aos fenômenos do Universo (os diferentes trajetos das estrelas, o Sol que parece mergulhar no mar, etc.) &lt;b&gt;Mas Deus, quando investigado, assim como o seu mundo natural, revela a Verdade.&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Admite a Filosofia que o questionamento de Boécio é espinhoso, um dos grandes temas da Filosofia. Poucos pensadores chegaram a uma conclusão satisfatória.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4388487925984704521-2043137050469203392?l=lectionesphilosophica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lectionesphilosophica.blogspot.com/feeds/2043137050469203392/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lectionesphilosophica.blogspot.com/2009/12/consolacao-da-filosofia-por-boecio-iv.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4388487925984704521/posts/default/2043137050469203392'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4388487925984704521/posts/default/2043137050469203392'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lectionesphilosophica.blogspot.com/2009/12/consolacao-da-filosofia-por-boecio-iv.html' title='Consolação da Filosofia, por Boécio - IV'/><author><name>Renan Santos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17608988790611781498</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0J-_pgCSqgo/Sqb-vuFgw9I/AAAAAAAAAH0/EdqQlSSqhS0/S220/renan2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4388487925984704521.post-1304572049748460149</id><published>2009-12-03T08:29:00.001-08:00</published><updated>2009-12-04T09:41:07.515-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='filosofia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='boécio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='consolação da filosofia'/><title type='text'>A Consolação da Filosofia, por Boécio - III</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;b&gt;Deus&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A Filosofia exalta o Criador:&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;“Um criador existe sem dúvida alguma, e ele é o comandante dos céus e da terra e de todas as criaturas, visíveis e invisíveis. Ele é o Deus todo-poderoso.”&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;“O Deus todo-poderoso compeliu com o seu poder todas as suas criaturas, de modo que cada uma delas está em conflito com a outra, e ainda assim sustenta a outra, a fim de que elas não se desliguem entre si, mas voltem ao antigo curso para então começar novamente. Tamanha é a sua variação que as criaturas opostas conflitam umas com as outras e ao mesmo tempo preservam juntas a harmonia”.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;Assim, um contrário não pode existir sem o outro e só pode ser medido pelo outro. &lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;“Ó, quão feliz seria a humanidade se suas mentes fossem tão retas e firmemente estabelecidas, e tão ordenadas como é o restante da criação!”&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;.&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;A busca pelo bem&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Diz a Filosofia sobre a sua doutrina:&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;“É muito amarga à boca, e dói à garganta quando da primeira vez que você prova, mas vai ficando doce e chega muito suave ao estômago.”&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;O amargo antes do doce, a chuva antes do sol, assim é a verdadeira felicidade, as coisas boas da natureza sendo muito mais exaltadas quando precedidas das coisas desagradáveis.&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;“Todo mortal se aflige com diversas preocupações, e mesmo assim todos desejam chegar por muitos caminhos a um único fim; isto é, eles desejam por diversos meios atingir uma felicidade. Ora, esta não é outra além de Deus, o princípio e o fim de todo bem; &lt;b&gt;Ele é a suma felicidade&lt;/b&gt;.”&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;Nada pode haver fora da felicidade suprema, que abarca todas as felicidades. Toda água sai do mar e a ele retorna.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A verdadeira felicidade não é um bem mundano, mas uma bênção divina, pois não é o destino que a produz, e sim Deus. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A Filosofia cita Epicuro, que classificava o prazer como o mais alto bem, porque, segundo ele, todas as formas de felicidade bajulam e encorajam a mente. Contudo, diz ela, &lt;b&gt;o prazer por si mesmo bajula o corpo quase que de forma exclusiva&lt;/b&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;Todos os homens desejam o bem, de uma forma ou de outra. &lt;/b&gt;Jamais cessam em seu querer, sempre buscam satisfazer todas as necessidades de modo a não mais possui-las, “mas só Deus não possui necessidades”. Deus não necessita nada, a não ser ele mesmo (como já afirmava Aristóteles).&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;O desejo em si não é mau.&lt;/b&gt; O que ocorre no homem é um &lt;b&gt;erro no caminho até o desejo&lt;/b&gt;, que nunca é o mais reto, o mais verdadeiro.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas o ser humano pode se aperfeiçoar. Todos os seres se restringem às qualidades nas quais foram criados, exceto os homens e alguns anjos. Por mais que domestiquemos um leão, experimente dar-lhe sangue... &lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;“Ó, vós, homens deste mundo, embora ajais como gado por vossa estupidez, mesmo assim podeis de alguma forma perceber, como num sonho, algo da sua origem, que é Deus”.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;Embora não compreendamos as coisas totalmente, percebemos em toda busca pela felicidade um verdadeiro princípio e um verdadeiro fim.&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;“Tu és guiado por tua natureza em direção ao entendimento, mas é afastado dele por múltiplos erros”.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;Boécio enfim admite: “Sei que falas a verdade. Eu era de fato miserável”.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;A cobiça é &lt;em&gt;inextingüível&lt;/em&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Quanto mais o homem possui, mais ele se curva ao desejo de possuir. A cobiça jamais extingüe a si mesma – ela só cresce, só se acumula, “pois o homem não pode tomar consigo desta terra nada mais do que a ela trouxe”.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O poder mundano nunca planta virtudes, e só colhe vícios. O poder alheio também eleva o vício pela inveja e pelo desprezo. Boécio não teria sido preso se emulasse o vício e a corrupção daqueles que concordaram com os terríveis atos e planos de Teodorico.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;As quatro virtudes&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A Sabedoria, a mais sublime das virtudes, possui em si quatro outras virtudes: &lt;b&gt;prudência, temperança, coragem e justiça&lt;/b&gt;, tornando os seus amantes sábios e valorosos, sóbrios, pacientes e justos.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;A autoridade material não pode, pelo contrário, conceder virtude a ninguém.&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A sabedoria vem de &lt;b&gt;dentro&lt;/b&gt;; a autoridade, o poder, a fama, vêm de &lt;b&gt;fora&lt;/b&gt; – não podem nunca pertencer a alguém, ao seu ser.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A Filosofia lembra Boécio das tantas histórias de reis que terminaram sem nada, e arremata, irônica:&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;“Certamente a riqueza é algo ótimo, a ponto de não poder preservar nem a si mesma nem ao seu senhor.”&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;Um rei pode dominar um povo inteiro, mas jamais os seus desejos. Um rei jamais vive em paz, o temor sempre o espreita. Um rei não é nada sem os seus servos.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Sobre a amizade baseada na riqueza: “O que é pior praga e maior dor a qualquer homem do que ter em sua companhia e proximidade um inimigo com a aparência de um amigo?”&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;“Quem tanto deseja ter poder deve antes lutar para ter poder sobre sua própria mente”.&lt;/p&gt;    &lt;p&gt;“Ó, glória deste mundo! Ai de mim, por que os tolos com falsa voz te conclamam glória, quando tal não és?”&lt;/p&gt;    &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;A tolice do “bom berço”&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Um homem é digno de louvor por si mesmo, não por seus pais, “pois todo mundo sabe que todos os homens vêm de um pai e uma mãe”.&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;“És tu mais justo pela justeza de outro?”&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;“A bondade e a nobre herança de um homem provém da mente e não da carne”.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;O pai de todos os homens é Deus.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;Os prazeres criam dores&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O desejo mau da luxúria disturba a mente de qualquer bom homem.&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;“Assim como a abelha deve morrer quando, em sua fúria, aferroa, deve também toda alma perecer depois da luxúria, a não ser que o homem retorne à virtude.”&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;A entrega à carne torna-a seu senhor e não seu servo, e é por isso o cúmulo do rebaixamento de um homem.&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;“Nem se tivesses o corpo maior do que o do elefante, ou se fosses mais forte do que o leão ou o touro, ou mais veloz do que o tigre, e o mais belo dos homens, ora, se procurasses a Sabedoria logo perceberias como todas estas qualidades não se comparam a uma única qualidade da alma.”&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;Assimo como a harmonia do Universo não pode ser comparada ao próprio Criador, a beleza corporal é tão frágil e fugaz como as flores.&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Todo homem sabe onde procurar comida, onde procurar riquezas, mas é lamentável que não saiba onde procurar a verdadeira felicidade.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;A ignorância divide Deus&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Boécio admite que a ignorância dos homens leva-os a dividir algo que é uno: Deus.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Segundo a Filosofia, o poder, a abundância, a glória, a dignidade e a bênção, só estão todas unidas em Deus. O homem comum idealiza, assim, somente uma &lt;strong&gt;parte &lt;/strong&gt;de Deus, não compreende sua &lt;strong&gt;unidade&lt;/strong&gt;. Portanto, nunca estará contente, porque “a riqueza suplica por poder, o poder suplica por honra, a honra suplica por glória”.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Que esperança de ser verdadeiramente feliz podemos ter então, pergunta Boécio.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Responde a Filosofia:&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;“Se qualquer homem desejar ter todas as felicidades em uma, desejará ter a mais elevada felicidade; mas ele não pode obtê-las em perfeição neste mundo.” (até mesmo porque sua vida aqui termina, é finita).&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;Portanto, nenhum homem deve esperar atingir a suma felicidade em sua vida presente. Por melhores que sejam, nenhuma dessas diferentes felicidades passa de uma mera &lt;b&gt;impressão&lt;/b&gt; do Bem eterno. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4388487925984704521-1304572049748460149?l=lectionesphilosophica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lectionesphilosophica.blogspot.com/feeds/1304572049748460149/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lectionesphilosophica.blogspot.com/2009/12/consolacao-da-filosofia-por-boecio-iii.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4388487925984704521/posts/default/1304572049748460149'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4388487925984704521/posts/default/1304572049748460149'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lectionesphilosophica.blogspot.com/2009/12/consolacao-da-filosofia-por-boecio-iii.html' title='A Consolação da Filosofia, por Boécio - III'/><author><name>Renan Santos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17608988790611781498</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0J-_pgCSqgo/Sqb-vuFgw9I/AAAAAAAAAH0/EdqQlSSqhS0/S220/renan2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4388487925984704521.post-5149079826672034610</id><published>2009-11-22T16:55:00.001-08:00</published><updated>2009-11-22T17:06:26.313-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='filosofia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='boécio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='idade média'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='consolação da filosofia'/><title type='text'>A Consolação da Filosofia, por Boécio - II</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;b&gt;A felicidade&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A fortuna (destino) muda, e os homens também devem mudar com ela. Boécio deve a sua desgraça ao seu desejo pela felicidade mundana. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Nenhum homem, por mais feliz e materialmente realizado que seja, pode resistir à fortuna e ao sofrimento, pois quem tem de tudo teme por seu futuro, ou teme perder sua fonte de alegria. Uma coisa minúscula pode fazer o mais feliz dos homens vacilar em sua felicidade a ponto de pensar tê-la perdido totalmente. &lt;b&gt;Por que então procuram a felicidade do lado de fora, quando ela lhes foi incutida por dentro, pelo poder divino?&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;O pináculo de toda a felicidade é a bondade.&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A sabedoria, ao contrário da felicidade, jamais pode ser perdida. Por isso a fortuna não pode dar ao homem felicidade, pois &lt;b&gt;tanto fortuna quanto felicidade são inconstantes&lt;/b&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;“Além disso, o homem que possui estes bens mundanos, ou sabe que eles irão lhe deixar ou não sabe. Se não sabe, que felicidade pode haver na cegueira da ignorância? Se ele sabe, então vive no medo de perder aquilo que ele não pode duvidar de que pode perder; de modo que um pavor constante o impede de ser feliz”.&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;O poder e a riqueza&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Deus quer que o homem governe todas as outras criaturas, mas o homem se torna ele próprio seu escravo. Os ricos trazem para si inimigos, e o poder, que geralmente advém a homens muito maus, não é em sua natureza bom.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Quanto à fama, mesmo que ela seja mundial, possuirá um alcance estreitíssimo, a terra sendo um mero grão de areia no universo. Quando o destino vira as suas costas para um homem, presta-lhe um verdadeiro serviço, ao permitir que encontre o caminho para a bondade.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;p&gt;“Nenhuma casa pode suportar por muito tempo os fortes ventos no topo de uma alta montanha; nem resistirá às grandes chuva se construída sobre areia fina. (...) Quem quer que busque a felicidade eterna deve fugir do perigoso esplendor desta terra média, e construir a casa de sua mente sobre a rocha firme da humildade”.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;“És tu quem dá valor à tua riqueza, ou ela é valiosa por sua própria natureza?&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A riqueza cobiçada torna o homem odioso tanto para Deus quanto para os homens.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A virtude torna o homem amada por Deus e por aqueles (poucos) que a valorizam.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Tudo o que é dado é mais precioso do que é guardado e acumulado.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;“Por mais rico que sejas, jamais tua riqueza será suficiente, e jamais a tua doação irá satisfazer totalmente a pobreza dos outros, bem como sua cobiça.”&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;Como pode o homem admirar mais a pedra preciosa do que a outro homem?&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;“Humilhamo-nos demais quando amamos mais o que é sujeito a nós do que amamos a nós mesmos, ou do que amamos o Senhor, que nos criou e nos deu todas as coisas boas”.&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O que é realmente necessário? Comida, bebida, vestuário e implementos que ajudem à pessoa a exercitar alguns poderes naturais. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;“Por que lamentas por uma beleza que não é tua? Tu te aprazarias naquilo que não te diz respeito, e naquilo que nem criaste nem possuis?”&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p&gt;Buscar as bênçãos e a glória de uma natureza mais elevada nas coisas inferiores, que perecem, é uma &lt;b&gt;ofensa ao Criador&lt;/b&gt;, que deseja que todos os homens sejam senhores de todas as outras criaturas. O ser humano que não alça o seu desejo à altura do conhecimento que lhe foi dado é inferior às bestas (como já dizia Aristóteles). &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;“A natureza das bestas é não terem conhecimento de si mesmas, mas no homem é uma deformidade não possuir o auto-conhecimento”.&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p&gt;A Filosofia canta novamente, sobre quão afortunado era o homem antes dos prazeres materiais, quando seguia o caminho estrito da natureza. Lamenta: quem foi o primeiro infeliz a descobrir as pedras preciosas sobre a terra? Riqueza e poder transformaram-se em honras.&lt;/p&gt;    &lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;"(...) um homem nunca conquista a virtude e a excelência por sua autoridade, mas em razão de sua virtude e excelência é que ele atinge autoridade e poder.” &lt;/blockquote&gt;Se o poder fosse bom por sua própria natureza, jamais estimularia o mal. Pelo contrário, &lt;b&gt;o poder dado a um homem mau não o melhora, mas o revela em sua maldade e corrupção. &lt;/b&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;Nero &lt;/b&gt;mandou queimar Roma para comparar o brilho das chamas com os relatos da destruição de Tróia; condenou à morte todos os grandes sábios da cidade, e matou até mesmo a própria mãe. Ainda assim, seu poder diminuiu, e tanto mais ele se regojizava.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;As necessidades de um rei&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A Mente argumenta que nunca deleitou-se com a cobiça e com o poder terreno, mas que desejou instrumentos e matéria para pôr em prática o seu trabalho, sua responsabilidade e autoridade. Um rei sem terra povoada, sem homens de guerra, sem homens de fé e sem homens trabalhadores não pode excerticar seus “poderes naturais”, seu talento especial (trecho provavelmente construído por Alfred).&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A Filosofia diz que muitos desejam o poder, mas poucos são dignos dele; aquele que é sábio e busca com vigor o bem sabe o quão frágil e carente de bondade é tal poder. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Ademais, quão limitado esse dito poder! Que tolo esforço de um homem em empregar duramente os seus dias para embelezar uma fama restrita a tão pequeno lote, “uma vez que a parte do mundo no qual reside o homem é só um ponto comparada ao resto”. É impossível o nome de um homem chegar a todos da mesma forma. Mesmo que se deseje toda a fama, é muito difícil que vários homens gostem do mesmo objeto, que dirá da mesma pessoa.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Outro erro é a idéia de honra eterna, pois há honras que escapam ao registro, ou mesmo à ação natural do tempo e do esquecimento. De qualquer forma, mesmo dez mil anos não seriam &lt;b&gt;nada&lt;/b&gt; comparados à &lt;b&gt;eternidade&lt;/b&gt;, e &lt;b&gt;quem busca o bem busca a eternidade&lt;/b&gt; (não pode haver comparação alguma entre finito e infinito).&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;“Isto [a fama de curto prazo, a mais comum] tu buscas conquistar negligenciando os poderes de tua razão, de teu entendimento, e de teu juízo; desejando ter como recompensa de tuas boas ações o bom relato de homens que nem conheces, uma recompensa que deverias buscar unicamente de Deus”.&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Ademais, a alma é imortal, o corpo perece.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;A morte&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Embora a mente deseje toda a glória terrena, a morte não está nem aí.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;“Ela não dá atenção ao bom berço, mas engole tanto os poderosos quanto os inferiores, e assim coloca o grande e o pequeno no mesmo nível.”&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Além disso, mesmo a fama falha com muita gente após a sua morte.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;“Não penses que sou teimosa em minha luta contra a fortuna, eu mesma não a temo, pois freqüentemente acontece do destino não poder ajudar nem prejudicar um homem. Ela não merece nenhum louvor, pois por si mesma declara o seu vazio.”&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;A adversidade é superior à prosperidade (felicidade mundana)&lt;/b&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A felicidade verdadeira, constante e cumpridora de suas promessas é superior à falsa felicidade, que trai suas amizades e que prima pela inconstância. A felicidade verdadeira é libertadora de ilusões, a falsa é ilusória. A felicidade na adversidade é sóbria, é clara; a felicidade na prosperidade é precipitada, é ignorante e turva.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O que você daria para distingüir claramente amigos de inimigos?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;A Felicidade&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Boécio admite estar muito confortado pelas palavras da Filosofia, mas gostaria de ouvir mais. No que consiste a verdadeira felicidade?&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A Filosofia discute a natureza do bem supremo e mostra como &lt;b&gt;todos os homens, mesmo os piores, desejam atingi-lo&lt;/b&gt;. Este bem não reside no poder, nem na riqueza, nem na fama, nem no bom berço, nem no prazer carnal; reside em &lt;b&gt;Deus&lt;/b&gt;. Os homens podem participar na felicidade e assim atingir a divindade. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;O Mal não tem existência&lt;/b&gt;, pois Deus, que pode fazer todas as coisas, não pode fazer o mal (o próprio ato de criação do mundo é uma bondade; maldade seria o &lt;b&gt;nada&lt;/b&gt;).&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4388487925984704521-5149079826672034610?l=lectionesphilosophica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lectionesphilosophica.blogspot.com/feeds/5149079826672034610/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lectionesphilosophica.blogspot.com/2009/11/consolacao-da-filosofia-por-boecio-ii.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4388487925984704521/posts/default/5149079826672034610'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4388487925984704521/posts/default/5149079826672034610'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lectionesphilosophica.blogspot.com/2009/11/consolacao-da-filosofia-por-boecio-ii.html' title='A Consolação da Filosofia, por Boécio - II'/><author><name>Renan Santos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17608988790611781498</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0J-_pgCSqgo/Sqb-vuFgw9I/AAAAAAAAAH0/EdqQlSSqhS0/S220/renan2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4388487925984704521.post-18185948314689648</id><published>2009-11-19T21:26:00.001-08:00</published><updated>2009-11-20T08:16:52.960-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='filosofia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='boécio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='idade média'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='consolação da filosofia'/><title type='text'>A Consolação da Filosofia, por Boécio</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;a href="http://lh5.ggpht.com/_0J-_pgCSqgo/SwYoZxdH3wI/AAAAAAAAAO0/e8tJbh5KB_4/s1600-h/Boethius%5B4%5D.jpg"&gt;&lt;img title="Boethius" style="border: 0px none ; display: inline;" alt="Boethius" src="http://lh4.ggpht.com/_0J-_pgCSqgo/SwYoa02KVnI/AAAAAAAAAO4/uWJwmnaOMGI/Boethius_thumb%5B2%5D.jpg?imgmax=800" border="0" width="197" height="240" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;/p&gt;    &lt;p&gt;Boécio (480-524 AD) foi uma importantíssimo filósofo neoplatônico. Considerado por muitos como a “ponte” entre a filosofia antiga e a medieval, ajudou a construir o pensamento que dominaria a Europa pré-escolástica (séc. V ao séc. XI). Segundo o grande historiador Edward Gibbon, Boécio foi “o último dos romanos que Catão ou Túlio poderia ter tomado como seu compatriota”.&lt;/p&gt;    &lt;p&gt;Nobre de sangue eminente, serviu como cônsul e senador no reino ostrogodo do ariano Teodorico, que lhe tinha em grande estima. Entretanto, ao combater os maus elementos da política romana, acaba ganhando um punhado de inimigos, que começam a tramar a sua queda. O rei passa a mostrar sinais de intolerância; envia o Papa João I a Justino em uma humilhante missão a Constantinopla, depois o prende para morrer de fome e inanição. A partir de então Teodorico escutaria as acusações contra Boécio, segundo as quais este estaria por trás de uma conspiração contra o seu poder imperial. Nem a famosa eloqüência de Boécio o salvaria agora. O Senado o confina em uma masmorra em Ticinum (moderna Pávia) e confisca suas propriedades. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Após muitos meses de cárcere, durante os quais comporia a sua famosa obra, seria torturado e morto.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Contemporâneos de Boécio, como Prisciano, Cassiodoro e Enódio tinham-no como o homem mais intelectual de sua época. Profundamente versado nas obras dos fílósofos gregos, chegou a traduzir algumas para o latim. Por séculos, os medievais só puderam conhecer Aristóteles quase que exclusivamente por intermédio das traduções e comentários de Boécio. Possuía também grande talento para matemática, ciência, engenharia prática, e seu trabalho sobre música ecoaria no ocidente por séculos.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Após sua morte, foi tomado como mártir da fé ortodoxa, sendo canonizado por São Severino. Muitos trabalhos de teologia doutrinal lhe foram atribuídos, mas há uma discussão moderna em torno disso (há quem duvide até do seu cristianismo).&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;A obra&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="http://etext.virginia.edu/latin/boethius/boephil.html"&gt;http://etext.virginia.edu/latin/boethius/boephil.html&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A &lt;i&gt;Consolatione Philosophiae &lt;/i&gt;era o &lt;i&gt;vade mecum &lt;/i&gt;filosófico da Idade Média. Sua influência e popularidade só poderia ser comparada à &lt;i&gt;De Officis&lt;/i&gt; de Cícero e, posteriormente, à &lt;i&gt;Imitação de Cristo&lt;/i&gt; de Kempis. Foi um dos primeiros livros impressos na Europa após a revolucionária invenção de Gutemberg.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Quando as rudes línguas européias começaram a ser articuladas em prosa, surgiram versões do livro de Boécio no vernacular. Destas primeiras traduções, a do rei Alfred o Grande foi a primeira, seguida um século depois por uma versão literal no dialeto alemânico do &lt;i&gt;old high german&lt;/i&gt;, no famoso monastério de São Gall, pelo monge Notker. Houve versões também em provençal antigo, em quatro edições francesas nos séc. XIII e XIV. Na Inglaterra, Geoffrey Chaucer fez uma tradução em prosa, sendo seguido por muitos outros, até mesmo a rainha Elizabeth I, em cuja época já havia versões em italiano, espanhol e grego. Thomas More mantinha uma cópia consigo quando na prisão, chegando até mesmo a compor uma versão própria, identificando-se com a angústia pela qual passara Boécio.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Sua influência na literatura européia é imensa. Há traços da obra em Beowulf, nos poemas de Chaucer, em Gower, em Lydgate, em Spenser, em Dante e Boccaccio.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Boécio, confinado em sua masmorra, conseguiu expressar de forma belíssima o confronto entre a sua ardente aflição face à iminente morte e a profunda sabedoria que sua alma ainda mantinha. Compondo um memorável diálogo entre a Dama Filosofia e o conflituosa Mente, demonstra como a primeira, iluminada pela verdade divina, é capaz de aplacar toda a dor existencial que sobrevenha à segunda. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;É, sem dúvidas, uma obra para todos os tempos.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;Sobre a tradução de Alfred, o Grande&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A versão estudada aqui é a de Alfred, o Grande (849-899), rei dos anglo-saxões e um dos maiores responsáveis por tornar o livro popular na alta Idade Média. Além de grande líder militar e político, tendo impedido a invasão viking e unificado os reinos saxões, também empreendeu traduções de importantes obras, como &lt;i&gt;Pastoral Care, Orosius&lt;/i&gt; e, claro, &lt;i&gt;The Consolation of Philosophy of Boethius&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A religião e o aprendizado eram fundamentais para Alfred, uma espécie de “Carlos Magno da Bretanha”, amante dos livros e admirador dos intelectuais. Diante da ignorância na qual tinha mergulhado o seu povo após os terríveis confrontos com os vikings, sabia que a educação era fundamental para que a região voltasse a prosperar. Em um trecho da &lt;i&gt;Consolação&lt;/i&gt;, Alfred lamenta muito a decadência intelectual e cultural na qual havia caído sua amada terra.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Segundo o monge Asser, biógrafo de Alfred e homem de confiança em seu projeto cultural, uma das primeiras atitudes do governante foi fundar uma &lt;i&gt;court school&lt;/i&gt;, ao modelo das escolas palatinas de Carlos Magno. Ambos tiveram lá suas dificuldades para aprovar a idéia entre os nobres de rude espírito guerreiro. Seguindo os passes do grande imperador franco, Alfred também buscou reunir eruditos de outras partes da Europa, tamanha a decadência dos clérigos sábios em seu reino.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Apesar de uma tarefa claramente prazerosa para ele, a tradução da &lt;i&gt;Consolação&lt;/i&gt; não deve ter sido nada fácil. O conhecimento de latim era muito limitado, e o próprio latim já havia sofrido suas mudanças até então (Asser tinha que ler em voz bem alta e explicar diversas questões). &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Alfred não estava focado na cópia, mas na transposição do entendimento da obra para o seu povo, e nisto teve sucesso, pois seu inglês, segundo os filólogos, embora desprovido de arte e muitas vezes deselegante e falho, é suficientemente claro quanto ao sentido. Além disso, que referências de prosa em inglês tinha Alfred à época? Afora a tradução inglesa da Bíblia, todo o esforço literário que lhe precedera estava em verso (o qual floresceu muito ao norte da ilha). Bem sabia Alfred destas limitações, tanto que fez adaptações que achou necessárias, até mesmo omitindo e adicionando trechos (e aqui se revela a parte mais interessante da versão de Alfred). Por isso, muitos consideram o grande rei da Saxônia Ocidental como &lt;strong&gt;o primeiro autor de prosa literária da história inglesa.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O abade Ælfric, cerca de um século depois, reconhece o seu débito para com o rei Alfred; através de suas traduções, pôde ele próprio construir uma prosa inglesa mais suave e clara, mais elegante e mais repleta de nuances.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Voltando à versão de Alfred, é nitido o tom cristão impingido à obra, citando diversas vezes Deus, Cristo, anjos, demônios, etc, simpatizando com o lado católico de Boécio (que não é particularmente mostrado nessa obra) e desaprovando o arianismo de Teodorico. Com freqüência, Alfred até se esquece de sua tarefa de tradutor, revelando ainda mais o seu espírito e a energia com a qual abraçara a obra.&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;“Sempre foi meu desejo viver honradamente enquanto vivo, e, depois da minha morte, deixar para aqueles que devem vir depois de mim a minha memória em boas obras”&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;— Alfred&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A versão de Alfred está dividida em 4 livros e 42 capítulos, alternando cada trecho de prosa com um trecho poético. Decidimos, para facilitar a síntese, dividi-la em tópicos abordados.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;Introdução&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O rei Teodorico era cristão mas com forte inclinação ao Arianismo. Prometeu aos romanos a amizade e o respeito, mas no fim incorreu em absurdos, como a morte do próprio Papa João. Alfred conta-nos a respeito da eminência de Boécio e de como este se abatia com a desonra que Teodorico representava à história dos césares. Boécio secretamente clamara por ajuda do imperador de Constantinopla, esta fora a razão de seu cárcere.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Enquanto Boécio lamenta a sua sina e o sumiço de sua alegria (“como pode ser feliz o que não reside em felicidade?”), aparece-lhe a &lt;i&gt;Divina Filosofia&lt;/i&gt;, o &lt;b&gt;espírito da Sabedoria&lt;/b&gt;, que o ergue e o incita a observá-la.&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;“Não és tu o homem que foi nutrido e ensinado em minha escola? Mas desde quando tu te afliges tanto com estas preocupações mundanas?”&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;A Filosofia clama contra o mundo sensual, e a Mente (Boécio) diz ter reencontrado sua “mãe de criação”, a Sabedoria, que lamenta:&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;“Ai de mim, quão profundo o abismo no qual a mente labora quando agitada pelas durezas da vida! Se ela esquece da própria luz, que é uma alegria eterna, e corre para a escuridão externa que são as preocupações mundanas, como agora faz esta Mente, nada mais ela conhece, exceto o sofrimento.”&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;.&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;Boécio clama pela salvação&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Boécio lamuria-se pela fortuna dos maus e a desgraça dos que buscaram a sabedoria. Depois, canta a Deus uma belíssima prece poética, louvando o poder divino e sua ordem, a qual só os homens ousam desobedecer.&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;“Ó, meu Senhor, tu que olhas por todas as criaturas, em tua amorosa bondade olhe agora por esta terra miserável, e também por toda a humanidade, pois ela agora se debate como as ondas deste mundo.”&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;A Filosofia logo põe Boécio de frente para a verdade:&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;“Ninguém te levou ao erro; foste tu mesmo, por tua própria desatenção”.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;Segundo ela, não se poderia esperar isso de “um dos cidadãos da Jerusálem celestial”, e reitera que “nenhum homem é jamais banido, a não ser que ele mesmo tenha assim escolhido”.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A pobre Mente diz ter noção de que “tudo vem de Deus”, ao que a primeira responde: “Como podes então, sabendo o início, não saberes também o fim?”&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A Filosofia pergunta à Mente se ela conhece a si mesma. “Sei que pertenço aos homens vivos e inteligentes, embora fadados a morrer”, e nada mais sabe a Mente de si – esta é a causa de sua melancolia. Segundo a Filosofia, não crer que a fortuna seja algo independente de Deus já é um bom começo para a cura, pela qual ela se responsabiliza.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;O erro de Boécio&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A Filosofia diz a Boécio que o que ele antes tomava por felicidade não era bem felicidade. Os prazeres do mundo enganam os homens. &lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;“Pensas tu que seja algo inédito ou raro o que veio a te acometer, como se jamais houvesse molestado outro homem?(...) Se pensas que é culpa tua que tua prosperidade mundana tenha se ido, então te equivocas, pois seus caminhos também se equivocam. &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Em ti ela só cumpriu com sua própria natureza&lt;/span&gt;, e por sua mudança fez-se conhecer a &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;instabilidade que lhe é natural&lt;/span&gt;. (...) Aquela mesma prosperidade, a perda sobre a qual sofres, teria te deixado em paz tivesses tu a recusado; e agora ela te abandonou por sua própria vontade e não pela tua, de tal modo que nenhum homem a perde sem sofrimento.”&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;Como pode um homem se prender à riqueza quando já encontrou a sabedoria?&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Como Boécio ousou imaginar que não seria afetado pelas mudanças do mundo, que sua vida e suas posses permaneceriam intocáveis?&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;“Como poderias tu estar no meio deste estado de mudanças, sem sentires também algum mal através da adversidade? O que mais os poetas cantariam sobre este mundo [que não isso]?&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;“Por que me culpas, ó, Mente? Por que estás irritada conosco? No que te ofendi? De fato tu estavas desejosa de mim, não eu de ti! Tu me colocaste na lugar do teu Criador quando nos procuraste para aquele bem pelo qual Ele é que tu deverias ter procurado. Tu dizes que eu te traí; mas, pelo contrário, posso dizer que tu é que me traíste, já que pelo teu desejo e ambição o Criador de todas as criaturas irá me abominar. Tu és, portanto, mais culpado do que eu, tanto por conta do teu próprio desejo ímpio, e também porque, através de ti, não posso realizar a vontade do meu Criador. Pois Ele me concedeu a ti para ser aproveitado de acordo com Seus mandamentos, não para realizar a vontade da tua injusta ganância.”&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;A mente confessa sua culpa, coberta de remorso.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;“Eu não quero que tu te desesperes, mas que te envergonhes do teu erro”, ressalva a Filosofia, “pois aquele que se desespera não tem esperança, enquanto o que se envergonha está no caminho do arrependimento”&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;“E o que são as riquezas mundanas senão um aviso da morte? Porque a morte vem com nenhum outro propósito que não seja tirar a vida.”&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;A Filosofia canta sobre a inconstância das coisas naturais.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Boécio reconhece que o que tinha em sua vida comum não era a verdadeira felicidade.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A Filosofia ressalta o enorme valor que Boécio tem para sua esposa, que tudo mais ela esqueceu enquanto sofre pelo seu destino. Além disso, Boécio está vivo e com saúde; nenhuma aflição insuportável ainda lhe desceu sobre os ombros para se entregar dessa forma.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;No próximo post, continuaremos expondo o resumo dessa divina obra.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4388487925984704521-18185948314689648?l=lectionesphilosophica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lectionesphilosophica.blogspot.com/feeds/18185948314689648/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lectionesphilosophica.blogspot.com/2009/11/consolacao-da-filosofia-por-boecio.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4388487925984704521/posts/default/18185948314689648'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4388487925984704521/posts/default/18185948314689648'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lectionesphilosophica.blogspot.com/2009/11/consolacao-da-filosofia-por-boecio.html' title='A Consolação da Filosofia, por Boécio'/><author><name>Renan Santos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17608988790611781498</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0J-_pgCSqgo/Sqb-vuFgw9I/AAAAAAAAAH0/EdqQlSSqhS0/S220/renan2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh4.ggpht.com/_0J-_pgCSqgo/SwYoa02KVnI/AAAAAAAAAO4/uWJwmnaOMGI/s72-c/Boethius_thumb%5B2%5D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4388487925984704521.post-592716503149800848</id><published>2009-10-25T10:42:00.001-07:00</published><updated>2009-10-25T10:53:49.301-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='filosofia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='catolicismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cristianismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='vida intelectual'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sertillanges'/><title type='text'>A Vida Intelectual, por Sertillanges - V</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;strong&gt;CAP. 8 – TRABALHO CRIATIVO&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;I – Escrever&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Agora é a hora de produzir resultados. Como diz Sertillanges, não se pode estar sempre aprendendo e pretendendo estar pronto; uma hora os frutos precisam aparecer. Ademais, a aprendizagem e a preparação são processos indissociáveis da produção. Você deve escrever por tuda a sua vida intelectual.&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;    &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;Segundo o autor, nós escrevemos para:&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;* Ver claramente o que se pensa;&lt;/p&gt;    &lt;p&gt;* dar definição aos próprios pensamentos;&lt;/p&gt;    &lt;p&gt;* estimular a atenção e manter-se alerta;&lt;/p&gt;    &lt;p&gt;* começar uma linha investigativa e solidificá-la;&lt;/p&gt;    &lt;p&gt;* encorajar-se, vislumbrando resultados;&lt;/p&gt;    &lt;p&gt;* formar um estilo próprio e adquirir a arte de escritor.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;Quando escrever o suficiente para divulgar, julgue o seu trabalho e então o publique. &lt;strong&gt;Alcemos vôo o mais breve possível&lt;/strong&gt;, recomenda Sertillanges. O contato com o público o incentivará a melhorar, o elogio merecido o estimulará, e a crítica irá testar o seu trabalho e o seu vigor espiritual. &lt;b&gt;Progredir, evoluir, sem parar&lt;/b&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;Père Gratry&lt;/b&gt; insiste que devemos &lt;b&gt;sempre meditar com a caneta na mão&lt;/b&gt; e sugere pessoalmente que dediquemos a hora tranqüila da manhã a este contato da mente consigo mesma. “Um bom começo é a metade”, já dizia &lt;b&gt;Aristóteles&lt;/b&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;Quem não produz, habitua-se à passividade; o medo de orgulho – porque o orgulho também gera o medo – ou a timidez aumentam mais e mais; recuamos, cansamo-nos de esperar, tornamo-nos improdutivos.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;Diz ainda Sertillanges: “o silêncio é uma diminuição da personalidade”, pois “o estilo é o homem”, se forma com ele. Acima de tudo, escreva de forma verdadeira, sincera, honesta e justa consigo mesmo. Una a verdade à sua individualidade e à simplicidade, analogamente ao que ocorre no Ser. Como falava &lt;b&gt;Pascal&lt;/b&gt;, “a eloqüência verdadeiramente espontânea e inspirada zomba da eloqüência baseada em regras de retórica”.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Conforme Sertillanges, o segredo de escrever é estudar as coisas fervorosamente até que elas falem com você e determinem a sua própria expressão. O clichê é um ornamento, uma frivolidade, uma verdade que se perdeu no ar. &lt;strong&gt;Paul Valéry &lt;/strong&gt;dizia que o uso automático das palavras é o que “mata” a língua; ficamos vivos quando usamos a sintaxe com a completa consciência do que estamos fazendo.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Nosso estilo é nossa “feição”, a nossa identidade.&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;O estilo, que convém a um pensamento, é como o corpo que pertence à alma, como a planta que provém da semente: tem arquitetura peculiar. Imitar é alienar o pensamento; escrever sem caráter é declará-lo vago ou pueril.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;Mas ressalta ainda Sertillanges: devemos ser originais sem buscar a originalidade. O embelezamento, a artificialidade, é uma &lt;b&gt;ofensa à verdade&lt;/b&gt;, porque “não há embelezamentos no real, e sim necessidades orgânicas”. Não que na natureza não haja brilho, mas é que o brilho por si só é orgânico. &lt;b&gt;O verdadeiro estilo na mão de um artista competente imita as criações da natureza&lt;/b&gt;. Observemos a natureza, então, esta criação supinamente maravilhosa de Deus!&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Sejamos econômicos, objetivos, retos. &lt;b&gt;A substância é superior à forma&lt;/b&gt;. Como dizia o grande Michelagelo, “o belo é a remoção de todo o supérfluo”.&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;Não seja escravos da moda. Dá água de nascente, não drogas de farmácia. Muitos escritores, hoje, criam seus sistemas: ora, um sistema é algo do artificial e o artificial ofende a beleza.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;Acima de tudo, busque ser compreendido por todos. Só duas mentes parecem no mundo tender à simplicidade: a mente limitada e a mente do gênio.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;II – Desapegar-se de si e do mundo&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Todo trabalho criativo requer o desapego. Nossa personalidade deve ser posta de lado, e o mundo esquecido – aspiremos às alturas. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Já vimos que o homem é por inteiro e em si necessário, mas o homem que busca a verdade não deve ser uma criatura da paixão, da vaidade, da ambição. Em geral todos tendemos à vaidade, de fato, mas nossas obras não devem se alimentar dela. A &lt;b&gt;inspiração é incompatível com o desejo egoísta&lt;/b&gt;. Querer algo para si é pôr a verdade de lado. Devemos &lt;b&gt;servir&lt;/b&gt; à verdade, e não usá-la.&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;Você está pronto para morrer pela verdade? Tudo o que um verdadeiro amante da verdade escreve, tudo o que ele pensa, deve ser como o sinal que São Pedro mártir traçou com o sangue de sua ferida enquanto morria: &lt;b&gt;&lt;i&gt;credo&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;Reconhecermos, acima de tudo, que não somos capazes da ciência universal. Esta é, afinal, a mensagem central da obra de Sertillanges: louvemos a &lt;b&gt;humildade&lt;/b&gt; e a &lt;b&gt;sinceridade &lt;/b&gt;intelectual, não nos enganemos a nós mesmos; &lt;strong&gt;a verdade é uma só&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Não devemos jamais temer a reação do público, as opiniões contrárias. Não deve o intelectual sincero buscar ser “amigo de todos” – mais uma vez: &lt;b&gt;seu compromisso é com a verdade&lt;/b&gt;. &lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;Ora, o pensamento não será a sua obra, se o cuidado de agradar e de se adaptar escravizar a sua pena. &lt;b&gt;O público então irá pensar por você, quando você é que deveria pensar por ele&lt;/b&gt;.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;Tenha o espírito sincero e inocente de uma criança, guardando a experiência e o conhecimento de um adulto devotado à verdade.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;III – Constância, paciência e perseverança&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Não ouse imaginar que a vida estudiosa seja uma vida fácil.&lt;/strong&gt; Ser um intelectual o tempo inteiro exige dedicação plena, profunda, constante. Devemos &lt;b&gt;respirar&lt;/b&gt; essa vida. Em nosso cotidiano, costumamos nos perder em frivolidades, em desculpas para a preguiça, para a inação, para a não-entrega. Encontramos uma palavra no dicionário, e então nos referimos a outra, e a mais outra, e a curiosidade nos leva a ir a outro verbete, e outro, e assim nos desligamos da nossa anterior concentração (o quão comum é esse tipo de atitude hoje em dia, com a ajuda da internet, não? Entramos em um site, e então clicamos em sucessivos links, e vamos abrindo diversas janelas simultâneas por pura preguiça mascarada de pretensa curiosidade).&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Evitemos nos perder em efemeridades, quaisquer delas, recomenda Sertillanges. Superemos a &lt;b&gt;depressão do vazio&lt;/b&gt; que tantas vezes nos acomete. Corremos perigo o tempo todo de acomodarmos a mente – ora, o mundo é uma oferta a isso.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas ressalta; “dar um tempo” no trabalho e pensar em outros assuntos importantes não é um ato preguiçoso. Lembremos que a inspiração pode vir nos momentos mais fortuitos e inesperados.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;De todo modo, &lt;b&gt;rejeite vigorosamente qualquer interrupção&lt;/b&gt;. Não é necessário lançar mão de estimulantes; uma boa caminhada, um alongamento, um exercício de respiração, podem nos manter ativos.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;Tenha coragem&lt;/b&gt;. Pense no seu trabalho como um plano para conquistar a sua liberdade. O estudo é como uma caminhada transcendental – não se entregue no primeiro sinal de fadiga. Mergulhe na atmosfera, viva isso, respire isso. Tenha Platão como seu amigo e confidente, Aristóteles como o vizinho de porta. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;Não dê força às circunstâncias&lt;/b&gt;. Asseverava &lt;b&gt;Michelangelo&lt;/b&gt;: “as obras realizadas à custa de um grande esforço devem dar a impressão de terem sido fáceis de conceber e executar”. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Ora, o trabalho intelectual também requer &lt;b&gt;heroísmo&lt;/b&gt;, como nas batalhas. Tenha paciência, cadência, evite a pressa e a prematuridade. &lt;b&gt;Tudo vem no momento certo&lt;/b&gt;. &lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;No reino da mente, a quietude é melhor do que a rapidez.&lt;/p&gt;    &lt;p&gt;(...) Uma vida bem preenchida é longa.&lt;/p&gt;    &lt;p&gt;(...) Trabalhe com um espírito de eternidade.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;Ao cristão, diz Sertillanges para respeitar a Providência divina. A excitação febril leva à escravidão espiritual. Ser intelectual é &lt;b&gt;perseverar&lt;/b&gt;, absolutamente. Não se entregue ao humor da hora, a modas, a circunstâncias.&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;Que importa o tempo quando se está com Deus?&lt;/p&gt;    &lt;p&gt;(...) O homem de caráter que trabalhou insistentemente por toda uma longa vida pode deixar-se cair como o sol, em uma morte tranqüila e esplêndida.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;IV – Fazer tudo bem feito e até o fim&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Além de exercer as virtudes que lhe são próprias, deve o verdadeiro intelectual pensar na &lt;b&gt;perfeição&lt;/b&gt; e na &lt;b&gt;completude&lt;/b&gt; do seu trabalho.&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;Não completar uma obra é destruí-la.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;Quando decidir começar algo, &lt;b&gt;não desista&lt;/b&gt;. Lembre-se que o &lt;strong&gt;ser – &lt;/strong&gt;verdade, infinitude e bem – é &lt;b&gt;perfeito&lt;/b&gt;. Como diz Sertillanges, “ter vocação é estar obrigado à perfeição”.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Ponha seu esboço de lado, descanse os olhos e então observe-o de a uma certa distância. Se não aprová-lo, comece de novo. Do contrário, faça uma crítica minuciosa e melhore o máximo que conseguir, até poder dizer a si mesmo que se esgotou a sua capacidade sobre esta obra. Não se importe com o tamanho dela.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Busque infundir a qualidade em seu trabalho de forma &lt;b&gt;imediata&lt;/b&gt;; nunca deixe para aperfeiçoar depois, pois isso é um sussurro da preguiça ao pé do ouvido. Uma obra deve ser como uma &lt;b&gt;pincelada&lt;/b&gt;, como um &lt;b&gt;fluxo único&lt;/b&gt;, portanto, coloque o &lt;b&gt;seu melhor no momento da criação&lt;/b&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;.&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;V – Não ir além das próprias forças&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;&lt;i&gt;Altiora te ne quaesieris&lt;/i&gt; (não procures o que está acima de ti)&lt;br /&gt;— Tomás de Aquino &lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;Não force o seu destino&lt;/b&gt;. A vocação lança mão de nossos recursos – não os cria. Busque conhecer onde se encontra a sua vocação, de que sacrifício você é capaz, o que é que você pode escrever, a que público que você pode servir, e só então se entregue com &lt;b&gt;paixão&lt;/b&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;Toda obra é grande quando o é na medida certa.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;Esta&lt;/b&gt; é a grande e milenar sabedoria, &lt;b&gt;conhecer a si mesmo&lt;/b&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Cap. 9 – O TRABALHADOR E O HOMEM&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;I – Manter o contato com a vida&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Depois de tudo isso, comenta Sertillanges, parece até ironia dizer: &lt;b&gt;liberte a sua alma&lt;/b&gt;, mantenha-se livre, mas é isso que se deve fazer.&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;O que mais importa na vida não é o conhecimento, mas o &lt;b&gt;caráter&lt;/b&gt;.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;O que conhecemos é só o começo; o &lt;b&gt;homem&lt;/b&gt; é a obra terminada. Não somos nem só cabeça nem só membros, somos &lt;b&gt;o coração&lt;/b&gt;, centro de equilíbrio de nossa concretude. Assim como o filósofo deve ser um tanto de poeta, o artesão deve ser um tanto de filósofo, e por aí vai.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mantenhamos a mente aberta, não estreitemos os nossos objetivos finais. &lt;strong&gt;Não devemos ser escravos do trabalho&lt;/strong&gt; nem de peculiaridades. Sertillanges nos diz para conciliarmos nossas vidas intelectuais com outros interesses que contribuam com a sua formação, com seu poder criativo.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Sabemos como uma bela música pode nos inspirar; ela desperta a alma com a sua harmonia e emula a ordem do mundo. Ora, o nosso pensamento não é uma música isolada, mas &lt;b&gt;uma voz em uma orquestra&lt;/b&gt;. Tenhamos cuidado em não virarmos nossas costas para o resto da vida quando decidirmos pela vocação do estudo.&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;Recuse-se a ser um cérebro fora do seu corpo.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;II – Saber como relaxar&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Os limites no trabalho reforçam o seu vigor, ao invés de o embaraçarem.&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;A intemperança é um pecado porque ela nos destrói; e nós temos a obrigação de usar a vida com sabedoria porque temos a obrigação de viver.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;Amar a verdade, não o prazer decorrente dela&lt;/b&gt;, este é um grande e fundamental princípio. Não se ama o amor em si, mas o seu objeto, e isto &lt;b&gt;Platão&lt;/b&gt; já nos ensinava.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Relaxar é essencial como a higiene. Devemos mergulhar de volta na natureza para tomarmos fôlego. &lt;b&gt;Bacon&lt;/b&gt; é quem dizia que “gastar muito tempo em estudos é ser preguiçoso”. Descanse, organize-se e prepare-se para as horas de mais intenso trabalho. Melhor trabalhar energicamente e então descansar bem, do que ir diluindo o seu trabalho, emperrando-o com diferentes sintomas.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Seja divertido, não deixe de ser uma boa companhia para os outros. Ninguém aguenta um homem melancólio, já diziam &lt;strong&gt;Aristóteles e Tomás de Aquino&lt;/strong&gt;. O verdadeiro descanso é a &lt;strong&gt;alegria&lt;/strong&gt;,&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;claro, sem os excessos, por isso os descansos curtos e freqüentes são o ideal. Sertillanges julga que o &lt;b&gt;campo&lt;/b&gt; proporcione maravilhas nessas horas, quando nossa alma se eleva a um plano muito alto em seu contato com a natureza, não permitindo que percamos o &lt;b&gt;realismo&lt;/b&gt; em nossas concepções. “O imperativo categórico com certeza não foi concebido em um prado, que dirá a famosa moral aritmética de Bentham”, conclui ele, com bom humor.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;III – Aceitar nossas provações&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A salvação só vem pela cruz, reitera o dominicano Sertillanges. &lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;A provação do ideal que parece não se aproximar.&lt;/p&gt;    &lt;p&gt;A provação dos tolos que não entendem uma palavra sua e se escandalizam.&lt;/p&gt;    &lt;p&gt;A provação dos invejosos.&lt;/p&gt;    &lt;p&gt;A provação dos bons que hesitam.&lt;/p&gt;    &lt;p&gt;A provação dos medíocres.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;Cita Sertillanges a grande passagem em João, 15,19, mais do que simbólica: “Se fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu; mas, porque não sois do mundo, antes eu vos escolhi do mundo, por isso é que o mundo vos odeia.”&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O trabalho é em si um &lt;b&gt;remédio &lt;/b&gt;para os problemas tanto da alma quanto do corpo, contra a ansiedade e a preguiça. Com oração e trabalho, tudo pode ser superado, ressalta Sertillanges. “Só encontro uma resposta a todas as críticas,” dizia &lt;b&gt;Emerson&lt;/b&gt;, “entregar-me de novo ao trabalho”. O relaxamento, discutido no capítulo anterior, também ajuda a aliviar esse sofrimento.&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;A verdadeira força espiritual é intensificada na perseguição.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;Recolha as pedras que lhe forem atiradas e construa a sua casa. De toda forma, jamais esqueça: a verdade não defende a si mesma, a verdade &lt;b&gt;é&lt;/b&gt;. Não confie plenamente em seus juízos e corrija os seus erros quando eles de fato aparecerem.&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;O que você deseja? A glória vã? O lucro? Então você não passa de um pseudo-intelectual. A verdade? Ela é eterna. Não se deve transformar a eternidade em uma utilidade.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;IV – Saborear as alegrias&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Alegremo-nos mesmo nas nossas aflições e contradições. A tristeza e a dúvida matam a inspiração se a elas nos entregarmos.&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;A recompensa pelo trabalho é tê-lo produzido; a recompensa pelo esforço é ter crescido através dele.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;Diz Sertillanges que, emulando uma qualidade dos santos, o verdadeiro intelectual parece escapar dos efeitos da idade, que para tantos homens equivalem à morte. No fim, santidade e real intelectualidade parecem partilhar de uma mesma essência. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;A verdade é a santidade da mente&lt;/b&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;V – Esperando pelos frutos&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;“Seguindo este caminho”, diz &lt;b&gt;S.Tomás&lt;/b&gt; ao discípulo, “produzirás, na vinha do Senhor, folhas e frutos úteis todo o tempo da vida. Praticando estes conselhos, alcançarás o que desejas. Adeus”&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;O trabalho cria por si mesmo o seu instrumento – nos faz superar as nossas dificuldades naturais. Os resultados às vezes demoram, mas &lt;b&gt;chegam&lt;/b&gt;. Tenha fé em si mesmo e seja fiel à sua vocação. Muitas obras e vidas são melhores do que as suas serão, mas &lt;b&gt;ninguém é melhor para você do que você mesmo&lt;/b&gt;. Gostaríamos que nossa chama queimasse sem fumaças ou cinzas, mas tal não é possível, e é nossa primeira obrigação saber disso.&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;Depois, acrescente e repita com convicção: “Se fizer isso, produzirá frutos e alcançará o que deseja.” Adeus.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Adeus, Sertillanges, e obrigado por tudo.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;No próximo domingo, começaremos uma série de posts com o resumo detalhado da magistral e exortativa obra de &lt;b&gt;Boécio&lt;/b&gt;: &lt;i&gt;A Consolação da Filosofia&lt;/i&gt;. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Até mais.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4388487925984704521-592716503149800848?l=lectionesphilosophica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lectionesphilosophica.blogspot.com/feeds/592716503149800848/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lectionesphilosophica.blogspot.com/2009/10/vida-intelectual-por-sertillanges-v.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4388487925984704521/posts/default/592716503149800848'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4388487925984704521/posts/default/592716503149800848'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lectionesphilosophica.blogspot.com/2009/10/vida-intelectual-por-sertillanges-v.html' title='A Vida Intelectual, por Sertillanges - V'/><author><name>Renan Santos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17608988790611781498</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0J-_pgCSqgo/Sqb-vuFgw9I/AAAAAAAAAH0/EdqQlSSqhS0/S220/renan2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4388487925984704521.post-5091598741377480100</id><published>2009-10-21T10:16:00.001-07:00</published><updated>2009-10-21T10:28:49.670-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='filosofia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='catolicismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cristianismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='vida intelectual'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sertillanges'/><title type='text'>A Vida Intelectual, por Sertillanges - IV</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;b&gt;Cap. 7 – A preparação do trabalho&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A LEITURA&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;I – Não ler muito&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Como diz &lt;strong&gt;Tomás de Aquino&lt;/strong&gt;, devemos ir ao mar pelos regatos, e não diretamente. A nossa necessidade primordial é saber &lt;b&gt;como ler&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;como utilizar&lt;/b&gt; a leitura que fazemos.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;1ª regra: não ler muito. Sertillanges não recomenda aqui a leitura limitada, mas a leitura sem a “paixão” tão proclamada por aí. Como toda paixão, ela monopoliza a alma, a perturba e exaure suas forças. &lt;b&gt;Devemos ler com inteligência, não com paixão&lt;/b&gt;. Ordem, reflexão e concentração levando à criação.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O “leitor apaixonado” sobrecarrega olhos e mente, enquanto o leitor inteligente os preserva com carinho e com um objetivo. De todo modo, afirma Sertillanges:&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;Para avançar, é preciso remar; nenhuma corrente, por si só, o conduzirá aonde quer chegar. Abra, por si próprio, o caminho e não enverede por todas as sendas que lhe oferecerem.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;Cortar principalmente a leitura menos sólida e menos séria. Recomenda Sertillanges que tentemos não envenenar nossas mentes com romances. De tempos em tempos, você pode ler uma boa ficção, mas, lembre-se, trata-se de uma concessão que você faz, pois muita ficção acaba perturbando a mente sem renová-la, confundindo nossos pensamentos.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;Evitar ferrenhamente os jornais. &lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;Convém saber o que os jornais contêm, mas eles contêm tão pouco; e seria tão fácil estar ciente desse conteúdo sem se entregar a intermináveis momentos de leitura preguiçosa!&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;Um intelectual sério deve se satisfazer com crônicas periódicas e só se dirigir aos jornais quando dos graves acontecimentos ou por artigos memoráveis (e olhe lá! Depende do jornal, escolha-o bem)&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Como bem arremata Sertillanges: “&lt;b&gt;nunca leia quando você pode refletir&lt;/b&gt;”.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;II – Escolher bem&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Devemos não só escolher bem &lt;b&gt;os&lt;/b&gt; livros como &lt;b&gt;nos&lt;/b&gt; livros. Não confie em propagandas, títulos e artes chamativas. Tenha bons conselheiros a respeito da bibliografia. Vá direto à fonte para satisfazer a sua sede. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Procure se associar somente com os grandes pensadores, desenvolvendo o seu critério. Leia somente aqueles livros nos quais as idéias principais estão expressas em primeira mão – não há tantos assim, acredite (&lt;a href="http://www.tirodeletra.com.br/ensaios/MarioF.Santos-Entrevista.htm"&gt;Mário Ferreira dos Santos&lt;/a&gt; já dizia que os maiores responsáveis pelos grandes erros da filosofia foram e continuam sendo os &lt;i&gt;comentadores&lt;/i&gt; de segunda, terceira e quarta mãos, que com o tempo desfiguram as obras principais, facilitando as más interpretações). Os livros em geral repetem muito uns aos outros – ou se contradizem, e isso é também uma forma de repetição. Especialmente ao estudar a história da filosofia, ficamos sabendo que as descobertas no pensamento são de fato muito raras, e que as conclamadas “revoluções do saber humano” não passam de revisões de antigos debates.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Atenha-se ao fundamento, ao fundo permanente de idéias, não a individualidades. Claro, não há como negligenciar certas coisas; às vezes as descobertas vêm por meios enredados e lamacentos, mas procure evitá-los.&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;Ame os livros eternos que expressam verdades eternas.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;Quando abrir o livro, tome o autor como um guia. Mas, não se esqueça, alerta Sertillanges: &lt;strong&gt;você é um homem livre e responsável e deve manter o domínio de sua própria alma&lt;/strong&gt;. É o homem quem escreve livros, e o homem é por natureza imperfeito e corruptível. Filtre bem o que você lê. Acredite em Deus como segurança, porque Ele ama a Verdade e o Bem. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;De qualquer forma, o valor de um livro é parte do seu próprio valor e do que você pode tirar dele. Leibniz tirou proveito de tudo; São Tomás formulou um grande número de pensamentos a partir da leitura dos heréticos e dos paganizadores de seu tempo.&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;Um homem inteligente encontra inteligência em toda parte.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;III – Quatro tipos de leitura&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;p&gt;1) Leitura fundamental --&amp;gt; formação própria&lt;br /&gt;Requisito: obediência.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;2) Leitura de ocasião --&amp;gt; objetivo em particular&lt;br /&gt;Requisito: domínio mental&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;3) Leitura estimulante --&amp;gt; adquirir ânimo pelo trabalho e pela prática do bem&lt;br /&gt;Requisito: determinação&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;4) Leitura recreativa --&amp;gt; relaxamento&lt;br /&gt;Requisito: liberdade&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Todo começo deve prezar pela reverência aos &lt;b&gt;mestres&lt;/b&gt; do pensamento. Você é um aluno, “você deve crer no seu mestre”, diz &lt;strong&gt;Tomás&lt;/strong&gt;, repetindo &lt;strong&gt;Aristóteles&lt;/strong&gt;. &lt;strong&gt;Não uma obediência cega, mas nobre&lt;/strong&gt;. Só se aprende a comandar depois de obedecer, e o domínio do pensamento só é conquistado através da disciplina.&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;A escolha de um “pai intelectual” é uma coisa muito séria.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;Sertillanges, como já ficou bem claro, costuma aconselhar &lt;strong&gt;São Tomás de Aquino&lt;/strong&gt; como este guia e este pai para as doutrinas superiores, sem, contudo, limitar-se a ele. &lt;b&gt;A obediência deve ser dirigida não a um autor, mas à verdade &lt;/b&gt;– sem jamais erguer-se contra aquele por particularidades. Siga os passos do seu mestre, não seja o seu próprio mestre antes que o tempo chegue e que você possa trilhar o caminho por si mesmo.&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;Quem lê visando um determinado trabalho tem a sua mente dominada pelo que planeja fazer; não mergulha na água, retira algo dela; mantém-se na margem, preservando a liberdade de seus movimentos.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;O fascínio da leitura não pode interferir no propósito que a justifica&lt;/b&gt;. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Com relação à leitura estimulante, para Sertillanges irá depender das próprias experiências do leitor. O que ajudou antes irá ajudar novamente. Mantenha sempre ao alcance as obras que lhe revigoram para seguir a longa caminhada. Saiba perceber o que é que lhe auxilia neste sentido, quais são os seus “remédios” para a doença d’alma, sem hesitar em retornar a eles até que tenham perdido todo o efeito.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;As escolhas para a leitura visando o puro relaxamento são bem menos importantes, embora seja importante entender que certos tipos de leitura não são recreativas o suficiente, enquanto outras o são demais (divertir em francês, &lt;i&gt;dévoyer&lt;/i&gt;, no sentido etimológico significa “desviar do caminho”). (Sertillanges nos conta que conheceu um homem que descansara de uma trabalhosa obra lendo a monumental &lt;i&gt;History of Greek Philosophy&lt;/i&gt; de Zeller. Era uma distração, mas não o suficiente para desviá-lo)&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Somente uma coisa, de acordo com São Tomás, nos dá o verdadeiro repouso: a &lt;b&gt;alegria&lt;/b&gt;. Portanto, procurar a distração em algo entendiante seria uma completa perda de tempo e de energia. Leia algo que goste, que não o excite muito a ponto de prejudicar o seu labor intelectual. Tenha inteligência para ler, mesmo nessas horas, ajudando a si mesmo “a desenvolver sua personalidade, a adornar a sua mente, a ser um homem”.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;IV – O contato com os escritores geniais&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;O convívio com os gênios é uma das graças que Deus concede a pensadores humildes.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;Trata-se de um privilégio que pouco damos valor, mas que multiplica nossa alegria e amplia o nosso mundo, tornando-o um lugar mais nobre e melhor para se viver. Segundo Sertillanges, renova-se assim “a glória de ser um homem, de ter a sua mente aberta aos mesmos horizontes que os maiores, de viver nas alturas e de fundar com os seus semelhantes, com os seus inspiradores, uma sociedade em Deus”. Como disse &lt;b&gt;Thérèse von Brunswick &lt;/b&gt;ao falar de Beethoven: “logo após os gênios, vêm aqueles capazes de reconhecer seu valor”.&lt;/p&gt;      &lt;p&gt;Ao nos aproximarmos de gênios, subimos a outro plano. A sua superioridade por si só já nos beneficia. Como ilustração do que é a genialidade expressa de forma simples e sublime, Sertillanges sugere ouvir os prelúdios de &lt;b&gt;Bach&lt;/b&gt;, cuja inspiração nos leva por um breve momento aos céus, onde “ficar e mover-se livremente seria o nosso sonho”.&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;(...) que bênção é poder elevar-se tão acima das futilidades! Isso nos afina e nos ajuda a fazer a justa apreciação dos fogos de artíficio pueris que tantas vezes formam o produto dos entretenimentos intelectuais.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;“A mente humana não pode ir muito longe”, escreveu &lt;b&gt;Rodin&lt;/b&gt;, “exceto com esta condição: que o pensamento do indivíduo seja somado paciente e silenciosamente ao pensamento de gerações.”&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O gênio nos apresenta, abre as cortinas para a realidade que está lá, óbvia, e que nós não vemos. Através dele, o &lt;b&gt;ser&lt;/b&gt; é que se comunica conosco, e não nossas próprias mentes. O gênio &lt;b&gt;simplifica&lt;/b&gt; as coisas. Eles não refletem só sobre o seu tempo, mas sobre a &lt;strong&gt;humanidade&lt;/strong&gt;. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A existência do gênio prova o erro dos pensadores maliciosos. &lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;Um erro como o dos judeus que olharam para Jesus e disseram: “pode algo de bom vir de Nazaré?” Sim, algo de bom pode vir do nosso pobre mundo, pois que dele veio um Platão.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;Grandes homens também erram, é claro, e com eles também temos a aprender. Não são erros vulgares, mas excessos – mesmo em seus enganos, há no gênio a profundidade e agudez de visão. Segundo São Tomás, nós &lt;b&gt;devemos tudo&lt;/b&gt; &lt;b&gt;à verdade&lt;/b&gt;, e assim nós devemos àqueles que erraram e que pelo seu erro desenvolveram a nossa mente; &lt;b&gt;é através deles que trabalha a Providência&lt;/b&gt;. A Igreja deve às heresias, a Filosofia deve aos sofismas. Como diz Sertillanges, “quem tropeça sem cair dá um passo maior adiante.”&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;V – Reconciliar ao invés de acentuar opostos&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Lembremos: não nos interessam pensamentos, mas &lt;b&gt;verdades&lt;/b&gt;.Não disputas, mas &lt;b&gt;obras&lt;/b&gt; e o que delas restar. É futil insistir em diferenças quando tão frutífera é a busca de pontos de contato.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;São Tomás&lt;/strong&gt;, por exemplo, era um grande aristotélico, mas inclinava-se para &lt;strong&gt;Platão&lt;/strong&gt;; sem ser agostiniano, seguido se alimentava da doutrina de &lt;strong&gt;Santo Agostinho&lt;/strong&gt;. Disse que&lt;strong&gt; Averroes&lt;/strong&gt; era um corruptor do peripatetismo, e mesmo assim também o chamava de “sublime espírito” (&lt;i&gt;praeclarum ingenium&lt;/i&gt;), citando-o diversas vezes. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Assim, não busque só qualidades, mas a &lt;b&gt;verdade&lt;/b&gt; e a penetração filosófica. A crítica constante estreita a inteligência e o afasta da verdade. A &lt;b&gt;fofoca&lt;/b&gt; também existe no meio intelectual, mesmo na Teologia! Eleve-se acima dela com toda sua alma. Esqueça a ambição por notoriedade, o embate de partidos, o espírito da discórdia, o estímulo artificial da inteligência. &lt;b&gt;A verdade, nada menos do que ela&lt;/b&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;&lt;b&gt;Lancemos pontes, não cavemos fossos entre as suas doutrinas.&lt;/b&gt;&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;As colunas do prédio estão distantes, mas um arco as une no topo. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;VI – Assimilando a leitura e vivendo por ela&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Nós comemos para viver, enriquecemos para usar a riqueza, e &lt;b&gt;lemos para pensar&lt;/b&gt;. Sertillanges nos alerta para evitarmos atingir o automatismo intelectual. Mesmo sem ler demais, podemos acabar mergulhando numa corrente de indolência.&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;Um homem que sempre ouve pode nunca aprender.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;Apenas obedecer não basta, devemos ter o &lt;b&gt;espírito ativo&lt;/b&gt;. Conforme bem diz Sertillanges, “a leitura nos mostra a verdade; temos que torná-la nossa.” Boécio já afirmava que “pela doutrina, a mente do homem só é estimulada a saber”, e não a investigar.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Esse infinito mar de sinais e fenômenos que temos diante de nós não produz conhecimento por si só; o nosso espírito operando sobre eles é que o produz. O pensamento em si é incomunicável de homem para homem. Aprendemos não com olhos e ouvidos, mas com a &lt;strong&gt;alma&lt;/strong&gt;, e o ensino nos dá as ferramentas para fazê-la operar. A mente é iluminada pela própria luz, e, em última análise, pela luz de Deus, que é o nosso único e absoluto mestre. &lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;A origem do conhecimento não está nos livros, está na realidade e em nosso pensamento. Livros são postes de sinalização; a estrada é mais antiga, e ninguém pode fazer a jornada para a verdade por nós mesmos.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;Sertillange tece uma bela metáfora: &lt;b&gt;juntar a lenha é essencial, mas sem a faísca não há fogo&lt;/b&gt;. É só através do nosso próprio esforço que adquirimos conhecimento. Intelectualmente, “nascemos velhos e devemos tentar morrer jovens”. Precisamos tentar ser nós mesmos, e não há forma mais elevada de se buscar isso do que através do trabalho intelectual.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Termina o capítulo com uma citação de &lt;strong&gt;Schopenhauer&lt;/strong&gt;: “Quando só se fala do que se lê, ninguém nos lê”.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;ORGANIZANDO A MEMÓRIA&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;I – Que coisas devem ser retidas&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A capacidade da memória varia muito nos grandes homens, e nem podemos classificá-los por tal capacidade, mas é inegável o valor de uma boa memória. &lt;strong&gt;Aquino &lt;/strong&gt;nos diz para acumularmos tudo que pudermos de valioso, lembrando que “a comida excessiva é um veneno”.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Não vivemos pela memória, mas a usamos para viver. Guarde tudo o que contribui para o seu propósito intelectual. Quanto ao resto, deixe para o esquecimento.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;Pascal&lt;/b&gt; tinha o melhor tipo de memória – a que retém só o que deseja reter. Ora, a felicidade para &lt;b&gt;Santo Agostinho&lt;/b&gt; era “desejar nada além do bem e ter tudo o que se deseja”.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Se não for bom de memória, não se apavore. Use o que lhe foi dado, e não o que lhe falta! Ademais, a memória, como a própria mente, pode ser exercitada, especializada. Para os católicos, Sertillanges afirma que devem todos “santificar sua memória”, decorando vários salmos e repetindo-os durante o dia.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;II – Em que ordem devem ser retidas&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A memória deve &lt;strong&gt;escapar do caos&lt;/strong&gt;, deve ter hierarquia. Procure sempre por conexões e condições disso e daquilo, como se a sua mente fosse um mundo aguardando pela investigação científica.&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;Uma mente bem organizada é como uma árvore genealógica.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;De nada adianta uma miríade de noções sem o entendimento de noções primordiais&lt;/b&gt;.&lt;b&gt; &lt;/b&gt;Concentre-se na memorização das idéias centrais a cada área do seu saber, deixando as particularidades em segundo plano. Quando novas idéias entrarem na sua mente, agirão retroativamente, avaliando quais os princípios ali são subjacentes a elas. Como diz Sertillanges, “Há, em cada matéria, certas ideias dominantes, que são chaves para tudo”.&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;Hierarquia + princípios guiadores = a melhor memória e o melhor estudo&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;A memória é o mecanismo de adaptação do pensamento ao cosmos.&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;III – Como podem ser retidas&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;São Tomás&lt;/strong&gt; propõe:&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;1) Ordenar o que se quer reter&lt;/p&gt;    &lt;p&gt;2) Aplicar a isso o espírito&lt;/p&gt;    &lt;p&gt;3) Meditar sobre isso com freqüência&lt;/p&gt;    &lt;p&gt;4) Ao desejar reter algo, tomar a cadeia de conexões daquela idéia por uma ponta, que ela trará o resto consigo.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;Assim como &lt;strong&gt;Cícero&lt;/strong&gt;, ele ainda sugere que se conecte a memória das coisas intelectuais com a das coisas sensíveis, pois estas são o objeto próprio do intelecto e pertencem à memória por si mesmas. Faça analogias, metáforas, estabeleça pontos de contato muito claros entre sensível e inteligível. Busque conexões, genealogias, razões ordenativas. Fundamente-se no método silogístico clássico, onde as premissas levam à conclusão. Ao tentar se recordar de algo, pense em todas as circunstâncias ligadas aquele fato que fora retido, como um &lt;b&gt;detetive &lt;/b&gt;da sua própria mente. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Acima de tudo, procure manter a atenção, a concentração, a vontade de saber, o &lt;b&gt;espírito intelectual&lt;/b&gt; de que este livro tanto fala. Reflita sobre o que é para ser lembrado, pondere, reanalise, circule a idéia na sua mente.&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;A mente agitada se opõe a estas operações, e, portanto, uma vida pacífica, livre de paixões, é necessária para o bom uso da memória assim como de todas as funções intelectuais.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;A memória, enfim, não se trata de quantidade, mas de &lt;b&gt;qualidade&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;ordem&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;habilidade&lt;/b&gt; no seu uso.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;AS NOTAS&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;I – Como tomar notas&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;Leitura + memória + anotações = obras&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;As anotações são como &lt;strong&gt;memórias em papel&lt;/strong&gt; e se transformam em um grande suplemento para o nosso trabalho. Se fôssemos confiar somente na memória mental, o resultado final seria desastroso, afirma Sertillanges. A memória é um servo não muito confiável per se, como já vimos – ela perde as coisas, ou as enterra, e às vezes não responde chamados....&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Lembrar a coisa certa no momento certo exigiria do intelectual um auto-domínio sobre-humano. Assim, livros de anotações e cadernos serão de grande ajuda, como um &lt;b&gt;banco&lt;/b&gt; para depositar e retirar a qualquer hora.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Há dois tipos de anotações, ressalta Sertillanges: as mais descompromissadas, e as com objetivos bem delineados para o trabalho mais à frente. Ele nos recomenda que &lt;strong&gt;evitemos o excesso&lt;/strong&gt; com ambos os tipos de notas; muito material disponível pode acabar nos atrapalhando depois, desviando o nosso foco e até perdendo o seu uso.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Sertillanges sugere esperar um pouco durante a leitura antes de sair anotando:&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;Com calma e à distância certa, você julgará o valor da sua colheita e armazenará somente o bom grão em seu celeiro.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;Adapte as notas à sua personalidde, aos seus objetivos. Leia cada obra com uma certa expectativa, guiando suas anotações de acordo com ela. Toda leitura deve ter um propósito.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;Com boas anotações, uma obra pode estar terminada antes de começar&lt;/b&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;A inspiração é como uma graça, que passa por nós e não volta.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;II – Como classificar as notas&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;É inútil fazer uma anotação se você não puder encontrá-la de novo no momento certo.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;Portanto, &lt;b&gt;organize-se&lt;/b&gt;. Contudo, Sertillanges alerta-nos quanto ao excesso, porque exagerar na organização das anotações é uma “prática deplorável”. É como colecionar brinquedos no quarto. &lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;A ordem é uma necessidade, mas ela deve nos servir, e não o contrário.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;O autor sugere a utilização de pastas de arquivos que deixem visíveis as suas classificações, conforme os assuntos em estudo. Sertillanges ainda dá algumas dicas particulares de organização, com base em fichas classificadoras, caixas e gavetas, e ainda recomenda que se observe o método decimal das bibliotecas (embora a mim isso seja uma rigidez digna da ressalva do próprio autor).&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;Acima de tudo, ser prático&lt;/b&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;III – Como utilizar as notas&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Coletadas as notas, temos dois caminhos possíves:&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;1) com um plano em mente, ordená-las&lt;/p&gt;    &lt;p&gt;2) sem um plano em mente, buscar a ordenação a partir delas&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;Ao se traçar idéias gerais, seja qual for o método, as idéias começam a pipocar. Pouco a pouco, uma ordem superior irá emergir da plano de anotações, dando forma à matéria-prima.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;No próximo post, veremos a quinta e última parte do nosso resumo sobre &lt;em&gt;A Vida Intelectual&lt;/em&gt; de Sertillanges.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4388487925984704521-5091598741377480100?l=lectionesphilosophica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lectionesphilosophica.blogspot.com/feeds/5091598741377480100/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lectionesphilosophica.blogspot.com/2009/10/vida-intelectual-por-sertillanges-iv.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4388487925984704521/posts/default/5091598741377480100'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4388487925984704521/posts/default/5091598741377480100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lectionesphilosophica.blogspot.com/2009/10/vida-intelectual-por-sertillanges-iv.html' title='A Vida Intelectual, por Sertillanges - IV'/><author><name>Renan Santos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17608988790611781498</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0J-_pgCSqgo/Sqb-vuFgw9I/AAAAAAAAAH0/EdqQlSSqhS0/S220/renan2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4388487925984704521.post-4060017642348583932</id><published>2009-10-18T16:27:00.001-07:00</published><updated>2009-10-18T18:09:38.700-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='filosofia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='catolicismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cristianismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='vida intelectual'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sertillanges'/><title type='text'>A Vida Intelectual, por Sertillanges - III</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;b&gt;Cap. 5 – O CAMPO DO TRABALHO&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;I – O estudo comparado&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Segundo Sertillanges, não há um conselho preciso e restrito aqui, mas algumas dicas podem ser seguidas.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Por exemplo, nenhum campo do saber sobrevive por si mesmo, devemos ter noção disso. Precisamos passar por cada campo para corrigir gradualmente o centro do nosso saber, de modo que ele fique cada vez mais próximo da verdade. Lembremo-nos que as ciências nada mais são do que recortes do conhecimento pleno do real.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O intelectual deve manter o “ardor épico” de viajar pelas maravilhas do mundo do conhecimento. Homens geniais, grandiosos costumam ser universais – excelentes em um campo, competentes em outros. Organize os seus estudos, divida o tempo entre os diferentes assuntos e a sua ordem hierárquica de interesse. Em todos eles, vá direto ao &lt;b&gt;essencial&lt;/b&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;Assim como nenhuma área particular do conhecimento é auto-suficiente, também todas as áreas juntas não são auto-suficientes sem &lt;b&gt;a rainha do conhecimento, a filosofia&lt;/b&gt;, nem o todo do conhecimento humano sem a sabedoria que brota da própria ciência divina, a &lt;b&gt;teologia&lt;/b&gt;.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;Não é por menos que Sertillanges se diz “assustado” com a configuração moderna do conhecimento, na qual a filosofia se afasta das ciências, sendo estas julgadas como filosofias em si mesmas.&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;As ciências sem a filosofia descoroam-se e perdem sua direção. As ciências e a filosofia sem a teologia descoroam-se ainda mais lamentavelmente, já que repudiam uma coroa divina, e perdem-se ainda mais irremediavelmente, pois a terra sem o céu não pode encontrar o caminho de sua órbita, nem as influências que lhe dão frutos.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;Como diz &lt;strong&gt;Charles Dunan&lt;/strong&gt; em &lt;i&gt;Les Deux Idéalismes&lt;/i&gt;: “Para a filosofia moderna, os problemas transcendentais não existem. Mas o contrário é verdadeiro: se estes problemas existem, é a filosofia moderna que não existe.”&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A ordem do espírito deve corresponder à ordem das coisas. &lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;Portanto, existindo um Ser primeiro e uma Causa primeira, é lá que se completa e ilumina ultimamente o saber. Primeiramente como filósofo, por meio da razão, em seguida como teólogo, utilizando a luz que vem do alto, o homem de verdade deve centrar a sua investigação naquilo que é &lt;b&gt;ponto de partida&lt;/b&gt;, regra e fim a título primeiro, &lt;b&gt;naquilo que é tudo para tudo e para todos&lt;/b&gt;. &lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;Hoje, que universais, que transcendentais? Resta apenas o caos. Uma &lt;i&gt;summa&lt;/i&gt;, uma bíblia, uma arquitetura do saber não é mais possível. Cada homem que deseja conhecer deve construir “a sua &lt;i&gt;summa&lt;/i&gt; pessoal”, introduzir ordem ao conhecimento através dos &lt;b&gt;princípios&lt;/b&gt; que for descobrindo.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Recomenda Sertillanges que, para entender a ciência teológica, se estude a &lt;i&gt;Summa Theologica&lt;/i&gt; de &lt;strong&gt;São Tomás de Aquino&lt;/strong&gt;, tendo à mão o “Catecismo do Concílio de Trento”. Trata-se de um começo difícil, mas logo vem a recompensa. Recomenda também que se estude o latim, para facilitar a compreensão e o acesso a diferentes obras antigas. Deve-se aproveitar obras introdutórias ao pensamento tomista, e para isso Sertillanges indica o seu &lt;i&gt;Saint Thomas d’Aquin &lt;/i&gt;e a obra &lt;i&gt;Eléments de Philosophie&lt;/i&gt; de Jacques Maritain. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Um tutor receptivo e erudito seria uma ótima companhia nesta caminhada inicial, mas, ainda assim, Sertillanges propõe a solidão. O caminho é duro, sim, porém é totalmente trilhável, e a leitura de Tomás de Aquino será uma bela aula. Compare textos e pessagens, consulte compêndios e enciclopédias, escreva, organize e assente idéias.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;II – O tomismo, esquema ideal do conhecimento&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A necessidade de um “corpo diretivo” na percepção intelectiva do Universo. A perda desse sistema coerente, como já bem ressaltou Sertillanges, é um dos grandes males de nossa era.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A genialidade “não possui data”. As coisas eternas são coisas eternas. &lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;Em comparação da água barrenta que nos servem, ele é manancial límpido. Superadas as primeiras dificuldades da maneira de expor arcaica, S. Tomás tranquiliza o espírito, estabelece-o na claridade plena e oferece-lhe quadro maleável e forte para as ulteriores aquisições. O tomismo é síntese. Nem por isso é ciência completa; mas a ciência completa pode apoiar-se nele como num poder de coordenação e de sobrelevação por assim dizer milagroso.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;Como um sistema harmônico e sintético, o tomismo reconcilia sistemas adjacentes, indo ao encontro dos fatos. Supino na metafísica, na psicologia racional, na cosmologia, na ética, é como uma arca da salvação. Admite a falibilidade, é claro, pois não se perde na fé. “Tanto o conhecimento quanto a fé nele se convergem, porque tomou a sua posição entre eles como uma fortaleza no encontro de duas estradas.”&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;III – Nossa especialidade&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Quanto mais se sabe, melhor, mas &lt;strong&gt;a mente enciclopédica é uma inimiga do conhecimento&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;Conhecimento verdadeiro = &lt;i&gt;scientia &lt;/i&gt;= profundezas das causas&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;Como diz Sertillanges, “devemos sempre sacrificar a extensão pela penetração”. Se em capítulos anteriores, ele professa alguma abrangência, é mais como forma de “preparação mental”. Quando esta formação básica é atingida, então é hora de cavar fundo.&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;Vencer uma dificuldade é bom; é preciso; mas a vida intelectual não deve ser uma acrobacia permanente.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;Devemos &lt;b&gt;trabalhar com gosto&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;sempre&lt;/b&gt;, e não se trabalha com gosto naquilo que não lhe desperta a curiosidade fundamental. Ademais, a nossa entrada em muitas áreas diferentes acaba nos horizontalizando, relaxando o nosso ímpeto vertical, o nosso caminho à verdade superior. Há também a impossibilidade física, biológica, de poder abarcar tudo.&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;Querendo ser legião, se esquece de ser uma pessoa; tentando ser um gigante, se diminui a própria estatura como homem.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;IV – Os sacrifícios necessários&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Sertillanges é bem direto: tudo nos atrai, nos interessa, mas a morte nos espera. Devemos nos submeter e descansar contentes diante das coisas que o tempo e a sabedoria nos negam. &lt;strong&gt;Mostremos a nossa humildade, respeitemos as nossas limitações.&lt;/strong&gt; A virtude e a dignidade brotam desta postura. Meçamos a nós mesmos, meçamos as nossas tarefas. Não sejamos desertores de nós mesmos ao querermos substituir todos os outros.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;O homem semi-informado não é o homem que conhece só a metade das coisas, mas o homem que sabe das coisas somente pela metade.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;Cap. 6 – O ESPÍRITO DO TRABALHO&lt;/b&gt;    &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;   &lt;strong&gt;I – O ardor da investigação&lt;/strong&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Antes de tudo, o espírito da determinação deve estar presente, porque estabelece a &lt;b&gt;mente ativa&lt;/b&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;A mente é como uma criança cujos lábios nunca cessam em seus porquês. Nossas alma não envelhece, ela sempre cresce em relação à verdade ela é sempre uma criança.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;Indolência e preguiça são os grandes inimigos do conhecimento. Como exclamou certa vez Leonardo Da Vinci, “ó, Deus, tu vendes aos homens todas as coisas boas pelo preço do esforço”.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A mente é incrivelmente plástica – pode sempre voar mais alto. Nunca se entregue aos bons resultados e ao reconhecimento alheio. Prossiga, insista, avance em direção à densa verdade. Mantenha &lt;b&gt;o espírito do conquistador&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;o espírito do herói em sua odisséia&lt;/b&gt;. Seja cada vitória é como um ensaio para a próxima, e a derrota o seja apenas na morte.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;II – A concentração&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;Este espírito de zelo deve conciliar-se com a concentração recomendada por todos os homens de pensamento profundo. Nada mais funesto do que a dispersão. Difundir a luz é enfraquecê-la em proporções geometricamente crescentes. Pelo contrário, concentrando-a pela interposição duma lupa, o que era aquecido pela livre irradiação arde agora no foco onde o ardor se ateia.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;Deixe a sua mente virar uma&lt;strong&gt; lupa&lt;/strong&gt;. Não por acaso é este o símbolo da investigação, da busca. Concentre todos os seus poderes n’um só ponto. Cavar sempre o mesmo buraco nos leva cada vez mais fundo. O trabalho inspirado, a verdadeira criação, depende de poucos elementos fundamentais às suas configurações, basta que sejam bem dirigidos.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;III – A submissão à verdade&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Acima da disciplina do trabalho, &lt;b&gt;a disciplina da verdade&lt;/b&gt;. Toda descoberta é o resultado de simpatia entre o “Deus interior” e o “Deus universal”,&lt;strong&gt; uma mente humilde para um universo ativo&lt;/strong&gt;. Segundo Sertillanges, nossa inspiração utiliza mais o nosso inconsciente do que a nossa iniciativa. Com o intuito de descobrir a verdade, não olhamos &lt;i&gt;para&lt;/i&gt; a nossas mente, mas &lt;i&gt;através&lt;/i&gt; dela. Não façamos como os filósofos modernos, &lt;strong&gt;não confundamos os meios com os fins&lt;/strong&gt;. Nossa simpatia com a verdade deve ser como um permanente “êxtase pensante”, afinal &lt;strong&gt;só a verdade existe, só o ser &lt;i&gt;é&lt;/i&gt;&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Não pensemos de onde é que vem a idéia, mas qual a essência dela. Não importa se Platão, se Aristóteles, se Leibniz... &lt;strong&gt;só a verdade é que importa&lt;/strong&gt;. Treinemos nossas mentes a esse respeito.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;IV – Ampliando a percepção&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Por mais restrito que seja o seu momento de concentração, tanto o sujeito quanto o objeto tendem para o universal. Há uma síntese entre o abrangente e o detalhismo (perda de senso de unidade) que devemos encontrar. Ao mantermos o estado de meditação, coadunando pensamento e sentimento, erguemos nossa mente ao alto. E Sertillanges dá um conselho muito importante, principalmente nos tempos de hoje:&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;Fuja das mentes que não podem nunca se elevar acima de suas regras acadêmicas, que são escravas de seu trabalho ao invés de fazê-lo na plenitude da luz.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;V – O sentido do mistério&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mesmo quando a verdade nos der um belo sorriso, nosso sentido de mistério e perplexão deve permanecer.&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Os que pensam que entendem tudo provam por isso mesmo que não captaram nada.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;Toda resposta é provisória, toda pergunta a Deus só Deus pode responder. Como diz&lt;strong&gt; Claude Bernard&lt;/strong&gt;, “para entender uma única coisa completamente, teríamos que entender todas as coisas”. &lt;strong&gt;São Tomás&lt;/strong&gt; ao fim de sua vida chegou a declarar, em um famoso epísodio, que não podia mais escrever, afirmando: “tudo o que escrevi me parece palha perto do que vi”.&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;Não alimentemos a presunção de desejar que chegue depressa este elevado desespero; ele é uma recompensa, é o segredo precursor do grande grito que faz vibrar a alma inundada de luz.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;A luz lá no fundo nos estimula para prosseguirmos. A luz que projeta as figuras na caverna nos incita a nos libertarmos das correntes e vermos o sol em sua plenitude. O mistério é essa luz que aos nossos olhos sempre redunda em sombras.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;No próximo post, seguiremos o resumo sistemático deste importante livro.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4388487925984704521-4060017642348583932?l=lectionesphilosophica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lectionesphilosophica.blogspot.com/feeds/4060017642348583932/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lectionesphilosophica.blogspot.com/2009/10/vida-intelectual-por-sertillanges-iii.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4388487925984704521/posts/default/4060017642348583932'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4388487925984704521/posts/default/4060017642348583932'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lectionesphilosophica.blogspot.com/2009/10/vida-intelectual-por-sertillanges-iii.html' title='A Vida Intelectual, por Sertillanges - III'/><author><name>Renan Santos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17608988790611781498</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0J-_pgCSqgo/Sqb-vuFgw9I/AAAAAAAAAH0/EdqQlSSqhS0/S220/renan2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4388487925984704521.post-2808221924245693189</id><published>2009-10-15T08:43:00.001-07:00</published><updated>2009-10-15T08:53:15.354-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='estudos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='filosofia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='catolicismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cristianismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='tomás de aquino'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='vida intelectual'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sertillanges'/><title type='text'>A Vida Intelectual, por Sertillanges - II</title><content type='html'>&lt;p&gt;Sigamos o resumo sistemático desta magnífica obra.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;Cap. 3 – A ORGANIZAÇÃO DA VIDA&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;I – Simplificar&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Organize sua vida material, não sobrecarregue uma caminhada que já é por si só tão difícil. &lt;b&gt;Simplifique a sua vida&lt;/b&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;A vida mundana é fatal para o estudo. A ostentação e a dissipação da mente são inimigos mortais do pensamento.&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Obedeça a si mesmo, não aos meros costumes. A vocação não se dá sem a concentração. Seus gastos e sua atenção seriam muito melhor aproveitados na coleção de uma biblioteca particular, numa viagem instrutiva ou em feriados para se descansar, ouvir música, etc.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Em seguida, Sertillanges discorre sobre o importante papel que tem a &lt;b&gt;esposa&lt;/b&gt; de um intelectual nestes cuidados – em um trecho que provavelmente arrepiaria os cabelos das “mulheres modernas”. A mulher, segundo ele, deve colaborar, evitando levar o marido às trivialidades que não possuam conexão com as aspirações intelectuais. Ela deve ter &lt;b&gt;compreensão&lt;/b&gt;, acima de tudo.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;Depois do esforço do trabalho, o homem é como que um soldado ferido; precisa ser cercado de carinho e quietude (...) Seja como uma mãe para ele. Isso lhe dará novas forças e o manterá vivo para novas batalhas.&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Sobre as crianças, diz Sertillanges que elas de fato tomam muito do nosso tempo, especialmente quando pequenas, por outro lado, elas é que são capazes de elevar a nossa inspiração com a sua alegria e sua inocência, defendendo-nos do “reino do abstrato”. Elas são a imagem do futuro e um motivo de esperança.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;II – Solidão&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A solidão é importantíssima, como &lt;b&gt;São Tomás de Aquino&lt;/b&gt; já destacava:&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;Mostra-te amável para com todos [mas] não sejais muito familiar com ninguém, porque a demasiada familiaridade gera o desprezo e dá matéria a muitas distrações.&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A &lt;b&gt;célula monástica&lt;/b&gt; é como um símbolo desta postura. Todas as grandes obras da humanidade foram preparadas no deserto, incluindo a Redenção do mundo. O próprio &lt;i&gt;fiat lux&lt;/i&gt; divino surgiu de um imenso e solene vazio. Afirma Sertillanges:&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;O retiro é o laboratório do espírito. A solidão interior e o silêncio são as suas duas asas.&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Na multidão, o homem perde a sua identidade. &lt;b&gt;Tomás de Kempis&lt;/b&gt; dizia em sua &lt;i&gt;Imitation&lt;/i&gt;: &lt;b&gt;“I have never hone amongst men without coming back less a man”&lt;/b&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;“Como te chamas?” “Legião” – eis a resposta do espírito disperso e dissipado na vida exterior.&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Como sempre, os excessos são prejudiciais. Quem se une a Deus mas não aos seus irmãos é um &lt;b&gt;mentiroso&lt;/b&gt;, um &lt;b&gt;falso místico&lt;/b&gt;, um &lt;b&gt;falso pensador&lt;/b&gt;. Quem se une aos homens e à natureza sem estar unido com Deus – sem amar o silêncio e a solidão – é somente um &lt;b&gt;sujeito do mundo&lt;/b&gt;, de um “reino de morte”.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Sertillanges reitera: ao decidirmos procurar a Verdade, fizemos uma escolha muito importante; devemos ser fiéis a ela e a nós mesmos.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;III – A cooperação com seus iguais&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Recomenda ele que se busque a associação de mentes, coisa tão difícil nesta era de individualismo e anarquia social. Se as antigas oficinas e guildas eram uma reunião de amigos, uma família, hoje as associações são como uma masmorra, uma reunião estritamente formal.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Ter a força para a empreitada agindo sozinho é duríssimo. Começa-se com entusiasmo, e então, assim que alguma dificuldade surge, o demônio da preguiça sussura ao ouvido.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Contar com o apoio de outros que trilhem o mesmo caminho, seguir os bons exemplos, manter a troca de idéias, são sempre atitudes eficazes.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;A amizade é uma arte obstétrica; utiliza nossos mais ricos e profundos recursos; abre as asas de nossos sonhos e obscuros pensamentos; ela serve como fiscal de nossos julgamentos, testa nossas novas idéias, mantém o nosso ardor e inflama o nosso entusiasmo.&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A amizade, como já ensinava Aristóteles, é a &lt;b&gt;união de espírito&lt;/b&gt;.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;IV – O cultivo de contatos necessários&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Como já dito, &lt;b&gt;solidão não significa negligência de responsabilidades&lt;/b&gt;. Certos contatos são necessários, parte de nossa vida.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;Faça o que deve e o que for preciso; se a sua humanidade exigir, as diferentes demandas que ela fizer irão encontrar seu próprio equilíbrio. &lt;b&gt;O Bem, que é irmão da Verdade, ajudará a sua irmã&lt;/b&gt;.&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Devemos nos mover na riqueza para contemplá-la, não nos afastarmos dela. Solidão demais empobrece a vida. Mesmo um escritor prolífico não deve se trancafiar, ora, nem os monges se trancafiam. O homem muito isolado se cria tímido, abstraído, até um pouco excêntrico. Ele olha para as pessoas como se elas fossem uma proposição a entrar num silogismo, ou um exemplo para ser anotado num bloco de notas.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Por outro lado, referindo-se mais uma vez à mulher do intelectual, diz Sertillanges que a ela &lt;b&gt;não deve abrir a porta da casa para qualquer um&lt;/b&gt;. Deve-se estimar a presença dos sábios, não dos “espertos”, dos “gênios”. O casal deve buscar se afastar da frivolidade e da vaidade. Mesmo os tolos têm lá o seu papel, mas não é preciso sair à procura deles, pois que existem aos montes por aí.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Por fim, devemos ser moderados nas conversas:&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;O valor de uma alma se mede pela abundância do que ela não expressa.&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;V – Conservar a dose necessária de ação&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Como dito acima, encontrar o equilíbrio correto entre a vida interior e a vida externa, entre o silêncio e o som, porque &lt;b&gt;“o pensamento e a ação têm o mesmo pai”&lt;/b&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O homem que concentra todos os seus poderes no pensamento perde facilmente o seu equilíbrio. Uma diversão é indispensável para a vida mental; precisamos do efeito tranqüilizador da ação.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;blockquote&gt;À força de cultivar o silêncio, corre-se o risco de chegar ao silêncio de morte.&lt;/blockquote&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Não só de livros devemos nos alimentar, mas também de fatos concretos. Para Sertillanges, as idéias estão nos fatos, e não vivem por si em uma realidade separada, como pensava Platão. As idéias estão plantadas no solo do real, bem mostrou Aristóteles. Quanta experiências a vida nos oferece todos os dias? Um profundo pensador tira proveito delas.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A idéia em nós desprovida de seus fantasmas (designação escolástica-aristotélica para os resíduos do real deixados em nossa imaginação e que servem de insumo para nossas abstrações) é só um conceito vazio. Onde tivermos mais fantasmas, mais completo e vigoroso será o pensamento.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;Recortes da vida + idéias abstratas = idéias concretas&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Se você ainda não se vê tomado de exigências intelectuais, busque por causas que o inspirem, que valham a pena. Busque a luz, a reabilitação, a preservação, o progresso, o bem público, enfim. Que as suas causas não demandem toda a sua vida, mas pelo menos &lt;b&gt;todo o seu sujeito&lt;/b&gt;, e o “paraíso que se abrirá para você será ainda mais amável, porque você terá provado tanto os tesouros quanto os perigos e os caminhos sinuosos da terra”.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;VI – A preservação do silêncio interior&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O espírito do silêncio deve invadir toda a vida. O &lt;b&gt;estado&lt;/b&gt; da solidão é a mãe dos resultados; não a solidão em si. Tanto é que Sertillanges, bem diz, pode conceber uma vida intelectual baseada em &lt;b&gt;duas horas por dia de estudos&lt;/b&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;De todo modo, devemos ser &lt;b&gt;integralmente intelectuais&lt;/b&gt;, o tempo todo, nos submeter sempre à verdade, à Deus. Assim, nos &lt;b&gt;elevaremos&lt;/b&gt; acima das coisas ao invés de nos afastarmos delas.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;Cap. 4 – O TEMPO DE TRABALHO&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;I – O trabalho permanente&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Conforme Sertillange,s o Evangelho nos diz que a oração deve ser ininterrupta.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;b&gt;A oração é a expressão de desejo&lt;/b&gt;, seu valor vem de nossas &lt;b&gt;aspirações interiores&lt;/b&gt; (...) Remova o desejo, a oração termina, altere-o, a oração se modifica, aumente ou diminua sua intensidade, a oração se eleva ou perde suas asas.&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mesmo que não expressemos os nossos desejos, &lt;b&gt;o puro desejo garante a verdade da oração.&lt;/b&gt; Para Sertillanges, o orar é como um &lt;b&gt;querer mais&lt;/b&gt;, uma vontade de poder transcendente do espírito, o desejar de coisas eternas (aquilo que Nietzsche chamava de &lt;i&gt;mehrwollen&lt;/i&gt;). Ora, o estudo, em seu desejo pelo conhecimento, é como uma oração ativa.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;Se os mais dos homens se deixam prender por desejos errôneos, o pensador é obsidiado pelo desejo de saber; porque o não utilizará, aproveitando-o como se aproveita um curso de água para mover uma turbina?&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Diz São Tomás: “Empenha-te em encerrar no cofre do espírito tudo quanto puderes, como quem pretende encher um vaso”.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mantenha o seu &lt;b&gt;espírito alerta&lt;/b&gt;. &lt;b&gt;A verdade está em todas as partes&lt;/b&gt;, nas ruas, nas conversas, nos teatros, nas idéias, nas visitas, nas andanças, nos livros mais comuns. Toda contemplação permite uma reflexão mínima, “toda captação de luz pode levar ao sol; toda estrada aberta é um corredor para Deus”.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Como disse &lt;b&gt;Lamennais &lt;/b&gt;em Saint-Malo,&lt;b&gt; &lt;/b&gt;diante do mar durante uma tempestade, “todo mundo enxerga o que eu estou enxergando, mas ninguém vê o que eu vejo”.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;Aprenda a ver.&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;Um pensador é como um filtro, no qual as verdades quando por ele passam deixam a sua melhor substância.&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;Aprenda a ouvir.&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;b&gt;Um peão em certos momentos é mais sábio do que um filósofo&lt;/b&gt;. [ou como disse o grande São Tomás de Aquino: uma velhinha com fé, de certa forma, sabe mais do que Aristóteles]&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O pensador mantém durante toda a sua vida a curiosidade da infância, retém a sua vivacidade de impressão, a sua tendência em ver tudo sob um &lt;b&gt;aspecto de mistério&lt;/b&gt;. O pensador se impressiona com o mundo e o admira para todo o sempre.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Sobre os grandes gênios, Sertillanges ressalta que eles não o são considerados até depois de sua morte. A maioria das pessoas não os reconhece, não os vê, não os ouve. O gênio está à frente de seu tempo, essa é propriamente a sua definição.&lt;/p&gt;    &lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;As grandes descobertas são só reflexões sobre fatos comuns a todos. (...) &lt;b&gt;O que é o conhecimento, senão a cura lenta e gradual de nossa cegueira?&lt;/b&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Sertillanges reprova o dualismo espiritual, q ue divide o homem entre a alma esforçada e focada e a alma indolente do cotidiano (um erro que domina o famoso livro da década de 30 de Dorothe Brande sobre como viver a vida de escritor). Não há necessidade alguma de tensão dentro de nossas almas. O que se deve fazer é pôr um controle no imenso recurso da mente. Não há esse desgaste mental que as pessoas imaginam; há um trabalho imprevisível por parte do cérebro – as idéias “pipocam”, qualquer um pode experimentar isso.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;II – O trabalho noturno&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;Père Gratry&lt;/b&gt; nos diz que não devíamos excluir de nossos estudos as horas de letargia e escuridão. Dormir é relaxar uma tensão, é entregar-se à natureza por um momento, como um pequeno abandono do livre-arbítrio individual e uma disposição total ao jogo das forças cósmicas, que permite uma &lt;b&gt;reconfiguração interna em nossas almas.&lt;/b&gt; Tirar proveito deste processo é um ótimo recurso para o pensador. Não podemos ser como corujas; lembremo-nos que respeitar e cuidar do corpo é um dos fundamentos da saudável vida intelectual. O sono não é um problema nem um princípio, ele serve ao corpo e à alma.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Idéias novas, caminhos inéditos, todos podem despertar de manhã junto com você. Sertillanges recomenda que se tenha sempre à mão um bloco ou caderno. Faça uma anotação sem ter acordado completamente, se possível, sem mesmo ligar a luz, e então volte para as sombras. Descreva este distinto universo da semi-consciência.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Todo pensador passa por estes surpreendentes e muitas vezes miraculosos momentos de “lucidez matutina”. Muitos tratados, invenções e resoluções vieram destes momentos.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;Anote sempre&lt;/b&gt;. Escreva enquanto a idéia estiver viva, não adicione nada por sua conta. Escreva do jeito que ela vier, não se preocupe com o estilo e a retórica – embora um estilo precioso possa aparecer involuntariamente. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Desta forma, você tira proveito das vinte e quatro horas do seu dia, garante Sertillanges. Lembremos que o sono age sobre o material já existente; ele não cria nada por si. Assim como o trabalho gentil e regular pode trazer harmonia ao dia, o trabalho inconsciente da noite pode trazer paz e manter as imaginações vagando em nossa mente. Como diz Sertillanges, &lt;b&gt;“a noite dá conselhos. O descanso não é a morte; é a vida, e toda vida rende frutos”&lt;/b&gt;.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;III – As manhãs e os serões&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;A manhã é sagrada&lt;/b&gt;, diz Sertillanges. Nossa alma, renovada, vislumbra o seu futuro. É o momento de confirmar nossas vocação como homem e como intelectual.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Acordar de manhã deve ser como emergir das horas profundas de inconsciência, renovado e passando os olhos pelo horizonte da vida. Deveríamos ouvir a nossa própria voz, que possui grande poder de auto-sugestão. Não negligenciar este “escravo” – ele é você, e “a sua própria voz chega com a estranha dominação de quem é ao mesmo tempo igual e diferente”.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;Père Gratry&lt;/b&gt; sugere ao intelectual cristão a oração Prima pela manhã e a Completa à noite. São orações “completas e doces” segundo Sertillanges, onde está toda a verdadeira natureza e vida. Recomenda o “pai nosso” para pedir o pão e a comida para alimentar a inteligência, e a Ave Maria dirigida à “Mulher vestida com o sol, vitoriosa sobre o erro e sobre o mal”.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;Preconizamos o &lt;i&gt;espírito de oração&lt;/i&gt;: onde poderá ele nutrir-se melhor do que nas contemplações matinais, quando o espírito repousado, ainda não preso pelas preocupações do dia, levado, erguido nas asas da oração, sobe facilmente aos mananciais da verdade que o estudo dificilmente capta?&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Tenha &lt;b&gt;fé, vigor d’alma e coragem&lt;/b&gt; logo de manhã, diz Sertillanges, e o resto do seu dia será tomado pelo brilho de tal postura. Ao cair da noite, antes da luz se extingüir, haverá a esperança, como a esperança que temos antes da última hora do Ano Novo.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A noite é muito desperdiçada, muito pouco aproveitada. Os homens comuns, trabalhadores, utilizam-na para “relaxar” para o sono. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;Sim, relaxados como o violino cujas cordas se tivessem distendido totalmente. Que trabalhos no dia seguinte, para tornar a afiná-las!&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Para o intelectual, sua noite deve ser um momento de quietude, sua ceia uma leve refeição, sua diversão a simples tarefa de ajustar o trabalho do dia e preparar o de amanhã. Não se encontra descanso na dispersão de energia. Há na noite bem aproveitada um verdadeiro duplo descanso – espiritual e físico. Interessante notar como algumas pessoas no sono inconscientemente assumem a posição fetal; isto é um símbolo do sono como um retorno às nossas origens!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;IV – Os momentos de plenitude&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Tratemos aqui do trabalho intelectual em si mesmo. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;Estude&lt;/b&gt;, diz Sertillanges, pondere sobre sua vida. Quais as melhores horas? Qual o melhor turno? Se dispuser de poucas horas e puder situá-las livremente, &lt;b&gt;dê preferência à manhã&lt;/b&gt;, mas isso pode variar de acordo com cada um. Ao escolher o horário de estudo, &lt;b&gt;planeje-se&lt;/b&gt;. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;Será preciso tudo prever para que nada venha obstruir, dissipar, reduzir ou enfraquecer tão preciosa duração. Se quiser que seja uma hora de plenitude, comece por excluir as preparações longínquas; tome todas as disposições úteis; saiba o que quer fazer e a maneira de o fazer; junte os materiais, as notas, os livros; &lt;b&gt;não se incomode com ninharias&lt;/b&gt;.&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Levante-se pontualmente e imediatamente, tome um café da manhã leve, evite conversações fúteis, ligações inúteis, limite a sua correspondência para o que for estritamente necessário, &lt;b&gt;esqueça os jornais&lt;/b&gt;. Todas estas recomendações servem para as horas mais intensas de estudo. O grande objetivo é utilizar o tempo a seu máximo valor. Além disso, o semi-trabalho não é bom nem para o descanso e nem para o próprio trabalho. Devemos ter energia, ser insistentes.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;Faça alguma coisa ou não faça nada. O que decidir fazer, faça ardentemente; faça-o com afinco, de modo que toda a sua atividade seja uma série de vigorosos novos começos.&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Renovemos o que Sertillanges chamou de “o espírito de oração”, mantendo-nos no &lt;b&gt;estado da eternidade&lt;/b&gt;, mente e coração obedecendo sempre à verdade, admirando-a com a plenitude da alma, ouvindo a harmonia da natureza, como Cipião em seu sonho contado por Cícero. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Você deve assegurar-se de que não será perturbado nas suas horas sagradas. A segurança leva à intensidade e à produção intelectual. Como diz Sertillanges, mantenhamos “um &lt;i&gt;cerberus&lt;/i&gt; na porta”, pois “cada demanda de você vinda de fora é uma perda de energia interna e pode custar à sua mente alguma preciosa descoberta”. Como disse &lt;b&gt;Emerson&lt;/b&gt; em seus &lt;i&gt;Poems&lt;/i&gt;: “when half-gods go, the gods arrive”.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A solidão não precisa ser física, ressalta. Um outro intelectual fazendo-lhe companhia é até um reforço, emulando a atmosfera das bibliotecas na busca pela verdade. De todo modo, quando conseguir a solidão das inutilidades do mundo, defenda-a a todo custo. &lt;b&gt;Você é um servo da verdade, e não do mundo&lt;/b&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt; .&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;No próximo post, exporemos os capítulos de Sertillanges sobre o escopo, o espírito e a preparação do trabalho intelectual.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4388487925984704521-2808221924245693189?l=lectionesphilosophica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lectionesphilosophica.blogspot.com/feeds/2808221924245693189/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lectionesphilosophica.blogspot.com/2009/10/vida-intelectual-por-sertillanges-ii.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4388487925984704521/posts/default/2808221924245693189'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4388487925984704521/posts/default/2808221924245693189'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lectionesphilosophica.blogspot.com/2009/10/vida-intelectual-por-sertillanges-ii.html' title='A Vida Intelectual, por Sertillanges - II'/><author><name>Renan Santos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17608988790611781498</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0J-_pgCSqgo/Sqb-vuFgw9I/AAAAAAAAAH0/EdqQlSSqhS0/S220/renan2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4388487925984704521.post-9140690400409311462</id><published>2009-10-11T17:29:00.001-07:00</published><updated>2009-10-11T18:21:17.905-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='estudos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='filosofia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='catolicismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cristianismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='tomás de aquino'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='vida intelectual'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sertillanges'/><title type='text'>A Vida Intelectual, por Sertillanges - I</title><content type='html'>&lt;p&gt;Lembro aos confrades que esta é uma obra eminentemente católica, dotada de um espírito religioso e temente a Deus. Eu mesmo não sou cristão, tampouco católico (em razão d’algumas divergências antropológicas que procuro resolver), mas admiro e glorifico o seu respeito à verdade, a sua filosofia, a sua postura e as suas realizações – como quem admira o seu melhor amigo, embora tenha ressalvas a lhe fazer. Portanto, aviso, desde já, que não suprimi os trechos contendo concepções claramente católicas, pois o meu objetivo aqui não é agradar nem desagradar a B ou a C, que dirá ser contrário à simbologia e à apologia cristã, já que a atesto plenamente na medida em que se apresenta como um belíssimo louvor à verdade. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Construí este blog com o intuito de divulgar tudo o que exprima as grandes verdades filosóficas, e vocês verão no próprio resumo abaixo que esta é uma postura plenamente de acordo com a vida intelectual responsável, o que com toda sinceridade busco seguir. Dito isto, às pessoas que se sintam de alguma forma ofendidas por considerarem que a vida intelectual deva prescindir de qualquer analogia com a filosofia católica ou com verdades de fé em geral, recomendo somente que estudem. Aliás, um ótimo começo seria a obra universal e magnífica que intitula este post.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Assim, prossigamos.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Baseei este resumo na edição inglesa &lt;em&gt;&lt;a href="http://books.google.com.br/books?id=WSrK6QyNVhoC&amp;amp;printsec=frontcover&amp;amp;dq=the+intellectual+life+sertillange#v=onepage&amp;amp;q=&amp;amp;f=false"&gt;The Intellectual Life&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;, que contém uma introdução pelo padre James Schall. N’algumas citações eu lanço mão da &lt;a href="http://www.4shared.com/file/18356497/8d0fe8b8/A_vida_intelectual_-_A_D_Sertillanges.html"&gt;versão em português&lt;/a&gt; que se encontra na internet, mas não a recomendo especialmente, pois ela contém diversos erros de tradução, além da inexplicável supressão de algumas partes importantes da obra original.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A introdução do padre James Schall nesta edição inglesa cita um dos tantos ditos sapientíssimos de &lt;b&gt;Chesterton&lt;/b&gt;: &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;“não há assuntos desinteressantes, somente pessoas desinteressadas”&lt;/span&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Alerta-nos ainda que não devemos esquecer jamais o fato de que uma vida intelectual também pode ser uma vida perigosa. &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Agostinho&lt;/span&gt; já nos ensinava que o mais corrupto dos vícios provém não da carne mas do &lt;b&gt;espírito&lt;/b&gt;.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;O prefácio de Sertillanges&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Segundo Sertillanges, quando o intelectual pensa corretamente, &lt;strong&gt;segue Deus passo a passo&lt;/strong&gt;, mesmo que inconscientemente; ele não segue sua própria fantasia. Nada do que é pensado pela mente se encontra fora do real (recomendo ler meus posts sobre o &lt;a href="http://lectionesphilosophica.blogspot.com/2009/09/o-argumento-ontologico-e-as-provas-de.html"&gt;argumento ontológico&lt;/a&gt;). &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Todo trabalho intelectual começa por um momento de &lt;b&gt;êxtase&lt;/b&gt;. Só depois, num segundo momento, é que a construção de idéias entra em cena. Possuimos como que duas memórias: a memória “fechada”, do dia-a-dia, e a memória “descobridora”, da inspiração.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;Sertillanges sobre a auto-descoberta.&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Escutar a si mesmo envolve a mesma dificuldade de se escutar a Deus. O pensamento criativo, nosso verdadeiro &lt;i&gt;self&lt;/i&gt;, só nos é revelado no silêncio d’alma, ou seja, na exclusão de pensamentos tolos que levem à indulgência, à distração pueril. No afastamento das sugestões que nossas paixões desordenadas vivem murmurando, nossas escolhas práticas e sociais também passam pelo momento de êxtase, longe do &lt;i&gt;self&lt;/i&gt; ambicioso e passional. Acima de tudo, &lt;b&gt;devemos nos submeter à verdade e ao seu veredito&lt;/b&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Os grandes homens não têm medo do que falam a respeito deles, pois, mesmo na solidão, sentem não estarem sozinhos. &lt;b&gt;Esta é verdadeira humildade&lt;/b&gt;.&lt;b&gt; &lt;/b&gt;Devemos nos regozijar no que nos foi dado, não no que está além de nosso poder.&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;Quando o mundo não gosta de você, ele se vinga de você; se acontece dele gostar de você, ainda assim ele se vinga, o corrompendo. O único recurso é trabalhar distante do mundo, tão indiferente de seus julgamentos quanto pronto para lhes servir”. (é melhor talvez que ele o rejeite)&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;Diante da superioridade dos outros, só há uma atitude honorável: ter orgulho. &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Nietzsche&lt;/span&gt; é quem dizia: “nunca ignore, nunca se recuse a enxergar o que pode ser pensado contra o seu próprio pensamento”. Ora, como ser duro consigo mesmo, tão favorável à auto-perfeição, sem um amor incondicional pela verdade, sem &lt;b&gt;a devoção à verdade&lt;/b&gt;?&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Sobre a investigação exageradamente abrangente, diz Sertillanges (e ele ainda retomará o assunto lá adiante):&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;A estrela à qual se olha por muito tempo e muito intensamente pode, por isso mesmo, cintilar cada vez mais hesitantemente até que desapareça do céu.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;Sobre evitar a leitura rápida e o mergulho precoce num tema:&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;Mesmo ao custo do sofrer, a criação é um prazer; e, além da criação, a veneração de uma idéia assim que ela vier.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;A razão não pode fazer tudo. Seu último passo é reconhecer suas limitações (Pascal). &lt;b&gt;Se a razão ambiciona o mundo, a fé dá a ela a infinitude.&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;No seu prólogo, informa-nos Sertillanges, como um bom neo-tomista, que a base para sua obra é a famosa carta &lt;i&gt;&lt;a href="http://www.hottopos.com/mp3/de_modo_studendi.htm"&gt;De Modo Studendi&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;, d’autoria de São Tomás de Aquino, que expõe breves e sólidos conselhos para a vida de estudos.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt; &lt;/p&gt; .&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;CAP. 1 – A VOCAÇÃO INTELECTUAL&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;I – O intelectual é um consagrado&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A Vocação é diferente da simples leitura e expressão. A Vocação equivale a penetrar, a manter um esforço metódico, a buscar atingir a plenitude do desenvolvimento intelectual. A vida intelectual é muito recompensatória, mas exige um esforço inicial do qual poucos são capazes. O intelectual é como um &lt;b&gt;atleta da mente&lt;/b&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;A verdade só serve aos seus escravos&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;Confie sim no seu gosto pessoal, ressalta Sertillanges, pois o nosso perfil caracteriza e revela nossa Vocação. Toda vida de um homem individual está simbolizada em um momento característico da vida de Cristo.&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;Não prove infidelidade a Deus, ao seus irmãos e a si mesmo ao recusar um chamado sagrado.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;Não entre na vida intelectual por ambição ou vaidade&lt;/b&gt;. A ambição ofende a verdade eterna ao subordiná-la a si.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas para aceitar o fim você também deve aceitar os meios. &lt;strong&gt;Querer possuir um bem sem pagar por ele é o desejo universal!&lt;/strong&gt; (dos covardes e fracos) Quantos jovens com a pretensão de se tornarem trabalhadores não desperdiçam miseravelmente seu tempo, seu vigor, seu ideal! Ou não trabalham (não têm tempo!) ou trabalham mal, sem jamais saber para onde estão indo ou querem ir.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Só que o &lt;b&gt;gênio&lt;/b&gt; é fruto de uma paciência organizada e inteligente. O gênio é a conjugação entre o ascetismo especial e a virtude heróica de cada dia, uma síntese que resulta no que Sertillanges chama de “solidão apaixonada”.&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;Se consentirem a esta dupla oferta, digo-lhes em nome de Deus da verdade para não perderem a coragem. (...) A liberdade apresenta armadilhas que as rigorosas obrigações podem nos ajudar a evitar.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;O que é o amor pela sabedoria? &lt;b&gt;Santo Tomás de Aquino&lt;/b&gt;, ao vislumbrar de longe a belíssima cidade de Paris, disse ao seu companheiro: “irmão, eu daria tudo aquilo pelo comentário de Crisóstomo sobre São Mateus”.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Sertillanges pergunta ao leitor jovem: &lt;strong&gt;você tem duas horas por dia, e pode abdicar delas e sofrer para aproveitá-las? Se sim, tenha fé. Se não, descanse na quietude da certeza&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Aprenda a utilizar este precioso tempo. Mergulhe todo dia da sua vida na fonte que sacia e renova sua sede. Vale um sacrifício extra, vale por ter a capacidade e a missão de levar mais homens à verdade. Sertillanges nos diz que, seguindo este curso, um dia teremos espaço entre as nobres mentes.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;II – O intelectual não permanece sozinho&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Não importa o quão sozinho ele esteja materialmente, não deve ceder ao encanto do individualismo. O isolamento esteriliza e paraliza. &lt;b&gt;Ao ser só uma alma, se deixa de ser um homem&lt;/b&gt;. Trabalhar o humano é trabalhar para o homem, para suas necessidades.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Um cristão ativo, ressalta Sertillanges, deve viver constantemente no universal, na história.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Toda verdade é prática; a mais aparentemente abstrata, a mais enclausurada, é também prática. Toda verdade é vida, direção, um caminho levando ao fim do homem. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Disse Jesus Cristo: “Sou o caminho, a verdade, a vida.” Somos parte de Jesus, seu legado em palavra.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-weight: bold;"&gt;III – O Intelectual pertence ao seu tempo&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Deus nos colocou em um determinado lugar e tempo. &lt;b&gt;O nosso espírito deve ser insistente e corajoso, mas sem o mero diletantismo. &lt;/b&gt;Evitar o amor pelo passado, que não reconheça a presença de Deus. Ora, Deus não envelhece, todas as eras lhe pertencem. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Em especial sobre o séc. XX, diz Sertillanges (a 1ª edição do livro é da década de 30):&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Estamos em um trem disparando à frente na velocidade máxima, sem sinalizações visíveis. O planeta não sabe para onde está indo.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt; &lt;/p&gt;.&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;Cap. 2 – AS VIRTUDES DO INTELECTUAL CATÓLICO&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;I – As virtudes comuns&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Não basta a inteligência, pra começo de conversa. É preciso estar em harmonia com seus princípios de caráter moral.&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;Não se confia em vendedores de jóias que vendam pérolas e que não usem nenhuma.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;Toda força isolada em um todo equilibrado torna-se vítima de seus arredores. &lt;b&gt;A vida é uma unidade&lt;/b&gt;. Como imagens de Deus, que é trinitário, somos ser, razão e amor.&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;Diga-me o que você ama, eu lhe direi o que você é.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;A verdade visita aqueles que a amam &lt;b&gt;virtuosamente&lt;/b&gt;. Por isso o homem de gênio intelectual que é mais completo em si mesmo já é um homem virtuoso. Num vislumbre de socratismo, diz Sertillanges que as raízes da verdade e da bondade estão no mesmo solo, se comunicam. &lt;b&gt;Ao praticar a verdade conhecida, damos valor à verdade ainda desconhecida. &lt;/b&gt;Santo Tomás de Aquino é quem disse:&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;A virtude chamada verdade é uma certa verdade pela qual um homem em palavra e em ato mostra a si mesmo como ele é.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Não pensamos somente com a inteligência.&lt;/strong&gt; O corpo também precisa estar bem cuidado, não devemos negligenciá-lo. Se Platão já afirmava que “pensamos com toda nossa alma”, Sertillanges diz que “pensamos com todo o nosso ser”. Assim, também devem as &lt;b&gt;virtudes morais &lt;/b&gt;ser exercitadas. Controlar nossas paixões é despertar em nós mesmos o sentido do universal. &lt;strong&gt;A pureza da alma leva à pureza do pensamento.&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;A moral está atada à verdade.&lt;/strong&gt; Participar do universal é participar do Espírito Santo e ser levado até a Verdade.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;II – A virtude apropriada ao intelectual&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;Ser estudioso. &lt;/b&gt;Como diria Aristóteles, a virtude é o que se encontra no meio-termo entre dois extremos. Logo, entre a negligência e a vã curiosidade, há a &lt;b&gt;estudiosidade&lt;/b&gt;. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O homem que entrega seu conhecimento à ambição deixa de ser um intelectual. Ele não deve deixar de cumprir com seus bons atos face à atividade intelectual, &lt;b&gt;de outro modo, abalaria um próprio fundamento da verdade: a virtude&lt;/b&gt;. Já o homem que sacrifica os seus estudos a todas as atividades do dia-a-dia é só um &lt;b&gt;diletante&lt;/b&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Dizia São Tomás em sua &lt;i&gt;De Modu Studendi&lt;/i&gt;:&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;&lt;i&gt;Altiora te ne quae sieris&lt;/i&gt;(não busque o que está alem do seu alcance)(...) &lt;i&gt;Volo ut per rivolus, non statim, in mare eligas introire &lt;/i&gt;(quero que você decida ir ao mar pelas correntes, não diretamente a ele)&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Sabemos que a natureza busca exceder os seus poderes, aperfeiçoar-se, e que o homem é quem nela mais aspira à perfeição. Mas não tenha pressa. Comece pelo começo, sem pular etapas.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;III – O espírito de oração&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;&lt;i&gt;Oratione vacare non desinas&lt;/i&gt; (nunca desista de orar)&lt;br /&gt;— São Tomás de Aquino &lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;Todo estudo é um estudo da eternidade.&lt;br /&gt;— Van Helmont &lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A ciência é o conhecimento das causas, dos elos. Por debaixo desta atividade, está a Verdade Suprema. Uma verdade particular é só um símbolo, um símbolo real, um “sacramento do absoluto”. O real é uma manifestação de Deus porque criado por Ele.&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;&lt;b&gt;A inteligência só faz a sua parte por completo quando realiza uma função religiosa, isto é, quando venera a verdade suprema em suas aparências menores e dispersas.&lt;/b&gt;&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;Quando o estudo contempla inteligíveis fixos, torna-se um “estudo da eternidade”. Há verdades cuja comparação com as montanhas as torna efêmeras como a brisa.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;IV – A disciplina do corpo&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A mente só pode comunicar através do corpo. Aristóteles já dizia que uma boa constituição corporal corresponde à nobreza da alma. Por isso, recomenda-nos Sertillanges que não desprezemos a ciência da higiene e da ergonomia, porque até elas enriquecerão a sua atividade filosófica. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Respire muito oxigênio. Trabalhe numa posição que dê liberdade para os pulmões e não comprima outros órgãos. Exercite-se. Descanse. Tenha cuidado com a alimentação. Não durma nem muito pouco nem em excesso. Exercite a sua &lt;b&gt;sabedoria corporal&lt;/b&gt;, como já recomendava São Tomás.&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;O amigo do prazer é inimigo do seu corpo e depressa se torna inimigo da sua alma. A mortificação dos sentidos é requerida para o pensamento e só ela nos pode colocar naquele estado clarividente de que falava Gratry. Se obedecer à carne, estará a caminho de ser carne, quando deveria ser todo espírito.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;Ora, por que Aquino era chamado de &lt;i&gt;Doctor Angelicus&lt;/i&gt;? Será porque ele era dotado de asas? Não, mas porque nele tudo se &lt;b&gt;subordinava ao pensamento genial e santo&lt;/b&gt;, porque ele era &lt;strong&gt;todo alma&lt;/strong&gt;, “uma inteligência servida por órgãos” (e &lt;b&gt;jamais&lt;/b&gt; o contrário).&lt;/p&gt;  &lt;p&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Nos próximos dias, seguiremos com a exposição desta obra. Obrigado.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4388487925984704521-9140690400409311462?l=lectionesphilosophica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lectionesphilosophica.blogspot.com/feeds/9140690400409311462/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lectionesphilosophica.blogspot.com/2009/10/vida-intelectual-por-sertillanges-i.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4388487925984704521/posts/default/9140690400409311462'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4388487925984704521/posts/default/9140690400409311462'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lectionesphilosophica.blogspot.com/2009/10/vida-intelectual-por-sertillanges-i.html' title='A Vida Intelectual, por Sertillanges - I'/><author><name>Renan Santos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17608988790611781498</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0J-_pgCSqgo/Sqb-vuFgw9I/AAAAAAAAAH0/EdqQlSSqhS0/S220/renan2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4388487925984704521.post-8785492601785174789</id><published>2009-10-04T09:09:00.001-07:00</published><updated>2009-10-04T10:18:03.554-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='protréptico'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='aristóteles'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='protreptikos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='filosofia'/><title type='text'>Aristóteles nos convida à Filosofia - II</title><content type='html'>&lt;p&gt;Voltemos à obra de Aristóteles.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O próximo trecho do seu &lt;i&gt;Protreptikos&lt;/i&gt; separado por &lt;b&gt;Jâmblico&lt;/b&gt; trata do &lt;b&gt;propósito&lt;/b&gt;, do &lt;b&gt;fim&lt;/b&gt;, do &lt;i&gt;telos&lt;/i&gt;, aquilo que, sabemos, terá uma importância basilar na construção do prédio aristotélico.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Diz o estagirita que há no mundo as coisas causadas (com propósitos) e as coisas fortuitas (indeterminadas). Entre as coisas causadas, há aquelas causadas pela natureza e as causadas pela atividade mental (inteligíveis, idéias) ou pela arte (techne). O fim da arte é buscar “completar o serviço” da natureza (o Aristóteles da Metafísica dirá que “realiza potências”) (p. ex., alguns grãos germinam naturalmente, enquanto outros precisam de uma atitude do homem para tal)&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Bem, e qual o &lt;b&gt;nosso&lt;/b&gt; próposito, a razão de nossa causa? Para Pitágoras, por exemplo, é “observar os céus”, e para Anaxágoras “observar as coisas nos céus, as suas estrelas, a lua, o sol”.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;O propósito é sempre superior ao criado.&lt;/b&gt; O propósito natural é o último a ser completamente finalizado no desenvolvimento. Primeiro, o físico; depois, a alma (forma?). &lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;Coisas amadas em razão de algo – necessidades e causas conjugadas&lt;/p&gt;    &lt;p&gt;Coisas amadas por si – bens no sentido estrito&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;A maioria dos homens desconhece tal distinção. É por isso que os legisladores precisam muito mais de filosofia que os doutores, pois ela se fundamenta no conhecimento da natureza &lt;b&gt;e&lt;/b&gt; da verdade – do justo, do bom, etc. As outras profissões tiram seus princípios da experiência, enquanto o filósofo &lt;b&gt;olha para as coisas mesmas, não imitações&lt;/b&gt; (mais platônico do que Aristóteles jamais terá sido!). O conhecimento do filósofo é contemplativo, mas nos permite construir tudo a partir dele. A filosofia é como a abóboda celeste, que serve de firmamento às estrelas mais brilhantes (no post sobre o &lt;i&gt;Convivio&lt;/i&gt; de Dante falaremos mais disso - em breve).  &lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;Viver em potência (capacidade) – “pessoas que sonham”&lt;/p&gt;    &lt;p&gt;Viver em atualização (utilização) - “pessoas que acordam” (metáfora presente na República!)&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;Ora, se viver é ter existência,&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;Fica claro que uma pessoa sábia certamente existe no mais alto grau e sentido apropriado, e principalmente quando exercita sua faculdade e realmente contempla o que é mais cognoscível das coisas que existem.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;Como diz Aristóteles, contentar-se enquanto se bebe uma bebida é diferente de contentar-se com a bebida em si mesma:&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;Qualquer atividade é ou prazerosa ou dolorosa não porque sentimos prazer ou dor em &lt;b&gt;sua &lt;/b&gt;presença, mas porque somos afligidos ou agradados &lt;b&gt;por&lt;/b&gt; sua presença.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;Assim, negando o hedonismo, Aristóteles afirma que a vida prazerosa só é prazerosa na medida em que &lt;b&gt;a vida &lt;/b&gt;causa prazer a quem a tem, e não as suas particularidades. Viver prazerosamente é diferente de saber que &lt;b&gt;a vida é em si prazerosa&lt;/b&gt;, de que ela é um bem, e viver constantemente com esta noção é quase que uma exclusividade dos (verdadeiros) filósofos.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Como reitera Jâmblico: &lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;Na filosofia, ser bom e ter sucesso são duas coisas que se separam, e a primeira é superior à segunda.&lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;As palavras finais de Aristóteles no fragmento são para ecoar pela eternidade: &lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;Se o sucesso (puro e simples) é o desejo (puro e simples), a sabedoria já se provou ser a coisa mais desejável. &lt;b&gt;O sucesso é, desta forma, a prática da filosofia.&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p&gt;(...)&lt;/p&gt;    &lt;p&gt;&lt;b&gt;Dai que todos devem praticar a filosofia, se puderem; pois ou isso é a vida perfeitamente boa ou, para ser breve, está acima de toda a causas dela em nossas almas.&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;O terceiro fragmento.&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;À parte dos dois fragmentos anteriores que já tratamos, havia na Antigüidade duas referências indiretas sobre o &lt;i&gt;Protreptikos&lt;/i&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Um informava que Aristóteles havia dedicado a obra a &lt;b&gt;Themison&lt;/b&gt;, rei do Chipre.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Em sua &lt;i&gt;Anthology&lt;/i&gt;, &lt;b&gt;João Stobeu&lt;/b&gt; cita &lt;b&gt;Theodorus&lt;/b&gt; (desconhecido), que cita uma seleção do filósofo cínico &lt;b&gt;Teles&lt;/b&gt;, o qual cita o estóico &lt;b&gt;Zenão&lt;/b&gt;, que por sua vez menciona a resposta do cínico &lt;b&gt;Crates &lt;/b&gt;à primeira leitura do &lt;i&gt;Protreptikos&lt;/i&gt; (ufa!).&lt;i&gt; &lt;/i&gt;Nela, Crates contradiz, bem ao estilo cínico, a primeira idéia que Aristóteles mencionava, a de que a riqueza e a postura são vantagens para o estudo filosófico (uma afirmação dirigida ao abastado rei Themison). Diz-se que Crates leu tal passagem para seu sapateiro e que depois disse “acho que devo escrever uma exortação a &lt;b&gt;você&lt;/b&gt;, Philiscus” – Crates considerava que os ricos tinham muito menos tempo sobrando em suas vidas para poderem praticar a filosofia (e ele não deixava de estar certo!).&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A segunda referência trata-se de um argumento protréptico não incluso nos outros fragmentos, um argumento que foi muito modificado através da trajetória que teve nas mãos de doxógrafos e comentaristas do mundo antigo.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Alexandre de Afrodisia&lt;/span&gt;, o mais célebre comentarista de Aristóteles de sua época (séculos II e III d.C.) (muito estimado pelos árabes posteriormente), em seu “Comentário sobre os tópicos de Aristóteles” explica a uma determinada altura como termos ambíguos e equívocos podem tanto provar quanto refutar certas proposições. Como exemplo, cita ele um argumento de Aristóteles no &lt;i&gt;Protrético&lt;/i&gt; no qual ele diz que &lt;b&gt;não se pode dizer que não se deve filosofar porque isso é investigar a própria questão, e isso é filosofar. Tanto a filosofia quanto a investigação são naturais ao ser humano, e inseparáveis.&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Por sua vez, o &lt;i&gt;scholar &lt;/i&gt;armeniano &lt;b&gt;David&lt;/b&gt;,&lt;b&gt; &lt;/b&gt;“o invencível”, no séc. V d.C, em seu próprio &lt;i&gt;Prolegômena à Filosofia &lt;/i&gt;expande o argumento de Aristóteles:&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;Se uma pessoa diz que você não deveria ser um filósofo, teria usado uma demonstração pela qual refutou a filosofia. Mas se ela usou uma demonstração, então está claro que ela filosofa. Pois a filosofia é a mãe das demonstrações.&lt;/blockquote&gt;Assim, qualquer demonstração de que não se deve filosofar é absolutamente falsa.&lt;p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O professor de filosofia neoplatônico &lt;b&gt;Elias&lt;/b&gt;, no séc. VI d.C., em suas aulas introdutórias também parafraseava o argumento:&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;Se você deve filosofar, você deve filosofar, e se você não deve filosofar, então você deve filosofar. Portanto, em qualquer caso, você deve filosofar. Pois se a filosofia existe, então somos positivamente obrigados a filosofar, pois ela realmente existe. Mas se ela não existe realmente, mesmo assim somos obrigados a filosofar o porquê da filosofia não existir realmente. Mas ao investigar estaremos filosofando, pois &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;a investigação é a causa da filosofia&lt;/span&gt;.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mais ou menos na mesma época, &lt;b&gt;Olimpiodoro&lt;/b&gt;, o Jovem - provevelmente o último platônico de Alexandria - oferece a sua versão do argumento em seu comentário sobre &lt;i&gt;Alcebíades&lt;/i&gt; (um diálogo platônico também no gênero protréptico), numa forma mais condensada.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Finalmente, um comentarista desconhecido deixou uma nota marginal em um manuscrito do&lt;span style="font-style: italic;"&gt; Analíticos Anteriores &lt;/span&gt;com a sua versão do argumento, e parece que essa foi justamente a que ficou para a posteridade. Apreciemos:&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;Se você deve filosofar ou não deve filosofar, você deve filosofar. E, de fato, ou você deve filosofar ou não deve filosofar. Portanto, &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;em qualquer caso, você deve filosofar&lt;/span&gt;.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Sim, amigos, devemos filosofar.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Urgentemente.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Querem saber como começar, o que fazer, como estudar?&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Aguardem, pois, no próximo post, exporemos um resumo do tratado de &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Sertillanges&lt;/span&gt; sobre &lt;strong&gt;a vida intelectual. &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4388487925984704521-8785492601785174789?l=lectionesphilosophica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lectionesphilosophica.blogspot.com/feeds/8785492601785174789/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://lectionesphilosophica.blogspot.com/2009/10/aristoteles-nos-convida-filosofia-ii.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4388487925984704521/posts/default/8785492601785174789'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4388487925984704521/posts/default/8785492601785174789'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lectionesphilosophica.blogspot.com/2009/10/aristoteles-nos-convida-filosofia-ii.html' title='Aristóteles nos convida à Filosofia - II'/><author><name>Renan Santos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17608988790611781498</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_0J-_pgCSqgo/Sqb-vuFgw9I/AAAAAAAAAH0/EdqQlSSqhS0/S220/renan2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4388487925984704521.post-2386064459600879977</id><published>2009-09-27T17:11:00.001-07:00</published><updated>2009-09-27T18:25:11.873-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='convite'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='protréptico'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='aristóteles'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='protreptikos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='filosofia'/><title type='text'>Aristóteles nos convida à Filosofia</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;a href="http://lh3.ggpht.com/_0J-_pgCSqgo/Sr__PRbWoLI/AAAAAAAAAKc/m74GshzO398/s1600-h/image%5B6%5D.png"&gt;&lt;img title="image" style="border: 0px none ; margin: 0px 10px 0px 0px; display: inline;" alt="image" src="http://lh4.ggpht.com/_0J-_pgCSqgo/Sr__QD1QsaI/AAAAAAAAAKg/7K4az2XUUm8/image_thumb%5B4%5D.png?imgmax=800" align="left" border="0" width="125" height="150" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Hoje comentaremos sobre uma das obras mais influentes e famosas da filosofia no mundo antigo, e que hoje infelizmente pouco se discute: o &lt;em style="font-weight: bold;"&gt;Protreptikos&lt;/em&gt;, ou, como se convencionou chamar, &lt;em style="font-weight: bold;"&gt;Convite à Filosofia&lt;/em&gt;. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Trata-se de uma obra peculiaríssima que mostra uma face de Aristóteles muitas vezes desconhecida. Se o bojo do legado aristotélico põe às claras uma mente lógica, supinamente racional, um discurso por vezes muito árido, e uma oposição ferrenha a grande parte do legado de seu mestre, o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Protreptikos&lt;/span&gt;, por sua conta, retira das sombras um outro homem, quase o seu antípoda. Vemos nela o perfil de um vigoroso discípulo de Platão, um apologeta sangüíneo do conhecimento universal, um devoto da sabedoria que evidencia o seu amor através de uma retórica límpida e fluída, um jovem &lt;i&gt;akademikos&lt;/i&gt; que, se ainda não apresentava a originalidade peripatética que viria ser a realização maior do pensamento ocidental, já demonstrava um apego tão entusiasmante à verdade que acabaria por influenciar grandes personagens da filosofia.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Já na antigüidade, sabia-se que o &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Crates&lt;/span&gt;, o cínico de Tebas, teria lido a obra para um sapateiro, contando-lhe que originalmente ela fora dirigida a Themison, um rei do Chipre.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Cícero&lt;/span&gt;, no primeiro século antes de Cristo, a adapta e a expande, compondo o seu &lt;i&gt;Hortensius&lt;/i&gt;, um convite para os grandes cidadãos de Roma à filosofia grega.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Cinco séculos depois, a realização do orador romano é lida pelo jovem &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Santo Agostinho&lt;/span&gt;, a quem influencia definitivamente para a vida filosófica - que viria a ser exemplar.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Praticamente “morto” na história da filosofia, o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Protreptikos&lt;/span&gt; voltou à vida em 1869 através do &lt;i&gt;scholar&lt;/i&gt; inglês &lt;b&gt;Ingram Bywater&lt;/b&gt;, que encontrou fragmentos seus inseridos no texto protréptico (exortativo) do neopitagórico assírio &lt;b&gt;Jâmblico de Chalcis&lt;/b&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Na &lt;a href="http://www.4shared.com/file/135684983/286343a1/Protrepticus.html"&gt;edição de 2002&lt;/a&gt; sobre a qual me baseei, são dispostos discriminadamente os três pedaços que nos restaram, pedaços que, se não nos permitem o pleno contato com o discurso original, ao menos nos possibilitam um vislumbre muito substantivo, no qual é inevitável a leitura de passagens impressionantes e iluminadoras.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;O primeiro achado&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Por mais de mil anos, pouco mais se teve acesso à exortação aristotélica do que &lt;b&gt;dois parágrafos&lt;/b&gt;, presentes na imensa coleção de ditos da sabedoria antiga que &lt;b&gt;João Stobeu&lt;/b&gt; arranjara para o seu filho (hoje em dia publicada sob o título &lt;i&gt;Anthology&lt;/i&gt; ou &lt;i&gt;Florilegia&lt;/i&gt;), e não se sabia a origem exata de tais trechos.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Só na segunda metade do séc. XIX, com o grande &lt;span style="font-style: italic;"&gt;boom&lt;/span&gt; da filologia clássica, é que &lt;i&gt;scholars&lt;/i&gt; alemães lançaram a hipótese de que os fragmentos seriam parte do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Protreptikos&lt;/span&gt; perdido de Aristóteles. Eis que no fim do mesmo século, são descobertos diversos papiros em Oxyrhynchus, Egito, em um sítio que teria sido local de reciclagem de papiros. Entre eles, os fragmentos &lt;i&gt;POxy666&lt;/i&gt;, um bloco do que aparentemente teria sido um livro muito caro, confeccionado no século II depois de Cristo, com toda a obra transmitida por Stobeu, e que confirmou serem aqueles parágrafos originários do &lt;i&gt;Protrepticus&lt;/i&gt; (além de reforçarem a idéia de que Stobeu estaria se baseando numa antologia anterior à sua).&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Nesses dois breves parágrafos que sobreviveram à história, Aristóteles ataca a valorização dos bens materiais e defende a valorização da alma e da busca pela sabedoria.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;O segundo achado&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;Jâmblico de Chalcis&lt;/b&gt; foi um filósofo e professor assírio que viveu entre os séculos II e III d.C. De perfil neopitagórico, compôs &lt;i&gt;o De Secta Pythagorica&lt;/i&gt;, cujo 2º volume constituía o seu própro &lt;i&gt;Protrepticus&lt;/i&gt;, onde expunha diversas passagens de Pitágoras, Platão e Aristóteles, embora sem nunca citar suas autorias. A hipótese de alguns destes trechos serem parte da obra perdida do estagirita só foi ser efetivamente investigada em 1869, a partir do jovem &lt;i&gt;scholar &lt;/i&gt;inglês &lt;b&gt;Ingram Bywater&lt;/b&gt;, e hoje muitos especialistas concordam com a reconstrução (embora ainda haja dúvidas na hora de delimitar quais palavras são de Iâmblico e quais são do próprio Aristóteles).&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Exponhamos brevemente tais fragmentos:&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p&gt;No primeiro deles, Jâmblico, já tendo parafraseado Pitágoras e Platão, parte para uma seção repleta de passagens do grande estagirita. Começamos com algumas afirmações notáveis (tradução minha a partir do inglês):&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;Toda natureza, como se tomada de razão, não faz nada por acaso, mas tudo por algum sentido, e a natureza dedica-se mais a banir o fortuito daquilo que é por algum sentido do que se dedica às artes (technai) – porque as artes são na verdade imitações da natureza.&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Ora, essa pode ser uma das passagens mais platônicas do &lt;i&gt;corpus&lt;/i&gt; aristotélico!&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Em seguida, ele corrobora a noção de seu mestre sobre a alma; de que o corpo existe em razão da alma, e que ela contém em si duas partes: a racional e a irracional, esta por sua vez existindo em razão daquela, com seu fim àquela. &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;As coisas autônomas são sempre superiores às coisas dependente&lt;/span&gt;s (“como escravas”)&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A verdade é que irá se perceber nestes escritos de Aristóteles que a base sobre a qual gravitam suas exposições é o princípio básico e inescapável de que, como ele diz:&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;o que é inferior sempre serve em razão do que lhe é superior&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Por isso, a contemplação não é boa por si mesma, mas só a contemplação que se dá sobre &lt;b&gt;elementos de ordem e princípios universais. &lt;/b&gt;Se a visão se dirige a objetos visíveis, o intelecto se dirige os objetos inteligíveis, superiores àqueles.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;Desprovido de percepção e intelecto, um humano torna-se algo muito similiar a uma planta; desprovido unic
